Star Trek: J.J. jogou limpo! [SPOILERS]
J.J. Abrams jogou limpo com os fãs de Jornada nas Estrelas. Em determinado trecho do filme, que abriu hoje (8/5) em todo o mundo, Spock (Zachary Quinto) explica aos tripulantes da ponte da USS Enterprise, e a toda a audiência, que a volta de Nero (Eric Bana) no tempo e a destruição da USS Kelvin criou uma realidade alternativa, a que eles vivem naquele momento.
Corroborado pela fala seguinte de Uhura (Zoë Saldana), e por uma de Leonard Nimoy ao final, a explicação torna plausível tudo o que se vê na tela neste novo filme. É algo paradoxal: está simplesmente lá, mas não da forma como conhecemos. Mesmo assim, faz todo o sentido, com pequenas exceções que a suspensão da descrença fará sua parte para acreditarmos.
Chegou o dia - Fui assistir Star Trek na primeira sessão legendada desta sexta no cinema que sempre vou, como meu ingresso aí ao lado não deixa mentir. Peguei uma folga das que tenho acumuladas no serviço e a usei da melhor forma possível: poucas pessoas no cinema, sem correria, nem atropelos. Foram anos de espera por uma nova produção na tela grande, e nestes últimos dois anos, um acompanhamento passo a passo do que Abrams, Orci e Kurtzman estavam fazendo.
Neste período, o Trek Brasilis sofreu algumas mudanças. Passou a ser no formato de blog, mas com algumas coisinhas a mais. Tornou-se mais ágil e fácil para atualizar, incorporou novas e importantes pessoas em sua equipe de trabalho, e continuou sendo a principal fonte de notícias de Jornada nas Estrelas em português, próximo de completar uma década de vida em setembro.
Mas, voltando a Star Trek, só sei que o dia 8 de maio não chegava nunca. Mas os números no reloginho aí do outro lado foram ficando cada vez menores, até que zerou. “A espera acabou”, como cansamos de ver Nero dizer nos trailers do filme. E a partir daqui começam spoilers pra valer. Esteja avisado…
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O filme inicia com uma tomada inédita em Jornada, da USS Kelvin, a bola da vez. Feia e ultrapassada para os padrões que conhecemos, tem o capitão Robal (Faran Tahir) como comandante, e o tenente Kirk (Chris Helmsworth) como um de seus comandados. Não vou descrever a cena, pois o Salvador Nogueira já fez isso no primeiro review que publicamos aqui no TB. Segue-se uma violenta batalha espacial e o tocante nascimento de James Tiberius Kirk. Aí entra o título do filme, de maneira imponente. Apenas STAR TREK, com o logotipo tradicional ao fundo.
Em seguida vemos cenas da infância de Kirk, a já famosa sequência do carro caindo no abismo, com mais detalhes. Cenas da infância de Spock em Vulcano, com uma homenagem explícita a Jornada nas Estrelas 4 – A Volta Para Casa. São dezenas de perguntas difíceis a uma velocidade espantosa, feitas pelo computador, e Spock responde a todas, antes de dar um tremendo pau num colega que estava o provocando com a história de que ele é um mestiço, e que Sarek (Ben Cross) traiu Vulcano ao se casar com uma humana. A conversa que Sarek tem com Spock depois da confusão é saída do episódio Jornada a Babel, da Série Clássica. Orci e Kurtzman, os roteiristas, conhecem o que estão fazendo, vide um salto no tempo e a recusa de Spock em servir na Academia de Ciências Vulcana.
Na cena seguinte, quando conhecemos o Kirk de Chris Pine, temos um boteco em Iowa frequentado por cadetes e trabalhadores da doca seca da Frota Estelar. E é lá que vemos que a Terra ainda é a que conhecemos, sem utopias ou humanos “superiores”. Tá todo mundo tomando Budweiser Light, jogando conversa fora e brigando. Graças a Kirk, é claro, que deu em cima de Uhura e foi folgado pra burro com um cara que era o dobro do tamanho dele –e estava acompanhado de mais uma galera. É quando entra em cena o capitão Christopher Pike (Bruce Greenwood), que coloca um arrebentado Kirk mais ou menos na linha, fazendo-o com que se aliste na Frota e deixe de ser o moleque vagabundo que parece ser –mas que ainda é folgado ao extremo. Tanto que apanha na cara o filme todo. De muita gente.
