TOS 1×08: Balance of Terror

tos0902Episódio faz discurso contra preconceito e destrói visão maniqueísta do inimigo. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Balance of Terror”, de Jornada nas Estrelas: A Série Original.

Sinopse:

Data Estelar: 1709.2.

O casamento de Angela Martine e Robert Tomlinson é interrompido quando uma ave-de-guerra romulana destrói o posto avançado 4, que guarda a Zona Neutra entre a Federação e o espaço romulano. Kirk descobre que a nave romulana também destruiu três outros postos e agora está fugindo a toda velocidade para casa.

A USS Enterprise persegue a ave-de-guerra, apesar das dificuldades impostas por um dispositivo de camuflagem que torna a nave romulana invisível. O uso da camuflagem, entretanto, impede os romulanos de usarem suas armas ou seus sensores. Por esta razão, o comandante romulano não sabe se seu radar está detectando uma nave da Federação ou apenas um eco de sua própria nave.

Spock consegue captar uma imagem da ponte romulana, que mostra que os romulanos se parecem muito com os vulcanos. Isso desperta um velho preconceito no tenente Andrew Stiles, descendente de uma família que lutou nas Guerras Romulanas. Ele passa imediatamente a suspeitar de Spock, que tem incrível semelhança com os romulanos.

tos0904Depois que todas as tentativas de escapar da Enterprise falham, o comandante romulano é obrigado a lutar. As duas naves sofrem avarias; quando so bancos feiser da Enterprise são avariados, eles emitem um gás venenoso que acaba rendendo Stiles e Tomlinson, que estavam no controle de armamentos. Em uma corrida contra o tempo, Spock consegue disparar manualmente os feisers, desabilitando a nave romulana. O vulcano consegue salvar Stiles, mas Tomlinson é morto.

O comandante romulano contacta a Enterprise e, lamentando, diz a Kirk que em outras circunstâncias, ele suspeita que os dois poderiam ter sido amigos. Em vez de deixar que ele e sua nave fossem capturadas, o romulano destrói a ave-de-guerra.

Comentários:

“Balance of Terror” é considerado um dos episódios clássicos da série original de Jornada nas Estrelas. Este crédito é conquistado por duas grandes inovações presentes na história que contrastam com os padrões da ficção científica da época.

O primeiro deles é o eloqüente discurso contra o preconceito. O segundo, que viria a ser uma das marcas de Jornada nas Estrelas, é a defesa de uma visão não-maniqueísta dos inimigos.

tos0901A história é contruída para evidenciar em um primeiro momento o preconceito do tenente Stiles para com Spock, pelo simples fato de se parecer com os romulanos, para depois deixar claro o repúdio da civilização do século 23 contra o preconceito (mostrado por meio da atitude de Kirk frente ao tenente traumatizado pelos horrores da guerra Terra-Romulus no século 22) e por fim mostrar que o preconceito era realmente infundado, conclusão demonstrada pela atitude de Spock, que se arrisca para salvar o próprio tenente Stiles.

Mas, sem dúvida alguma, o que mais chama a atenção é o senso de honra, justiça, lealdade e conflito impresso nos inimigos da Enterprise. Os romulanos não são simplesmente “maus”; são indivíduos com personalidades e opiniões distintas, são leais e têm um admirável senso de honra (característica que seria transferida para os Klingons em A Nova Geração).

O episódio mostra que a política do Império Romulano não é igual às opiniões de seus soldados. Mostrando isso, o episódio nos leva a pensar que os soldados também são vítimas da guerra, porque combatem seguindo ordens mas contrariando suas opiniões e princípios.

No que diz respeito ao desenvolvimento dos personagens, Spock e McCoy são os que saem lucrando com o episódio.

Apesar de ser posto em xeque em razão da semelhança entre os vulcanos e os romulanos, Spock permanece inabalável. McCoy começa a ser um contraponto mais forte para Spock, no que seria o início de um dos relacionamentos mais férteis da história de Jornada nas Estrelas. Isso fica claro durante a reunião entre os oficiais para decidir se a Enterprise deveria ou não violar a Zona Neutra Romulana.

