Texto de
Susana Lopes de Alexandria


Spiner solta a voz numa canção popular


 









 

 

 

No episódio "Brothers", quando Lore "acorda" depois de ter um novo chip de emoção instalado por seu "pai", dr. Noonien Soong, ele começa a cantar. Aliás, da primeira vez que Lore apareceu na série, no episódio do primeiro ano "Datalore", ele também cantou o trecho de uma música. Talvez o roteirista tenha inserido essas canções para utilizar os dons de cantor de Brent Spiner (Data/Lore/Soong), que até já lançou CDs, entre os quais Ol' Yellow Eyes is Back (foto), que contém clássicos dos anos 40. Numa das faixas, os vocais são feitos pelo grupo "Sunspots", na verdade seus colegas de elenco da Nova Geração Patrick Stewart (Picard), Jonathan Frakes (Riker), LeVar Burton (La Forge) and Michael Dorn (Worf).

A música cantada por Lore no episódio "Brothers" é Abdullah Bulbul Ameer (que você já deve estar ouvindo), uma canção popular com mais de um século de existência. Embora muitos acreditem que seu autor seja anônimo, ela foi composta em 1877, em Dublin, na Irlanda, pelo irlandês Percy French. Com a imigração irlandesa para os Estados Unidos, a música tornou-se popular entre os americanos e é geralmente cantada para as crianças.

A canção conta a história de dois valentões rivais, Abdula Bulbul Amir e Ivan Skavinsky Skivar, respectivamente da antiga Pérsia e da antiga Rússia. Os dois um dia se cruzam e acabam se atracando numa sangrenta luta que termina por levar ambos à morte.

Como toda canção popular que se perpetua pela tradição oral (como diz o ditado, "quem conta um ponto aumenta um ponto"), existem várias versões diferentes de Abdullah Bulbul Ameer, com pequenas variações nos versos. Abaixo está uma delas, no original, juntamente com uma tradução livre. Agora é só acompanhar a melodia e soltar a sua voz!

Abdullah Bulbul Ameer

The sons of the Prophet are brave men and bold
And quite unaccustomed to fear,
But the bravest by far in the ranks of the Shah,
Was Abdullah Bulbul Ameer

If you wanted a man to encourage the van,
Or harass the foe from the rear,
Storm fort or redoubt, you had only to shout
For Abdullah Bulbul Ameer

This son of the desert in battle aroused
Could split twenty men on his spear
A terrible creature when sober or soused
Was Abdullah Bulbul Ameer

Now the heroes were plenty and well known to fame
In the troops that were led by the Czar,
And the bravest of these was a man by the name
Of Ivan Skavinsky Skivar

The ladies all loved him, his rivals were few
He could drink them all under the bar
Come gallant or tank there was no one to rank
With Ivan Skavinsky Skivar

One day this bold Russian, he shouldered his gun
And donned his most truculent sneer,
Downtown he did go where he tred on the toe
Of Abdullah Bulbul Ameer

"Young man", quote Abdullah, "has life grown so dull
That you wish to end your career?
Vile infidel know, you have trod on the toe
Of Abdullah Bulbul Ameer."

"So take your last look at the sunshine and brook
And send your regrets to the Czar
For by this I imply, you are going to die,
Count Ivan Skavinsky Skivar."

Said Ivan, "My friend, your remarks in the end,
Will avail you but little, I fear.
For you never will survive to repeat them alive
Mr. Abdullah Bulbul Amir."

Then this bold Mameluke drew his trusty skibouk,
Singing, "Allah! Il Allah! Al-lah!"
And with murderous intent he ferociously went
For Ivan Skavinsky Skivar

They parried and thrust, they side-stepped and cussed,
Of blood they spilled a great part;
The philologist blokes, who seldom crack jokes,
Say that hash was first made on the spot

They fought all that night neath the pale yellow moon;
The din, it was heard from afar,
And huge multitudes came, so great was the fame,
Of Abdullah and Ivan Skivar

As Abdullah's long knife was extracting the life,
In fact he was shouting, "Huzzah!"
He felt himself struck by that wily Calmuck,
Count Ivan Skavinsky Skivar

The Sultan drove by in his red-breasted fly,
Expecting the victor to cheer,
But he only drew nigh to hear the last sigh,
Of Abdullah Bulbul Ameer

Czar Petrovich, too, in his spectacles blue
Rode up in his new crested car

He arrived just in time to exchange a last line
With Ivan Skavinsky Skivar

There's a tomb rises up where the Blue Danube rolls,
And graved there in characters clear,
Is, "Stranger, when passing, oh pray for the soul
Of Abdullah Bulbul Ameer."

