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por Gustavo Leão
Ao
ler as minhas colunas anteriores, nos quais respectivamente
profetizo o futuro negro de Jornada em
Hollywood e faço uma panorâmica das recentes brigas
de egos que envolveram as duas gerações de produtores e
atores das séries (você leu as colunas, não?), a impressão que
deve ficar é a de que ou eu sou a pessoa mais pessimista e
mal-humorada para falar sobre o assunto ou eu realmente não gosto
de Jornada nas Estrelas. Mas na realidade não é nada
disso: posso ser cínico e um porre de vez em quando, mas não sou
uma pessoa pessimista com relação à vida, meus amores e
desamores (quem me conhece pessoalmente até me acha otimista
demais). E sim, apesar de não me considerar um trekkie, eu gosto
de Jornada nas Estrelas e de muito enlatado que é enfiado
garganta abaixo da gente nesse mundo consumista (de "Buffy"
até Pepsi Light). Na verdade, sempre achei o franchise preferido
da Paramount e de nove entre dez nerds norte-americanos um
entretenimento de primeira (mesmo que isso esteja cada vez mais
raro hoje em dia, nessa era de "Ricks" e "Mini-Ricks"),
não importando qual série for o prato do dia.
Vamos admitir: todo mundo adora falar mal de
Voyager (Robert Beltran e Ron Moore que o digam), mas até
essa série, apesar de ser a menos dramática e a mais "light",
tem seus bons episódios e atributos. E não estou falando só da
Jeri Ryan. Se você duvida que ainda resta alguma qualidade em Voyager,
assista ao último episódio de "Gene Roddenberry’s
Andromeda", uma série que, apesar do charme "canastrônico"
de Kevin Sorbo e do talento do ex-roterista de Deep Space Nine
Robert Hewitt Wolfe, é capaz de assustar até os deuses do Olimpo.
Não é a toa que Hércules matou Zeus em um episódio de Xena que
o USA exibiu semana passada (o adeus de Sorbo ao personagem) --vai
ver ele não queria que o pai mitológico visse em que fria ele ia
se meter como capitão de uma nave estelar de terceira categoria.
Perdido em meio a esse mundo de
mediocridade, quando então comecei a matutar em busca do tema
para esta terceira coluna que agora você está lendo (você ainda
está aí, não?), queria explorar algo para cima, falar bem de
alguma coisa, explorar um aspecto positivo de Jornada e de
seus donos, seja Berman, Braga ou qualquer B que me viesse a cabeça.
Ei, é Natal! Época de solidariedade, bons pensamentos e gastar
dinheiro com a família, a namorada e mais importante: com DVDs!
Mas por mais que eu rascunhasse o tema na
minha cabeça, nenhum espiríto do Natal passado (ou, no nosso
caso, futuro) me visitou e mostrou o lado bom e positivo do século
24, a luz no fim do túnel para o franchise que eu tanto
procurava. O que eu posso dizer? Das recentes brigas e baixarias
de Kate “Janeway” Mulgrew e Robert “Chakotay” Beltran na
imprensa (e até em rede nacional --o Ratinho deve estar morrendo
de inveja), aos rumores furados de Lolita Fatjo, passando pelas críticas
ferrenhas de Ron Moore a Voyager e Série 5 e chegando
finalmente às expectativas de um 2001 sem nova série ou novo
filme (continue lendo), logo senti um balde de água fria
--pensando bem, talvez eu esteja mesmo pessimista com relação a Jornada!
Mas vamos ver se esse pessimismo é apenas
um sexto sentido resultante desse mar de fofocas e intrigas que se
tornaram as novidades trekkies das últimas semanas ou se ele é
baseado mesmo em algo concreto.
A pior notícia para começarmos o ano novo
e a comemoração dos 35 anos de Jornada é que a essa
altura do campeonato é praticamente impossível que tanto a nova
série como o novo filme cheguem aos EUA em 2001. O que quer dizer
que a pobre Sherry Lansing e seus subordinados no estúdio vão
ter de passar pela primeira vez um aniversário de Jornada
sem um grande evento para presentear aos fãs, ou melhor dizendo,
para vender muito merchandise, publicidade e ingressos.
