“O Senhor dos Anéis”, por quem não leu o livro

Paulo Maffia
do Heróis.com.br

Antes de qualquer coisa vamos esclarecer: eu não li nenhum dos livros da saga criada pelo escritor J.R.R. Tolkien. Lógico, conheço e história e os personagens, mas nada mais profundo. Por isso talvez o filme tenha me incomodado tanto.

“A Sociedade do Anel” é o primeiro filme da trilogia, que estréia no Brasil em 1 de janeiro de 2002. É dirigido, produzido e escrito por Peter Jackson, um fã assumido do universo de Tolkien. Talvez por isso ele tenha feito um filme para os fãs –se esquecendo dos que não conhecem a obra.

Apesar de existir uma introdução no filme, onde uma voz feminina (provavelmente a de Cate Blanchett) narra a história do Anel (mostrada no livro “O Hobbit”) e apresenta a Terra-Média aos espectadores, a primeira hora do filme literalmente joga na cara da audiência um monte de eventos e personagens sem muitas explicações e com falhas gritantes de edição, que dão a impressão que sua finalização foi feita meio às pressas.

Antes que você comece a organizar uma milícia armada para pendurar minha cabeça no poste mais próximo, deixe-me dizer que “A Sociedade do Anel” não é um filme ruim. Longe disso, sem dúvida é umas das grandes produções do ano, após sua fraca primeira hora. O longa começa a ficar bom especificamente quando o jovem hobbit Frodo e seus companheiros chegam no reino élfico de Valfenda, onde é formada a Sociedade do Anel.

Aí o filme se torna um épico com fotografia deslumbrante, em ambientes que vão de vastas planícies a montanhas e geleiras, com um clima sombrio e cenas de batalha bastante violentas.

Aliás, em nenhum momento o filme cede à tentação de infantilizar ou romantizar a trama, por isso não é uma obra para crianças. Ele toca em temas adultos, como guerra, medo e, sobretudo, corrupção (o poder do anel enfeitiça a quase todos), e tem a coragem de ter o final mais “aberto” da história do cinema, jogando tudo para os outros dois filmes.

Resumindo, “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” é o melhor filme do ano, mas não é a obra que irá revolucionar o cinema moderno, como alguns acabarão sugerindo. Tem erros e acertos, mas graças a Deus os acertos ganham… e de goleada.

Paulo Maffia é editor do site Heróis.

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