Submeter manuscritos de Jornada para publicação

picard-padds.jpgAproveitando uma deixa do Madruga, velho habitué aqui do Trek Brasilis, surgiu a idéia de levantar informações a respeito de qual seriam as regras básicas para se escrever um livro de Jornada nas Estrelas para publicação oficial. Depois de alguma pesquisa, encontrei no website da Simon & Schuster, Inc., a editora que publica o material literário de Jornada (da qual a Pocket Books é subsidiária), as linhas gerais para potenciais novos autores submeterem seus manuscritos. Vamos ver agora quais seriam estas regras.

Datado de dezembro de 2004 como a mais recente atualização, o documento contém bons detalhes de como autores em potencial devem proceder para corretamente submeterem material para avaliação dos editores, e assim terem boas chances de seu trabalho ser avaliado com seriedade e publicado.

Apesar do status de não-canônico que a literatura da franquia tem, as linhas gerais das regras sobre como escrever um livro para publicação são mais específicas do que se pode imaginar. Estas regras valem para autores de primeira viagem, e não para autores já bem estabelecidos com a editora, como Keith DeCandido, Greg Cox, Peter David, o casal Reeves-Stevens, etc. Outra exigência dentro disto é que o autor em potencial já seja agenciado por um profissional da área.

Isto dito, as regras especificam mais o que não pode, e dentro do que pode, eles pedem por histórias que sejam criativas e inovadoras, e que se encaixem dentro do que se espera do universo de Jornada nas Estrelas, sempre procurando passar um nível de excitação, e também um senso de grandeza os quais muitas vezes não pode ser produzido nas séries devido as limitações televisivas.

Os autores em potencial devem seguir um formato bem específico de apresentação de manuscrito, com tamanho de fontes, espaço entre linhas e identificação clara da numeração de páginas e autor. Normalmente, as histórias devem ter cerca de 100 mil palavras, ou coisa de 400 páginas típicas de livros.

As histórias devem focar nos personagens já estabelecidos nas cinco séries da franquia, e dentro do período coberto por elas. Portanto, nada de criar novos personagens, utilizar personagens criados em outros dos livros já publicados ou estabelecer o período da trama antes de Enterprise ou depois de Nêmesis.

Para publicação, a história deverá ser aprovada pela Paramount, e a detenção posterior de copyright será pertencente ao estúdio, tanto dos personagens, tramas e elementos em particular dela. Isto ocorre também com o mero envio da proposta para avaliação — ou seja, mesmo que não aprovada para publicação, os direitos sobre o material são da Paramount. Se isto é justo ou não são outros quinhentos créditos federados, mas é algo que os autores em potencial precisam ter em mente antes de submeterem qualquer coisa para avaliação.

Alguns dos “O Que Não Fazer” incluem: não haver morte de personagem já bem estabelecido, ou mudanças drásticas demais na situação como um todo do universo fictício de Jornada; não haver misturas de elenco e crossovers (sinto muito, Madruga); não ser histórias de viagem no tempo ou universos paralelos; não ser histórias que no final foram sonhos ou simulações de holodeck; não introduzir níveis de tecnologia nas civilizações mais comuns da franquia que não sejam dentro daquilo que já foi estabelecido em tela.

Finalmente, uma alternativa para autores tentarem emplacar histórias curtas para publicação são os concursos Strange New Worlds, compilações de histórias escritas por fãs que são publicadas de tempos em tempos. Regras específicas para isto pode ser encontrado neste link.

De bate-pronto, as regras são claramente bem restritivas, mas isto é compreensível considerando que os editores devem receber uma quantidade razoável de material para avaliarem. Uma linha geral que defina bem como este material deve ser submetido certamente ajuda bem enquanto triagem inicial para eles poderem identificar textos de real potencial para ser publicado.

Isto garante, portanto, que não apenas novas boas histórias isoladas vão ser encontradas, mas mais importante para a editora, que novos bons autores sejam encontrados, garantindo assim que estes autores consigam produzir de maneira constante material de qualidade, o que sempre ajuda a enriquecer o universo expandido de Jornada nas Estrelas.

9 Comments on "Submeter manuscritos de Jornada para publicação"

  1. Valeu Leandro! [;)]

  2. Pow… não pode crossover? =/

    “não ser histórias de viagem no tempo ou universos paralelos; não ser histórias que no final foram sonhos ou simulações de holodeck;”

    Esses caras sãos uns fanfarrões mesmo, não? Isso vale para os livros mais não pra séries?

    Leandro, e o seu “Star Trek: Earth D. C.” ?

  3. Flávio Fernandes | 25 de abril de 2008 at 4:00 pm |

    Pessoal:

    É impossível conter os fãs em sua criatividade para criar suas histórias ou até mesmo seus personagens no universo de Jornada.
    O mais legal é que este pessoal é detalhista, ou seja, busca citar passagens que passam até meio desapercebidas pelo roteiristas das séries. Exemplo: O autor que quis explicar como Khan conhecia Checov. Este erro crasso do roteirista e do diretor do ST II – A Irã de Khan – teve um “conserto” de um livro desses aí.
    Porém questiono a validade disto tudo, até mesmo a literatura do Shatner do gênero.
    Ainda acho que a responsabilidade dos roteiristas do Canon é a maior, mais importante, e é aquela que deve ser “vigiada” pelos fãs.
    Que dê tudo certo, então, para o Orci.

    Abraço á todos.

  4. Flávio, que melhor maneira ha para a Paramount saber a opinião dos fãs sobre Jornada, do que haver um amplo material produzido por fãs no UE?

    È justamente a responsabilidade dos roteirista( de serem os unicos com poder de produzir algo canônico) que torna essas fan-iniciativas válidas.

  5. Leandro Martins | 25 de abril de 2008 at 4:51 pm |

    Cavalheiros, lembrem-se de considerar que estas regras todas não foram pensadas para fãs comuns terem a chance de emplacarem sua fanfic. Isto tudo é para se conseguir o trabalho de autores sérios com real potencial. Afinal de contas, Simon & Schuster não é um fã-clube para divulgar fanfic, é uma editora com a comissão de publicar o material literário de Jornada.

    > Leandro, e o seu “Star Trek: Earth D. C.” ?

    Ainda está disponível, tanto no conteúdo clássico aqui do TB quanto na página inicial do J-BBS.

  6. Claro, estou aqui considerando esses escritores como fans. Pra escrever um livro sobre Star Trek, pelo menos um pouco fan tem de ser, não? rsrsrs 🙂

  7. Luís Henrique campos Braune | 26 de abril de 2008 at 11:36 am |

    Um dia eu chego lá…

  8. Interessante essa história de não poder fazer crossoverr… Então o que eu faço com o Embaixador Spock em TNG?

  9. Leandro Martins | 28 de abril de 2008 at 5:09 pm |

    No caso do Spock, Sergio, se trata de uma situação estabelecida em tela na própria TNG, ele estar em Romulus e coisa e tal; portanto, eu acredito que estaria dentro da possibilidade de uso para os autores de primeira viagem, mas apenas dentro daquela situação específica de ele no underground romulano.

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