Publicado originalmente
em 28 de março de 2004


O piloto da nova Battlestar Galactica
Uma análise do primeiro segmento da série, que estreou em 2003 


 









 


por Luiz Castanheira

Pré-texto...

Curiosamente a inspiração para a escrita deste artigo a respeito do piloto da nova versão de “Battlestar Galactica” do canal SCIFI Americano (deste ponto em diante a ser referida apenas como “BSG2003” neste texto) nasceu de uma assistida a um segmento da série Enterprise.

O ironicamente nomeado episódio “Twilight” (“Crepúsculo”) da terceira temporada, que trata em tela do ocaso da humanidade frente a brutal ofensiva Xindi, trouxe a mente questões variadas desde concepção e respeito (durante a produção) a premissa de uma série (o que visa dar uma face única e característica ao programa) até o cuidado quanto à escolha de histórias coerentes e ressonantes (e de “elementos SCIFI do armário”) na execução de tal premissa semana após semana. Existe uma visão única e consistente por trás disto tudo? O modo como tal visão é trazida a vida enfatiza a unicidade do conceito? Existe um cuidado na caracterização dos personagens? Podemos nos importar com eles? Etc.

“Twilight”, ainda o primeiro colocado da série no referencial Site de votação popular SOS, basicamente recicla (além do conceito básico do brilhante filme “Memento”) os mais bem sucedidos episódios envolvendo paradoxos temporais da franquia (os mais flagrantes exemplos sendo: “Yesterday’s Enterprise”, “All Good Things...” e “The Visitor”). E assim o faz com uma “ousadia” que beira o descaramento, uma transparente colagem de idéias que outrora serviram de base para momentos tão inesquecíveis. Dado o extremo da chocante (e incoerente com o próprio episódio) situação apresentada no Teaser, não resta dúvida que tudo terminará com um gigantesco “botão de reset” (cuja forma é absolutamente óbvia para os iniciados e constituído da “boa e velha tecnobaboseira”). Mais grave ainda, aquela jornada não se faz tocante como deveria ser e o segmento se encerra vazio de significado.

A pergunta que ficou ao final foi se seria possível tratar de uma forma sóbria o “crepúsculo da humanidade”, de uma maneira que ao menos parecesse nova, que envolvesse o espectador e com um comentário embutido sobre o preocupante estado atual do mundo em que vivemos. Felizmente a resposta já se encontrava em cima desta velha escrivaninha.

 

Objetivo deste artigo

Nas pálidas memórias (de quase 25 anos) da versão original de “Battlestar Galactica” (criada por Glen A. Larson) brota a lembrança de uma série com uma fabulosa premissa que remete diretamente aos clássicos, mas executada com muito pouca profundidade e uma uniforme atitude maniqueísta e unidimensional. Foi então à atitude mais acertada possível, por parte dos novos realizadores, reter somente a premissa (com algumas pequenas atualizações) e descartar todo o resto nesta nova versão.

Tal escolha levou a inúmeras outras e finalmente a produção de um piloto, o alvo de análise deste artigo, de 183 minutos de duração (exibido originalmente em duas partes nos dias oito e nove de dezembro de 2003) que se mostrou um dos maiores sucessos de audiência de todos os tempos do canal SCIFI Americano (ao lado das mini-séries “Taken” e “Dune”). Mesmo com tamanho sucesso, o SCIFI demorou até o último momento possível para dar sinal verde para a produção de uma temporada de treze episódios, devido ao alto custo do programa para os padrões do canal por assinatura especializado no gênero. Deve ser salientado que o piloto foi produzido já com uma restrição de máxima economia em mente, a qual se mostra pulverizada em diversas opções criativas dos realizadores vistas em tela e discutidas mais à frente neste texto, mas sempre justificadas de “dentro para fora” e de maneira coerente com uma visão artística global, afugentando qualquer indício do famoso “Complexo de Frankenstein”, que costuma vitimar programas sob similares condições.

Não serão aqui discutidos os inúmeros “desdobramentos” da “novela” em que se transformou, neste último um quarto de século, um possível “Renascimento” de “Battlestar Galactica” que só agora veio ocorrer e pelas mãos de pessoas que não tiveram nada a ver com tal discussão ao longo do tempo. Não será apresentada uma sinopse detalhada do piloto. Mais informações sobre “BSG2003” podem ser encontradas no Site www.galactica2003.net.Informações sobre atores e demais artistas citados podem ser também encontradas em: www.imdb.com.

