Esta semana, o ator Connor Trinneer, da série Enterprise, foi o anfitrião de um evento especial dos matemáticos no museu nacional da matemática em New York chamado “The Math of Khan. (a matemática de Khan), onde abordaram idéias matemáticas fascinantes caracterizadas em Star Trek. Numa entrevista exclusiva ao site Trek Movie, Trinner compartilhou lembranças dos tempos em que esteve na franquia e ainda comentou sobre a palestra e a nova série Discovery.

A Matemática de Khan

Como você se envolveu com o evento The Math of Khan?

Connor Trinneer: Bem, inicialmente eu conheci David, que é um dos membros do conselho e fundadores do museu. Ele estava em Vegas com sua filha no ano passado, e eu consegui conhecê-lo um pouco, e então recebi um telefonema do nada. Cindy, a mulher que estava organizando isso, disse que eles estão fazendo “The Math of Khan” e se eu estaria interessado em fazer a introdução para o discurso desse cara. E eu pensei, ‘Claro! Por que não?’

O engraçado é que a maioria dos atores são atores porque não conseguem fazer matemática. (Risos) Pelo menos eu sou!

Você teve dificuldades com ela quando criança?

Connor Trinneer: Eu tive sim, terrivelmente. Mas estranhamente, saltou uma geração, porque meu filho é obcecado por matemática e ciência e física e cálculo. E é uma coisa notável assistir, porque ele parece ter um senso de compreensão que eu acho que eu nunca tive. Quanto mais velho eu fico, mais eu posso apreciá-lo, mas realmente, para mim, em termos de passar pela escola, matemática sempre foi apenas … “agh … lá vem … uma hora desta?” (Risos)

Você sabia o que eles estavam planejando para a palestra em si? O que você pode nos dizer sobre isso?

Connor Trinneer: Eu não sabia qual era o discurso desse cara. Eu tenho um sentimento que … há tantas coisas na cultura, ciência, em nossas vidas que Jornada realmente introduziu, de certa forma. A forma como nos comunicamos agora, todas essas coisas que eles estavam fazendo, especialmente na série original, que não existia, maneiras pelas quais podemos avaliar as pessoas na medicina, que eu tinha certeza que iria abordar. Mas acho que o que eu ía fazer era … um, dar minha breve história de matemática na minha vida pessoal (risos) e compartilhar o amor do meu filho por isso, e realmente a alegria dos pais em ver alguém fazer coisas como essa … ele acordar de manhã, e termos um quadro-negro em nossa sala de serviço onde ele apenas preenche com essas equações, e quando ele sai do chuveiro faz isso no espelho, no espelho enfumaçado.

E eu tenho algumas piadas sobre isso. Você sabe, a primeira vez que entrei na sala de Engenharia, que é um dos principais cenários de qualquer série de Jornada, onde você tem o núcleo de dobra, e tudo isso. Michael e Denise Okuda, que escrevem a Bíblia para toda a tecnologia de Jornada, vieram e me explicaram como funcionava. Por um segundo, eu fiquei tipo, “Isso realmente não funciona – funciona?” Eles realmente explicaram a coisa toda. Seria uma coisa do tipo: “Sim, esta é a sala das máquinas”, mas eles pegaram plantas, pegaram, eu acho, entre aspas, “modelos de trabalho”.

Eles estavam me contando como todo o núcleo de dobra funciona e dentro das nacelles, e esse tipo de coisa, e eu fiquei impressionado e então, antes que eu me entusiasmasse com isso, nosso designer de iluminação, Billy, me disse “Venha comigo”. Eu o segui e ele abriu esta pequena porta de escotilha neste núcleo de dobra, que era do tamanho de um caminhão de lixo, realmente grande. Aquilo era uma roda com cinco diferentes cores de gel lentamente girando, e a luz brilhando sobre ela e ele disse, “Esse é o seu núcleo de dobra, por sinal”. Fiquei com cara de, “Oh! Certo! Sim, ok, eu entendi! “(Risos). Isso parecia uma espécie de pista de dança.