Essa caracterização de Kirk faz sentido se pensarmos que ele foi criado sem pai, com um suposto (não é mostrado no filme) tio alcoólatra, embora sua mãe (Jennifer Morrison) ainda seja viva. Só que nas cenas seguintes na Academia da Frota, Kirk parece ser uma mistura do Joey de Friends com Homer Simpson quando acha que está por cima da situação.
Se achava que escaparia impune pelo que aprontou no teste da Kobayashi Maru estava enganado –ou não. Ele se deu muito bem, graças a emergência em Vulcano, que suspendeu a sessão de reprimenda que estava tomando na frente de todos os cadetes, e ainda perdendo um debate com Spock, tenente com alto prestígio junto ao almirantado.
No meio disso tudo, somos apresentados ao Dr. Leonard McCoy (Karl Urban), que em certo ponto do filme diz “maldito duende de sangue verde” a respeito de Spock. Não é preciso mais nada para defini-lo como o médico ranzina, irônico e adorável que conhecemos.
Enterprise - Quando a USS Enterprise aparece em cena, dá para perceber a homenagem a Jornada nas Estrelas – O Filme. Não, uma nave auxiliar não fica minutos passeando do lado de fora da nave ao som de uma bela música. Spock é o primeiro a aparecer com o tradicional e revisado uniforme da Clássica, e aí Sulu (John Cho) e Chekov (Anton Yelchin) surgem pela primeira vez. Algo notável é que Chekov, que age como um Wesley Crusher não-idiota, tem, em minha opinião, mais destaque do que McCoy, por exemplo. Podemos até listar assim: primeiro, Kirk, depois Spock. Aí temos Uhura, Scotty, Chekov, Sulu e McCoy com espaço, nessa ordem. Mas os sete aparecem bem, e Nyota Uhura, além de enfim ganhar oficialmente um primeiro nome, é o interesse romântico de Spock. E ele gosta muito disso!
A USS Enterprise do capitão Pike é uma mistura da nave dos filmes de cinema com a Clássica, mas seu interior, mais notadamente a engenharia, não tem nada a ver com o que conhecemos. É maior, mas complicado, e mais “real”. Só que os efeitos sonoros são, em 80%, idênticos aos que conhecemos. É a Enterprise, nave capitânea da Frota, mas não sabemos no filme se é Classe Constitution ou outra coisa. E a besteira que Sulu faz logo em sua primeira participação no leme (substituindo outro que estava doente) acaba salvando a Enterprise se se ferrar logo de cara, com as demais naves que partiram antes dela. Boa sacada.
Vulcano - Destruiram Vulcano. Mataram Amanda Grayson (Winona Ryder), a mãe de Spock. Sacrilégio? Não achei. Os dois acontecimentos servem perfeitamente para a trama, e dão margem para o que vem a seguir, ratificando-os. Perceberam que ainda não falei de Nero? Não achei o personagem em nada interessante. Mas serve à trama. Eric Bana faz o padrão para um vilão que em muito lembra Shinzon, de Nêmesis. Não seus interesses, mas sua aparência e ações. Só que ele é um minerador com sede de vingança (e dá para entender os motivos), não um estrategista. E é paciente. Esperou por 25 anos até que Leonard Nimoy, o “Spock Prime” como dizem os créditos, chegasse. Tem uma nave absurda em mãos, mas só quer vingança. E consegue, em dose dupla. Perdeu, mas venceu. Os dois Spocks, o velho e o novo, viram a destruição de seu planeta-natal. E com um bônus: Amanda Grayson se foi.