A splash in the Black Sea one dark moonless night
Caused ripples to spread wide and far,
It was made by a sack fitting close to the back,
Of Ivan Skavinsky Skivar

A Muscovite maiden her lone vigil keeps,
'Neath the light of the cold northern star,
And the name that she murmurs in vain as she weeps,
Is Ivan Skavinsky Skivar

 

Abdula Bulbul Amir

Os filhos do Profeta eram corajosos e destemidos
E não conheciam o medo
Mas de longe o mais corajoso no exército do Xá
Era Abdula Bulbul Amir

Se você quisesse um homem para incentivar a linha de frente
Ou fustigar o inimigo por trás,
Tomar um forte ou uma fortaleza, era só gritar

O nome de Abdula Bulbul Amir

Este filho do deserto animava a batalha
Podia despedaçar vinte homens com sua lança
Uma terrível criatura, sóbrio ou bêbado,
Era Abdula Bulbul Amir

Ora, os heróis eram muitos e bem conhecidos
Nas tropas comandadas pelo Czar,
E o mais corajoso desses homens
Se chamava Ivan Skavinsky Skivar

Todas as damas o adoravam, os rivais eram poucos
Ele os tragava todos no bar
No amor e na guerra, ninguém chegava aos pés
De Ivan Skavinsky Skivar

Certo dia este destemido russo pendurou sua arma do ombro,
Colocou no rosto seu olhar de escárnio mais cruel
E foi para o centro da cidade, onde pisou no pé
De Abdula Bulbul Amir

"Meu jovem", disse Abdula, "sua vida ficou assim tão chata
que você deseja acabar com ela?
Desprezível ímpio, você pisou no pé
De Abdula Bulbul Amir"

"Então, olhe a luz do Sol e o riacho pela última vez
E envie seus pêsames ao Czar
Pois com isso quero dizer que você vai morrer,
Conde Ivan Skavinsky Skivar"

Ivan disse: "Meu amigo, receio que suas palavras, afinal,
Não lhe terão muito proveito
Pois você nunca sobreviverá
Para repeti-las, sr. Abdula Bulbul Amir

Então o destemido mameluco sacou sua fiel adaga
Cantando "Alá! Alá! Alá!"
E com sede de morte partiu para cima
De Ivan Skavinsky Skivar

Eles se golpearam, se empurraram e se xingaram
Espirraram muito sangue;
Os filólogos, que raramente contam piada,
Dizem que a palavra "picadinho" surgiu ali

Eles brigaram a noite inteira sob a luz pálida da Lua
O barulho podia ser ouvido de longe,
E uma enorme multidão acorreu, tão grande era a fama
De Abdula e Ivan Skivar

Enquanto a longa faca de Abdula fincava,
Na verdade ele já gritava "Huzzah!"
Sentiu ser golpeado pelo maligno
Conde Ivan Skavinsky Skivar

O sultão apareceu, com seu pomposo traje vermelho
Esperando comemorar a vitória,
Mas ele se aproximou apenas para ouvir o último suspiro
De Abdula Bulbul Amir

O czar Petrovich também, com seus óculos azuis
Chegou em sua novíssima carruagem
A tempo de trocar as últimas palavras
Com Ivan Skavinsky Skivar

Há uma tumba onde o Danúbio faz a curva
E lá está gravado em letras nítidas
"Estranho, você que por aqui passa, oh reze pela alma
De Abdula Bulbul Amir"

Certa noite sem lua, uma pancada nas águas do Mar Negro
Provocou ondas que se espalharam ao longe
Foi um saco jogado com o corpo de
De Ivan Skavinsky Skivar

Uma donzela moscovita mantém solitária vigília
Sob a luz da fria estrela do norte
E o nome que ela em vão murmura, enquanto chora,
É o de Ivan Skavinsky Skivar