TNG 1×03: The Naked Now

Apresentação de personagens redunda em reprise de episódio da Série Original. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “The Naked Now”, de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

Sinopse:

Data Estelar: 41209.2.

A Enterprise é enviada para investigar estranhas ocorrências na nave de pesquisa USS Tsiolkowsky, que estava monitorando o colapso de uma estrela. Ao ir a bordo da nave, o grupo avançado descobre que toda a tripulação está morta.

O que eles não sabem é que Geordi LaForge está voltando para a Enterprise levando consigo uma substância transmissível que afeta os tripulantes, fazendo com que sintam-se como se estivessem intoxicados e mentalmente instáveis, em efeito similar ao da embriaguez.

Enquanto a doutora Crusher procura um antídoto, o caos toma conta, com Wesley dominando a engenharia e assumindo o comando da Enterprise.

Por fim, o tenente-comandante Data e a engenheira-chefe MacDougal conseguem restabelecer o controle da nave e salvá-la de um fragmento estelar que vinha em sua direção. Mas não sem uma ajuda de Wesley, que conseguiu inverter a potência do raio trator ligado à Tsiolkovsky, empurrando-a contra o fragmento, ganhando assim mais alguns segundos para que a nave pudesse escapar.

Comentários:

“The Naked Now” é um episódio que não faz a menor questão de esconder que é uma cópia descarada de uma história da Série Original. Como se só a premissa básica não bastasse para ligá-lo ao roteiro original, até os trejeitos dos personagens ao serem contaminados, olhando para as mãos com olhar de estranheza e suando muito, são reproduzidos.

Esse é um roteiro feito com base empírica. Sabia-se que era importante desenvolver e situar os personagens, suas relações e características básicas. Olhando para a Série Original, o episódio que melhor conseguiu trazer à tona os aspectos mais sutis (e ao mesmo tempo, mais relevantes) de cada um dos tripulantes foi o episódio “The Naked Time”.

Partindo do pressuposto de que em time que está ganhando não se mexe, os produtores de A Nova Geração decidiram fazer um remake do episódio, para trazer os mesmos efeitos para os recém-criados personagens. O esforço de adaptação foi mínimo – tanto que o roteirista do episódio original, John D. F. Black, ganhou créditos por esse episódio sem trabalhar no novo roteiro.

Apesar de não funcionar tão bem como o original, e de ser uma idéia velha, o episódio até que “quebra um galho” para explicar as relações entre os personagens. A carência afetiva de Tasha Yar, o caso mal-resolvido entre o capitão Picard e a doutora Crusher, a irritante genialidade de Wesley e a paixão de Troi por Riker são expostas de forma bastante honesta e contundente.

Worf está sobrando no episódio, refletindo uma tônica que duraria por toda a temporada. Nem contaminado ele conseguiu ficar. Aliás, por falar em contaminação, o roteiro nem deixa claro se esta se dá por um vírus ou por uma substância orgânica qualquer. Sabe-se apenas que é algo semelhante ao que aconteceu com a Enterprise original, sob o comando de James T. Kirk.

O episódio serve para demonstrar a imaturidade dos produtores. Em troca de algumas piadas de riso fácil, eles corromperam o personagem de Data, permitindo que ele ficasse “bêbado”, mesmo sendo um andróide.

Vale lembrar que isso não passa de um déja vu. No episódio clássico, Spock seria a vítima do mau gosto. Na forma em que foi originalmente escrito, o episódio mostrava um Spock se esforçando para não chorar, vagando pelos corredores da Enterprise, quando um tripulante alucinado passa por ele e pinta um bigode em seu rosto, para a total desmoralização do vulcano.

A cena só não foi para o episódio pelos protestos de Leonard Nimoy, que sugeriu um arranjo muito melhor, em que Spock entra na sala de reunião e passa por um embate interno entre sua lógica e suas emoções – o humor barato pelo drama consistente foi uma boa troca na ocasião.

Já Data não teve a mesma sorte. Em “The Naked Now”, temos que ver o andróide fora de seu juízo, chegando até a levar tombos na ponte da Enterprise.

No fim das contas, o episódio reflete todas as boas intenções da produção de caracterizar os principais personagens da nova série. Mas, como dizem por aí, de boas intenções o inferno está cheio…

Citações:

Data – “I am fully functional, programmed in multiple techniques.”
(Sou totalmente funcional, programado para múltiplas técnicas.)

Tasha Yar – “I’m only going to tell you this just once. It never happened!”
(Vou dizer isso apenas uma vez. Jamais aconteceu!)

