A indústria do entretenimento entrou em uma nova era nesta semana com a conclusão da fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery. Anunciada como a criação de um “único gigante criativo”, a operação de US$ 110 bilhões coloca sob o mesmo comando dois grandes estúdios de Hollywood e reúne um catálogo de franquias que inclui Star Trek, Harry Potter, DC, O Senhor dos Anéis, Game of Thrones, Transformers e Missão: Impossível. Para a franquia criada por Gene Roddenberry, a mudança pode representar uma nova fase, embora ainda existam muitas perguntas sobre o que virá pela frente.
A nova companhia passa a operar sob o nome Skydance e será comandada por David Ellison, fundador da Skydance, que adquiriu a Paramount Global em 2025 antes de voltar sua atenção para a Warner Bros. Discovery. O grupo agora controla os estúdios Paramount e Warner Bros., a CBS, dezenas de canais de televisão, incluindo CNN, TNT, Comedy Central e Nickelodeon, além dos serviços de streaming Paramount+ e HBO Max.
Em comunicado, Ellison afirmou que o objetivo é criar uma empresa capaz de competir em escala global, reunindo recursos para produzir histórias em diferentes gêneros e plataformas. A companhia também pretende investir em franquias já estabelecidas e em novos projetos, enquanto busca reduzir custos e reorganizar sua estrutura.

Star Trek entre as grandes franquias
Embora Star Trek não tenha aparecido no anúncio público principal da fusão, a franquia foi mencionada explicitamente em um memorando interno enviado aos funcionários da nova Skydance. O documento afirma que a empresa pretende investir em grandes franquias no cinema e cita Star Trek ao lado de Harry Potter, Missão: Impossível, O Senhor dos Anéis e Transformers.
A inclusão é particularmente relevante porque David Ellison já havia destacado Star Trek como uma das franquias mais importantes da nova companhia após o acordo com a Warner Bros. ser fechado. A Skydance também possui uma relação antiga com a franquia: antes de assumir o controle da Paramount, o estúdio financiou e produziu diversos grandes projetos em parceria com a empresa, incluindo os filmes da chamada linha Kelvin.
O novo cenário, portanto, não significa que Star Trek tenha mudado de proprietário novamente de maneira simples. A franquia já estava sob o guarda-chuva da Paramount, mas agora passa a fazer parte de uma estrutura corporativa muito maior, que reúne propriedades de diferentes estúdios e plataformas.
Uma nova equipe no comando
Para administrar a nova empresa, Ellison montou uma equipe que combina executivos da Skydance e da antiga Warner Bros. Discovery. Ynon Kreiz, que comandou a Mattel durante a transformação da empresa em uma potência de entretenimento, foi escolhido como co-CEO e deverá liderar boa parte da operação cotidiana, incluindo um plano de redução de custos estimado em US$ 6 bilhões anuais.
Entre os nomes importantes para o futuro de Star Trek está George Cheeks. Ex-chefe da CBS Studios, empresa que tecnicamente detém a marca Star Trek, Cheeks agora ocupa o cargo de co-presidente e diretor de conteúdo da área de televisão da Skydance, supervisionando os estúdios CBS, Paramount e Warner Bros.
Cheeks tem uma relação próxima com a franquia e já classificou Star Trek como “uma das franquias mais importantes” da empresa. Na nova estrutura, ele trabalhará com Casey Bloys, antigo executivo da HBO, que assume como co-presidente e diretor de conteúdo da divisão de streaming direto ao consumidor.
Outro nome que merece atenção é Chris Parnell, executivo responsável pela área de produções roteirizadas de streaming da Paramount+. Fã declarado de Star Trek, Parnell vinha analisando o que seria a “próxima iteração” da televisão de Star Trek. Ainda não está claro qual será exatamente seu papel dentro da nova estrutura.

Paramount+ e HBO Max podem se tornar um único serviço
Uma das mudanças mais importantes para o público de Star Trek será a reorganização do streaming. Paramount+ e HBO Max continuarão funcionando separadamente no curto prazo, mas o plano de longo prazo da Skydance é unir os dois serviços.
David Ellison confirmou que, inicialmente, as plataformas serão operadas de forma independente e poderão ser oferecidas em um pacote conjunto. A integração completa deverá acontecer posteriormente.
Ainda não há detalhes sobre como essa eventual unificação afetaria o catálogo ou a distribuição internacional das produções de Star Trek. O movimento, porém, pode mudar significativamente a maneira como a franquia será posicionada dentro do novo ecossistema de streaming.
E o cinema?
No cinema, a nova Skydance prometeu lançar pelo menos 30 filmes por ano, divididos entre Paramount e Warner Bros. A área ficará sob responsabilidade dos executivos Dana Goldberg e Josh Greenstein, que também estarão envolvidos no desenvolvimento das grandes franquias do grupo.
Para Star Trek, o principal projeto cinematográfico atualmente conhecido continua sendo o novo filme desenvolvido por Jonathan Goldstein e John Francis Daley, incluído no planejamento da Paramount para 2028.
O projeto representa uma mudança importante em relação aos últimos anos. Depois de sucessivas tentativas de desenvolver novos filmes, incluindo a produção que seria o quarto longa da linha Kelvin, a nova gestão decidiu encerrar projetos cinematográficos que estavam parados e concentrar esforços em uma nova abordagem para a franquia.
Uma franquia em transição
A mudança chega em um momento particularmente delicado para Star Trek na televisão. Starfleet Academy e Star Trek: Strange New Worlds estão chegando ao fim, e a Paramount+ ainda não anunciou uma nova série para ocupar imediatamente esse espaço.
Ao mesmo tempo, a produção de novos conteúdos vem sendo reorganizada. A empresa já vendeu ativos de produção relacionados a Star Trek no Canadá e colocou um novo jogo da franquia em desenvolvimento. Esses movimentos indicam que a nova administração está tentando repensar a maneira como Star Trek é produzida e explorada comercialmente.
Isso não significa necessariamente uma redução da presença da franquia. Pelo contrário: a própria inclusão de Star Trek entre as propriedades que a Skydance pretende explorar mostra que a empresa enxerga potencial para extrair mais valor da marca.
O desafio será transformar esse potencial em projetos concretos sem comprometer aquilo que torna Star Trek diferente de outras grandes franquias de ficção científica. A nova empresa terá acesso a mais recursos, mais plataformas e um catálogo gigantesco, mas também precisará administrar dezenas de propriedades que disputarão simultaneamente orçamento, espaço de produção, divulgação e datas de lançamento.

Uma nova página na história de Star Trek
A franquia já passou por grandes mudanças corporativas ao longo de suas seis décadas. Em 1967, pouco depois da criação de Star Trek, a Paramount adquiriu a Desilu Studios, colocando a série sob o guarda-chuva empresarial que, de diferentes formas, permaneceu ligado à marca desde então.
Agora, a situação volta a mudar de escala. A nova Skydance reúne algumas das maiores propriedades do entretenimento mundial e pretende transformar essa dimensão em uma vantagem competitiva.
Para Star Trek, ainda é cedo para saber exatamente o que isso significará. O que já está claro é que a franquia entra em uma nova fase corporativa justamente quando passa por uma transição criativa importante, com o encerramento de séries, mudanças no cinema e a busca por uma nova direção para a televisão.
A promessa da nova administração é investir mais nas grandes franquias. Star Trek está oficialmente entre elas. Resta agora descobrir que tipo de futuro a Skydance pretende construir para a Federação, a Frota Estelar e todo o universo criado por Gene Roddenberry.
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