Leonard Nimoy - Esse é o cara! Quando aparece em cena é difícil não se emocionar com a primeira cara e voz conhecida de nós, fãs. Seu trabalho é simples, mas fundamental. Ao encontrar o jovem Kirk em Delta Vega, após esse ser descartado pelo capitão interino Spock, em determinado momento Nimoy diz a famosa frase de Jornada nas Estrelas 3: “eu sou e sempre serei seu amigo”. Não dá para não se emocionar ouvindo isso!
Ao final, numa cena tocante, os dois Spocks se encontram. O diálogo ali faz então todo o sentido. Essa eu vou deixar para vocês verem no cinema, se é que já não viram.
E aí? - E aí que J.J. Abrams entregou uma produção que eu não acreditava que ele conseguiria. É moderno, é dinâmico, é muito, mas muito, bem produzido e não “esquece” os 42 anos de Série Clássica, e ainda deixa claro que o negócio é algo paralelo, mas está valendo a partir de agora. Reclamações? Tenho sim, é claro. A conveniência, que já citei, em colocar o jovem Kirk no caminho do velho Spock, e Scotty no caminho dos dois. Um teletransporte realizado entre uma estação de pesquisa em Delta Vega e uma Enterprise em dobra, a anos-luz de distância. Nero esperando por 25 anos a chegada de Spock, sem, com exceção de uma sub-trama klingon não explorada, mexer mais ainda com o universo de Jornada. O cadete indisciplinado Kirk como capitão após 3 ou 4 anos na Academia (embora ele receba, na verdade, uma promoção de campo de batalha). Chekov, com apenas 17 anos já formado na Academia. A nave capitânea da Frota com um punhado de cadetes recém-formado em postos-chaves, mesmo com um experiente capitão Pike no comando. E o teletransporte salvando todo mundo na hora agá.
Os elogios? Saindo do assunto enredo e valores de produção, J.J. conseguiu botar Jornada nas Estrelas na mídia novamente, e talvez de uma forma que não é vista desde o lançamento do primeiro filme de cinema, em 1979. E, ainda, fez Star Trek ser enfim respeitado pela audiência, que achava tudo chato, monótono, ultrapassado e até ridículo (como o casamento de Riker e Troi em Nêmesis -o que foi aquilo??? Irving Berlin? Argh!). Vamos ver quanto a produção faz de caixa, mas que vai facilmente bater o recorde de Jornada 4, isso vai. É um filme de ação, com uma trama simples que a viagem no tempo não estragou. Não tem technobable, é voltado aos personagens. À essência destes personagens, inspiradores, como Roddenberry os criou.
Um episódio-piloto, que na cena final deixa o espectador com vontade de ver mais um episódio, voltar na próxima semana para ir audaciosamente onde ninguém jamais esteve, de conviver mais com Kirk, Spock, McCoy, Uhura, Sulu, Scotty e Chekov. De ver mais da Enterprise. Mais dos personagens coadjuvantes como Pike, Sarek e Winona Kirk. Mais do século 23.
A espera recomeça, acredito que por dois anos. E a que passou já valeu. Valeu nota 4.0, na escala de 1.0 a 4.0.
54 Responses to “Star Trek: J.J. jogou limpo! [SPOILERS]”
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Oi Pessoal
Treker de carteirinha e rigorosíssimo,me aguentei do dia 8 até hoje, dia 16 e fui assisitir com minha mãe e um irmão, por causa da minha “trek-mania” sendo assistiu tb.
Bom… eu me expantei com os maus comentários de minha mãe e do meu irmão que disseram “foi muito rápido, eu não vi direito” hhahaha e vi aqui ver se só fui eu que ADOROU a adaptação e reformulação ^^
A unica coisa que eu não gostei é que eu acho JJ. Amads assistiu filmes de Batman demais, pois eu juro que, em alguns trechos, tinha trilhas sonoras de filmes de batman antigo, o que não desmereceu em nada.