Os personagens secundários (Sulu, Rand, Scotty e Uhura) começam a ser negligenciados, fato que iria se acentuar ainda mais nos episódios subseqüentes.

tos0903Apesar da falta de desenvolvimento dos personagens, o episódio dá um grande salto ao nos mostrar o cotidiano da Enterprise: durante o prólogo, Kirk realiza um casamento. Nesse momento, um truque de iluminação traz um brilho aos olhos de William Shatner que quase nos faz acreditar que ele tem a bênção divina para realizar a união.

Infelizmente, a história carecia de um elemento não-disponível aos produtores na época: bons efeitos especiais. Em “Balance of Terror” as batalhas são melhor compreendidas pelos diálogos entre os tripulantes do que pelas imagens.

Citações:

Kirk – “Here’s one thing you can be sure of, mister — leave any bigotry in your quarters. There’s no room for it on the bridge.”
(“Há uma coisa de que você pode estar certo, senhor — deixe seu preconceito nos seus alojamentos. Não há espaço para ele na ponte.”)

McCoy – “In this galaxy, there’s a mathematical probability of 3 million Earth-type planets. And in all of the universe, 3 million million galaxies like this. And in all of that, and perhaps more, only one each of us. Don’t destroy the one named Kirk.”
(“Nesta galáxia, há uma probabilidade matemática de 3 milhões de planetas tipo-Terra. E em todo o universo, 3 milhões de milhões de galáxias como esta. E em tudo isso, e talvez mais, apenas um de cada um de nós. Não destrua aquele chamado Kirk.”)

Comandante Romulano – “I regret that we meet in this way. You and I are of a kind. In a different reality, I could have called you friend.”
(“Eu lamento que nos conheçamos assim. Você e eu somos do mesmo tipo. Em uma realidade diferente, poderia ter te chamado de amigo.”)

Trivia:

  • Primeira aparição de Mark Lenard em Jornada nas Estrelas, como o comandante Romulano. Mais tarde, Lenard interpretaria Sarek, o pai de Spock, e ainda um Klingon em “Jornada nas Estrelas: O Filme”.

Ficha técnica:

Escrito por Paul Schneider
Direção de Vincent McEveety
Exibido em 15/12/1966
Produção: 09

Elenco:

William Shatner como James Tiberius Kirk
Leonard Nimoy como Spock
DeForest Kelley como Leonard H. McCoy
James Doohan como Montgomery Scott
Nichelle Nichols como Uhura
George Takei como Hikaru Sulu

Elenco convidado:

Mark Lenard como comandante romulano
Lawrence Montaigne como Decius
Grace Lee Whitney como ordenança Rand
Paul Comi como tenente Andrew Stiles
John Warburton como Centurião
Stephen Mines como especialista Robert Tomlinson
Barbara Baldavin como especialista 2/C Angela Martine

14 Comments on "TOS 1×08: Balance of Terror"

  1. TOS 1×08: Balance of Terror
    É o ínicio da era Romulana no mundo de ST.

    ST J.J. – É o final da era Romulana.

    O que nós trekkers sairemos ganhando ou perdendo com isto?

    Os Romulanos com certeza sairam perdendo.
    Perderam o seu império.

    Os Vulcanos será que sairão ganhando, com a destruição do império Romulano, seus arqui-rivais irmãos de longa data?
    Será que Vulcano também não irá pelo espaço?

    E a Federação, qual o preço que ela irá pagar em não convencer o Conselho Vulcano em auxiliar Romulus?

    Bem, sabemos que “tudo que tem seu inicio, tem seu fim”.

    Pela primeira vez, no universo de ST entre Vulcanos, kardacianos, Klingons, Andorianos, Borgs, Ferengs, Dominium, e todas as demais raças neste vasto universo vemos a extinção de um império e talvez de uma raça que influenciou de forma direta a Federação.

  2. Eu acho que não. Lembrem-se que no novo Star Trek veremos várias idas e voltas no tempo, o que nem sempre é uma boa ideia. Mas acredito que vão dar uma acochambrada no espaço-tempo pra colocar os romulanos nos eixos, ou seja, Romulus deverá ser salvo no final. Eu duvido muito que risquem da história personagens tão importantes desde o início da série. Não creio que os novos roteiristas fizessem uma besteira desse tamanho. Maio nos aguarda!