 

Fazendo papel de George Bush no novo filme de Tom Cruise

Conte-nos sobre seu novo filme com Tom Cruise, American Made. Você faz George W. Bush!

Connor Trinneer: Bem, eu ouvi há anos, “Você deveria fazer George W. Bush”. E eu fui para este teste.  Sentei-me e fiz a cena, e a diretora de elenco disse: “Faça isso de novo”.

Eu fiz isso de novo, e ela disse outra vez, “Não o tempo todo …” e aponta para a ponta do nariz: “Você pode ser igual a ele”. E eu respondi: “Sim, eu já ouvi isso”. E então eu peguei o papel, e fiquei imediatamente aterrorizado.

Uma coisa é fazer alguém que você está criando. Outra coisa é fazer alguém que todo mundo, pelo menos na América, tem uma ideia muito específica. Os quadrinhos o fizeram, e você pode procurá-lo por todo o lugar. E então eu fiz isso, eu fiz uma pesquisa sobre ele.

Eu não sabia disso – quando ele estava em uma cidade nova, ele caminhava pelos bairros com o Serviço Secreto a reboque e conversava com as pessoas. E eles filmaram, está no YouTube . E você realmente tem uma noção do que o cara era. Porque se você colocar alguém na frente de um teleprompter, a sua personalidade, a menos que seja Bill Clinton, desaparece. E isso é o que eu encontrava sempre que você o via falando à imprensa. Então eu usei esses vídeos dele apenas se envolvendo com pessoas nos bairros. E ele é um cara incrivelmente encantador, alguém com quem você gostaria de beber uma cerveja.

E então cheguei lá e – eu tenho que dizer que eu sempre fui fã dos filmes de Tom Cruise e de seu trabalho. Mas que grande parceiro de cena. Ele é simplesmente um ator de verdade, e me perguntava se eu estava bem com o que estávamos fazendo, e reafirmou a razão, para mim, por que ele ser tão bom, é que ele é um cuidadoso proprietário de seu processo, e foi ótimo. Na verdade, todas essas coisas que eu tinha na cabeça, acabamos fazendo. Porque estávamos tentando fazer o nosso caminho através da cena, mas não tivemos o tempo de ensaio, então nós fazíamos isso no dia. Foi ótimo. Espero que eu esteja no filme, você nunca sabe. Ninguém me disse! (Risos).

 

As cenas de gravidez, viagem, morte, duplicação em Enterprise

Como Trip Tucker, você enfrentou a morte, perda, romance, sendo um clone, gravidez … qual foi o maior momento quando alguém lhe entregou um roteiro?

Connor Trinneer:  Vários deles. Mal começo a série, episódio três, eu estava grávido.

Uma coisa sobre fazer um homem que está grávido, você quer começar aquilo direito, como o melhor que você pode fazer. Então eu realmente gastei muito tempo pensando sobre o que eu sabia de algumas das coisas que acontecem com as mulheres quando elas ficam grávidas. Alguns delas não estavam no roteiro e eu os fiz colocar.

Como o quê?

Connor Trinneer: Bem … quando ele ficou emocionado quando estava comendo os breadsticks. Também não estava no roteiro, que ele começa a chorar. (Risos) E eles também colocaram uma cena onde ele está falando sobre como seria realmente perigoso para um pouco, porque havia um elevador que tinha sido trabalhado, em Engenharia, de um andar para outro. E eu tinha expressado algumas coisas, como: “Eu quero que tenha real preocupação emocional para o desconhecido. E se uma criança entrasse? E se um pequeno entrar aqui e ter que fechar esta escotilha? Ele poderia cortar o dedo!”. Não tenho certeza de que seja exatamente o diálogo, mas foi algo nesse sentido.

