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por Luiz
Castanheira
Pré-texto...
Curiosamente a inspiração
para a escrita deste artigo a respeito do piloto da nova versão
de “Battlestar Galactica” do canal SCIFI Americano (deste
ponto em diante a ser referida apenas como “BSG2003” neste
texto) nasceu de uma assistida a um segmento da série Enterprise.
O ironicamente nomeado episódio
“Twilight” (“Crepúsculo”) da terceira temporada, que
trata em tela do ocaso da humanidade frente a brutal ofensiva
Xindi, trouxe a mente questões variadas desde concepção e
respeito (durante a produção) a premissa de uma série (o que
visa dar uma face única e característica ao programa) até o
cuidado quanto à escolha de histórias coerentes e ressonantes (e
de “elementos SCIFI do armário”) na execução de tal
premissa semana após semana. Existe uma visão única e
consistente por trás disto tudo? O modo como tal visão é
trazida a vida enfatiza a unicidade do conceito? Existe um cuidado
na caracterização dos personagens? Podemos nos importar com
eles? Etc.
“Twilight”,
ainda o primeiro colocado da série no referencial Site de votação
popular SOS, basicamente recicla (além do conceito básico do
brilhante filme “Memento”) os mais bem sucedidos episódios
envolvendo paradoxos temporais da franquia (os mais flagrantes
exemplos sendo: “Yesterday’s Enterprise”, “All
Good Things...” e “The Visitor”). E assim o faz
com uma “ousadia” que beira o descaramento, uma transparente
colagem de idéias que outrora serviram de base para momentos tão
inesquecíveis. Dado o extremo da chocante (e incoerente com o próprio
episódio) situação apresentada no Teaser, não resta dúvida
que tudo terminará com um gigantesco “botão de reset” (cuja
forma é absolutamente óbvia para os iniciados e constituído da
“boa e velha tecnobaboseira”). Mais grave ainda, aquela
jornada não se faz tocante como deveria ser e o segmento se
encerra vazio de significado.
A pergunta que ficou ao final foi se seria possível
tratar de uma forma sóbria o “crepúsculo da humanidade”, de
uma maneira que ao menos parecesse nova, que envolvesse o
espectador e com um comentário embutido sobre o preocupante
estado atual do mundo em que vivemos. Felizmente a resposta já se
encontrava em cima desta velha escrivaninha.
Objetivo
deste artigo
Nas pálidas memórias (de quase 25
anos) da versão original de “Battlestar Galactica” (criada
por Glen A. Larson) brota a lembrança de uma série com uma
fabulosa premissa que remete diretamente aos clássicos, mas
executada com muito pouca profundidade e uma uniforme atitude
maniqueísta e unidimensional. Foi então à atitude mais acertada
possível, por parte dos novos realizadores, reter somente a
premissa (com algumas pequenas atualizações) e descartar todo o
resto nesta nova versão.
Tal escolha levou a inúmeras
outras e finalmente a produção de um piloto, o alvo de análise
deste artigo, de 183 minutos de duração (exibido originalmente
em duas partes nos dias oito e nove de dezembro de 2003) que se
mostrou um dos maiores sucessos de audiência de todos os tempos
do canal SCIFI Americano (ao lado das mini-séries “Taken” e
“Dune”). Mesmo com tamanho sucesso, o SCIFI demorou até o último
momento possível para dar sinal verde para a produção de uma
temporada de treze episódios, devido ao alto custo do programa
para os padrões do canal por assinatura especializado no gênero.
Deve ser salientado que o piloto foi produzido já com uma restrição
de máxima economia em mente, a qual se mostra pulverizada em
diversas opções criativas dos realizadores vistas em tela e
discutidas mais à frente neste texto, mas sempre justificadas de
“dentro para fora” e de maneira coerente com uma visão artística
global, afugentando qualquer indício do famoso “Complexo de
Frankenstein”, que costuma vitimar programas sob similares condições.
Não serão aqui discutidos os inúmeros
“desdobramentos” da “novela” em que se transformou, neste
último um quarto de século, um possível “Renascimento” de
“Battlestar Galactica” que só agora veio ocorrer e pelas mãos
de pessoas que não tiveram nada a ver com tal discussão ao longo
do tempo. Não será apresentada uma sinopse detalhada do piloto.
Mais informações sobre “BSG2003” podem ser encontradas no
Site www.galactica2003.net.Informações
sobre atores e demais artistas citados podem ser também
encontradas em: www.imdb.com.
