Origem de Saavik é desvendada em HQ de 1984

stdc198407-01A origem de Saavik e sua relação de proximidade com Spock foi abordada certa vez na revista em quadrinhos Star Trek, da DC Comics, em sua sétima edição, de agosto de 1984. Em uma interessante história, iniciada pelo Pon Farr de Saavik a bordo da USS Enterprise na data estelar 8180.1, somos levados a alguns meses depois da morte de Spock em Jornada nas Estrelas 2: A Ira de Khan. Sim, os quadrinhos não são canônicos, ou seja, não fazem parte da história oficial da franquia (apenas o que é visto em tela torna-se parte do cânon), mas essa exploração do universo de Jornada sem Spock, e antes de existir o terceiro filme, mostra bastante criatividade da equipe responsável por essas HQs na época.

Em fevereiro de 1984, a DC Comics começou a publicar as revistas de Star Trek, partindo do ponto em que a série se encontrava naquele momento. Spock estava morto, e a USS Enterprise, sem capitão. Na primeira edição, o almirante Kirk consegue o comando da nave – para alegria de seus comandados – e parte em missão. McCoy, Sulu (agora, o primeiro oficial), Scotty, Chekov e Uhura estão de volta a seus postos, com a tenente Saavik como a oficial de ciências da nave.

Na HQ de número 7 (a série foi longe, com 56 revistas publicadas até novembro de 1988), o escritor Mike W. Barr, ao lado dos desenhistas Eduardo Barreto e Ricardo Villagran, resolveram definir o passado de Saavik. Tudo começa quando a tenente entra no estado de Pon Farr, com seus desejos sexuais aflorando e lutando contra a passividade emocional vulcana. Saavik começa a agir exatamente como Spock no clássico episódio Amok Time, sendo rude com todos e tendo crises de fúria. Nesse meio tempo, vem a bordo da USS Enterprise o Dr. David Marcus, filho do almirante Kirk, visto em Jornada 2.

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stdc198407-03Kirk prepara uma recepção de gala para o cientista, mas ao fazer um brinde desejando toda a sorte de problemas para Klingons e Romulanos, deixa Saavik ainda mais furiosa, pois a tenente é, na melhor tradição meio-a-meio de Jornada, metade romulana, metade vulcana. Ao questioná-la dos motivos de seu nervosismo exacerbado, Kirk e McCoy ficam sabendo do estado de Pon Farr. O almirante decide levar a Enterprise até Vulcano para fazer com que Saavik encontre Xon, seu prometido para casamento. Essa ação é a única que terminará com a febre do sangue, a Plak Tow, que inclusive pode levar Saavik à morte.

Dois detalhes chamam a atenção neste ponto da história. Xon é um personagem vulcano criado por Gene Roddenberry para fazer parte da série de TV que nunca aconteceu, Star Trek: Phase 2. Ele substituiria Spock, já que Leonard Nimoy não pretendia retornar para Jornada. Como a Phase 2 não vingou, e acabou se transformando no primeiro filme de Jornada nas Estrelas para o cinema, The Motion Picture, inclusive com a participação de Nimoy, Xon foi engavetado. Seu intérprete, o ator David Gautreaux, acabou fazendo uma pontinha no começo desse filme, como um oficial da Frota Estelar.

O outro detalhe: o número 7 da HQ Star Trek foi publicado na mesma época do lançamento de Jornada nas Estrelas 3: À Procura de Spock (1º/6/84), e a USS Grissom, com o capitão J.T. Esteban e que faz parte do novo longa, é citada por Kirk em determinado momento da história.

Explicações feitas, retornamos à trama. Na viagem para Vulcano, Saavik conta a Kirk e McCoy que foi descoberta quando criança numa base avançada romulana abandonada por uma equipe de vulcanos liderados por Spock. Adotada por ele, a mestiça romulana/vulcana foi entregue aos pais do oficial, Sarek e Amanda. Criada seguindo os padrões dos vulcanos, Saavik precisou de muitas aulas, e muita disciplina, para camuflar seu lado romulano e crescer em uma sociedade tão lógica.

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Ainda quando criança, foi prometida a casamento para Xon, mas nunca entendeu muito bem o que isso queria dizer. Anos mais tarde, Xon se casou com outra vulcana, que acabaria morta num ataque de um selvagem Sehlat. Enquanto crescia, Saavik começou a se apaixonar por Spock, que sempre mandava gravações das aventuras da Enterprise em sua missão de cinco anos.

Chegando em Vulcano, os tripulantes da Enterprise se encontram com Sarek. O embaixador informa que Xon está fora do planeta, em missão secreta. Mesmo sabendo isso pode causar a morte de Saavik, Sarek não revela o paradeiro do vulcano prometido, e explica que, mesmo longe, ele não sente os efeitos do Pon Farr, já que esse seria seu segundo casamento.

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Logo após esse encontro, vemos a mãe de Spock, Amanda Grayson, de cama. Ela ainda não se recuperou da morte do filho, e pede que Sarek aborde o assunto do Katra com Kirk. Nesse intervalo, Saavik rouba uma nave e parte em busca de Xon que, de acordo com uma investigação feita pela tenente, está na borda da Galáxia, a mesma que foi vista no episódio-piloto de Star Trek, Where No Man Has Gone Before. Com a correria para se teletransportar da superfície de Vulcano para a Enterprise e partir atrás de Saavik, a conversa de Sarek a respeito do Katra fica adiada. Mas McCoy, ao ler e compreender o alfabeto vulcano num dos computadores do planeta, começa a achar que alguma coisa está estranha com ele – afinal, ele, nunca estudou vulcano…

Quando se aproxima da nave de Saavik durante a perseguição, a USS Enteprise é atacada pela tenente. Completamente fora de si, Saavik quer saber onde está Xon, e quais os motivos dele ter sido escondido dela.

Isso, mais algumas pontas soltas, e mais da história da tenente, só serão descobertos no próximo número, a edição 8, que em breve, traremos aqui!

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5 Comments on "Origem de Saavik é desvendada em HQ de 1984"

  1. Então esse comic deve ter uma boa explicação para aquele monte de cicatrizes a mais na Enterprise do que no II, espero.

  2. Então foi nesse gibi que surgiu o Pon-Farr feminino? Porque no episódio Amok Time foi dito em claras palavras que o Pon-Farr afetava apenas os machos vulcanos. E décadas depois, em Enterprise, a T’Pol também entrou em Pon-Farr… pelo jeito canonizaram algo a partir de uma fonte não canônica.

  3. Ou MEO DEUS… Saavik e T’Pol são… … machos vulcanos!!!

  4. É uma conclusão lógica.

  5. Sai daí, rapá!! Tudo muié, elas só ficam, bem… aham… uhum… mais assanhadas, vamos dizer assim!

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