 

Atualizando uma clássica premissa:
Potencialidades e perigos

A premissa da nova série pode ser resumida como se segue. No passado não especificado (e não visto em tela, bem entendido), os humanos criaram os Cylons, andróides dotados de sofisticada inteligência artificial, para servi-los. Em um dado momento, os servos se insurgiram contra os seus mestres levando a uma terrível guerra. Os Cylons, derrotados, foram viver em um planeta remoto, onde eles arquitetaram cuidadosamente um plano de vingança, um plano para erradicar os humanos das doze colônias. No presente, os Cylons tem sucesso absoluto em sua investida, reduzindo os colonos a um pequeno grupo de naves que se juntam à última nave da frota colonial (Galactica), refugiados que sobrevivem a alguns encontros menores com os Cylons e partem a procura da “décima terceira colônia humana perdida”, um planeta chamado simplesmente de “Terra”.

A base da história é quase a mesma da série original, sendo a principal diferença um esforço consciente em trazer motivações e maior profundidade aos Cylons. Ainda que tal preocupação seja bem-vinda, cabe enfatizar que esta retribuição do tipo “olho por olho” está longe de ser complexa ou sofisticada (é um começo, mas não suficiente em si mesma). Isto sem falar que a noção de “Inteligências Artificiais que se revoltam contra os seus criadores” é bastante comum na ficção científica, especialmente superutilizada nos dias de hoje (o que deve ser tratado com cuidado, para serem evitadas situações clichê ou transparentemente derivadas).

Um ponto polêmico introduzido na nova versão é a de que agora existem doze modelos de Cylons (referidos apenas por “Número Um”, “Número Dois”, ... e “Número Doze”), sendo que boa parte destes modelos são absolutamente idênticos aos humanos. Um modelo em CGI análogo ao dos Cylons originais aparece, mas apenas na seqüência de abertura. Com tais novos modelos surge a possibilidade do estudo da paranóia, tema bastante atual, mas também comum em ficção científica nestes mesmos termos. Um enfoque cuidadoso deve ser procurado então.

Provavelmente o tema mais interessante do piloto com respeito aos Cylons é de que (colocado via subtexto, bem entendido) eles querem “algo mais” dos seus criadores do que a sua extinção. Temas comuns a esta linha como o “Beijo da morte” e a “Síndrome de Cain” são tocados brevemente, mas podem dar origem a algo mais substancial ao longo da série. Existem diversas referências de parte a parte a “pais e filhos” no lugar de “criadores e criaturas”, o que, aliado a um possível maior aprofundamento na questão da religião dos colonos, pode levar a interessantes histórias mais à frente. É particularmente atraente a enigmática afirmação de que um Cylon nunca morre.

Galactica sobrevive inicialmente por que se encontrava longe da frota, fazendo os últimos preparativos para a sua “cerimônia de aposentadoria”, para ser retirada de serviço e transformada em um museu (ou seja, a nave estava totalmente despreparada para o combate no início da história e, quando descobre sobre o ataque dos Cylons às colônias, tem que se armar a caminho). Ela se encontrava em uma posição distante (apesar da história não explicar do por que daquela exata posição) e, caso não tivesse ocorrido o ataque, voltaria em sua última viagem para a sua colônia de origem.

Algumas outras informações relevantes à premissa (outras mais até o final do texto) e já utilizadas no próprio piloto: a nave Galactica (e outras naves também) pode dar hiper-saltos (“ponto a ponto”), um procedimento encarado com temor pelos próprios tripulantes.

(é digno de nota que em um momento crítico várias naves de refugiados sem esta capacidade tem que ser deixadas para trás, e com elas os seus ocupantes, para que a maioria dos sobreviventes possa escapar); Galactica não possui os seus computadores conectados em rede para dificultar ataques de vírus; os caças coloniais mais modernos são vulneráveis a tais ataques, somente os antigos caças do tempo da guerra contra os Cylons (exatamente os caças da série original, que estavam em exposição como peças do museu ao lado de modelos em escala das naves dos Cylons e réplicas do seu modelo de andróide mais conhecido) é que são imunes a tais táticas em combate além do fato de que os novos modelos de andróide dos Cylons possuem inteligência e força sobre-humanas, mas são vulneráveis a certos campos de força.

