Série Clássica
Temporada 1

Análise do episódio por
Carlos Santos



 









 

MANCHETE DO EPISÓDIO
Tema recorrente de Roddenberry
surge mesclado às preocupações da época

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Sinopse:

Data Estelar: 3156.2.

A Enterprise está em órbita do planeta Beta 3, investigando o desaparecimento de uma outra nave,  a USS Archon, desaparecida naquele local 100 anos antes. Em terra, um grupo de descida, formado pelos tenentes Sulu e O’Neil, é atacado por locais vestidos em túnicas e agindo de forma semelhante a Zumbis. O'Neil se desespera e foge pelas ruas enquanto Sulu é transportado de volta à nave, mas não sem antes ser atingido por uma estranha arma em forma de bastão usada por seu perseguidor.

Sulu chega a nave com a memória afetada e agindo de forma de estranha, como se tivesse sido vítima de algum tipo de lavagem cerebral.  Kirk então resolve formar um novo grupo de busca e descer ao planeta para procurar por O'Neil e descobrir o que houve com o piloto da Enterprise.

Uma vez em terra, eles se deparam com uma população extremamente pacifica e submissa. Um dos transeuntes interpela o grupo de descida, curioso sobre se a tripulação da Enterprise havia vindo para o “festival” e avisando que a “hora rubra” se aproxima. O transeunte chama uma mulher que passa, de nome Tula, perguntando se seu pai poderia receber Kirk e seu pessoal. De repente, assim que o relógio da praça toca indicando dezoito horas, toda a população até então calma, enlouquece, iniciando uma indiscriminada onda de violência, saques e roubos.

Os membros dos grupos de descida fogem por entre a multidão até uma casa pertencente a um homem de nome Reger, que, a despeito das suspeitas dos outros presentes, especialmente um de nome Hacom, aceita o grupo de Kirk e lhes fornece um quarto. Hacom protesta e deixa o local sobre ameaças.

Reger instala os membros do grupo de Kirk, mas estranha quando este diz que não pretende participar do festival e se nega a responder perguntas sobre uma entidade que parece controlar o lugar e que é referida apenas como “Landru”. Do lado de fora a confusão continua. Na manha seguinte, exatamente às seis horas, a convulsão coletiva termina e todos os habitantes voltam à condição de calmaria anterior ao festival. Tula retorna a sua casa em choque, o que leva um dos membros da equipe de Kirk, o sociólogo Lindstrom a criticar Reger, pai da moça, por não ter feito nada para resgatá-la.

Enquanto McCoy ministra um sedativo em Tula, o ainda mais desconfiado Reger e do seu amigo Tamar ficam atônitos ao concluir que os recém chegados não são parte do “grupo” (alguma espécie de consciência coletiva – ou próxima – reinante na sociedade local) e pergunta se eles são “Archons”. Kirk não responde, mas neste momento Hacom retorna trazendo consigo dois dos “inspetores”, seres iguais aos que haviam atacado Sulu e O’Neil anteriormente. Eles matam Tamar por este ter duvidado dos inspetores e ordena que Kirk e seu pessoal os acompanhem, mas este se nega, o que deixa os inspetores confusos.

Aproveitando a hesitação dos inspetores, Reger deixa e local dizendo que os levaria para um lugar seguro, mas durante o caminho eles são atacados pela população, aparentemente controlados por Landru. Kirk ordena o uso dos feisers em tonteio. Eles encontram o tripulante O’Neil entre as pessoas que atingem e o trazem junto.

Eles finalmente atingem o tal “lugar seguro”. Após estranharem alguns itens de tecnologia que parecem discrepantes com o nível de desenvolvimento aparente do lugar, Reger revela que toda a população do planeta faz parte do referido “grupo”, pelo qual todos são “absorvidos”, e que teria sido este o destino da tripulação da desaparecida nave estelar USS Archon, um século antes.

Reger fala que os “Archons” (como ficaram conhecidos os tripulantes da antiga nave) vierem anos antes e atacaram o “grupo”, rebelando-se contra o controle de Landru e unindo-se a uma pequena resistência local. Esta resistência estava agora resumida ao próprio Reger, a Tamar, agora morto, e por uma terceira pessoa a quem ele não conhecia.

Só então Kirk se da conta que Landru poderia ter poder para destruir uma nave (afinal a Archon não deixou vestígio na órbita do planeta). Ele contata a Enterprise, e é informado por Scott no comando que esta sob ataque de um tipo de raio de calor, que exige que toda a força da nave, inclusive dos propulsores seja redirecionada para os escudos da nave a fim de evitar sua destruição, entretanto sem propulsores a órbita da nave começa a decair, o que deixa a Kirk doze horas para resolver o mistério antes que nave queime na atmosfera.

