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por Gustavo Leão
Você
sabe, eu ia originalmente usar esse espaço para mais uma vez
malhar e jogar tijolos contra aqueles que atualmente parecem
interessados apenas em produzir de roteiros e episódios medianos
a cafeteiras e bottons de segunda categoria para o que antes (ou
até uns anos atrás) era o franchise mais criativo e chique da
indústria do entretenimento norte-americano.
Nomes como Sherry Lansing, Rick
Berman, Merri Howard, Paula Block, Brannon Braga e até o esforçado
("pero no mucho") atual produtor-executivo de Voyager,
Ken Biller --pessoas que parecem mais interessadas na embalagem e
na renda do produto do que no produto em si.
Eu estava me tornando repetitivo
(como o bom jornalista e webmaster deste site veio, em meu
socorro, me alertar), mas o pior é que também já estava me
cansando. Seja ao ver a primeira metade da nada brilhante última
temporada de Voyager, ou ao ler as fofocas e non-sequiturs dos
bastidores através de sites e fontes internacionais, eu realmente
estava perdendo o fôlego, minha libido com relação a Jornada
nas Estrelas e a tudo relacionado a ela. O pior, nem a Jeri
Ryan estava conseguindo chamar minha atenção! Aí sim eu vi que
as coisas estavam preocupantes.
Bom,
sinceramente, quem me conhece de longa data e sabe de onde vêm os
apelidos “algoz dos trekkies” e “Paulo Francis da Sci-Fi”
sabe que sempre achei que críticas são importantes. Ironias,
cinismos e partidarismos trekkies à parte, o único ponto
importante em se criticar Jornada, seus produtores e os fãs
(de fundamentalistas trekkies a simples admiradores, nacionais ou
não) é um interesse em seu bem-estar. A esperança é apontar os
erros e defeitos para os envolvidos melhorem, cresçam e até (gasp!)
amadureçam.
São (e foram) tempos difíceis
para isso, e eu não tenho certeza se quero me tornar um profeta
raivoso (ou pior, um crítico apenas pelo prazer de criticar),
gritando as hipocrisias de um assunto tão importante como esse
aos ouvidos dos inocentes. Então, decidi que nessa coluna, ao invés
de discutir o que está errado com Jornada (ad nauseum), eu
vou discutir o que está certo com o franchise. E é por isso que
eu decidi falar dos outros colunistas desse site. É por isso que
eu decidi falar do Trek Brasilis.
Vamos começar com o ilustre
webmaster e “pedra filosofal” desse almirantado todo, Salvador
Nogueira. Jornalista da Folha de São Paulo e da revista Sci-Fi
News (outro exemplo de amadurecimento e profissionalismo na área,
graças a pessoas como Paulo Maffia), Nogueira é um eterno
otimista, batalhador e trekker incansável (sim, isso foi um
elogio e não houve sarcasmo) que consegue até sorrateiramente
colocar matérias sérias sobre Jornada na Folha (alguém
viu a foto de Picard num artigo no jornal na semana passada?) e eu
realmente não sei onde o homem arranja tanto tempo para tanta
coisa --será que existem mais de um dele, como no último filme
de ficção do Arnold, aquele dos clones?
(Como co-editor do TrekWeb,
colaborador do Flagship e do Section 31 e colunista tanto desse
site como do MagicBus, além de ter dois empregos, ou um e meio se
você perguntar para minha mulher, bem que eu queria saber o
segredo de Mr. Nogueira --seria paixão pelo que faz?)
Mas vamos parar de puxar o saco
(afinal todo mundo sabe que eu só puxo o saco de mulher mesmo). O
fato é que Mr. Nogueira conseguiu criar um site que a princípio
seguia os moldes de sites americanos, como o TrekWeb.com ou o
TrekToday, simplesmente traduzindo as notícias postadas nesses
sites, dando a princípio leves comentários sobre elas. E já
nessa origem me chamou a atenção.

Cansado de ver sites nacionais com
muito visual mas péssimo conteúdo (não tenho medo de citar
nomes como Orgânias e Paradas Obrigatórias, além de diversos fã-clubes
e lojas disfarçados de sites de informação), logo mandei
e-mails a esse tal de Nogueira elogiando sua empreitada.