Então esse foi um daqueles momentos estranhos do tipo “O que eu vou fazer aqui?”. E o outro foi quando eu tive que interpretar sozinho quando fui clonado. Tinha que haver algumas nuances sutis que eram diferentes o suficiente para que você percebesse que o que você estava assistindo não era Trip de fato. E esse é o trabalho minucioso de um ator onde você encontra essas coisas. Não importa se alguém reconheceu, eu fiz. E tentar encontrar o clique no dial que é algo fora do personagem original.

Mas eram alegrias absolutas de fazer. Sempre que você tem a oportunidade de realmente fazer escolhas artísticas dessa forma, é uma alegria.

E as séries de Jornada tendem a fornecer algumas boas oportunidades, junto com todas as tecnologias.

Connor Trinneer: Sim. Fico me perguntando muito: o que você gostaria que fizessem mais com seu personagem? Sempre me faltam palavras porque eu sentia sempre como que me servissem muito bem. Os produtores sempre me perguntavam, no início de cada ano e no final de cada ano, o que eu estava querendo mais a frente, no final do ano, como eu me sentia sobre o desenvolvimento do personagem. Eu ficava sempre muito impressionado com a forma como eles lidavam com ele. Porque no começo da série, recebi alguns episódios que, se eu não os fizesse bem, eles provavelmente iriam escrever menos para mim. Eu não sei, eu ouvi isso rapidamente, mas os escritores ouviram minha voz – do personagem – e isso facilitou muito que eles escrevessem para mim. Assim, no final de cada ano, eu ficava sempre impressionado e humilde pelas coisas que eles tinham colocado no meu caminho.

 

Conselhos para o elenco da série  Star Trek: Discovery.

No começo de Enterprise, vocês estavam inovando, arriscando o cânon antes da série original. Todo ficou muito apreensivo sobre isso, e agora Star Trek: Discovery está fazendo isso de novo. O que você diria a eles sobre como lidar com a pressão e a responsabilidade?

Connor Trinneer: Esquecer sobre tudo isso. Eu estava lá, tentando contar uma história. E isso é, no final das contas, o que você está fazendo. Quero dizer sim, há esta pressão externa do fandom, e as responsabilidades de levar a mensagem através do cânon, mas apenas conte a história. Porque ela tomará conta de si mesma, porque é Star Trek.

Acho que é hora de fazer outra série. Seria dez ou onze anos atrás, algo assim, e pelo que eu ouvi, não terá um caráter dogmático, cada temporada será a sua própria história em que não vai ser necessariamente de forma linear que vai acontecendo e acontecendo, como a maioria das séries fizeram. Eles podem pular anos, eles podem fazer todo tipo de coisas. Mas para as pessoas envolvidas, é uma franquia tão importante para elas, que têm um monte de dedos naquela torta para acertar. Às vezes isso pode ser uma coisa ruim, mas eu acho que há bastante gente envolvida que sabe o que está fazendo, que será satisfatório. Estou animado com isso.

Nós também! Então, qual foi a maior surpresa para você quando você se tornou uma parte desta franquia?

Connor Trinneer: As convenções! (Risos)

Com toda a honestidade, trabalho é trabalho. Você é um ator, entra lá, coloca seu traje, cria um personagem e vai fazer a sua coisa. Mas foram as convenções que causaram o grande choque para mim, eu não sabia o que esperar.

Eu, de fato, não fui a nenhuma até que estivesse perto de minha cidade natal. Minha primeira convenção foi em Portland, Oregon – eu sou de Kelso, Washington, que fica a cerca de 44 minutos – e eu fiz isso porque (começa a rir) – porque meus pais estariam lá e eu me sentiria como se tivesse alguém na platéia que ainda me amava.

Mas imediatamente, eu fui abraçado pelos fãs, e foi uma experiência maravilhosa, e este mundo inteiro dos Trekkers … Eu não sabia nada sobre eles. Zero. Desde então, claro, eu me tornei bem versado em tudo, tendo ido a um monte delas, mas sim, foi o material de fora da série que eu não estava preparado.

É um mundo extra em cima de todo o resto.

Connor Trinneer: Sim! Eu diria quase tão importante quanto a série em si.

