Revisão Literária: Fallen Heroes

200px-fallen_heroes.jpgPara a retomada das revisões do Trek Brasilis de material literário da franquia, este missivista optou por começar com algo diferente, escolhendo para esta revisão um dos livros sobre Jornada nas Estrelas disponíveis em audiobook. Varrendo a lista de títulos disponíveis na iTunes Store, e escolhi um que me pareceu uma boa pedida para recomeçarmos, Star Trek Deep Space Nine: Fallen Heroes, escrito por Dafydd Hugh e narrado por Rene Auberjonois. Vamos então para a revisão deste título de livro sobre Deep Space Nine.

Sendo um dos primeiros livros da franquia baseado em DS9, a trama se passa durante as primeiras temporadas da série, o que faz o elenco não contar com a Defiant, Worf ou informações gerais do quadrante Gama que estariam disponíveis após a 3T da série. A trama lida basicamente com a chegada de uma espécie alien do quadrante Gama, os Bakir (nome Cardassiano para eles), xenofóbicos ao extremo, que chegam em Deep Space Nine repentinamente fazendo ameaças. Isto foi precedido por Quark adquirir de um mercador uma caixa contendo alguns itens também do quadrante Gama que estão diretamente relacionados com os Bakirs e com sua agenda de intenções. Longa história curta, os Bakirs decidem engajar DS9 em batalha para, segundo eles, resgatarem um dos seus que estaria prisioneiro dos federados, fato do qual a tripulação em comando desconhece qualquer envolvimento. Odo e Quark, devido ao resultado de um item da caixa ativar horas antes, repentinamente se encontram três dias depois da batalha, em uma deserta e danificada DS9.

Com esta trama, o livro acaba tendo duas linhas narrativas que se intercalam. A primeira se desenrola com Odo e Quark três dias depois do primeiro contato com os Bakirs, na abandonada estação, e a segunda são os eventos três dias antes que levaram a tal situação, e me pareceu que a linha narrativa com Odo e Quark flui de maneira bem melhor do que a com os demais niners.

Assim, eu me vi apreciando bem mais a interação de nosso favorito fundador e favorito ferengi enquanto eles juntam as pistas para descobrir o que afinal de contas ocorreu com eles (presos em uma bolha temporal) o que ocorreu ali (a batalha que desconhecem as razões) e o que fazer para resolver a situação (descobrir como voltar no tempo com o dispositivo Bakir que tem em seu poder). Ambos estão bem retratados, mantendo seus maneirismos e comportamento que garante a boa interação do tipo que tivemos, com Odo sempre estando um passo a frente nas trambicagens de Quark.

A trama com os demais do elenco é basicamente um subterfúgio para uma violenta batalha com os Bakirs e deixa para cenas de morte gloriosa e heróica pelo elenco principal — o proverbial botão reset energizado por viagem temporal está presente para possibilitar esta chance, de desligar o “Escudo Defletor de Nome nos Créditos”. O próprio Dafydd Hugh comentou que uma das intenções dele quando escreveu esta sua trama literária para a franquia era de procurar subverter algumas das suas típicas convenções, uma delas sendo a que os personagens principais não morrem, daí seu foco em uma trama onde isto ocorresse.

Um ponto que me incomodou foi que os Bakirs são apresentados como sendo invencíveis demais, coisa que fica soando pelo livro inteiro como OMG ÜBERALIENS LOL!!!111, e que acaba se tornando cansativo. Nada que os federados jogam contra eles consegue sequer os desacelerar, exceto por uma ou outra tecnoblabada de conveniência, claro, como eles terem que improvisar granadas com feisers setados em sobrecarga, demonstrando que possuir equipamento e prévio preparo para luta de infantaria não é mesmo o forte da Frota, apesar de ela querer sempre posar de boa da boca na matéria.

Mas enfim. Apesar disto, um elemento relativo aos Bakir me agradou, que foi esta espécie alien ter a base de sua tecnologia militar em armas de projéteis. Antes que se possa dizer que armas de projéteis não são algo que se espera de uma sociedade futurista, é evidente que o desenvolvimento de melhores e mais eficientes armas de projéteis pode continuar a ocorrer, colocando em pé de igualdade em capacidade a outras tecnologias vistas na franquia. No mínimo, dá um frescor de novidade muito bem vindo.

Enquanto audiobook, o livro me pareceu bem agradável de acompanhar. Rene Auberjonois narra bem o livro, mantendo um tom fácil de se entender e bem neutro enquanto faz o narrador, e depois intercalando as entonações para combinar com os personagens dos quais faz as falas — seu Odo é, por razões óbvias, perfeito, enquanto o seu Quark também não deixa nada a desejar ao original de Armin Shimerman. Os demais são claros e únicos o bastante para conseguirmos visualizar bem cada um dos personagens.

Frigir dos ovos, um livro agradável, com uma trama que embora meio desnivelada, vamos dizer, ainda assim deixa um saldo positivo, em boa parte devido a basicamente entregar o que intencionava, uma boa história focada em Odo e Quark. Três estrelas em quatro é uma marca boa para o livro.

Star Trek Deep Space Nine: Fallen Heroes
por Dafydd ab Hugh
288 páginas, paperback
Publicado por Simon & Schuster Adult Publishing Group
Fevereiro, 1994
Audiobook condensado por Dafydd ab Hugh
Narração de Rene Auberjonois, 2:14 de duração

Edição em paperback (esgotado, disponível em usados)

Edição em audiobook (esgotado em audio CD, disponível para download)

Sumário sobre o título
no Memory Alpha

2 Comments on "Revisão Literária: Fallen Heroes"

  1. ainda bem o trek brasilis voltar a publicar material exclusivo e deixar de ser clone dos tremovie e trekweb da vida. queremos novos artigos de leandro, fernando penteriche, gustavo leao, salvador nogueira e outros mais.

  2. Luís Henrique Campos Braune | 23 de março de 2008 at 7:17 pm |

    Muito interessante! Nem sabia que existia isso…

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