Enterprise
Temporada 2

Análise do episódio por
Salvador Nogueira



 









 

MANCHETE DO EPISÓDIO
Temporada termina com novo piloto
e nova missão para a Enterprise

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Sinopse:

Uma sonda chega às imediações da Terra e abre fogo contra o planeta. Um recorte da Flórida à Venezuela causa enorme devastação e mata milhões de pessoas. Após o disparo, a nave entra, descontrolada, na atmosfera.

A Enterprise recebe um chamado do almirante Forrest, que convoca a nave de volta em vista da emergência planetária. Conforme ele atualiza as estimativas de mortos, Trip começa a temer que sua irmã, que vive na Flórida, tenha perecido no ataque.

Enquanto isso, no mundo natal Klingon, o Alto Conselho dá ao renegado Duras a última chance de capturar Archer e reaver seu posto de capitão. Por duas vezes o humano já escapou das mãos dos Klingons.

No caminho de volta, a Enterprise é interceptada por várias naves Suliban. Num ataque-surpresa, os alienígenas sequestram Archer. Silik, que comanda os agressores, diz que não teve nada a ver com o ataque à Terra, mas que tem alguém que deseja falar com o capitão. Embora relutante, o capitão concorda, depois de Silik dizer que a conversa está ligada ao futuro de sua espécie.

Archer descobre que quem quer falar com ele é o mentor intelectual dos Suliban, que supostamente vive no futuro. Ele conta ao capitão que a espécie responsável pelo ataque à Terra é conhecida pelo nome de Xindi. Eles fazem parte de uma outra facção na Guerra Fria Temporal, e foram informados de que a humanidade iria destruir sua espécie no século 25 e decidiram eliminar esse risco já no século 22. A sonda devastadora foi apenas um teste, segundo o informante do futuro. O próximo ataque será fatal para o planeta inteiro.

O capitão é devolvido à Enterprise e tenta convencer T'Pol de que mais uma vez eles estão às voltas com a Guerra Fria Temporal. Mas não há muito tempo para debate. Logo que a NX-01 chega às proximidades do Sistema Solar, sofre um ataque-surpresa de uma nave Klingon comandada por Duras. Embora sofra danos, a Enterprise escapa graças à ajuda providencial de outras naves da Frota Estelar na região. Sem opção, Duras bate em retirada.

Na Terra, Archer reporta o que lhe foi revelado ao almirante Forrest, que no entanto não parece muito convencido. O capitão pede autorização para seguir para as coordenadas fornecidas pelo informante do futuro com a Enterprise e tentar impedir os Xindi de conduzir o segundo ataque, mas Forrest está relutante -- e o sentimento só aumenta quando o embaixador Soval revela que as coordenadas estão dentro da Expansão Délfica, uma espécie de Triângulo das Bermudas espacial, que causa demência e outros efeitos nefastos a quem quer que entre naquela região da galáxia.

Apesar disso, Archer insiste com o plano e diz que pode provar que os Xindi receberam um aviso do futuro. Ao visitar o hangar em que estão recolhidos os destroços da sonda Xindi (que carregava um tripulante-suicida), ele mostra que algumas peças apresentam datação quântica negativa, o que, segundo sua interpretação, mostraria que se tratam de equipamentos trazidos do futuro.

Com as novas evidências, Forrest promete tentar convencer o Alto Comando da Frota Estelar a liberar Archer para a missão. Após os debates, a decisão é a de que o capitão pode prosseguir. Resta a Phlox e T'Pol decidirem se permanecerão a bordo. O médico resolve continuar com a NX-01, mas T'Pol é ordenada pelo Alto Comando de seu planeta a deixar a nave e partir para Vulcano.

Enquanto Archer visita o local de construção da NX-02, em órbita, a Enterprise está recebendo atualizações dos sistemas. Entre as novidades estão os novos tubos de torpedos fotônicos, que tornarão a nave mais poderosa em combate. No casulo de inspeção, Archer discute com Forrest a decisão de trazer alguns oficiais militares a bordo da Enterprise para a missão.

A Enterprise está pronta para sua nova missão. Antes disso, entretanto, ela deverá passar em Vulcano para deixar T'Pol. No meio do caminho, após conversar com Phlox, a Vulcana decide permanecer a bordo e desistir de sua carreira junto ao governo de seu planeta. Archer então ordena que sua nave parta rumo à Expansão Délfica.

Antes que possam adentrar a região, a NX-01 volta a sofrer um ataque dos Klingons. Usando ousadas táticas de combate e os novos torpedos fotônicos, a Enterprise destrói a nave de Duras e exclui definitivamente o perigo. Resta agora enfrentar o desconhecido na Expansão Délfica, à caça dos misteriosos Xindi...