 

Enterprise em tempos tumultuados

A série Enterprise estreou durante um tempo tumultuado, politicamente. Cada série teve sua própria era política, desde o original nos anos 60 até o lançamento de novos no final dos anos 80 e 90, e até o Discovery chegando agora. Enterprise estreou algumas semanas depois do 11 de setembro. Isso afetou a série?

Connor Trinneer: O 11 de setembro mudou nossa série. Desanimou. Como isso mudou todas as nossas vidas, não poderia deixar de ter um efeito sobre os escritores, produtores, diretores, atores. Nossa temporada três foi uma resposta direta a isso. O arco de Xindi. A irmã de Trip morre neste ataque à Flórida. Falei com Brannon Braga sobre isso, e ele disse que o 11 de setembro mudou nossa série. Não deu para evitar.

A cultura pop é uma espécie de fluido que é afetado pelo que contece em todo o mundo, em qualquer momento. Como você disse, os anos 60 com a série original, e cada uma delas tinha algum elemento de política e eventos mundiais afetando, e a maior em minha vida teve um impacto direto em nossa série. Eu não sei o que teria sido da série sem isso.

Quando tudo aconteceu, começávamos a trabalhar. E naquele momento eu imaginava que muitas pessoas estavam passando por uma coisa semelhante que eu, que era como, “O que estou fazendo? Eu sou um ator, e blá blá blá, quem se importa? Mas o mundo mudou, e como vou fazer parte dele?” Lembro-me de lutar com essa ideia de que eu sou apenas um ator em um programa de TV.

E eu tive uma conversa com meu pai e eu expressei essas coisas, e ele disse: “Eu discordo de você. Eu acho que o que você está fazendo é absolutamente importante, e vital, e especialmente agora, porque você está dando às pessoas uma maneira de escapar um pouco. E você está fazendo isso de uma forma que é Star Trek, com essa mensagem humana, e humanidade, e o que podemos oferecer ao mundo e ao universo. E você realmente tem uma responsabilidade agora que talvez não tivesse antes que isso acontecesse”.

E isso realmente me ajudou a colocar-me no contexto e me fez sentir que eu estava fazendo a diferença.

Esse é um pai sábio que você tem!

Connor Trinneer: Na verdade ele é! (Risos) E ele estava certo. E eu já ouvi tanto desde então, encontro todas essas pessoas em convenções e sempre que eu vou a algum lugar, sempre há alguém, ou várias pessoas, que me dizem como a série – às vezes o meu papel em particular – afetou, mudou e alguns dizem que salvou suas vidas de tudo o que estavam passando naquela época. Você sabe, você realmente valoriza e se apega às mensagens que as pessoas enviam para você.

 

Trip Tucker, um holograma em Star Trek: Discovery ?

Você sabe o que eles teriam feito com seu personagem com mais temporadas? Você morreu, mas eles disseram que não teria sido o caso se a série voltasse.

Connor Trinneer: Quase morri algumas vezes antes disso. É ficção científica, ninguém realmente morre na ficção científica. (Risos)

Eu acho que os eventos que aconteceram no final não teriam acontecido. Eu imagino que, eu não sei que para um fato. Uma das coisas que eles tinham que fazer era nos envolver na teia da história e da cronologia da série. E uma das maneiras que eles fizeram isso foi ter certeza de que o capitão viveu. E por que fizeram o que fizeram, eu não sei.

O que teria acontecido? Ele teria corajosamente seguido!

Ele poderia ir para Discovery. Poderia aparecer lá, isso funcionaria.

Connor Trinneer: Qualquer coisa pode acontecer! Eu pensei sobre isso. Eu sou do tipo, “Eu poderia ser como Obi Wan, ou R2D2, ou Princesa Leia, quando eles fizeram uma pequena apresentação de vídeo de certas coisas que você precisava saber, e de repente Trip surgirá?”

Ele está morto naquele momento, mas você sabe … Acho que não seria problema algum incorporar a alma de Trip Tucker em algo.