Realmente, a edição do filme peca muito pois JJ Adams usa um estilo de “camera se mexendo” muito horrivel, coisa nojenta mesmo, como se, para sentir a emoções da cena do filme, a percepção do telespectador tivesse que acompanhar. Cada explosão, cada zum da nave, a tela tremia. Pô! tremer a tela no espaço? ¬¬
Bom… claro que… nada disso, desabona 1% do filme é que o 10! O Show! Emocionante!
Eu amei principalmente ver o velho Spok e Capitão Pike que, à 50 anos atrás, antes de estrear a versão original de jornada nas estrelas com capitão kirk, já andavam com a Enterprise por ai. Que por sinal, ficou perfeita! moderna sem perder o desenho antigo, como tudo!
Ninguém pode deixar de assistir a essa adatação que não deve nada a ninguém, apesar do “camera bebum” de JJ Adams (coisa que, acredito que com o tempo, eles façam uma nova edição, para DVD) o diretor acertou!
Você acreditam que eu demorei e sacar que “Nero” volta no tempo alterando tudo? só quando o Spok antigo explica.
E é incrivel! \o/
O próprio Spok velho dizendo a ele novo: “faça uma coisa por nós: deixa esse negocio de lógica pra lá, e haja com o coração também”
\o/ =D É a prova da sabedoria e a presença de uma filosofia espiritualista para quebrar o antigo cientificismo de Stra Trek! =D
VIDA LONDA E PROSPERA A STAR TREK! POR MAIS 43 ANOS!
VOU MORRER VELHINHO ASSISTINDO JORNADA NAS ESTRELAS!!
——— VIVAAAAAA!!!!! UUUUURRRRRRRU! \O/ —
Ao assistir ao novo filme, me sento rejuvenecido.
Meus heróis de infância estão lá, vivos, fortes,
prontos para todos tipos de aventuras! O cenário esta montado, moderno atualizado, com a cara do nosso século!
O tempo não me importa , posso envelher na junvetude de ser um TrekKer
Coisa ridícula chorar com as cenas do filme…. Pois é sou ridículo, chorei quando vi Kirk nascer, chorei quando vi Nimoy, chorei com as frases cirurgicamente implantadas que inegavelmente homenageavam a série clássica, chorei quando ouvi a chamada da série clássica no final do filme, chorei ainda quando minha filha de quinze anos assistiu e entendeu cada detalhe, até mesmo a trama do tempo. Bobagem? Pode até ser, mas F.se.. O filme é simplesmente espetacular, uma obra de arte e que se dane os detalhes errados. Se Spock deu uma de Jesus ressuscitando, bem, JJ ressuscitou a série clássica e eu estou esperando qual será o episódio da semana que vem, e ainda , qual é o problema de se tele transportar para a nave em dobra… Cara o filme foi lindo, respeitando as ideias de Gene. Tenho que falar da produção, as cenas de ação, as câmeras correndo junto com a tripulação(emocionante), quase corri junto, as músicas estavam fantásticas e FINALMENTE ALGUEM PERCEBEU QUE NO ESPAÇO NÂO TEM SOM, FOI INCRÍVEL O SILENCIO APÓS O TRIPULANTE SER LANÇADO AO ESPAÇO, FOI PERFEITO O SILÊNCIO NO INTERIOR DO CINEMA. Até o comandante Pike estava lá… Me senti criança denovo, talvez mais infantil que minha filha que estava roendo as unhas ao meu lado. Achei este artigo muito bom, e gostei da avaliação mais sóbria do que a minha, atordoada pelo entusiasmo. Só discordo da nota, que para mim em uma avaliação de 0 a 4, acho que dou nota 10… (bastante ilógico ….he he).
olá, infelizmente ainda não vi o novo filme de ST, problemas de saúde…e depois de procurar em vários sites…esse é o nº8 encontrei os comentários e palavras de fãs sobre o filme de ST…gostei muito de ler esse artigo…ST JJ jogou limpo…e amei a descrição das cenas do filme…parabéns pelo site e pelo trabalho de sua equipe.Assim que puder vou conferir…
Um Abraço, Edélzia