Após perderem a comunicação com a nave, um sinal sensor é detectado por Spock, e em seguida uma projeção que se identifica como Landru aparece. Kirk tenta comunicar-se, mas esta tentativa mostra-se inútil, e em seguida todos os presentes são colocados inconscientes por algum tipo de ondas sonoras.

Quando Kirk recobra a consciência descobre que McCoy não está mais entre eles e que foram removidos para uma espécie de cela e desarmados. Kirk e Spock começam a fazer conjecturas sobre a natureza dos inspetores, de que estes poderiam ser máquinas e não humanos. Neste momento McCoy reaparece trazido por um dos inspetores, transformado como a população de Beta 3.

Os inspetores retornam e ordenam a Kirk que este os siga, ameaçando-o de morte. Sem opções ele obedece, sendo levado a um local conhecido como sala de absorção. Lá um homem chamado Marplon aparece e prepara o que seria a “conversão” de Kirk. Em seguida os inspetores buscam Spock para efetuar o mesmo procedimento com o Vulcano.

Este cruza com um aparentemente convertido Kirk e depois é preso ao equipamento que realizará o processo, entretanto, quando o inspetor que acompanhava Spock deixa o local, Marplon revela ao primeiro oficial da Enterprise ser ele o “terceiro rebelde” de quem Reger havia falado, e devolve as armas que lhe haviam sido tiradas. Ele evita que o Vulcano seja convertido e diz que Kirk também está a salvo.

Spock encontra Kirk e Lindstrom e ambos concluem que Landru é na verdade uma máquina e decidem encontrá-la e desativá-la, mesmo que para isto precisem passar por sobre a primeira diretriz, a qual Kirk afirma não se aplicar na presente questão. Reger reaparece acompanhado de Marplon, que agora devolve também os comunicadores.

Enquanto Kirk tenta convencer Reger e Marplon a ajudá-los a achar Landru, McCoy, transformado percebe que os dois não foram afetados e começa a gritar de forma histérica obrigando Spock a adormecê-lo com o toque Vulcano.

Reger e Marplon estão aterrorizados com a possibilidade de serem descobertos por Landru. Kirk entra em contato com Scott que informa que a situação na nave ainda é critica, o que adiciona um sentimento maior de urgência a Kirk, que pressiona mais fortemente os amotinados. Reger de descontrola e entra em pânico, mas Marplon acaba levando Kirk ao local onde supostamente Landru poderia ser contatado.

Uma projeção do mesmo homem que havia se apresentado a Kirk antes reaparece, e disposta a eliminar Kirk e Spock e todos os que tiveram contato com o pessoal da Enterprise. Eles atiram na parede atrás da projeção, tendo então a visão do verdadeiro Landru, um computador projetado e construído pelo verdadeiro Landru, morto 600 anos antes. Eles tentam destruir a maquina usando os feisers, mas um campo de força impede que isto seja feito.

Kirk começa então um duelo de eloqüência com o computador acusando-o de ser prejudicial ao “grupo”, fazendo com que a maquina, incapaz de responder as criticas de Kirk entre num ciclo de autodestruição, deixando toda a população livre da influência de Landru. Kirk e a Enterprise partem, mas deixam no planeta o sociólogo Lindstrom junto com uma equipe para ajudar a adaptação da população a sua nova situação.


Comentários:

A Enterprise continua indo onde nenhum homem jamais esteve e em sua viagem encontrando seres humanos para tudo que é lado, não interessa aonde se vá. Fascinante.

Neste caso isto provavelmente acontece, pois a dinâmica proposta para o segmento é baseada em temas bem contemporâneos a época de sua primeira exibição.  “Return of the Archons” é um episodio sobre o qual se podem ter algumas leituras diferentes, sendo a principal o controle da máquina (ou computador) sobre o homem, mais um dos temas recorrentes de Roddenberry. Aqui, encontramos toda uma sociedade controlada por um computador que julga e executa o que é melhor para o “grupo”. Na verdade, o “grupo” foi uma invenção da dublagem, pois o correto seria dizer “corpo” (“body”), assim como “lawgivers”, cuja tradução correta seria “legisladores” e que acabou virando “inspetores”, detalhes que se perderam na tradução para o português.

Entretanto, a forma como o domínio sobre o “grupo” é mostrado, com um forte controle sobre o individuo usando para isto um corpo policial, no caso os tais “inspetores”, para manter todos sob vigilância constante e garantir que nada saia do controle de Landru, bem como que todos estejam a serviço deste “grupo”, mesmo que isto signifique eliminar indivíduos da “coletividade”, exibe uma mal disfarçada critica ao sistema comunista reinante na então União Soviética.

Uma critica a algumas orientações religiosas e o controle exercido sobre seus membros pelo uso do medo, também pode ser encontrado, mas em escala bem menor. Todos estes temas bem humanos, mais o mistério do desaparecimento da nave estelar Archon cem anos antes, serve de agente provocador para a investigação da Enterprise, e criam a motivação e o enredo do episodio.

