Autor: Luiz Castanheira

Reflexões e reflexões sobre uma quadrilogia do Espelho

PRÓLOGO: Inicialmente entendida como uma jornada de redenção para uma desgraçada Burnham tendo como pano de fundo uma guerra entre Federados e Klingons, a primeira temporada de Discovery mostrou de fato um diferente eixo de alvos temáticos e narrativos. Interessada em como nos percebemos (nos projetamos) e em como os outros nos percebem (nos refletem), a série desfilou e sublinhou duplos, reflexos, Lewis Carrol e bizarrices (via Stamets) que simplesmente gritavam UNIVERSO DO ESPELHO ou algum equivalente ($). A participação de Mudd na atração se mostrou inofensiva e secundária (ainda que devesse ter sido substituída por material mais relevante),...

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Luiz Castanheira analisa “Into the Forest I Go”

Discovery trouxe em sua última semana em 2017 o seu melhor episódio até aqui, com uma execução fantástica em todas as frentes e com uma história que faz a melhor limonada possível e imaginável com os limões plantados ao longo do caminho, avançando grandemente a situação do conflito klingon (e decididamente sem medo de sacudir o seu status quo), fazendo os personagens brilharem individualmente e em conjunto e abrindo ao menos três caminhos de dúvidas legítimas sobre: Voq/Tyler/L’Rell (e a verdadeira linha de tempo dos “três?”, as suas táticas e os seus objetivos), Lorca (e a sua agora obviamente...

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Luiz Castanheira analisa DSC 1×08 (spoilers!)

O episódio faz um competente trabalho em avançar inercialmente o arco do conflito entre federados e klingons e preparar um inevitável duelo entre os protagonistas de tal embate, sem esquecer de sublinhar a instável e (supomos) cada vez mais deteriorada condição de Stamets como peça chave do sistema de propulsão via esporos. Mas, infelizmente, sequer arranha o pleno potencial do interessante conceito do planeta Pahvo e falha em expandir emocionalmente o nosso prévio entendimento do personagem Saru. A história caminha no sentido da Discovery jamais receber naves-irmãs com a mesma funcionalidade do motor de esporos, com a frota federada...

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Luiz Castanheira fala sobre “Lethe”

Discovery comete o seu melhor segmento até aqui, com foco em um momento esclarecedor para a pessoa de Burnham (e para a história de Jornada nas Estrelas) e com um Lorca que se torna mais complexo a cada instante. A existência de um movimento vulcano de purismo lógico (e/ou de secessão federada) se alinha perfeitamente com os postulados klingon de T’Kuvma, ampliando a coesão temática (e as possibilidades de história) e justificando naturalmente a centralidade de Sarek na série. Existe um exercício interessante de roteirização em olhar para ao cânone de Jornada nas Estrelas e pensar em responder a...

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Luiz Castanheira analisa “Choose Your Pain”

[CONTÉM SPOILERS] Este aqui parece feito de traz para frente. Um primeiro comando para Saru sendo possível pelo aprisionamento de Lorca. Não surpreendentemente, a primeira história funciona melhor em termos de caracterização e trama do que a segunda que ainda recebe o ônus adicional das limitações envolvendo o tratamento do lado Klingon da atração em geral até aqui. Saru emerge o mais interessante do quarteto científico de Discovery, um grupo que começa a dar liga. Isso tudo em meio a pelo menos duas primeiras vezes na franquia, uma bela despedida e uma cena final que nos faz pensar em deixar crescer o cavanhaque para o que em breve virá. A história secundária é tão envolta em desconfianças plantadas pelo roteiro e potencializadas por escolhas na decupagem e na montagem, que fica por vezes até difícil apontar categoricamente um furo de trama onde pode muito bem ter havido um elemento de espionagem, de subterfúgio ou de manipulação. Será que foi do começo ao fim um esforço Klingon para especificamente raptar Lorca por motivos óbvios ou ocorreu uma mudança de planos por influência da participação de Mudd? Existe um componente de espionagem no lado Federado para conceber e (ou) facilitar tal rapto? Será o Tenente Ash Tyler (Shazad Latif, o último do elenco regular a aparecer na série) de alguma forma um espião Klingon ou mesmo o próprio Voq disfarçado? Será...

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Luiz Castanheira revisa “Context is for kings”

Discovery retorna (passados seis meses na história) para o seu episódio-piloto de fato, executando-o com eficiência e brilho, nos fazendo questionar os rumos da trama e as motivações dos envolvidos até após o seu encerramento. Ela traz novos personagens cheios de potencial, em particular o seu capitão Gabriel Lorca (em uma muito feliz escalação na pessoa de Jason Isaacs). Insere Michael Burnham na tripulação da titular nave estelar de forma crível e funcional. Termina grande sobre os temas de exploração de Jornada nas Estrelas enquanto beira a quebra da quarta parede tocando a inspiração que isso traz aos seus inúmeros fãs, ainda que sempre incluindo um tempero próprio que a atração trabalha no sentido de estabelecer e tornar mais prontamente reconhecível (incluindo aqui e ali um curioso senso de humor e um sortido de idiossincrasias nos seus personagens). Em uma franquia tão gigantesca quanto Jornada nas Estrelas, é importante escolher (e seguir!) uma premissa que force o grosso da sua escrita em formas e caminhos distintos dos já visitados anteriormente. Burnham é um personagem único nesses 51+ anos da marca, ela não é uma não-oficial comandante protagonista (como informações iniciais da produção pareciam apontar), ela é uma ex-presidiária e ex-primeira-oficial protagonista. Filtrar os acontecimentos por uma perspectiva tão específica e tão distinta traz um benéfico diferencial (entre outros) para a série, pois assim Burnham fica próxima ao nível de...