 

Comentários:

A partir de agora, quando se referir ao piloto de Enterprise, especifique: qual deles? Pois "The Expanse" é claramente um segundo piloto para a série. Chegamos até a "rever" a NX-01 deixando a doca espacial em órbita da Terra!

O episódio em si é excelente: divertido, emocionante, rico em acontecimentos, agitado, dramaticamente bem conduzido. O único problema é o quanto ele é capaz, de uma tacada só, de desvirtuar a série. É incrível. Até mesmo a sequência de abertura perdeu todo o sentido com a nova "missão" que a Enterprise recebeu. E considero extremamente perigoso simplesmente "resetar" a premissa da série. Como conduzi-la a partir de agora, diante da terrível ameaça Xindi?

A idéia é criar um arco contínuo de histórias, capaz de prender o telespectador, enquanto Archer e companhia vagam pela Expansão Délfica à procura dos misteriosos alienígenas. O problema é que, uma vez que se entra num troço desses, ele redefine a premissa da série. E é impossível continuar fazendo episódios uma vez que o problema é resolvido.

É como se a Voyager voltasse para casa e continuasse a ter episódios ambientados na Terra: podemos até aceitar tal idéia, mas temos de concordar que seria uma nova série, com outra premissa, retendo apenas os personagens originais.

A mesma armadilha pode ser criada aqui. Vai ser difícil de engolir, daqui a uma temporada, uma linha do tipo: "E agora Archer finalmente resolve o mistério Xindi e sai da Expansão Délfica, para continuar suas aventuras pela galáxia". Portanto, devemos aceitar que, se os próprios roteiristas se levam a sério, Enterprise passará a ser uma série sobre os enigmas da Expansão Délfica. Esqueça a formação da Federação, os conflitos entre Vulcanos e Andorianos, a expansão de influência da Terra. Do conjunto original, resta apenas a Guerra Fria Temporal -- sem dúvida o mais questionável dos elementos introduzidos em "Broken Bow".

O dêmonio mostra sua verdadeira face, e a possibilidade de um reset button aumenta a cada novo episódio. E o que entristece é saber que as mudanças foram motivadas por uma crise nos índices de audiência. Um fenômeno semelhante aconteceu por duas vezes na história de Jornada nas Estrelas. A primeira foi na virada do segundo para o terceiro ano da Série Clássica, com a introdução de mais ação, menos cérebro e menos verba para a realização dos episódios. A segunda foi com a introdução de Seven of Nine em Voyager, na virada da terceira para a quarta temporada. (As outras séries de Jornada, A Nova Geração e Deep Space Nine, por serem exibidas em syndication, não sofreram tanto com as pressões dos índices de audiência.)

Com base nos exemplos históricos, podemos estimar em 50% a chance de as mudanças apresentadas por "The Expanse" surgirem algum efeito positivo. Mas mesmo em Voyager, o caso bem-sucedido, a solução foi apenas paliativa. No final das contas, tanto a audiência quanto a qualidade continuaram caindo. A mesma armadilha pode acontecer com Enterprise. E as mudanças aqui são muito mais radicais do que a mera introdução de um novo personagem.

Mas deixemos a análise do futuro da série para o futuro e nos concentremos agora no episódio em si: o que "The Expanse" tem a oferecer?

Para começar, é uma história cheia de elementos com participação ativa. Confesso que fiquei feliz em rever o velho Silik e os Sulibans, praticamente esquecidos desde a metade da temporada. E a intervenção do "Cara do Futuro" também ajuda a complicar a situação: de que lado afinal ele está? Quantas facções diferentes? O que essa Guerra Fria Temporal é?

Para variar, "The Expanse" não oferece respostas. Aliás, é engraçado notar como a identidade do "Cara do Futuro" se tornou uma "não-questão". Ao final da primeira temporada, tudo que os fãs queriam saber era quem era essa figura misteriosa. Agora, a série caminha de tal modo que ninguém mais se preocupa com isso. Infelizmente, o "Cara do Futuro" virou apenas mais um mecanismo Deus Ex Machina, felizmente bem utilizado aqui.

A participação de Duras também ajuda a requentar o episódio, estabelecendo elos com segmentos anteriores e proporcionando uma boa dose de ação. A sequência final de confronto dos dois é muito boa e relembra uma versão em "fast-forward" da clássica batalha entre Kirk e Khan na nebulosa Mutara, em "A Ira de Khan".