Mesmo com todos estes potenciais, é fácil uma série com uma premissa como esta desandar (e virar na pior das hipóteses uma espécie de “Variante de Voyager”), especialmente devido à pressão que o canal SCIFI vai manter sobre a produção. A série está no limite orçamentário do canal, sua direção vai querer retorno pronto e claro. Isto é óbvio. Devem ser evitados os clichês do gênero especialmente os típicos de Jornada, tais como: “Planeta da semana”, “Alienígena da semana”, “Vírus da semana”, “Anomalia da semana”, “Tecnobaboseira da semana”, “Nave misteriosa abandonada à deriva”, “Galactica chega a Terra, mas é tudo: ilusão, truque, sonho, pesadelo, primeiro de abril, armadilha etc.”, “Viagem no tempo”, “Botão de reset”, “Troca de corpos, possessão corporal e similares” Etc. Sem contar o que deve ser evitado a todo o custo e de toda maneira, mesmo com greve mundial de roteiristas: “AMEAÇA CILÔNIA DA SEMANA”.

A única maneira de evitar estes problemas é focar a maioria das histórias para o interior da comunidade formada pelo comboio de refugiados e fazer na melhor das hipóteses desta comunidade um microcosmo para discutir questões de relevância atual. Não será uma tarefa fácil, devido a herança de “Space Opera” que o nome “Galactica” carrega, mas será necessária se a série quiser realmente assumir um lugar ao sol no mercado.

 

Realizadores e execução

A principal força criativa por trás de “BSG2003” não é outro senão o produtor e roteirista Ronald D. Moore (ganhador do prêmio Hugo e indicado ao prêmio Emmy), considerado por muitos o melhor roteirista da história da franquia de Jornada nas Estrelas, tendo escrito inúmeros clássicos para A Nova Geração e para Deep Space Nine, entre eles: “Tapestry” e “In The Pale Moonlight”.

Ainda que fã confesso da série original de “Galactica”, Moore, junto com seu principal colaborador David Eick, optou por um tom extremamente sério e contido para a nova versão, sendo particularmente fascinante como toda a devastação provocada pelo ataque dos Cylons é sentida pela audiência praticamente não sendo mostrada de forma explicita, sendo passada quase sempre através da reação que provoca nos personagens e mesmo esta sem cair no melodrama fácil.

Em um mundo de entretenimento que parece primar pelo exagero e pela utilização de violência de forma banal e em tal excesso que chega a anestesiar o espectador a partir de um certo ponto, é digno de nota como foi apresentado o crepúsculo de uma civilização inteira, com tamanha seriedade, sobriedade e elegância. É este o tipo de atitude, extremamente bem cuidada, que faz com que os espectadores se sintam próximo aos personagens, possam sentir por eles e mesmo ao lado deles.

O roteiro é extremamente bem acabado, cabendo salientar a forma eficiente como toda a exposição (em grande quantidade, como é usual em um piloto) é tratada, sempre, como manda a boa regra de escrita, através do uso de conflito e do humor. Cada cena tem um objetivo específico que serve para levar a história à frente e que vai ser referido posteriormente no episódio. Cada cena é dramaticamente sólida, com começo, meio e fim, além de uma motivação subjacente. Diversas cenas são construídas com extrema paciência, passo a passo e se desenvolvem muitas vezes em direções inesperadas e surpreendentes, por vezes mesmo arriscadas, desafiando a audiência.

A direção de Michael Rymer é excelente, adotando muitas vezes um tom documental com muita câmera na mão e edição desencontrada. Tal atitude acabou funcionando muito bem, humanizando ainda mais os personagens. A tomada sem cortes que começa com o Cooper de “Starbuck” é brilhante e introduz a nave em grande estilo. Bravo! A trilha eminentemente percussiva de Richard Gibbs é um pouco difícil no início, mas colabora e muito para o clima do episódio. Em um certo momento da cerimônia se ouve o tema original de Stu Philips, que soa largamente inapropriado e “raso” para esta nova série. Os efeitos visuais ficaram a cargo de Gary Hutzel (outro veterano de Jornada que dispensa apresentações) e são excelentes. Galactica nunca foi tão bonita.

