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por Gustavo Leão
Como
salvar Jornada nas Estrelas? Você sabe, essa é a pergunta
que não quer calar e está deixando muitos com insônia neste
princípio do ano santo de 2001, quando o franchise --que não
pode mais ser visto como "just a tv show", mas como um
verdadeiro império de merchandise e marketing-- completa 35 anos
de vida (alguns diriam até sobrevida --para muitos, Jornada
foi consumida pelas chamas junto com o corpo de Benjamin Sisko em
1999).

E quando eu falo das pessoas que
estão preocupadas com o bem-estar de Jornada (sem falar
nos rendimentos no mercado) a ponto de perder o sono, não estou
falando dos famosos trekkies mais "hardcore", aqueles
que são capazes de brigar ao discutir se a série original é
melhor divertimento que "Contatos Imediatos do Terceiro
Grau" e se digladiar por políticas de fã-clubes e por aí
vai. Estou falando dos próprios produtores e executivos que vêm
dirigindo a série (em direção à revitalização ou a um
penhasco, acho que nem mesmo eles sabem --daí esse estresse todo
que Mr. Berman e cia. vêm mostrando ultimamente).
Eles vêm mostrando essa insegurança
ao não contar para os próprios atores como a série irá acabar
(não acredito que estejam fazendo isso em nome da segurança
--para mim, isso, somado ao rumor de múltiplos finais, mostra
apenas o quão inseguros eles estão para decidir como acabar uma
série que se tornou uma dor de cabeça para o estúdio e para o
franchise).
O
medo é tanto que eles acabaram rompendo o silêncio sobre as críticas
à série a ponto de dar o mais violento puxão de orelha em
Robert Beltran e Kate Mulgrew, depois da vigésima entrevista
negativa dos dois (ah, Bob e Kate, quem te viu, quem te vê, hein?).
Mas eles estão com muito, mas
muito medo mesmo, de falar da famigerada Série V. Até agora, só
vimos eles adiando e atrasando o anúncio do novo programa (ei, não
era para ter saído em janeiro?). A boataria saiu do controle de
forma tal que até o que Richard Arnold e (pasmem!) William
Shatner falam sobre a nova série é levado a sério. (Adoro o
Bill, mas ele sabe mais do que se passa dentro da Paramount
ultimamente do que eu sei o que se passa nos bastidores da revista
Sexy.)
E eu aposto --mas não ponho minha
mão no fogo por isso-- que essa situação de insegurança pode
ter levado Rick Berman (ou alguém ligado ao atual estado de Jornada)
a complicar as coisas para o lado da produção do DVD de "Jornada
nas Estrelas - O Filme", que vem passando por diversos
problemas com a Paramount ultimamente. Coincidência? Duvido --tem
cheiro de B nisso.

A
questão é: a julgar pela qualidade medíocre da atual temporada
de Voyager (cujo único episódio que me chamou a atenção
foi "Inside Man" --que, assim como "Pathfinder",
só é bom porque lembra como estar na Terra com os personagens da
Nova Geração era gostoso--, além de "Imperfection"
e "Body and Soul", dois roteiros regulares salvos
pelo talento dramático da boa atriz Jeri Ryan --e eu digo isso no
bom sentido mesmo) e pela incerteza dos rumos da Série 5 (de novo
esses atrasos e rumores furados à la Richard Arnold, Lolita Fatjo,
Ethan Phillips, William Shatner, todos falando o que leram na
Internet, enquanto Berman se esconde em seu escritório e Braga não
conta nada pra ninguém), o novo milênio precisa de algo para
revitalizar essa nave e ligar o transwarp de Jornada nos
EUA (aqui no Brasil parece que vai tudo muito bem, obrigado).
Particularmente, eu acho que é
hora de um novo produtor talentoso assumir Jornada, e o
primeiro que me vem à cabeça é Steven Bochco (de "Nova
Iorque Contra o Crime" e "LA Law"), um produtor que
infelizmente já revelou à imprensa que ficção não é sua
praia. O que é triste, porque apenas um talento com a força de
Bochco e sua bagagem junto aos estúdios seria capaz de tirar Jornada
(e a ficção científica televisiva em geral) dos limites em que
ela parece estar presa atualmente.

Está
na hora de todos os envolvidos com Jornada (de Rick Berman
aos designers) pensarem além de seu universo seguro e conhecido,
e começarem a raciocinar de modo realmente ambicioso e audaz,
antes que o franchise se torne apenas uma reprise de idéias
familiares e repetitivas (como o sétimo ano de Voyager e, ao que
parece, a nova série, que comentarei quando tiver mais informações).
Por tudo isso, por enquanto eu não
vejo solução. Ou melhor, vejo, mas não nas telas e sim nas páginas
de livros e de quadrinhos. Escutem a voz da razão, Rick, John,
Brannon --não precisam nem ir tão longe da Paramount para buscar
novas idéias. Os livros da Pocket Books e os quadrinhos de Jornada
produzidos pela Wildstorm são o que de melhor foi feito sobre a série
em 1999/2000.
Leiam
a saga da USS Excalibur, criada pelo gênio de Peter David para
seu "New Frontier" (série publicada tanto em livros
quanto em quadrinhos), a saga de Kirk (feita por Shatner e seus
colaboradores), o excelente "Maximum Warp" (em que
Picard se junta a uma centenária doutora Carol Marcus para
impedir a volta do Projeto Genesis), ou até o sensacional
"Final Frontier" (um livro pré-Série Clássica,
escrito por Diane Carey, contando as viagens da primeira
Enterprise sob o comando do capitão Robert Abril e seu
primeiro-oficial, um héroi chamado George Samuel Kirk, pai de um
tal de Jim). Isso sim é Jornada nas Estrelas. E está nas
prateleiras e lojas virtuais, para quem quiser ler...
Enquanto isso, na Paramount
Pictures...
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