Devido a uma greve iminente dos atores em
Hollywood e aos atrasos de John Logan e Brannon Braga na elaboração
de seus respectivos roteiros, já deixou de ser fofoca para ser
chacota nos corredores da Paramount e da UPN que Jornada X e a Série
5 só chegam mesmo em 2002 --isso se não chover. Ou seja, quando
a greve dos atores acabar, em setembro de 2001, (se durar
“apenas” os seis meses prometidos), e tanto o novo filme
quanto a nova série finalmente saírem do papel para a frente das
câmeras, não é preciso ser matemático para perceber que essas
duas producões só chegariam ao público em 2002 (com uma data de
janeiro de 2002 para a nova série e maio de 2002 para o novo
filme, um passarinho azul me contou).
Do filme, já sabemos que os Romulanos e
Data serão o pivô da história (dessa vez, o abelhudo Patrick
Stewart chiou, mas não conseguiu substituir os Romulanos por
outra raça, como ele fez com os Son'a em "Insurrection").
Mas os rumores sobre o novo filme param aí, e boatos sobre a
escolha de diretor e atores são, até agora, pura história da
carochinha (para se ter idéia de como o filme está atrasado, os
únicos contratados até o momento são Stewart, Brent Spiner e
John Logan --nem um produtor-executivo foi contratado ainda).
Agora, sobre a nova série, caro leitor, eu
vou dar um conselho: não acredite em tudo que ouve por aí (ou
melhor, acredite --mas desconfie). É verdade que há mais de um
ano Berman e Braga propuseram ao estúdio uma premissa em que um
vilão do século 29 alteraria a história do século 22, e que a
nave espacial Enterprise desse século (vista em um mural na
Enterprise de "Jornada nas Estrelas - O Filme")
seria o centro da série. Sim, esse rumor da proposta pré-Clássica
era verdadeiro em finais de 1999, assim como era verdadeira a
informação de que a premissa não foi bem recebida pelos
executivos da Paramount e da UPN --isso tudo foi confirmado por
diversos sites na época, e em nenhum momento chegou a ser
comentado (ou negado) por Berman (o que já sugere muita coisa).

É possível que "Star Trek -
Enterprise Logs" (o nome circulando por aí para a nova série)
seja mesmo pré-Clássica? Sim, é. É possivel que Berman e Braga
tenham alterado a premissa (ou adaptado às necessidades do estúdio)
para que ela fosse finalmente aprovada pelos executivos? Sim, isso
é muito normal em Hollywood e aconteceu até com a Série Clássica
(alguém se lembra de um episódio piloto filmado em 1964, com uma
premissa cerebral e com um capitão amargurado e sério chamado
Christopher Pike?).
Mas a verdade é que, mesmo depois dos
rumores e "dicas" de Ethan "Neelix" Phillips
(que como boateiro é um ótimo ator, na minha opinião) e dos
ex-empregados da Paramount Lolita Fatjo e Ron Moore apontarem
nessa direção, muita gente que eu conheço acima do Equador
continua achando a idéia suspeita e os boatos improváveis. Não
acho que mesmo os verdadeiros “insiders” saibam ao certo do
que a nova série se trata (passado ou futuro? Surgimento ou morte
da Federação? Enterprise-Zero ou Enterprise-G?), mas o que dizem
por aí é: “se fosse realmente a pré-Clássica, já saberíamos
há muito tempo”. Por isso, vou ficar com o pé atrás por
enquanto. Talvez você deva fazer o mesmo... aproveite e cruze os
dedos.
Aliás,
quem disse que coisas ruins não levam a boas coisas? Na falta de
um produto para comemorar os 35 anos da série e para tampar o
buraco que o atraso do último filme da Nova Geração está
deixando, talvez a Paramount traga Kirk e Spock de volta às
telonas em 2001 para comemorar como tudo começou, com uma celebração
ao “começo de tudo”. Esse “começo”, no caso, é "Jornada
nas Estrelas - O Filme", ou melhor, a edição especial
do filme que a lenda viva Robert Wise e sua equipe estão a
preparar para um super DVD. Dizem que ao bater os olhos num copião
das novas cenas sendo trabalhadas pelo legendário diretor de 86
anos, a “big boss” da Paramount, Sherry Lansing, ficou tão
impresionada com a qualidade da nova edição do veterano diretor
que propôs que o filme seja lançado nos cinemas norte-americanos
no próximo verão (o plano inicial seria de apenas 600 cinemas,
mas não fique surpreso se a Paramount der uma de George Lucas e
relançar o filme com pompa de blockbuster de temporada).
