randyshatner2.jpgPara um recente trabalho profissional, uma das etapas que tive que providenciar foi uma tradução (ainda incompleta no momento) d’A Última Palestra do recém-falecido professor Randy Pausch, como já reportado aqui no TB pelo Ralph. Mas desta minha tradução da palestra sobre seus sonhos de infância, a parte relacionada a franquia de Jornada nas Estrelas já está disponível. Vamos ver como o Professor conseguiu se aproximar de seu sonho de Jornada.

Muito bem, a próxima. [risadas] [mostra um slide “Ser como Conhecer o Capitão Kirk] Em um certo momento você acaba percebendo que existem algumas coisas as quais você não vai conseguir fazer, então talvez você queira apenas estar próximo das pessoas. E quero dizer, meu deus, mas que exemplo para os jovens. [risadas] [mostra slide do Capitão Kirk sentado em sua estação de controle na Enterprise] Quero dizer, isto é tudo o que você quer ser, e o que eu aprendi que me foi valioso como liderança mais tarde é que, você sabe, ele não era o cara mais inteligente na nave. Quero dizer, Spock era muito inteligente e McCoy era o médico, e Scotty era o engenheiro.

E você meio que acompanha, e que conjunto de habilidades ele teve que conseguir nesta coisa para a fazer funcionar? E, vocês sabem, claramente este conjunto de valores é a liderança, e vocês sabem, mesmo gostando ou não da série, não há dúvidas que havia um monte de coisas a se aprender em como liderar pessoas a se assistir este cara em ação. E ele tinha os brinquedos mais legais! [risadas] [mostra slide de equipamentos de Jornada nas Estrelas] Quero dizer, meu deus, eu imaginava que isto era fascinante quando garoto que eles tinham esta coisa [mostra um comunicador de Jornada nas Estrelas] e eles podiam falar com a nave através dele. Eu pensava que isto era espetacular e é claro que agora eu possuo um e é menor. [mostra o telefone celular] Então é algo bem legal.

Então eu consegui realizar este sonho. James T. Kirk, e o seu alter-ego Willian Shatner, escreveu um livro, que eu penso que é um livro bem legal. Foi escrito com Chip Walter, que é um autor de Pittsburgh, que é muito bom, e eles escreveram um livro sobre basicamente a ciência de Jornada nas Estrelas, vocês sabem, o que dela que se tornou realidade. E eles rodaram o país pelos principais locais e viram várias coisas, e eles vieram aqui para estudarem nossa instalação de realidade virtual.

E então nós preparamos uma realidade virtual para ele, e parecia meio como isto. [mostra um slide com uma ponte de comando virtual de Jornada nas Estrelas do seriado dos anos 60] Nós o colocamos lá e colocamos em alerta vermelho. Ele levou muito na boa. [sarcasticamente] Não é como se ele não sabia que estava vindo uma destas. [risadas] E é realmente muito bom conhecer o seu ídolo de infância, mas é ainda mais legal quando ele vem até você para conhecer aquilo que você está trabalhando no seu laboratório. E este foi um grande momento.

Para conhecer mais do trabalho do Professor, você pode ir até o website pessoal dele mantido no site da Universidade Carnegie Mellon.

O ponto principal do que Pausch valoriza neste seu sonho de infância em particular é claramente um daqueles que realmente é o valioso em Jornada nas Estrelas: personagens, personagens, personagens. A interação de pessoas, suas relações e as conseqüência destas, e é o que o inspirou a olhar para o capitão da Enterprise como um modelo.

E um ponto que eu achei fundamental Pausch ressaltar é que o livro co-escrito por Shatner e Walter que ele cita trata sobre o que se tornou realidade da ciência vista na franquia, deixando claro que apenas uma parcela disto dá para se discutir de maneira séria. Ainda assim, ficaria melhor descrever isto como sendo os conceitos vistos em Jornada que se tornaram realidade, ao invés de afirmar que teria sido a ciência pura e simples vista que teria se tornado realidade.

Pois apesar de toda a babação de ovo que uma parcela do fandom gosta de fazer em cima da ciência vista em Jornada, venhamos e convenhamos — a “ciência” vista em Jornada não é a prova-de-bala, e nem nunca foi escrita para ser. O que é o mais valioso relativo a isto é que Jornada nas Estrelas valoriza o conceito de boa prática científica, de aplicação do método científico, de exploração para ampliar o conhecimento e todo este jazz. Isto é o fundamental. Mas que as equipes criativas da franquia sempre vão priorizar conveniência de roteiro em favor de precisão científica per se, disto não há a menor dúvida. E nem poderia ser diferente.