Premissa pouco inspirada sobrevive graças à química dos personagens. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Babel”, de Jornada nas Estrelas: Deep Space Nine.

Sinopse:

Data Estelar: 46423.7.

Um vírus mortal criado por terroristas Bajoranos há 18 anos, durante a época da construção da estação pelos Cardassianos, é liberado por acidente em Deep Space Nine, quando o chefe O’Brien consertava um sintetizador de alimentos.

O vírus gradualmente infectou todos a bordo, gerando um estado de afasia (incapacidade de se comunicar ou de entender o que os outros dizem) em toda a tripulação, que com o tempo, conduziria à morte.

Kira corre contra o tempo procurando pessoas ligadas ao terrorismo Bajoriano à época da ocupação Cardassiana, na esperança de encontrar um cientista capaz de fornecer um antídoto.

Ela encontra o auxiliar do responsável pela criação do vírus, que é capaz de engendrar um antídoto a partir dos primeiros resultados obtidos pelo doutor Bashir.

Comentários:

A trama de “Babel” é pouco inspirada, mas bem executada. A idéia de que foram os Bajoranos que desenvolveram e instalaram o vírus é muito interessante, principalmente porque mostra como o feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

Para citar um exemplo contemporâneo, podemos citar o caso do submarino nuclear russo que em agosto de 2000 foi irremediavelmente danificado pela explosão de uma mina instalada no local durante a Segunda Guerra Mundial, causando a morte de toda a tripulação. Felizmente, em Deep Space Nine, os tripulantes foram mais felizes.

A idéia de funcionamento do vírus é bastante interessante, porque ressalta como a comunicação é importante para que as pessoas possam realizar qualquer tipo de tarefa. O vírus Bajoriano reduz os infectados à total incoerência verbal.

Porém, tirando esses detalhes, a trama do episódio é mecânica e previsível, apesar de contar com alguns bons momentos vividos pelos personagens.

O prólogo mostrando um O’Brien exausto após consertar metade da estação (aparentemente sozinho) é antológico. A forma como Kira (engenhosamente) encontra um cientista Bajorano que colaborou no desenvolvimento do vírus e que por isso teria boas chances de encontrar o antídoto, e o seqüestra, levando-o a uma estação em quarentena para encontrar tal cura é 100% Kira! Além desses dois destaques, as interações entre Ben e Jake e entre Odo e Quark funcionam como usual.

Vale mencionar que a solução é um pouco simples demais, como, aliás, são tratados todos os problemas técnicos e médicos em Jornada nas Estrelas. A cura é encontrada rápido demais, algo um pouco difícil de acreditar, mesmo levando em conta a “adiantada” que Bashir deu aos estudos.

Finalmente, pode-se definir “Babel” como um episódio que tentou ser voltado para a própria história, mas que sobreviveu predominantemente pela química entre os personagens.

Citações:

Odo – “Rom is an idiot… he couldn’t fix a straw if it was bent.”
(“Rom é um idiota. Ele não poderia consertar um canudo se estivesse entortado.”)

Trivia:

  • Somente Ira Steven Behr foi listado como tendo escrito este episódio em nota à imprensa emitida na época pela Paramount.
  • O episódio contou com uma participação especial não-creditada de Dan Curry como Dekong Elig (na realidade, sua foto, vista em um monitor de computador).

Ficha técnica:

História de Sally Caves e Ira Steven Behr
Roteiro de Michael McGreevey e Naren Shankar
Direção de Paul Lynch
Exibido em 25/01/1993
Produção: 005

Elenco:

Avery Brooks como Benjamin Lafayette Sisko
René Auberjonois como Odo
Nana Visitor como Kira Nerys
Colm Meaney como Miles Edward O’Brien
Siddig El Fadil como Julian Subatoi Bashir
Armin Shimerman como Quark
Terry Farrell como Jadzia Dax
Cirroc Lofton como Jake Sisko

Elenco convidado:

Jack Kehler como Jaheel
Matthew Faison como Surmak Ren
Ann Gillespie como enfermeira Jabara
Geraldine Farrell como Galis Blin
Bo Zenga como Asoth
Kathleen Wirt como “vítima de afasia”
Lee Brooks como “vítima de afasia”
Richard Ryder como “segurança Bajoriano”
Frank Novak como “homem de negócios”
Todd Feder como “homem da Federação”