Atualizando
uma clássica premissa:
Potencialidades e perigos
A premissa da nova série pode ser
resumida como se segue. No passado não especificado (e não visto
em tela, bem entendido), os humanos criaram os Cylons, andróides
dotados de sofisticada inteligência artificial, para servi-los.
Em um dado momento, os servos se insurgiram contra os seus mestres
levando a uma terrível guerra. Os Cylons, derrotados, foram viver
em um planeta remoto, onde eles arquitetaram cuidadosamente um
plano de vingança, um plano para erradicar os humanos das doze
colônias. No presente, os Cylons tem sucesso absoluto em sua
investida, reduzindo os colonos a um pequeno grupo de naves que se
juntam à última nave da frota colonial (Galactica), refugiados
que sobrevivem a alguns encontros menores com os Cylons e partem a
procura da “décima terceira colônia humana perdida”, um
planeta chamado simplesmente de “Terra”.
A base da história é quase a
mesma da série original, sendo a principal diferença um esforço
consciente em trazer motivações e maior profundidade aos Cylons.
Ainda que tal preocupação seja bem-vinda, cabe enfatizar que
esta retribuição do tipo “olho por olho” está longe de ser
complexa ou sofisticada (é um começo, mas não suficiente em si
mesma). Isto sem falar que a noção de “Inteligências
Artificiais que se revoltam contra os seus criadores” é
bastante comum na ficção científica, especialmente
superutilizada nos dias de hoje (o que deve ser tratado com
cuidado, para serem evitadas situações clichê ou
transparentemente derivadas).
Um ponto polêmico introduzido na
nova versão é a de que agora existem doze modelos de Cylons
(referidos apenas por “Número Um”, “Número Dois”, ... e
“Número Doze”), sendo que boa parte destes modelos são
absolutamente idênticos aos humanos. Um modelo em CGI análogo ao
dos Cylons originais aparece, mas apenas na seqüência de
abertura. Com tais novos modelos surge a possibilidade do estudo
da paranóia, tema bastante atual, mas também comum em ficção
científica nestes mesmos termos. Um enfoque cuidadoso deve ser
procurado então.
Provavelmente o tema mais
interessante do piloto com respeito aos Cylons é de que (colocado
via subtexto, bem entendido) eles querem “algo mais” dos seus
criadores do que a sua extinção. Temas comuns a esta linha como
o “Beijo da morte” e a “Síndrome de Cain” são tocados
brevemente, mas podem dar origem a algo mais substancial ao longo
da série. Existem diversas referências de parte a parte a
“pais e filhos” no lugar de “criadores e criaturas”, o
que, aliado a um possível maior aprofundamento na questão da
religião dos colonos, pode levar a interessantes histórias mais
à frente. É particularmente atraente a enigmática afirmação
de que um Cylon nunca morre.
Galactica sobrevive inicialmente
por que se encontrava longe da frota, fazendo os últimos
preparativos para a sua “cerimônia de aposentadoria”, para
ser retirada de serviço e transformada em um museu (ou seja, a
nave estava totalmente despreparada para o combate no início da
história e, quando descobre sobre o ataque dos Cylons às colônias,
tem que se armar a caminho). Ela se encontrava em uma posição
distante (apesar da história não explicar do por que daquela
exata posição) e, caso não tivesse ocorrido o ataque, voltaria
em sua última viagem para a sua colônia de origem.
Algumas outras informações
relevantes à premissa (outras mais até o final do texto) e já
utilizadas no próprio piloto: a nave Galactica (e outras naves
também) pode dar hiper-saltos (“ponto a ponto”), um
procedimento encarado com temor pelos próprios tripulantes.
(é digno de nota que em um momento
crítico várias naves de refugiados sem esta capacidade tem que
ser deixadas para trás, e com elas os seus ocupantes, para que a
maioria dos sobreviventes possa escapar); Galactica não possui os
seus computadores conectados em rede para dificultar ataques de vírus;
os caças coloniais mais modernos são vulneráveis a tais
ataques, somente os antigos caças do tempo da guerra contra os
Cylons (exatamente os caças da série original, que estavam em
exposição como peças do museu ao lado de modelos em escala das
naves dos Cylons e réplicas do seu modelo de andróide mais
conhecido) é que são imunes a tais táticas em combate além do
fato de que os novos modelos de andróide dos Cylons possuem
inteligência e força sobre-humanas, mas são vulneráveis a
certos campos de força.