Trivia:

  • Este episódio foi filmado em exatamente 6 dias seguidos.
  • O nome do roteirista, J. Michael Bingham, é na verdade um pseudônimo usado por D.C. Fontana. John D. F. Black, apontado como co-autor da história, na verdade só escreveu o episódio original de 1966, no qual este foi baseado.
  • A presença da atriz Brooke Bundy como a chefe de Engenharia Sarah MacDougal iniciou uma grande alternação de personagens neste posto. Isso somente foi resolvido com a transferência de Geordi LaForge da ponte para a posição. O ator Michael Rider, que neste episódio interpreta um chefe de transporte anônimo, participou ainda de mais dois episódios seguintes, em um deles como guarda da segurança.
  • O pseudo-relacionamento amoroso Picard-Beverly Crusher foi se arrastando sem maiores novidades até o episódio “Attached”, onde teve maiores repercussões.
  • A nave classe OberthTsiolkowsky” (igual à USS Grisson de Jornada nas Estrelas III, porém com pequenas mudanças) foi nomeada em homenagem a um dos pioneiros cosmonautas russos, Konstantin Tsiolkowsky. Uma cópia da placa da nave feita para o cenário foi enviada para o Museu Kaluga, na cidade-natal do cosmonauta russo.

Ficha técnica:

História de John D. F. Black e J. Michael Bingham
Roteiro de J. Michael Bingham
Direção de Paul Lynch
Exibido em 5/10/1987
Produção: 003

Elenco:

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William Thomas Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher
Denise Crosby como Natasha “Tasha” Yar

Elenco convidado:

Brooke Bundy como Sarah MacDougal
Benjamin W.S. Lum como Jim Shimoda
Michael Rider como chefe de transporte

12 Comments on "TNG 1×03: The Naked Now"

  1. Não gostei quando assisti nos na época quando só se via através de fitas VHS, não gostei quando passou não TV e vendo a resenha agora, continuo não gostando. TNG teve episódios memoraveis, incriveis mesmo, mas este é dispensável.

  2. Concordo, a primeira temporada de TNG deixou muito a desejar. A coisa só engrenou na 3ª temporada.

  3. Eu gostei porque fez um link com o TOS, apesar de concordar com os problemas citados, ele foi um início do que agora chamamos de cânon de ST, pois faz a primeira ligaçao dos fatos da Frota estelar.
    Agora, o componente que produz a alteraçao de comportamente é explicado em THE NAKED TIME como uma alteraçao no composto da água do planeta, que age como alcool no sangue, portanto nao é vírus, bactérias, nenhum agente biológico, somente uma alteraçao na água, provavelmente envolvendo compostos de carbono, que se transformaram em alguma espécie de álcool.

  4. Eu até que gostei, apenas do fato que nos liga a série classica, nos mostrando que existe ligações entre as séries, e que se inicie o cânon.

  5. Da matéria e da trivia eu gostei, mas do episódio mesmo…

    hehe… Quando assisiti, não deu outra! Disse:
    -Pronto: Vão refilmar toda a série agora!

  6. Waldomiro Vitorino | 2 de dezembro de 2008 at 3:25 pm |

    O interessante é que a relação “íntima” que Data e Tasha compartilharam foi citada em outros episódios posteriores. Eu até gosto desse aí, porém é evidentemente pouco criativo e meio dispensável.

  7. Jorge Rodrigues | 2 de dezembro de 2008 at 3:43 pm |

    Konstantin Tsiolkovsky! Honras a um dos gigantes precursores da astronáutica, que, todavia, nunca foi cosmonauta.

    Escorregões acontecem a todos. Tsiolkovsky nunca foi cosmonauta, mas físico teórico, que ainda em fins do século XIX chegou a projetar e teorizar sobre dirigíveis rígidos, naves espaciais, e satélites de retransmissões, estes décadas antes de Arthur Clarke ser considerado o pai da idéia que transformaria o planeta em “aldeia global”. Von Braun e a turma de Peenemünde mais de uma vez reconheceram em público o quanto deviam a seus trabalhos teóricos.

    Sobre o episódio:
    a) foi também um esforço dos produtores em estabelecerem ligação com TOS (do mesmo modo que ao inserirem McCoy no episódio de estréia);
    b) a menção ao episódio original é bastante honesta, inclusive com Riker identificando a ocorrência na Enterprise Constitution;
    c) se o não identificado contaminante (equiparado a um álcool por McCoy – e detalhe, o “efeito” visual da gota “correndo” para os dedos do alferes que morre ficou bem legal em TOS, mas dava a entender que a substância era alguma forma de vida ao menos senciente)), e o mal causado, eram os mesmos, por que razões os sintomas em humanos seriam diferentes?

  8. Claro que nenhuma, como era o mesmo efeito teria as mesmas consequências. Somente a conclusao da estória é que seria diferente, como foi.

  9. A piada do “totalmente funcional” foi repetida pra Rainha Borg em Primeiro Contato…

  10. Eu achei uma sacada genial no Primeiro Contato. Quando a Rainha Borg pergunta a quanto tempo que o Data teria “utilizado suas funções”, Data diz “x anos, y dias”, que dá exatamente quando ocorreu o episódio do “Naked Now”. Adorei essa referência.

  11. Waldomiro Vitorino | 3 de dezembro de 2008 at 12:39 pm |

    Em “Measure of a Man” Data diz no inquérito que ele e Tasha foram “íntimos”.

  12. Eu até gostei do episódio, mas achei ridículo Data se contaminar.

Leave a comment

Your email address will not be published.


*