Resta saber se o meticuloso Wise vai topar a
empreitada, já que o projeto se tornou bem maior e mais
apaixonante para o velhinho do que ele mesmo esperava. O volume de
trabalho tem atrasado a edição final do filme, que deveria ser
concluída em janeiro, mas teve sua data adiada indefinidamente.
Informações que recebi de alguns contatos
que tenho na Foundation Imaging, a empresa que está cuidando dos
novos efeitos especiais, dão conta de que o novo filme será uma
edição muito especial, mas não tão especial quanto gostariam
alguns fãs. Quando o projeto foi iniciado, os envolvidos tinham o
objetivo de trazer algumas cenas que estavam no roteiro original,
mas que acabaram não entrando no filme por deficiência de
efeitos especiais ou tempo para refilmar algumas tomadas.
Infelizmente, algumas dessas cenas não puderam ser recuperadas. A
sequência de Kirk e Spock sendo atacados pelas sondas metálicas
e o elo mental Vulcano de Spock no chamado Memory Wall não serão
incluídas no DVD, ao contrário do que diziam os boatos
anteriores. Além de ter sido confirmada na Foundation, dois
membros da equipe de Wise confirmaram a ausência das tomadas no fórum
do site TrekWeb.
Elas foram excluídas por duas razões: não
foram encontrados nos arquivos da Paramount os negativos das cenas
completas, nem o áudio de todos os diálogos filmados em 1978, o
que faz com que apenas os efeitos especiais nao dêem sentido à
cena. O outro motivo é que para restaurar completamente a sequência,
mesmo com todos os recursos de CGI (imagens geradas por
computador) disponíveis, o projeto simplesmente sairia caro
demais. Tudo que sobrou das tomadas poderá ser visto como um dos
extras no DVD.
Mesmo com essa perda, não dá para achar
que a nova versão não valha a pena. Parece que um pouco do
marasmo que é o passeio da Enterprise por dentro do V'ger será
substituído por empolgação. O ataque de V'Ger à Enterprise é
a cena mais ambiciosa recriada em CGI. Agora a Enteprise faz
diversas manobras e ações evasivas (com Decker dando as ordens
à navegadora), fazendo com que a cena se pareça mais com as
batalhas espaciais dos outros filmes de Jornada.

A música também terá atenção especial na nova versão. O
diretor Robert Wise, com a ajuda do músico Jerry Goldmsith,
conseguiu achar gravações da trilha sonora para diversas das
novas cenas --música que nunca foi ouvida antes (nem no CD
especial do filme), fazendo com que diversas cenas que antes não
tinha música agora tenham.
E quem se preocupa com a fidelidade ao
trabalho original, também pode ficar mais tranqüilo. Trabalhando
como consultor no projeto está John Dryskta, o criador dos
efeitos especiais de V'Ger no filme original, assim como Douglas
Trumbull. Eles estão supervisionando todas as criações da
Foundation para que elas não se difereciem muito do seu trabalho.
Eles foram convocados para participar do projeto pelo próprio
Robert Wise, que achou que algumas cenas estavam ficando
"muito modernas".
A maior parte dessas informações ainda não
foi divulgada, e deve pintar nos sites americanos de Jornada ao
longo da semana. Outras fotos (além da que mostra a
"nova" Enterprise e o planeta Vulcano) também devem
aparecer nos próximos dias, aumentando ainda mais a ansiedade
pela versão mais recente da primeira incursão do franchise no
cinema.

Quem sabe? Coisas estranhas têm acontecido. E do jeito que o
franchise vai indo, talvez Kirk e Spock riam por último,
afinal...
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