Mesmo com todos estes potenciais,
é fácil uma série com uma premissa como esta desandar (e virar
na pior das hipóteses uma espécie de “Variante de Voyager”),
especialmente devido à pressão que o canal SCIFI vai manter
sobre a produção. A série está no limite orçamentário do
canal, sua direção vai querer retorno pronto e claro. Isto é óbvio.
Devem ser evitados os clichês do gênero especialmente os típicos
de Jornada, tais como: “Planeta da semana”, “Alienígena
da semana”, “Vírus da semana”, “Anomalia da semana”,
“Tecnobaboseira da semana”, “Nave misteriosa abandonada à
deriva”, “Galactica chega a Terra, mas é tudo: ilusão,
truque, sonho, pesadelo, primeiro de abril, armadilha etc.”,
“Viagem no tempo”, “Botão de reset”, “Troca de corpos,
possessão corporal e similares” Etc. Sem contar o que deve ser
evitado a todo o custo e de toda maneira, mesmo com greve mundial
de roteiristas: “AMEAÇA CILÔNIA DA SEMANA”.
A única maneira de evitar estes problemas é
focar a maioria das histórias para o interior da comunidade
formada pelo comboio de refugiados e fazer na melhor das hipóteses
desta comunidade um microcosmo para discutir questões de relevância
atual. Não será uma tarefa fácil, devido a herança de “Space
Opera” que o nome “Galactica” carrega, mas será necessária
se a série quiser realmente assumir um lugar ao sol no mercado.
Realizadores
e execução
A principal força
criativa por trás de “BSG2003” não é outro senão o
produtor e roteirista Ronald D. Moore (ganhador do prêmio Hugo e
indicado ao prêmio Emmy), considerado por muitos o melhor
roteirista da história da franquia de Jornada nas Estrelas,
tendo escrito inúmeros clássicos para A Nova Geração e
para Deep Space Nine, entre eles: “Tapestry” e “In
The Pale Moonlight”.
Ainda que fã confesso da série
original de “Galactica”, Moore, junto com seu principal
colaborador David Eick, optou por um tom extremamente sério e
contido para a nova versão, sendo particularmente fascinante como
toda a devastação provocada pelo ataque dos Cylons é sentida
pela audiência praticamente não sendo mostrada de forma
explicita, sendo passada quase sempre através da reação que
provoca nos personagens e mesmo esta sem cair no melodrama fácil.
Em um mundo de entretenimento que
parece primar pelo exagero e pela utilização de violência de
forma banal e em tal excesso que chega a anestesiar o espectador a
partir de um certo ponto, é digno de nota como foi apresentado o
crepúsculo de uma civilização inteira, com tamanha seriedade,
sobriedade e elegância. É este o tipo de atitude, extremamente
bem cuidada, que faz com que os espectadores se sintam próximo
aos personagens, possam sentir por eles e mesmo ao lado deles.
O roteiro é extremamente bem
acabado, cabendo salientar a forma eficiente como toda a exposição
(em grande quantidade, como é usual em um piloto) é tratada,
sempre, como manda a boa regra de escrita, através do uso de
conflito e do humor. Cada cena tem um objetivo específico que
serve para levar a história à frente e que vai ser referido
posteriormente no episódio. Cada cena é dramaticamente sólida,
com começo, meio e fim, além de uma motivação subjacente.
Diversas cenas são construídas com extrema paciência, passo a
passo e se desenvolvem muitas vezes em direções inesperadas e
surpreendentes, por vezes mesmo arriscadas, desafiando a audiência.
A direção de Michael Rymer é
excelente, adotando muitas vezes um tom documental com muita câmera
na mão e edição desencontrada. Tal atitude acabou funcionando
muito bem, humanizando ainda mais os personagens. A tomada sem
cortes que começa com o Cooper de “Starbuck” é brilhante e
introduz a nave em grande estilo. Bravo! A trilha eminentemente
percussiva de Richard Gibbs é um pouco difícil no início, mas
colabora e muito para o clima do episódio. Em um certo momento da
cerimônia se ouve o tema original de Stu Philips, que soa
largamente inapropriado e “raso” para esta nova série. Os
efeitos visuais ficaram a cargo de Gary Hutzel (outro veterano de Jornada
que dispensa apresentações) e são excelentes. Galactica nunca
foi tão bonita.
