VOY 1×03: Parallax

Continuação ao piloto da série é feita com grande show de tecnobaboseira. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Parallax”, de Jornada nas Estrelas: Voyager.

Sinopse:

Data Estelar: 48439.7.

Torres recebe uma reprimenda de Chakotay depois de quebrar o nariz do tenente Carey durante uma discussão na Engenharia. Mas, apesar da natureza volátil de sua amiga, o comandante confia nas habilidades dela e a recomenda como a nova engenheira-chefe da Voyager. Janeway se surpreende com a indicação, porém, antes que tenha a chance de considerá-la para o posto, a nave é sacudida ao entrar em uma região de distorções espaciais. Pouco tempo depois, a tripulação descobre uma outra nave que está presa em uma singularidade quântica, um poderoso campo de energia que circula uma estrela morta.

Enquanto a equipe da Engenharia tenta encontrar um modo de ajudar a outra nave, Janeway questiona as perícias dos oficiais Maquis. Mesmo assim, promete considerar B’Elanna para o cargo vago.

Percebendo que a Voyager não tem potência suficiente para realizar o resgate sozinha, a tripulação traça um curso para longe da singularidade, para buscar ajuda. No entanto, eles logo descobrem que estão retornando para a mesma estrela morta. Perplexos, novamente tentam se afastar e acabam voltando para onde estavam.

Enquanto as tensões aumentam entre tripulantes da Frota e Maquis, Torres trabalha com Carey para descobrir o que está havendo. Notando os efeitos peculiares da singularidade no médico holográfico da Voyager, Torres sugere algo que pode permitir o contato entre as duas naves. Embora o plano funcione, quando eles ouvem uma mensagem da outra nave, descobrem que estão recebendo um chamado da própria Voyager. Em suma, estavam observando um reflexo distorcido de si mesmos. Após a constatação, passaram a procurar um jeito de sair de lá.

Quando Torres descobre que a outra nave aparentemente presa nas distorções é uma imagem espelhada da Voyager, ela percebe que a tripulação precisa retornar ao ‘rasgo’ que fizeram quando entraram na anomalia, e sair de lá antes que a estrela colapse, caso contrário, ficarão presos para sempre. Usando um raio dekyon disparado de uma nave auxiliar pilotada por Janeway e Torres, eles forçam a abertura o suficiente para que a Voyager escape. Por sua iniciativa e abordagem criativa que acabou salvando a todos, Torres recebe o posto de engenheira-chefe e o tenente Carey é o primeiro a parabenizá-la, deixando as diferenças para trás.

Comentários:

O objetivo de “Parallax” é nobre: dar continuidade aos eventos mostrados no piloto e detalhar a adaptação das duas tripulações — os maquis e os oficiais da Frota — à realidade de seu isolamento no quadrante Delta. Claro que conflitos entre maquis e federados deveriam estar presentes em uma situação extrema como essa, e isso é sintetizado pelo debate para eleger B’Elanna Torres a engenheira-chefe da nave.

O incrível é que não era necessário falar tanta bobagem para contar essa história. O encontro do reflexo da Voyager na beira da singularidade, a definição de horizonte dos eventos, a possibilidade de uma “brecha” e o discurso de Janeway sobre a necessidade de abrir caminho na marra são todos elementos absurdos, mal elaborados, inconsistentes e desnecessários.

Como bem apontou Lawrence Krauss, em seu livro A Física de Jornada nas Estrelas, o horizonte dos eventos não pode ter uma brecha porque não é uma barreira real, mas um conceito matemático. Trata-se do ponto em que não mais é possível escapar à atração gravitacional de uma singularidade, um nome um pouco mais técnico para o bom e velho buraco negro — uma estrela em colapso gravitacional, de onde nem a luz pode escapar.

Não é, como definiu Neelix durante o episódio, “uma poderosa barreira de energia”, mas apenas algo tão paupável quanto a linha do Equador ou o trópico de Capricórnio.

Mais um detalhe: logo no começo, a Voyager detecta um sinal (que mais tarde descobriria ser uma transmissão feita por ela mesma) vindo de dentro da singularidade! Mas como, se nada pode escapar de um buraco negro?

Jornada nas Estrelas não é ciência pura, é apenas uma série de ficção científica, diriam alguns. Mas vale lembrar que precisão e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Um cochilo de Andre Bormanis, consultor científico da série.

A história foi criada para melhor desenvolver o personagem de B’Elanna, e foi bem-sucedida nesse ponto. Também nele é que começa a surgir a amizade entre o Doutor e Kes, que se tornaria mais forte ao longo da série. Aliás, o Doutor já começa a mostrar o seu potencial como personagem neste episódio.

Sua participação e a historieta envolvendo seu “encolhimento” em razão de um defeito no projetor holográfico dão brilho especial a um episódio com objetivo claro, mas perdido em termos de verossimilhança.