  3. Fora a parte trash dos pedaços de papelão e poeira caindo da nave Romulana, esse episódio é memorável.
    Nota 10.

  4. B & B até tentaram desmoralizar os Romulanos no filme Nemesis.

    Mas não fez igual JJ, simplesmente que acabou com o império deles com uma supernova.

    Os Romulanos e os Borgs sempre achei inimigos ótimos. Os borgs eram formidáveis, até a série Voyager transformar eles em bananas.

  5. Alberto G Monteiro | 26 de março de 2009 at 9:53 am |

    Post 3.
    Poeira dentro de uma nave espacial. Sempre que alguma coisa explodia em TOS, voava muita poeira para todo lado, será que eles achavam que a enterprise era feita de concreto?????

  6. Comentário 5:

    A Enterprise era feita de muita imaginação, criatividade e reciclagem. Vá para os anos 60 com uma verba irrisória, quero ver vc fazer melhor.

  7. Deusdeth Soares | 26 de março de 2009 at 11:57 am |

    Balance of Terror é um dos melhores episódios de TOS, e ainda quebra aquele paradigma de “final feliz”, quando no final tudo se resolve bem, aqui não. Neste episódio, no final a Enterprise não destrói a nave romulana, já que ela se autodestrói, e ainda por cima o tenente Tomlinson (o noivo que estava quase na frase do “eu aceito” na cerimônia de casamente) acaba morrendo no final, tendo o cap. Kirk que fazer o papel de consolador para a noiva viúva… ‘

  8. A ENTERPRISE é magnifica para a época, uma revolução no design externo, uma revolução no design da ponte (até os porta-aviões atuais a copiam de um jeito mais simples) É uma concepção revolucionaria até hoje. Ela é tão diferente e criativa que não se tem outra maneira de desenha-la sem modifica-la por completo. O Chambliss tentou ser diferente demais e caiu no ridículo. Não é radicalismo, mas a melhor atualização do design foi a do GABE GROENER ( o desenho que circulou na net antes). Ele a tornou moderna, inetressante, com um visual que inspira muito PODER, sem cair na armadilha de modificação extensa. Matt Jeffreis foi um gênio ao projeta-la. Talvez, acho eu, a nave simbolo da FC contemporanea.

  9. Balance of Terror é sem dúvida nenhuma um das duas melhores produções de ST. E isso só para não contrariar Where No Mens Gone Before, que é ótimo, mas que gosta das naves não tem para ninguem, é BofT.
    Tudo funciona muito bem, a tensão é latente em todos os perssonagens, das duas naves. Tudo o que o Salvador Nogueira disse no seu texto é formidavel e realmente está no episódio.
    A batalha é feita em cima de dois filmes ótimos já descritos em artigo próprio do Trek Brasilis (também de texto formidavel). Depois desse episódio a única batalha comparável foi em ST II, contra o Khan. As outra batalhas foram completamente apelativas (DS9) ou ridículas (Inssurection e Nemesis). Foi uma batalha dramática.
    E ainda tem a morte do Tomlinson, “ONDE NENHUM RED SHIRT JAMAIS CONSEGUIU CHEGAR DEPOIS”.
    E só para apimentar os Trekkers mais detalhistas, os Romulanos não usaram dobra espacial. Eles usaram “Dispersão Espacial Artificial”.

  10. Post 8> concordo com o Hildebrando.

    Ralph, até que enfim veio outra sinopse. Pensei que tinham desistido…

  11. Antonio de Pádua | 27 de março de 2009 at 10:07 pm |

    Neste episódio os tripulantes romulanos usavam capacetes de combate que davam a eles um ar muito mais sombrio e poderoso. Pena que nunca mais foram usados.

  12. Gostei muito do site e dos resumos, curiosidades e etc de cada capítulo. Pena que não tem em todos… Ainda assim, parabéns pelo site!

  13. Um episódio que perpetuou, há inclusive, um jogo para Mega Drive 32X, chama Star Trek Academy Bridge Simulator, onde se pode simular alguns episódios, e se não me engano, o primeiro dos episódios é o Balance of Terror.

  14. Leonard Gleicher | 4 de outubro de 2010 at 6:10 pm |

    Vida longa e prospera!

    Gostaria de saber se aqui no Brasil há encontros como nos USA?

    Obrigado,

    Leo.

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