(Em
tempo: A dupla de roteiristas David Weddle & Bradley Thompson
que substituíram a Robert Hewit Wolfe nas duas últimas
temporadas de DS9 se juntam à série como editores de história.)
Atores
e personagens
Mary McDonnell como a presidente
Laura Roslin: Roslin era a ministra da educação, simplesmente
visitando a Galactica (pouco antes de partir ela descobre ter câncer
de mama) para verificar os últimos detalhes da transformação da
nave em um museu, mas vendo chegar o seu lugar na linha de sucessão
em meio ao um sem número de baixas devido ao ataque dos Cylons,
ela é empossada como a nova presidente das colônias. Ela toma
diversas decisões cruciais: organiza a busca por sobreviventes e
a formação do comboio de naves dos refugiados, deixa as naves
sem capacidade de “salto” (e seus ocupantes) para trás para a
morte certa e convence finalmente o comandante Adama que a guerra
não mais existe e que eles tem que fugir dali o quanto antes e em
suas próprias palavras “começar a ter bebês”. O personagem
não existia na versão original.
Edward James Olmos como o
comandante William "Husker" Adama: O comandante da
Galactica é um homem sensato e gentil, ainda que um militar em
todo o sentido do termo. “Apollo” o culpa pela morte do irmão
e quando o filho desaparece em meio ao piloto, ele fica
absolutamente destroçado. Dois momentos definem o personagem: o
seu discurso de despedida (que obviamente deixa de ser com o
ataque dos Cylons) em que ele pergunta qual mérito a humanidade
teve para sobreviver à guerra e também se não seria ela própria
culpada pela guerra por ter criados os Cylons (uma profecia
prontamente realizada, aliás) e ao final quando ele mente (para
alimentar a fé dos refugiados) dizendo que sabe da exata localização
da “Terra”. Olmos, um antigo favorito e ganhador do Globo de
Ouro, do Emmy, do Independent Spirit e indicado ao Oscar, está
absolutamente matador no papel.
Jamie Bamber como o capitão Lee
"Apollo" Adama: “Apollo” se torna o piloto chefe da
Galactica na esteira do ataque dos Cylons e é fundamental na
proteção da nave da presidente. Ao voltar a Galactica após ser
dado como morto, ele descobre que a culpa que imputava ao pai
(pela morte do irmão) era injusta e os dois começam um longo
caminho de reaproximação. Grande amigo de “Starbuck”.
Katee Sackhoff como a tenente Kara
"Starbuck" Thrace: A mudança de sexo de “Starbuck”
foi fácil a mais polêmica mudança nesta nova versão, mostrando
que por vezes os fãs se importam mais com superficialidades do
que com conteúdo. Curiosamente (e ironicamente) é a personagem
mais próxima a sua versão original. A personagem é
absolutamente apaixonante, do primeiro ao último quadro,
“Starbuck” (com direito a charuto e tiradas hilariantes) é
simplesmente a amiga que qualquer um gostaria de ter, ela exala
sinceridade e honestidade. Quando “Apollo” desaparece e
retorna, descobrimos que ela tinha um romance secreto com o seu
irmão e foi ela quem aprovou o falecido Adama na prova de vôo
(mesmo sabendo que ele não tinha a menor condição de passar).
Ela se culpa por isto desde então. Isto muda drasticamente a relação
entre pai e filho (“Apollo” sempre achou que o pai “mexeu os
pauzinhos” para aprovar o irmão). Ela é obviamente a melhor
piloto da nave (provavelmente de qualquer nave) e a cena em que
ela resgata “Apollo” no final é de fazer qualquer
“fanboy” dar pirueta de tão absurda e divertida.
James Callis como o doutor Gaius
Baltar: Como era na versão original (em que era vivido pelo
inesquecível Jon “Kor, o primeiro Klingon de Jornada”
Colicos), Baltar é o mais complexo personagem desta nova versão.
A analogia com Judas persiste, mas em um nível quase
inconsciente. Ele devia ter desconfiado daquela linda e
inacreditavelmente inteligente mulher, principalmente ele, o maior
especialista vivo nos Cylons, mas a sua ainda maior arrogância não
permitiu. A culpa que sente quando descobre do ataque é absurda,
mas se esquece rapidamente dela quando o parceiro de “Boomer”
lhe cede o lugar (e a vida) na nave da tenente (para falar a
verdade, antes do oficial se oferecer ele já estava
“paquerando” o bilhete sorteado – de uma vaga no transporte
- de uma velhinha meio cega). A bordo da Galactica ele se dá
conta que agora a sua amante Cylon (a infame “Número Seis”)
vive literalmente dentro da sua cabeça e passa a
atormenta-lo de todas as maneiras possíveis e imagináveis
(inclusive masturbando-o virtualmente em plena ponte da Galactica).