(Em tempo: A dupla de roteiristas David Weddle & Bradley Thompson que substituíram a Robert Hewit Wolfe nas duas últimas temporadas de DS9 se juntam à série como editores de história.)

 

Atores e personagens

Mary McDonnell como a presidente Laura Roslin: Roslin era a ministra da educação, simplesmente visitando a Galactica (pouco antes de partir ela descobre ter câncer de mama) para verificar os últimos detalhes da transformação da nave em um museu, mas vendo chegar o seu lugar na linha de sucessão em meio ao um sem número de baixas devido ao ataque dos Cylons, ela é empossada como a nova presidente das colônias. Ela toma diversas decisões cruciais: organiza a busca por sobreviventes e a formação do comboio de naves dos refugiados, deixa as naves sem capacidade de “salto” (e seus ocupantes) para trás para a morte certa e convence finalmente o comandante Adama que a guerra não mais existe e que eles tem que fugir dali o quanto antes e em suas próprias palavras “começar a ter bebês”. O personagem não existia na versão original.

Edward James Olmos como o comandante William "Husker" Adama: O comandante da Galactica é um homem sensato e gentil, ainda que um militar em todo o sentido do termo. “Apollo” o culpa pela morte do irmão e quando o filho desaparece em meio ao piloto, ele fica absolutamente destroçado. Dois momentos definem o personagem: o seu discurso de despedida (que obviamente deixa de ser com o ataque dos Cylons) em que ele pergunta qual mérito a humanidade teve para sobreviver à guerra e também se não seria ela própria culpada pela guerra por ter criados os Cylons (uma profecia prontamente realizada, aliás) e ao final quando ele mente (para alimentar a fé dos refugiados) dizendo que sabe da exata localização da “Terra”. Olmos, um antigo favorito e ganhador do Globo de Ouro, do Emmy, do Independent Spirit e indicado ao Oscar, está absolutamente matador no papel.

Jamie Bamber como o capitão Lee "Apollo" Adama: “Apollo” se torna o piloto chefe da Galactica na esteira do ataque dos Cylons e é fundamental na proteção da nave da presidente. Ao voltar a Galactica após ser dado como morto, ele descobre que a culpa que imputava ao pai (pela morte do irmão) era injusta e os dois começam um longo caminho de reaproximação. Grande amigo de “Starbuck”.

Katee Sackhoff como a tenente Kara "Starbuck" Thrace: A mudança de sexo de “Starbuck” foi fácil a mais polêmica mudança nesta nova versão, mostrando que por vezes os fãs se importam mais com superficialidades do que com conteúdo. Curiosamente (e ironicamente) é a personagem mais próxima a sua versão original. A personagem é absolutamente apaixonante, do primeiro ao último quadro, “Starbuck” (com direito a charuto e tiradas hilariantes) é simplesmente a amiga que qualquer um gostaria de ter, ela exala sinceridade e honestidade. Quando “Apollo” desaparece e retorna, descobrimos que ela tinha um romance secreto com o seu irmão e foi ela quem aprovou o falecido Adama na prova de vôo (mesmo sabendo que ele não tinha a menor condição de passar). Ela se culpa por isto desde então. Isto muda drasticamente a relação entre pai e filho (“Apollo” sempre achou que o pai “mexeu os pauzinhos” para aprovar o irmão). Ela é obviamente a melhor piloto da nave (provavelmente de qualquer nave) e a cena em que ela resgata “Apollo” no final é de fazer qualquer “fanboy” dar pirueta de tão absurda e divertida.