Embora seu tom panfletário tenha se esgotado com as mudanças acontecidas na grande maioria dos paises comunistas, e a discussão sobre a relação homem x máquina tenha perdido espaço para outros temas mais relevantes, este é um episodio importante pois nele James Kirk de forma deliberada e consciente chuta o balde da primeira diretriz, que ele interpreta como quer (sem entrar no mérito da correção ou não desta interpretação). Kirk detona com a primeira diretriz diversas vezes ao longo da Série Clássica, mas neste episódio vemos de forma didática e absolutamente livre de erros que ele se reserva o direito de fazê-lo sempre que sua “intuição” o aconselhar assim. Embora a primeira diretriz seja um elemento discutível (filosoficamente talvez o mais discutível de Jornada) este caso exemplifica de forma clara o por que da fama que Kirk adquiriu de praticar “diplomacia cowboy”.

O episódio tem seu primeiro problema na ambientação alienígena, um cenário extremamente pobre em imaginação. Coisas como indumentárias grotescas como em “Arena” ou fundos pintados em tela até se entendem devido às dificuldades de produção da época, mas representar toda uma população alienígena como uma típica cidade Americana do fim de século XIX é um pouco demais.

Alguns comparam a forma de controle exercida por Landru sobre os habitantes de Beta 3 com elementos da coletividade Borg (de A Nova Geração), mas diferenças significativas devem ser apontadas, pois na coletividade não há em cérebro central controlando o “corpo”, se descontado é claro, o surgimento da Rainha Borg no filme “Primeiro Contato”, entretanto este controle, que é insinuado se estender sobre todo o planeta, não é um controle absoluto, o que pode ser percebido pela simples existência da alguns não convertidos e explica o papel dos inspetores. Mais do que isto, aqui a absorção do individuo por Landru não parecer dar a este seu conhecimento, pois assim o fosse, assim que Sulu foi absorvido ele deveria saber da presença da Enterprise.

Mesmo assim é de se estranhar que sendo imensamente poderoso como é demonstrado, Landru não tenha detectado a presença da Enterprise e destruído a nave mais cedo. Foram necessários dois grupos de descida para que um ataque fosse iniciado, o que é incoerente, afinal, Landru sabia quem eram os “Archons” e se os destruiu antes, é lógico concluir que o faria de novo, afinal para um computador tanto faz passaram-se cem anos ou cem dias, ao menos em tese. Fica claro que este problema foi criado apenas para impedir que Scott trouxesse todo mundo de volta a nave e o episodio acabasse sem que Kirk tivesse uma justificativa para destruir o computador sem se importar com as conseqüências de tal ato.

Outra incoerência é a necessidade de fazer com que Kirk e seu grupo passassem pelo aparelho de “absorção” pois no inicio do episódio isto foi feito com Sulu com apenas um “disparo do bastão mágico de um dos inspetores” (TM). Esta condução foi editada obviamente para contribuir com o clímax do episódio, mas o descuido neste caso peca ainda mais contra ele (ficando grosseiramente artificial).

Alem disto é estranho o fato de não haver aparentemente ninguém preocupado com a reconstrução da cidade após a destruição causada pelo “festival”, visto que a população, após o seu termino, voltou ao seu estado letárgico de antes, fora ainda o fato de um computador sobreviver seiscentos anos sem manutenção, algo que soa também um bocado estranho.

Um desperdício de material é a postura de Spock que passa todo o tempo se comportando exatamente como um computador, analisando informações e fornecendo resultados a Kirk de forma estéril e sem nenhuma importância dramática para o contexto, mal utilizando o potencial do Vulcano. Tal comportamento, talvez tenha a intenção de exemplificar em Spock o ideal de um “bom” computador, totalmente a serviço do homem como um fiel assistente, ou ferramenta, nada mais nada menos. Uma antítese de Landru, o computador “mau”, que pretende sobrescrever os valores humanos.

Esta caracterização vai desaguar na ausência de bom senso que é a forma encontrada por Kirk para deter Landru. Aqui Kirk usa do toda a sua eloqüência na pratica da lógica circular mais básica para fazer com que um computador que conseguiu controlar a população de todo um planeta durante seiscentos anos simplesmente entrasse em crise existencial e em colapso em cerca de dois minutos. Para fazer isto, a cena seria mais bem entregue a Spock, o que talvez não soasse tão inverossímil, mas é necessário que Kirk use da criatividade humana para alcançar a vitória, criatividade que uma máquina seja ela Landru ou Spock – pelo menos neste episodio - não poder ter.