Citações:

Chakotay – “…. on one side I’m facing a Vulcan who wants to court-martial you, and on the other I’m facing all the maquis who are ready to seize the ship over this. You’ve turned this into one lousy day for me, Torres!”
(“… de um lado enfrento um Vulcano que quer levar você à corte marcial, e do outro estou enfrentando todos os maquis que estão prestes a tomar a nave por causa disso. Você tornou este um dia bem difícil para mim, Torres!”)

Chakotay – “I have no intention of being your token maquis officer.”
(“Não tenho a intenção de me tornar o seu modelinho de oficial maquis”)

Chakotay – “If our situations had been reversed, would you have served under me?”
(“Se nossas situações fossem inversas, você teria servido sob meu comando?”)

Trivia:

  • A personagem Seska (Martha Hackett) será protagonista de diversos episódios na segunda temporada. A mesma atriz interpretou uma Romulana nos episódios “The Search – Partes I & II” da série Deep Space Nine, episódios do 3º ano dessa série.
  • Segundo a co-produtora de Voyager, Jeri Taylor, o conceito do episódio “Parallax” foi um dos primeiros a ser aprovado quando a equipe de criação começou com o desenvolvimento de histórias para série. “Fomos capazes de colocar em uma só história um arco inteiro de relacionamento entre B’Elanna e Janeway”, disse Jeri Taylor, “abordamos um tema bem ao estilo do Brannon (Braga), ou seja, algum tipo de bizarra distorção temporal. E ainda fizemos a tripulação sofrer com questões como “Nós estamos perdidos e coisas não estão dando certo. O que faremos? Precisamos trabalhar em conjunto. E agora, quem será o médico da nave? E o engenheiro-chefe?”.

Ficha técnica:

História de Jim Trombetta
Roteiro de Brannon Braga
Dirigido por Kim Friedman
Exibido em 23/01/1995
Produção: 003

Elenco:

Kate Mulgrew como Kathryn Janeway
Robert Beltran como Chakotay
Roxann Biggs-Dawson como B’Elanna Torres
Robert Duncan McNeill como Tom Paris
Jennifer Lien como Kes
Ethan Phillips como Neelix
Robert Picardo como Doutor
Tim Russ como Tuvok
Garrett Wang como Harry Kim

Elenco convidado:

Josh Clark como Carey
Martha Hackett como Seska
Justin Williams como Jarvin

9 Comments on "VOY 1×03: Parallax"

  1. E assim começaram as aventuras de technobable…

  2. Esta série foi fria, prefiro a injustiçada ENTERPRISe.

  3. PARALLAX (ou Paralaxe) também é o nome de um maligno ser cósmico dos quadrinhos do Universo DC (Comics). 😀

  4. Se tivesse sido bem trabalhada, Voyager tinha tudo para dar certo, porque a idéia foi uma grande sacada, a nave idem, mas… a direção, o elenco…

  5. Voyager melhorou consideravelmente quando a 7 de 9 entrou em cena, é claro, e juntamente com ela os Borgs, para dar um pouco mais de emoção.
    :mrgreen:

  6. é ISSAC ASIMOV fez falta……

  7. É inquestionável que houveram falhas técnicas na estória, porém o fato de encontrarem a nave no futuro tem certas verdades físicas que podem ser incentivo a ume estudo maior por parte do trekker.
    Por falar nisso, a nave nao era um mero eco da Voyager mas sim a própria Voyager algumas horas no futuro.
    Apesar da conclusao falha, alguns conceitos além do horizonte de ventos podem ser consideradas como válidas.
    Este episódio em particular nao é tao tecnobable como foi descrito e considero como um dos melhores da Voyager que assisti (nao assisti a série enteira). O fato de a nave estar no futuro é devido ao efeito gravitacional maior qdo mais próximo da singularidade, é claro que qdo a Voyager saiu da singularidade ela deveria ter sido deslocada ao futuro, e isso nem é citado, claro.
    Como incentivo ao estudo de singularidades eu acho válido.

  8. A imagem da Voyager no futuro justamente o contrario do que deveria acontecer. Por que o sinal mandado por ela própria foi perdendo velocidade no caminho para fora da singularidade, e depois de um tempo a força cinética acabou e a gravidade a trouxe de volta. Más na Voyager o tempo passou, e por isso a menssagem recebida era para ser antiga?

    Mais uma coisa, Gene Roddenberry estudou e gostou da teoria do “horizonte de eventos” ao ponto de um de seus projetos independentes de ST ter sido baseado neste fenomeno.

  9. A mensagem seria antiga pois a proximidade com o centro do buraco negro, teoricamente, levaria a nave para o futuro. Se tal mensagem pudesse fluir dentro do horizonte de eventos seria lógico supor que transcorreria de um ponto mais próximo (rapidamente) para um ponto mais longinquo (mais demoradamente), fazendo com que a mensagem desse a impressão de ser mais antiga, assim como a própria imagem da Voyager estar num futuro mas ser observada no passado. Serias o mesmo fenômeno.

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