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Verdades e mentiras de Deep Space Nine

Publicado originalmente em dezembro de 2001 Verdades e mentiras de Deep Space Nine As polêmicas, os rumores e os segredos da produção –de tudo que foi dito, descubra o que é fato e o que nasceu da cabeça dos fãs Resolvi tocar em um número de questões polêmicas relacionadas a Deep Space Nine, muitas das quais envolvendo os bastidores da série. Compilei algumas dentre as mais tradicionais e contei com a contribuição dos participantes do Fórum do Trek Brasilispara, com as sugestões deles, direcionar o conjunto de questões a nossa comunidade de visitantes. Não tomei grandes cuidados em camuflar eventuais spoilers ou localizar...

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Artigo: O Orb da Coincidência

Meados de 2016 e não era difícil notar imensa efervescência no nosso fandom de Jornada Nas Estrelas: (indiferente a ele ou não) um novo filme de cinema em primeiro de setembro, o aniversário dos cinquenta anos da franquia em oito de setembro, os dezessete anos do site Trek Brasilis em vinte e quatro de setembro, todos os segmentos já produzidos de Jornada Nas Estrelas disponíveis no Netflix nacional até o final do ano e mesmo uma nova série com estreia marcada para maio de 2017 e garantia de sua pronta chegada ao gigante do streaming tupiniquim. No mínimo, o melhor aniversário da marca em vinte anos, no máximo, algo completamente inédito que, em virtude das novas tecnologias de distribuição de conteúdo envolvidas, ainda levaremos algum tempo para compreender completamente. Percebendo o grande momento, realizamos (talvez) o maior encontro físico de integrantes (passados, presentes e futuros) do Trek Brasilis em dez de setembro na capital paulista. Comemoramos a franquia, o site e as nossas amizades. Algo extraordinário foi conhecer novas vozes que produzem atualmente conteúdo embasado e crítico de Jornada Nas Estrelas aqui no Brasil. Distintas, mas de certa forma inspiradas naquelas do antigo portal. Essas mesmas vozes, por sua vez, também me inspiraram a voltar à ativa em alguma capacidade. Escrever de novo para o nosso querido TB. Desde o final de Enterprise (em 2005) era certo que teríamos...

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DS9 1×07: Q-Less

Q e Vash queimam seu filme na única aparição dos personagens na série. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Q-Less”, de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine. Sinopse: Data Estelar: 46531.2. Vash, antiga companheira de Q, é encontrada no quadrante Gama pelo pessoal de Deep Space Nine. Quando levada a bordo da estação, traz consigo, inadvertidamente, o próprio Q. O objetivo da entidade é, a todo custo, ter Vash novamente como sua companheira. No entanto, a arqueóloga não está interessada. Ela e Quark preparam um leilão de artefatos coletados ao longo dos dois anos que passou no quadrante Gama. Enquanto isso, a estação começa a passar por sérias falhas estruturais que ameaçam sua integridade. Por fim, descobre-se que a causa é um dos artefatos de Vash, que na verdade é um tipo de ovo de uma espécie alienígena desconhecida. Comentários: “Q-Less” foi todo centrado em uma tentativa de transferir o sucesso de A Nova Geração para a recém-criada Deep Space Nine. Para isso, uma história que não se justifica foi elaborada, com o único propósito de conquistar para Q um novo emprego após o fim das aventuras de Jean-Luc Picard e companhia na televisão. O resultado não poderia ter sido mais catastrófico. O episódio é baseado em uma trama absurda (beirando o absoluto ridículo), com uma insuportável quantidade de “tecnobaboseira”, tudo visando o único propósito de termos...

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DS9 1×06: Captive Pursuit

História lida com a perspectiva de uma cultura diferente com bom desempenho. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Captive Pursuit”, de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine. Sinopse: Data Estelar: desconhecida. Uma nave proveniente do quadrante Gama pára em Deep Space Nine para reparos e o chefe O’Brien é designado para conduzir os trabalhos e fazer primeiro contato com os alienígenas. Por ocasião disso ele conhece Tosk, um ser com modo de vida bastante excêntrico pelos padrões humanos. Ao tornar-se amigo do alienígena, O’Brien acaba descobrindo que ele é uma presa criada especialmente para um jogo de caça conduzido pelos membros de sua espécie. Quando os alienígenas chegam à estação para capturar Tosk, O’Brien desobedece à Primeira Diretriz e ajuda a presa a escapar. Comentários: “Captive Pursuit” é mais uma análise de uma cultura supostamente bárbara no melhor estilo de Jornada nas Estrelas. É interessante notar que não importa o quão absurdo seja um costume para nós, para os que fazem parte daquela cultura, tudo não só é normal, como desejável. Assim, para Tosk é uma honra ser caçado por seus colegas, por mais que pareça bárbaro para os padrões humanos. O senso “alienígena” de Tosk e da “Caçada”, enquanto não muito original, é bem apresentado, com boa execução (o roteiro não cai no óbvio truque do “tradutor universal incapaz de lidar com a linguagem dos nativos...

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