VOY 1×04: Time and Again

História consegue driblar enrolação e se firma como das melhores da temporada. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Time and Again”, de Jornada nas Estrelas: Voyager.

Sinopse:

Data Estelar: desconhecida.

Durante a exploração de um planeta que recentemente sofreu uma catástrofe global que eliminou toda a sua população, Janeway e Paris são separados do seu grupo avançado e de algum modo se encontram no mesmo local, mas algumas horas antes do cataclisma que consumiu toda a civilização local.

Suas tentativas de retornar para seu próprio tempo os levam ao centro de um protesto da população do planeta contra uma usina de energia polárica, que pode ter sido a causa da destruição.

No início, a capitã proíbe Paris de alertar o povo da catástrofe que estava por vir, alegando que a Primeira Diretriz deveria ser cumprida, mas ela descobre que sua própria presença pode ter causado o desastre. Então, ela decide deixar de lado a diretriz principal da Frota Estelar, com o objetivo de evitar a catástrofe.

Ela acaba descobrindo que o desastre foi causado por uma tentativa de resgate feita pela tripulação da Voyager. Conseguindo evitar o sucesso da tentativa, ela salva o planeta e elimina da existência todos os eventos que ocorreram após a chegada da Voyager àquele mundo.

Comentários:

“Time and Again” consegue driblar o problema crônico de Voyager — o excesso de termos técnicos sem sentido para explicar a história — e resiste como um dos melhores episódios da primeira temporada.

Não que ele não possua o excesso de tecnobaboseira comum à maioria absoluta dos episódios da série, mas o segredo aqui é que a “forçada de barra” fica ofuscada pelo brilhantismo do enredo.

Além de ser uma aventura interessante, com um final surpreendente, o episódio toca em uma questão contemporânea também atual. É óbvia a analogia das usinas de energia polárica do planeta alienígena com as atuais instalações nucleares da Terra. Até um grupo de revoltados membros de um “Greenpeace” extraterrestre marca sua presença!

Essa história mostra a ênfase imposta pelos produtores no início da série em tratar de questões contemporâneas. No piloto, “Caretaker”, aborda-se o desastre ambiental e a falta de água. Em “Time and Again”, a inspiração é a produção de energia em detrimento da segurança.

Outro recurso utilizado no episódio que tem resultados interessantes é o famoso “reset”: ao final, descobrimos que tudo se trata de uma linha temporal alternativa que foi excluída da existência. Nada do que vimos realmente aconteceu.

Essa técnica já apareceu em grandes episódios, notadamente em “Yesterday’s Enterprise”, de A Nova Geração, e “Year of Hell”, um episódio duplo do quarto ano de Voyager. Mas trata-se de um risco calculado — muitos resets podem acabar tornando fúteis as histórias. Fica fácil escrever qualquer coisa se no fim tudo o que se precisa para resolver o enredo é fazer com que nada tivesse acontecido.

Tom Paris tem nesse episódio a chance de desfilar um pouco de seu carisma, como um bom contraponto para a capitão Janeway, que mostra total seriedade durante a crise. E Kes começa a se mostrar como a Deanna Troi de Voyager — a personagem sensitiva que dá dicas de como prosseguir quando ninguém mais tem idéia do que está acontecendo. Caminho perigoso para desenvolver em um personagem.

Citações:

Doutor – “Seems I’ve found myself on the voyage of the damned.”
(“Parece que eu acabei caindo na viagem dos condenados.”)

Trivia:

  • ‘Time and Again’ teve uma premissa fascinante”, disse Jeri Taylor, co-produtora de Voyager,”e também deu a Paris e Janeway sequências que permitiram que os personagens dessem mais um passo em seu relacionamento. Também foi possível apresentar ao público alguns dos poderes mentais emergentes de Kes. Ela ainda não sabe de quanto seu maravilhoso cérebro é capaz. Porém, é claro que, ao final da história, como nada do que vimos realmente aconteceu, ela ainda não foi capaz de perceber nada disso, mas logo, logo ela terá momentos bem interessantes e será plenamente consciente disso.”