Quando a tripulação da Galactica descobre um Cylon (de aparência
humana) de outro modelo em um depósito de munições, Baltar começa
a morrer de medo de ser descoberto e entrega o repórter da equipe
que cobria a cerimônia de despedida da nave como um Cylon (o
espectador não tem como saber se ele está mentindo ou não). O
jornalista acaba sendo deixado no mesmo depósito de munições
(para a morte certa se ele fosse de fato um Cylon, devido aos
campos de força que envolvem o local) e quando na cena final
descobrimos que de fato ele era mesmo um Cylon, isto só reforça
a ambigüidade do personagem. Ele diz “na cara” (ou algo próximo
devido ao inusitado da situação entre os dois) da “Número
Seis” que não está do lado dos humanos ou dos Cylons, mas do
seu próprio lado, o que deixa até ela, que vive dentro da cabeça
dele em dúvida, mas a culpa (ou seria outra coisa?) acaba
retornando e ele deixa uma nota anônima na cabine de Adama (que
imediatamente destrói a nota) dizendo que existem exatos doze
modelos de Cylons. Genial personagem!
Tricia Helfer como “Número
Seis”: Como Helfer interpreta o modelo, não somente uma única
unidade Cylon, ela aparece diversas vezes, primariamente como a
assistente, amante e depois “inquilina mental” do doutor
Baltar. Esta personagem é que infecta, com um vírus de
computador, os sistemas de defesa das colônias e obtém informações
detalhadas de todas as forças militares humanas, o que permite a
vitória esmagadora dos Cylons. Ela aparece como outros dois indivíduos
na primeira e na última cena. A aparência, o nome e a própria
natureza da personagem levam a imediata trepidação devido a uma
possível e óbvia comparação com Seven Of Nine, mas felizmente
até este ponto a personagem se mostrou interessante,
especialmente devido a sua interação com Baltar.
Michael Hogan como o coronel Paul
Tigh: Tigh é o primeiro oficial da nave Galactica, um militar
linha dura que serve de contraponto ao comandante Adama. Tem
problemas com a bebida e sentimentos contraditórios com relação
à esposa (que aparentemente o abandonou). Têm sérios
desentendimentos com “Starbuck” que o considera um bêbado e
um fraco. Protagoniza a cena mais emocionante do piloto quando
ordena uma descompressão de emergência em uma seção ainda
ocupada para salvar toda a nave.
Grace Park como a tenente Sharon
"Boomer" Valerii: A tenente “Boomer” (outra clara
mudança em relação à série original, o outrora homem e negro
“Boomer” é agora uma mulher asiática) é lotada na Galactica
e responsável por uma nave batedora, que é capaz de “saltar”
e trazer informações de longa distância as esquadrilhas de caças.
Ela perde o seu parceiro de longa data no Piloto, que fica para trás
para que Baltar possa sobreviver. Encontra um menino perdido (de
nome “Boxey”) e passa a cuidar dele. A cena final do Piloto
traz a informação de que ela é idêntica a um dos modelos
humanos dos Cylons.
Aaron Douglas como chefe Tyrol: Simplesmente
Tyrol é o “chefe O’Brien da Galactica”, competente,
passional e gentil. Namora a tenente “Boomer” escondido.
Conclusão
Em
contraponto ao comodismo exacerbado e a reciclagem descarada da
dupla B&B, eis que se apresenta uma atraente e bem pensada
premissa, que pode levar a um caminho análogo ao de “The Dead
Zone” e se firmar com uma alternativa SCIFI mais sóbria e de
melhor qualidade para os fãs veteranos de Jornada. Da
mesma forma que existe grande potencial, visualizam-se (de uma
maneira até óbvia) um sem número de armadilhas que terão que
ser evitadas com todo o cuidado por Moore e cia. É fácil dar
errado, especialmente devido às considerações econômicas
envolvidas, mas este piloto coloca o autor na torcida para que dê
certo. Que venha a primeira temporada.
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