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The Big Goodbye
Por Gustavo Leão | 1 janeiro, 2008
Bom, essa é a última coluna minha aqui no Trek Brasilis por uns tempos. Com o fim de Voyager (que nas mãos pouco talentosas do pseudo-produtor Ken Biller mais parece um suicídio do que uma morte honrosa num franchise moribundo) e a longa gestação de uma nova série e um novo filme (que estão demorando mais pra nascer que bebê de elefante em um parto bem complicado e cheio de mentiras e non-sequiturs do produtor Rick “Give Me The Money” Berman) está na hora de Gustavo Leão, o algoz dos trekkies, tirar umas bem merecidas férias de Jornada nas Estrelas. (Sem dúvida, certas pessoas estão respirando aliviadas agora.)
Adorei o Trek Brasilis e gostei da resposta que a minha coluna teve em diversas áreas, desde entre os meus amigos pessoais do news da UOL (leitores assíduos deste site, o primeiro nacional no mesmo nível de um TrekWeb ou TrekToday) até gente que antes me criticava como pseudo-intelectual alienado (bom, talvez eles ainda me achem de pseudo-intelectual alienado, mas pelo menos não me chamam mais de trekkie…).
Fiz na pessoa do Salvador Nogueira um bom amigo, e amigos meus até chegaram a conhecê-lo pessoalmente e, para meu desespero, falaram que ele é ainda mais jovem do que eu, que tenho só 30 aninhos. Como alguém tão jovem pode ser tão bom no que faz e tão imparcial e perspicaz no seu trabalho? A minha amizade com o Salvador foi a melhor coisa que nasceu da coluna “Nas Garras do Leão“, e acho ele a primeira pessoa realmente inteligente e com senso crítico jornalístico com relação a Jornada nas Estrelas e seus bastidores e politicagens que conheci no fandom nacional.
Ele falou que Jornada ia renascer das cinzas na mídia brasileira e aconteceu. Ele foi o primeiro a ver de forma oficial os erros cometidos nas dublagens e a politicagem trekkie na empresa VTI-Rio e acredito que isso foi um dos fatores na melhoria da qualidade da dublagem e principalmente da tradução de Jornada no Brasil (apesar de ser totalmente contra tal procedimentos em canais de TV a cabo e totalmente a favor da legendagem, como até a Fox está adotando, sou obrigado a admitir que a tradução e a dublagem da empresa do sr. Barbera melhorou –um pouco). Foi o Salvador que mostrou que não é preciso ser um fundamentalista trekkie e dono de fã-clube para dominar o assunto (e acima de tudo –informar!) Como Kirk e sua tripulação em Jornada III e IV, você não precisa usar uniforme para ser um bom “capitão”, “almirante”, o diabo. Parabéns pra ele.
Muitos não deram ouvidos para mim por que nunca fui muito diplomático (e Jornada nunca foi um pólo de socialização na minha vida), mas muito deram ouvidos para ele, do bom e do ruim, e se Jornada e seu fandom mudaram no Brasil, grande parte é fruto de esforços de gente como o Salvador. E não só ele: olhe por aí e descubra gente como o ex-editor da “Sci-Fi News” Paulo Maffia (a verdadeira alma daquela revista –esperamos que ela se recupere da perda), Sérgio Figueredo e seus colegas na Abril, meus colegas do news da UOL e os colunistas desse site –todos mostraram a muita gente (dos “big shots” do USA Network e da Globosat a mim mesmo) que admiradores de Jornada e cultura pop e sci-fi norte americana não têm de ser um bando de nerds destrambelhados que só se reúnem em centro de convenções para trocar bottons. De Jornada, é lógico.
E por falar em Jornada, aí está o motivo de minhas férias. Cansei da série. Ela já cumpriu o que podia na minha vida por enquanto. Ela já me deu mais de 700 horas de divertimento (dependendo do episódio, é claro) e inúmeras boas horas de leitura, mas tudo tem limite e o atual regime e a criatividade da série não estão me dando mais, com o perdão da expressão, tesão. Jornada X será ótimo? Não sei, mas acho que não. A nova série valerá a pena, sendo ou não uma pré-seqüência? Sinceramente, vindo da mente de Brannon Braga, nem no século 69 (no bom sentido) ele fará alguma coisa que preste. Ele não ouviu as palavras de Michael Piller em sua entrevista ao Trek Brasilis –então para que perder nosso tempo com ele?
Continuarei como co-editor do TrekWeb provavelmente até a estréia de Jornada X, pois devo muito a Steve Krutzler, o maior nome fora do franchise nos EUA e um sujeito que me abriu muitas portas lá fora (dentro e fora do espaço virtual da net) e a quem devo muito. Por isso, “Nas Garras do Leão” entra agora em hibernação e Gustavo Leão vai guardar suas fitas e livros e curtir um pouco mais sua vida. Ele já tem 30 anos e vai fazer 31 em breve, então mal dá tempo de ele (com seus dois empregos, um em BH e outro em Brasília) ainda arranjar tempo para assistir TV (e dá-lhe Buffy, Angel, Farscape e tudo de bom e criativo que é produzido hoje em dia em Hollywood e que não tem o nome de Brannon Braga e Rick Berman nos créditos. Saudades da profunda e enigmática Deep Space Nine e da verdadeira e utópica A Nova Geração, aquela que existia antes da militarista Enterprise-E, quando seus personagens ainda tinham o espírito da serie na sua Galaxy Class Enterprise-D. E, é lógico, de Kirk, Spock e McCoy, os melhores cowboys da fronteira do espaço
sideral).

Vou para as minhas montanhas mineiras, respirar o ar puro. Ainda apareço de vez em quando no Fórum e no news, afinal fiz amigos aqui e lá. É engraçado, eu acho, mas as coisas mudam. Jornada nas Estrelas no Brasil está em boas mãos na mídia, finalmente. O fandom está menos alienado. O Trek Brasilis lançou no Brasil o jornalismo sério (que já está sendo copiado por outros sites brasileiros, graças a Deus) que o TrekWeb e o TrekToday já faziam há tanto tempo lá fora e que faltava em nossa terra. Já nos EUA, cruzem os dedos. Se alguém como um novo Nicholas Meyer e um novo Gene Coon surgir e colocar Jornada no topo de novo, eu desço das montanhas e faço uma continuação dessa coluna. Mantenha os dedos cruzados –ou não.

Artigo originalmente publicado no conteúdo clássico do Trek Brasilis em 2001.
Categorias: Star Trek |
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