Ao longo da Série Clássica, Spock tem no apoio a seu capitão (e seu amigo) sua principal tarefa, mas o problema é a forma de demonstra-lo isto. Nicholas Meyer o fez com maestria em nos filmes para o Cinema da turma de Kirk e cia., provando que o problema é acertar a mão na hora de fazer isto.  Roddenberry não conseguiu, pelo menos neste episodio.

Um raro exemplo de continuidade – disfarçada – entre episódios na Série Clássica pode ser encontrado quando Kirk pergunta a Spock se ele não achava antiquado o uso da força física após o Vulcano esmurrar um dos inspetores, numa referencia clara ao soco desferido por Kirk no episódio “Tomorrow is Yesterday”. Uma sequência sem dúvida engraçada, efeito que consegue ser executado com sucesso em mais uma ou duas situações dentro do episódio, e salva o final do segmento de sua indisfarçável e desnecessária “lição do dia”.

“The Return Of The Archons” é um segmento repleto de inconsistências e com uma trama intencionalmente refletida e inflada de maneira artificial para preencher uma hora de televisão e produz o nascimento de um dos grandes clichês de Jornada, o cenário de Kirk levando alguma inteligência artificial ao colapso através de um argumento banal de lógica circular. As interpretações do conceito de inteligência coletiva aqui apresentado se perderam no tempo, se é que foram interessantes algum dia, além de se chocarem grosseiramente com mais um cenário de “desenvolvimento paralelo” ao da Terra, refletindo mais a limitação orçamentária vigente naquela época do que qualquer visão de uma história a ser contada, um pau paupérrimo segmento.


Citações:

Hacom: “Do you say that Landru is not everywhere?”

Lawgiver: “You attacked the body. You have heard the word and disobeyed.You will be absorbed.”

Scott: “We're going down, Captain. Unless we can get those beams off us so we can use our engines, we're due to hit atmosphere in 12 hours”

Kirk: “Are you suggesting that the Lawgivers are mere computers, that... they aren't human?”
Spock: "Quite human, Captain. It's simply that all the facts are not yet in. There are gaps.”

Kirk: “Don't you know me?’
McCoy: “We all know one another  in Landru.”

Lindstrom: “Well, this is simply ridiculous, a bunch of stone-age characters running around in robes.”
Spock: “And apparently commanding powers far beyond our comprehension. Not simple. Not ridiculous. Very, very dangerous.”

Spock: “We are not Archons, Marplon.”
Marplon: “Whatever you may call yourselves, you are in fulfillment of prophecy.”

Kirk: “What is your theory, Mr. Spock?”
Spock: “This is a soulless society, Captain. It has no spirit, no spark. All is peace and tranquillity,  the peace of the factory, the tranquillity of the machine, all parts working in unison.”

Kirk:  “Mr. Spock, the plug must be pulled."
Spock: “Sir?”
Kirk: “Landru must die.”
Spock: “Captain, our prime directive of noninterference.”
Kirk: “That refers to a living, growing culture.”
Spock: “Do you think this one is?”

Kirk: “Isn't that somewhat old-fashioned?”

Kirk: “You said you wanted freedom. It's time you learned that freedom is never a gift. It has to be earned.”

Landru: “Obliteration is necessary. The infection is strong. For the good of the body, you must die.”

Landru: ‘The good of the body is the prime directive.”

Spock:  “Not necessary, Captain. They have no guidance, possibly for the first time in their lives.”

Kirk: “The evil must be destroyed.”

Kirk: “You would make a splendid computer, Mr. Spock.”
Spock: “That is very kind of you, Captain.”

 

Trivia:

O falecido ator Jon Lormer que interpreta Tamar, foi visto em “The Cage” e em “The Menagerie” como Dr Theodore Haskins, um dos supostos sobreviventes da SS Columbia. Ele retornaria a série em seu terceiro ano no episodio “For the World is Hollow and I Have Touched the Sky”.

Charles Macauley, o Landru, também voltaria em “Wolf in the Fold” como Jarvis

Um rascunho inicial do roteiro trazia um romance entre Lindstron e Tula.
 

 

Ficha técnica:

História de Gene Roddenberry
Roteiro de Boris Sobelman
Direção de Joseph Pevney
Exibido em 09/02/1967
Produção: 22

Elenco:

William Shatner
como James Tiberius Kirk
Leonard Nimoy
como Spock
DeForest Kelley
como Leonard H. McCoy
Nichelle Nichols como Uhura
George Takei como Hikaru Sulu



Elenco convidado:

Harry Townes como Reger
Torin Thatcher como Marplon
Brioni Farrell como Tula
Sid Haig como primeiro inspetor
Charles Macaulay como Landru
Jon Lormer como Tamar
Morgan Farley como Hacom
Christopher Held como Lindstrom
Sean Morgan com tenente O'Neil
Ralph Maurer como Bilar
David L. Ross como um segurança
Miko Mayama como ordenaça Tamura

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