James Callis como o doutor Gaius Baltar: Como era na versão original (em que era vivido pelo inesquecível Jon “Kor, o primeiro Klingon de Jornada” Colicos), Baltar é o mais complexo personagem desta nova versão. A analogia com Judas persiste, mas em um nível quase inconsciente. Ele devia ter desconfiado daquela linda e inacreditavelmente inteligente mulher, principalmente ele, o maior especialista vivo nos Cylons, mas a sua ainda maior arrogância não permitiu. A culpa que sente quando descobre do ataque é absurda, mas se esquece rapidamente dela quando o parceiro de “Boomer” lhe cede o lugar (e a vida) na nave da tenente (para falar a verdade, antes do oficial se oferecer ele já estava “paquerando” o bilhete sorteado – de uma vaga no transporte - de uma velhinha meio cega). A bordo da Galactica ele se dá conta que agora a sua amante Cylon (a infame “Número Seis”) vive literalmente dentro da sua cabeça e passa a atormenta-lo de todas as maneiras possíveis e imagináveis (inclusive masturbando-o virtualmente em plena ponte da Galactica). Quando a tripulação da Galactica descobre um Cylon (de aparência humana) de outro modelo em um depósito de munições, Baltar começa a morrer de medo de ser descoberto e entrega o repórter da equipe que cobria a cerimônia de despedida da nave como um Cylon (o espectador não tem como saber se ele está mentindo ou não). O jornalista acaba sendo deixado no mesmo depósito de munições (para a morte certa se ele fosse de fato um Cylon, devido aos campos de força que envolvem o local) e quando na cena final descobrimos que de fato ele era mesmo um Cylon, isto só reforça a ambigüidade do personagem. Ele diz “na cara” (ou algo próximo devido ao inusitado da situação entre os dois) da “Número Seis” que não está do lado dos humanos ou dos Cylons, mas do seu próprio lado, o que deixa até ela, que vive dentro da cabeça dele em dúvida, mas a culpa (ou seria outra coisa?) acaba retornando e ele deixa uma nota anônima na cabine de Adama (que imediatamente destrói a nota) dizendo que existem exatos doze modelos de Cylons. Genial personagem!

Tricia Helfer como “Número Seis”: Como Helfer interpreta o modelo, não somente uma única unidade Cylon, ela aparece diversas vezes, primariamente como a assistente, amante e depois “inquilina mental” do doutor Baltar. Esta personagem é que infecta, com um vírus de computador, os sistemas de defesa das colônias e obtém informações detalhadas de todas as forças militares humanas, o que permite a vitória esmagadora dos Cylons. Ela aparece como outros dois indivíduos na primeira e na última cena. A aparência, o nome e a própria natureza da personagem levam a imediata trepidação devido a uma possível e óbvia comparação com Seven Of Nine, mas felizmente até este ponto a personagem se mostrou interessante, especialmente devido a sua interação com Baltar.

Michael Hogan como o coronel Paul Tigh: Tigh é o primeiro oficial da nave Galactica, um militar linha dura que serve de contraponto ao comandante Adama. Tem problemas com a bebida e sentimentos contraditórios com relação à esposa (que aparentemente o abandonou). Têm sérios desentendimentos com “Starbuck” que o considera um bêbado e um fraco. Protagoniza a cena mais emocionante do piloto quando ordena uma descompressão de emergência em uma seção ainda ocupada para salvar toda a nave.

Grace Park como a tenente Sharon "Boomer" Valerii: A tenente “Boomer” (outra clara mudança em relação à série original, o outrora homem e negro “Boomer” é agora uma mulher asiática) é lotada na Galactica e responsável por uma nave batedora, que é capaz de “saltar” e trazer informações de longa distância as esquadrilhas de caças. Ela perde o seu parceiro de longa data no Piloto, que fica para trás para que Baltar possa sobreviver. Encontra um menino perdido (de nome “Boxey”) e passa a cuidar dele. A cena final do Piloto traz a informação de que ela é idêntica a um dos modelos humanos dos Cylons.

Aaron Douglas como chefe Tyrol: Simplesmente Tyrol é o “chefe O’Brien da Galactica”, competente, passional e gentil. Namora a tenente “Boomer” escondido.

 

Conclusão

Em contraponto ao comodismo exacerbado e a reciclagem descarada da dupla B&B, eis que se apresenta uma atraente e bem pensada premissa, que pode levar a um caminho análogo ao de “The Dead Zone” e se firmar com uma alternativa SCIFI mais sóbria e de melhor qualidade para os fãs veteranos de Jornada. Da mesma forma que existe grande potencial, visualizam-se (de uma maneira até óbvia) um sem número de armadilhas que terão que ser evitadas com todo o cuidado por Moore e cia. É fácil dar errado, especialmente devido às considerações econômicas envolvidas, mas este piloto coloca o autor na torcida para que dê certo. Que venha a primeira temporada.