Para René Auberjonois, Odo é o Spock de Deep Space Nine

Odo no Brasil, Odo no Brasil, Odo no Brasil… quantas vezes você, leitor do Trek Brasilis, não leu ou ouviu isso? Pois é, mas uma hora esse dia ia chegar: Odo está no Brasil! O ator de Star Trek: Deep Space Nine René Auberjonois (sim, o Odo…) está hospedado em um confortável hotel em São Paulo e, ao lado de sua esposa Judith, e do antigo assistente de Gene Roddenberry, Richard Arnold, já se prepara para se apresentar na StarCon neste sábado (18/08) no Teatro Elis Regina, no Anhembi. Outra coisa que você talvez já saiba bem é onde encontrar os ingressos, mas vale relembrar que é em www.odonobrasil.com.br.

Após participar ontem do talk-show The Noite (SBT), Auberjonois concedeu uma entrevista coletiva organizada pelo fã-clube NovaFrota BR na manhã desta quinta-feira (16/08). Durante uma hora, o veterano ator teve contato com a imprensa brasileira e pôde falar bastante não só sobre Odo e DS9, mas sobre Star Trek em geral.

O Trek Brasilis abriu a sessão de perguntas da coletiva. Ao ser questionado sobre como encarou o convite para vir ao Brasil pela primeira vez, René respondeu que “Star Trek é universal. Tenho a oportunidade de viajar para muitos, muitos países do mundo. Para a Europa, Nova Zelândia, Austrália. É especialmente excitante quando vem um convite para uma visita a uma parte do mundo em que eu nunca fui. E eu sempre quis visitar a América do Sul, especificamente o Brasil. Quando a oportunidade veio já falei sim, e agora aqui, assim que passar o efeito do jet lag, quero conhecer um pouco mais desse país e de sua gente”. Auberjonois agradeceu a NovaFrota BR, por meio de seu presidente Luiz Navarro, pela chance de conhecer os fãs brasileiros.

O ator também fez uma comparação entre Odo e o vulcano mais famoso da franquia, Spock. “O Odo é uma espécie de descendente direto do Spock da Série Clássica… isso vem lá de trás, do teatro grego, os arquétipos facilmente identificáveis pelo público. Claro, Odo é diferente do Spock, mas ele também é um personagem de grandes mistérios pessoais, ele foge do padrão, a audiência não consegue definir ao certo o que ele é. É esperto? É engraçado? Ele é rígido, é formal, mas ao mesmo tempo é fluido, é líquido. Odo, Spock, Data (de A Nova Geração) são a verdadeira definição de alienígena. E como ator, sempre procurei interpretar um grande número de personagens diferentes entre si. Sabe, eu sou meio tímido, reservado. Mas eu quero atuar, e isso pode ser uma contradição. Eu gosto do palco, quero contar uma história. Odo é a perfeita analogia de uma história a ser contada, ele é cheio de contradições, como eu mesmo sou.”

E René continua. “Em sua superfície é incrivelmente sério? Sim, mas quando contracena com o Quark (Armin Shimerman), por exemplo, tudo vira uma clássica comédia de relacionamento, tipo o texto de Neil Simon, ou o filme “The Odd Couple” (“Um Estranho Casal”, de 1968, com Jack Lemmon e Walter Matthau). São opostos sempre em conflito, um depende do outro para preencher sua vida. Assim com o arco do relacionamento amoroso com a Major Kira (Nana Visitor). Odo não é o tipo do cara que você espera que demonstre amor, ou seja amado, mas isso acontece na série. Isso é uma parte importante de Star Trek, esse desenvolvimento. Sabe, eu entrei em Deep Space Nine com a carreira já bem estabilizada, já tinha um certo sucesso como ator, era maduro. Sempre digo para minha esposa, que está lá no quarto do hotel agora (pobre esposa!), que quando eu morrer não vai sair no jornal apenas que morreu aquele ator de sitcoms, como “O Poderoso Benson”, em que trabalhei. As pessoas puderam, ao longo de todos esses anos de estrada, ver uma imagem completa do trabalho que tentei criar.”

Sobre a pesada maquiagem que usou pelos sete anos de DS9, René disse que ela “não era das piores. Era basicamente uma máscara, diferente do Quark, por exemplo, algo mais detalhado e grotesco”. “Demorava duas horas e meia para colocar, mas nesse período eu entrava em transe na cadeira do maquiador. Minha mente viajava dali. O problema mesmo era passar 12, 14 horas com ela na cara. Não dava pra comer nada sólido, era ruim para descansar entre as cenas… mas não posso reclamar tanto, pois já interpretei com maquiagem klingon em DS9 mesmo, e era algo bem mais demorado e complexo.”

Após a coletiva, René e Richard Arnold gravaram diversos programas para o canal de YouTube da NovaFrota, que irão ao ar já nos próximos dias. Ambos se mostraram muito simpáticos, atenciosos e pacientes, dando a certeza de que a StarCon, que já seria um evento espetacular, vai ser mesmo um marco para Star Trek em nosso país.

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