Por conta do ataque à Terra, a tripulação ganhou uma nova cara. Aparentemente, está todo mundo de saco cheio de exploração espacial pacífica e o que querem agora é dar porrada. Isso transparece mais claramente nas atitudes de Archer e Trip, que com T'Pol fazem o trio principal da série.

Apesar de toda a sua qualidade narrativa, é impossível deixar de notar alguns mecanismos viciados e pouco convincentes espalhados pela história. Primeiro, por que a maldita sonda Xindi tinha um tripulante? Será que é só para criar um eco em uma recente história de radicais suicidas que se matam em seus próprios veículos voadores para causar morte e destruição?

Segundo, aquele papo de datação quântica, com números negativos provando que um objeto vem do futuro me parece a conversa mais fiada que eu já vi em matéria de viagens no tempo em Jornada nas Estrelas.

Terceiro, quer dizer que em 2153 a Enterprise NX-01 já tinha torpedos fotônicos?! Para que fazer uma série no século 22 se após dois anos a tecnologia vai estar equivalente ao que vimos nas outras séries?

Quarto, como os Sulibans conseguiram invadir tão rapidamente a Enterprise e sequestrar o capitão Archer? Nem em "Broken Bow", onde eles eram uma surpresa total, foi possível sequestrar Klaang tão rapidamente...

Passando por cima desses detalhes e colocando de lado por um instante as consequências desse episódio para a série, dá para se divertir muito com "The Expanse". Mesmo quem é crica pode gostar deste aqui. Mas a verdade é que este é o último segmento da velha Enterprise e o primeiro de uma nova série. Se você gostou de Enterprise até aqui, ao menos conceitualmente, tema pelo futuro. Se você não gostava da premissa desde o início, aí está uma segunda chance.

 

Citações:

Tucker - "Maybe you should pay more attention to upgrading those weapons, so you can blow the hell out of these bastards when we find them!"
("Talvez você devesse prestar mais atenção à atualização dessas armas, para que possamos explodir os filhos da mãe quando os encontrarmos!")

Tucker- "I can’t wait to get in there, captain. Finding the people who did this. And tell me we won’t be tiptoeing around. None of that non-interference crap T’Pol’s always shoving down our throats. Maybe it’s a good thing she’s leaving."
("Não posso esperar para chegar lá, capitão. Encontrar as pessoas que fizeram isso. E não diga que estaremos tateando em volta. Nada daquela bobagem de não-interferência que T'Pol está sempre enfiando em nossas goelas. Talvez seja uma coisa boa que ela está partindo.")
Archer - "We’ll do what we have to, Trip. Whatever it takes."
("Vamos fazer o que tivermos de fazer, Trip. Tudo que for necessário.") 

Duras - "Surrender, or be destroyed."
("Renda-se, ou seja destruído.") 
Archer - "Go to hell!"
("Vá pro inferno!") 


Trivia:

int.jpg (476 bytes) Rick Berman: "Acho que nosso episódio final da temporada vai ser bem atraente porque vamos fazer um cliffhanger que colocará um novo rumo na série conforme ela chega ao terceiro ano. Eu não quero realmente dar detalhes, mas não estamos falando de uma pequena mudança. Estamos falando sobre uma mudança que vai, em algum grau, alterar nossa missão e, em algum grau, mudar o tom da série. Estamos muito empolgados."

int.jpg (476 bytes) As filmagens foram encerradas em 8 de abril, após oito dias de filmagem. Os cenários incluíram a Câmara do Conselho Klingon, um Hangar da Frota Estelar e a "Câmara Temporal" de Silik. As filmagens também ocorreram no estacionamento da Paramount, que fez as vezes de Chinatown e do quartel-general da Frota Estelar, em San Francisco.

int.jpg (476 bytes) Rick Berman: "Não é tanto um cliffhanger, mas uma amostra tantalizante do que a próxima temporada vai trazer. A próxima temporada vai lidar com a Enterprise sendo enviada numa missão que pode durar muitos episódios."



Ficha técnica:

Escrito por Rick Berman & Brannon Braga
Direção de Allan Kroeker

Exibido em
21/05/2003

Produção: 052

Elenco:

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T'Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie 'Trip' Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado:

Vaughn Armstrong como almirante Forrest
Gary Graham como Soval
John Fleck como Silik
James Horan como Figura Humanóide
Daniel Riordan como Duras
Dan Desmond como Chanceler Klingon
Serena Scott Thomas como Rebecca
Gary Bullock como membro do Conselho
Bruce Wright como dr. Fer'at
Josh Cruze como capitão Ramirez
David Figlioli como tripulante Klingon 1
L. Sidney como tripulante Klingon 2
Jim Lau como Maitre d' 

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