E de lá para cá muita coisa
mudou: o site fez entrevistas exclusivas com atores e pessoal da
produção de Jornada (e pelo que sei, mais vem aí) e, mais
importante, começou a dar opiniões cada vez mais profundas a
abalizadas sobre as notícias que postava, deixando de ser um
(bom) clone nacional daqueles sites internacionais e adquirindo
sua própria identidade.
E ainda tem mais: reuniu uma equipe
de redatores e colunistas que nunca antes havia se visto na
comunidade de fãs ou entusiastas de algo no Brasil, seja Jornada,
Arquivo-X ou Britney Spears. Um pessoal aberto, inteligente,
diferente, não-bitolado e acima de tudo bem-informado.
O completo oposto do estereótipo
de fã que se encontra nas convenções e nos documentários da
Denise Crosby, que não cansa de escrever bobagens em revistas,
sites e outros lugares onde se encontram termos como “warp” e
“orelhas pontudas”.
Pessoas como o prolixo e analisador
Luiz Castanheira, que se é prolixo e escreve muito a respeito de
seus pet peeves, que vão de Deep Space Nine ao produtor Steven
Bocho (ou seria David E. Kelley?), é porque é muita paixão e
conhecimento para se colocar em poucas linhas.
Cláudio Silveira e Fernando
Penteriche vão além do que a imprensa e os escritores americanos
revelaram sobre o legado dos filmes de cinema e da Nova Geração,
e recheiam suas colunas com um ótimo senso de humor, colocando
suas posições críticas de uma maneira tão lúcida que mesmo
quando eu discordo (ei, eu sou o cara que se emocionou com a
dramaticidade em "Generations" e bateu palmas
para o esforço e roteiro original de Bill Shatner em "Jornada
V" --vai entender...), eu consigo ver claramente a idéia
e a opinião que eles querem passar.
E eu poderia dizer e mesma coisa
sobre a divertida e inteligente Lia Matos (não falei que elogiar
mulheres interessantes é comigo mesmo?), o safado do Daniel
Sasaki (safado porque consegue que eu me interesse em ler suas
colunas de Voyager mesmo depois da minha última overdose
de crianças Borgs, anomalias e hologramas) e de Eduardo Cope (se
você acha que algo com o nome de "Real Trek" é chato e
trekkie, leia o ‘Ocaso do Bom Velhinho’). Mas não quero
novamente ficar repetitivo (embora em alguns momentos até valha a
pena).
Esse pessoal certamente tem as
credenciais e o “chuptzpah” para dar aos seus assuntos a justiça
necessária. E, rapaz, eles entregam a encomenda.
As colunas são saborosas e
informativas. Francamente, de um ponto de vista totalmente egoísta
e safado (apesar dos elogios que certos baluartes e anônimos do
fandom nacional dirigem a mim, eu sou egoísta e safado às
vezes), é ate mais divertido ler as outras colunas do Trek
Brasilis e as opiniões de outros fãs (trekkies ou não) em
seu Fórum e em outros newsgroups do que escrever meus artigos,
aqui ou nos sites americanos, ou até mesmo fazer os meus recentes
reviews dos episódios semanalmente exibidos no USA Network no
site de variedades MagicBus.com.br
(uma tentativa minha e dos webmasters do Magic Bus de introduzir e
promover o ressurgimento das quatro encarnações de Jornada
na programacao Sci-Fi do USA a um público leigo e não-trekkie).
Por isso e muito mais é bom ver
que Jornada não só está sofrendo uma revitalização na
mídia brasileira (enquanto sofre uma desintregação na
norte-americana), mas seu fandom consegue passar toda essa
revitalização para nós, através de textos que, ao contrário
dos últimos episódios de Voyager (ok, eu não consegui
passar sem essa), estão cada vez mais originais e interessantes.
Ao
me conectar a esse site, não posso esperar pelas próximas
colunas, posts no Fórum ou opiniões do webmaster com relação
à polêmica interessante do dia (ei, eu continuo achando que a
nova série não será pré-Clássica, mas deixem isso para o mês
que vem, ok?).
Com certeza eles não vão me
decepcionar --e eu espero que eles não se decepcionem também.
Bill Shatner, o mestre da ironia e do bom senso, e que, ao que
parece, adora uma boa leitura, ficaria orgulhoso...

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