TAS 1×02: The Infinite Vulcan

Desenho animado traz à tona conceitos de eugenia e polêmica de clonagem. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “The Infinite Vulcan”, de Jornada nas Estrelas: A Série Animada.

Sinopse:

Data Estelar: 5554.4.

A Enterprise visita o recém-descoberto planeta Phylos, e um grupo de descida encontra uma cidade abandonada na superfície. Enquanto estudam as construções, Sulu pega uma planta e é envenenado.

O dr. McCoy luta desesperadamente para salvá-lo, mas não obtém bons resultados. Durante o atendimento médico, uma criatura alienígena se aproxima e se oferece para salvar a vida de Sulu. Sem opções, o capitão Kirk autoriza o procedimento, que acaba sendo bem-sucedido.

O Phylosiano, de nome Agmar, tem a fisiologia de uma planta inteligente. Ele conta que o veneno que afetou Sulu foi trazido acidentalmente ao planeta por um visitante, que logo depois trabalhou para encontrar a cura. Os Phylosianos chamam esse visitante de “Mestre” e “Salvador”.

O grupo de descida descobre que esse visitante é na verdade o cientista terráqueo da época das Guerras Eugênicas, Starros Keniclius, que já teria morrido. Agora um clone gigante do dr. Keniclius, chamado Keniclius 5, tomou seu lugar.

O gigante deseja clonar Spock para criar um exército pacifista intergaláctico, para impor a paz sobre os outros povos. Kirk tenta convencê-lo de que o Universo já se tornou um conglomerado de mundos pacíficos dentro da Federação, mas Keniclius 5 prossegue com seu plano, levando Spock perto da morte durante o processo.

Kirk percebe que o único meio de salvar Spock é lembrar o clone de certos aspectos da filosofia Vulcana — mostrando que um exército clonado de Spocks e a destruição do original iam contra o conceito IDIC (Infinita Diversidade em Infinitas Combinações). Diante da persuasão do capitão, o Spock gigante salva a vida do original por meio de uma união de mentes. O clone decide permanecer no planeta com Keniclius para revitalizar a civilização Phylosiana.

Comentários:

“The Infinite Vulcan” é uma história interessante, embora acabe se tornando um pouco repetitiva — o que, em um episódio de 23 minutos, é uma coisa grave. Duas ou três perseguições do grupo de descida por plantas voadoras, longos diálogos entre Kirk e os diferentes Spocks e o discurso de Keniclius deixam a audiência com uma sensação de déja vu.

Também é de causar estranhamento a atitude dos Phylosianos — que ora parecem pacíficos, ora vilões abomináveis. Essa troca súbita de personalidade não favorece em nada a caracterização dos personagens, embora seja possível explicar seus comportamentos. Eles não eram maus de fato, só compartilhavam das mesmas idéias de imposição da paz e de eugenia que o dr. Keniclius.

Finalmente, também não há nenhuma boa explicação para o fato de os clones serem gigantes. Provavelmente a característica foi acrescentada para tornar os seres mais ameaçadores e poderosos — uma imagem que se não é realista, ao menos influencia no julgamento feito pelo público infantil. Afinal, este é um desenho animado a ser exibido nas manhãs de sábado!

Tirando esses pormenores, trata-se de um belo enredo, que toca em temas interessantes, como clonagem e eugenia. A discussão está mais atual do que nunca, com cientistas anunciando polêmicos projetos para clonar seres humanos, e seguramente não pertence a um desenho infantil.

Além disso, é igualmente interessante a referência que se faz às Guerras Eugênicas, cujo subproduto mais conhecido é o vilão Khan Noonien Singh. Trazer esse elemento numa breve citação, além de fazer um tremendo sentido, paga um belo tributo à série clássica.

Somando todos esse elementos ao fato de que trata-se da única contribuição de Walter Koenig (Chekov) à série, podemos ver “The Infinite Vulcan” como um episódio memorável. Mas ele não chegaria nem perto do que a Série Animada ainda iria oferecer mais adiante.

Citações:

Egmar – “To wait is to assure your friend’s death. I must proceed.”
(“Esperar é garantir a morte de seu amigo. Eu preciso prosseguir.”)

McCoy – “Intelligent plants?!?”
(“Plantas inteligentes?!?”)

Kirk – “We already have peace in the Federation. And it wasn’t imposed, it was agreed upon.”
(“Nós já temos paz na Federação. E não foi imposta, foi feita em comum acordo.”)

Trivia:

  • Este episódio mencionou a raça dos Kzinti, em uma ligação para o futuro episódio “The Slaver Weapon”.
  • O roteirista deste episódio, Walter Koenig, atuou na Série Original como o alferes Pavel Chekov. O ator também é conhecido como Alfred Bester, um agente da Psi Corps do seriado Babylon 5.
  • Neste episódio, plantas voadoras ameaçam o grupo de descida da Enterprise. A animação foi reutilizada pela Filmation para representar criaturas do episódio “The Eye of the Beholder”, em uma medida clara de contenção de despesas.
  • O episódio tem um erro de produção: enquanto Spock está sendo mantido cativo na superfície do planeta, uma rápida tomada da ponte mostrou o Vulcano a bordo!
  • Ao contrário do que diz a crença popular, em nenhum filme ou episódio de Jornada o capitão Kirk disse “Beam me up, Scotty”. Entretanto, neste episódio animado ele chegou bem perto, ao dizer: “Kirk a Enterprise. Beam us up, Scotty”.
  • A planta Retlaw vista nesse episódio foi batizada em homenagem ao roteirista do episódio (“Retlaw” é “Walter” ao contrário).
  • “The Infinite Vulcan” foi novelizada por Alan Dean Foster no livro “Star Trek Log Two”, publicado pela Ballantine Books em setembro de 1974. Também neste livro há novelizações dos episódios “The Survivor” e “The Lorelei Signal”.

Ficha técnica:

Escrito por Walter Koenig
Dirição de Hal Sutherland
Exibido em 20/10/1973
Produção: 02

Elenco:

William Shatner como James Tiberius Kirk
Leonard Nimoy como Spock
DeForest Kelley como Leonard McCoy
James Doohan como Montgomery Scott
George Takei como Hikaru Sulu
Nichelle Nichols como Uhura

Elenco convidado:

James Doohan como tenente Arex
James Doohan como dr. Keniclius
James Doohan como Agmar
James Doohan como Morgan
James Doohan como Kolchek
Nichelle Nichols como a voz do computador