Ficha técnica:

História de David Kemper
Roteiro de David Kemper e Michael Piller
Dirigido por Les Landau
Exibido em 30/01/1995
Produção: 004

Elenco:

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo
como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garrett Wang como Harry Kim

Elenco convidado:

Brady Bluhm como Latika
Ryan McDonald como atendente da loja
Joel Polis como Terla
Jerry Spicer como um guarda
Nicholas Surovy como Makull
Steve Vaught como um oficial

10 Comments on "VOY 1×04: Time and Again"

  1. Primeiro comentário do ano: episódio muito legal. Cativante e com final muito interessante. Até este momento, a série apresentava-se como promissora, com muita coisa a apresentar e se desenvolver.

  2. Também gostei do episodio só achei as roupas dos habitantes do planeta descaradamente parecidas com os uniformes da federação.

  3. Antonio de Pádua | 1 de janeiro de 2009 at 11:20 am |

    Realmente um dos melhores episódios de Voyager.

  4. post 2 – as roupas dos habitantes eram parecidas mesmo por causa de uma certa influencia “fashion” inspirada nos uniformes da federação. Issó é comentado no episódio, bem de leve, mas é

  5. Mais um episódio com forte influência da Diretriz Primeira. Não sei por que a Janeway ficou tão preocupada com ela, já que muitos capitães a ignoravam em casos de grande perigos para os habitantes de tecnologia inferior. Até onde eu conheço de direitos humanos, um país tem o direito de intervir em outro se ele perceber que os riscos podem trazer grande destruição e sofrimento à população local. Por isso acho que deve haver um adendo na Primeira Diretriz, que diz algo que permita intervenção em casos extremos. Aliás, ver uma civilização se estinguir e não fazer nadã por causa de uma regra não é civilidade, é radicalismo.
    E ainda, se houver intervenção cultural essa se dará em certo grau, não totalmente, havendo a partir do futuro mais cultura (talvez modificada, más ainda parte da civilização). Se a civilisação morrer, a cultura termina. É menos civilizado, ao meu ver, mexer nessa cultura através da arqueologia depois de espera-la morrer.
    Por isso acho que Paris mostrou-se mais civilisado, e Janeway mais “fanática” neste episódio.

  6. O episodio pelo pouco que me lembro é interessante, mas graças ao tecnoblabla fica cansativo. Puxa vida, será que no seculo 24 para fazer um comentário os caras tem que emitir um tratado?

  7. Ai rekar, desculpe se meu post foi muito longo, más também vc pode ignora-lo e não o ler. Sei lá pular para o próximo e tal.

  8. Na boa, a essa série até prometia, mas a falta de carisma dos personagens é terrível. A pior interpretação de um vulcano além do superficialidade da maioria dos personagens destoam das demais séries de ST, até mesmo ENT dá um banho em VOY.

  9. Leandro Martins | 2 de janeiro de 2009 at 10:06 am |

    Nelson, caso não tenha visto antes, veja o que eu pedi sobre comentários dos episódios aqui e aqui.

    Mais uma vez: comentários genéricos que se resumem a vir somente com mais da conversa estilo “VOY/ENT não vale nada!!!111!!” não são bem vindos pois não agregam nada de relevante a discussão.

    Se alguém quer comentar que acredita que determinada série não foi boa, então comentem como é que o episódio em particular revisado no artigo contribuiu para isto.

  10. Assisti a se episódio há muito tempo e não lembro nada da história que ele contava, mas lembro da frustração do reset ao final.

    Não adianta a trama ser interessante ou mediamente desenvolvida se ao final “tudo não passou de um sonho”. Esse tipo de final “alternativo” virou clichê em muita ficção científica. Bem qeu Voyager podia ter fugido disso.

    Somado ao anterior, considero uma sequência frustante de episódios nesse começo de temporada.

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