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por Gustavo Leão
Bom,
essa é a última coluna minha aqui no Trek Brasilis por
uns tempos. Com o fim de Voyager (que nas mãos pouco
talentosas do pseudo-produtor Ken Biller mais parece um suicídio
do que uma morte honrosa num franchise moribundo) e a longa gestacão
de uma nova série e um novo filme (que estão demorando mais pra
nascer que bebê de elefante em um parto bem complicado e cheio de
mentiras e non-sequiturs do produtor Rick "Give Me The Money"
Berman) está na hora de Gustavo Leão, o algoz dos trekkies,
tirar umas bem merecidas férias de Jornada nas Estrelas.
(Sem dúvida, certas pessoas estão respirando aliviadas agora.)
Adorei
o Trek Brasilis e gostei da resposta que a minha coluna
teve em diversas áreas, desde entre os meus amigos pessoais do
news da UOL (leitores assíduos deste site, o primeiro nacional no
mesmo nível de um TrekWeb ou
TrekToday) até gente que
antes me criticava como pseudo-intelectual alienado (bom, talvez
eles ainda me achem de pseudo-intelectual alienado, mas pelo menos
nao me chamam mais de trekkie...).
Fiz na pessoa do Salvador Nogueira um bom amigo, e amigos meus até
chegaram a conhecê-lo pessoalmente e, para meu desespero, falaram
que ele é ainda mais jovem do que eu, que tenho só 30 aninhos.
Como alguém tão jovem pode ser tão bom no que faz e tão
imparcial e perspicaz no seu trabalho? A minha amizade com o
Salvador foi a melhor coisa que nasceu da coluna "Nas Garras
do Leão", e acho ele a primeira pessoa realmente inteligente
e com senso crítico jornalístico com relação a Jornada nas
Estrelas e seus bastidores e politicagens que conheci no fandom
nacional.
Ele falou que Jornada ia renascer das cinzas na mídia brasileira
e aconteceu. Ele foi o primeiro a ver de forma oficial os erros
cometidos nas dublagens e a politicagem trekkie na empresa VTI-Rio
e acredito que isso foi um dos fatores na melhoria da qualidade da
dublagem e principalmente da tradução de Jornada no Brasil
(apesar de ser totalmente contra tal procedimentos em canais de TV
a cabo e totalmente a favor da legendagem, como até a Fox está
adotando, sou obrigado a admitir que a tradução e a dublagem da
empresa do sr. Barbera melhorou --um pouco). Foi o Salvador que
mostrou que não é preciso ser um fundamentalista trekkie e dono
de fã-clube para dominar o assunto (e acima de tudo --informar!)
Como Kirk e sua tripulação em Jornada III e IV,
você nao precisa usar uniforme para ser um bom "capitão",
"almirante", o diabo. Parabéns pra ele.
Muitos não deram ouvidos para mim por que nunca fui muito diplomático
(e Jornada nunca foi um pólo de socialização na minha
vida), mas muito deram ouvidos para ele, do bom e do ruim, e se Jornada
e seu fandom mudaram no Brasil, grande parte é fruto de esforços
de gente como o Salvador. E não só ele: olhe por aí e descubra
gente como o ex-editor da "Sci-Fi News" Paulo Maffia (a
verdadeira alma daquela revista --esperamos que ela se recupere da
perda), Sérgio Figueredo e seus colegas na Abril, meus colegas do
news da UOL e os colunistas desse site --todos mostraram a muita
gente (dos "big shots" do USA Network e da Globosat a
mim mesmo) que admiradores de Jornada e cultura pop e
sci-fi norte americana não têm de ser um bando de nerds
destrambelhados que só se reúnem em centro de convenções para
trocar bottons. De Jornada, é lógico.
E
por falar em Jornada, aí está o motivo de minhas férias.
Cansei da série. Ela já cumpriu o que podia na minha vida por
enquanto. Ela já me deu mais de 700 horas de divertimento
(dependendo do episódio, é claro) e inúmeras boas horas de
leitura, mas tudo tem limite e o atual regime e a criatividade da
série não estão me dando mais, com o perdão da expressão, tesão.
Jornada X será ótimo? Não sei, mas acho que não. A nova
série valerá a pena, sendo ou não uma pré-seqüência?
Sinceramente, vindo da mente de Brannon Braga, nem no século 69
(no bom sentido) ele fará alguma coisa que preste. Ele não ouviu
as palavras de Michael Piller em sua entrevista
ao Trek Brasilis --então para que perder nosso tempo com
ele?
Continuarei como co-editor do TrekWeb provavelmente até a estréia
de Jornada X, pois devo muito a Steve Krutzler, o maior
nome fora do franchise nos EUA e um sujeito que me abriu muitas
portas lá fora (dentro e fora do espaço virtual da net) e a quem
devo muito. Por isso, "Nas Garras do Leão" entra agora
em hibernação e Gustavo Leão vai guardar suas fitas e livros e
curtir um pouco mais sua vida. Ele já tem 30 anos e vai fazer 31
em breve, entao mal dá tempo de ele (com seus dois empregos, um
em BH e outro em Brasília) ainda arranjar tempo para assistir TV
(e dá-lhe Buffy, Angel, Farscape e tudo de bom e criativo que é
produzido hoje em dia em Hollywood e que não tem o nome de
Brannon Braga e Rick Berman nos créditos. Saudades da profunda e
enigmática Deep Space Nine e da verdadeira e utópica A
Nova Geração, aquela que existia antes da militarista
Enterprise-E, quandos seus personagens ainda tinham o espírito da
serie na sua Galaxy Class Enterprise-D. E, é lógico, de Kirk,
Spock e McCoy, os melhores cowboys da fronteira do espaço
sideral).

Vou para as minhas montanhas mineiras, respirar o ar puro. Ainda
apareço de vez em quando no Fórum e no news, afinal fiz amigos
aqui e lá. É engraçado, eu acho, mas as coisas mudam. Jornada
nas Estrelas no Brasil está em boas mãos na mídia,
finalmente. O fandom está menos alienado. O Trek Brasilis
lançou no Brasil o jornalismo sério (que já está sendo copiado
por outros sites brasileiros, graças a Deus) que o TrekWeb e o
TrekToday já faziam há tanto tempo lá fora e que faltava em
nossa terra. Já nos EUA, cruzem os dedos. Se alguém como um novo
Nicholas Meyer e um novo Gene Coon surgir e colocar Jornada
no topo de novo, eu desço das montanhas e faço uma continuação
dessa coluna. Mantenha os dedos cruzados --ou não.

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