DSC 1×14: The War Without, The War Within

Episódio amarra pontas soltas e prepara fim da Guerra Klingon

Sinopse

Saru encontra a Imperatriz Georgiou na sala de transporte e a envia diretamente para aposentos fechados, ordenando segredo total sobre sua presença a bordo.

A situação da guerra ainda não está clara. A Discovery permanece sem contato com o Comando da Frota Estelar. Várias naves da Federação foram detectadas, mas nenhuma responde aos chamados. Enquanto isso, o capitão interino se preocupa com a condição e a recuperação de Tyler, aparentemente livre da mente de Voq. Ele pede que Michael Burnham vá vê-lo na enfermaria, mas ela se recusa — a dor e a mágoa são grandes demais. Saru respeita os limites de sua amiga.

E então a nave é abordada por oficiais federados. Numa operação rápida e eficiente, a almirante Cornwell assume o comando da nave, e o embaixador Sarek faz um elo mental com Saru, a fim de determinar se essa é mesmo a Discovery. Eles então ficam sabendo da incrível saga da nave ao universo do Espelho — e que Lorca não só era sua contraparte desse universo como estava agora morto.

Cornwell informa o estado da guerra, e as coisas não vão nada bem. Nos nove meses em que a Discovery esteve fora, os klingons avançaram e tomaram 20% do território federado, além de terem destruído um terço da frota. E isso atacando de forma desorganizada, uma vez que as casas klingons estão desunidas. O algoritmo da camuflagem fez uma falta danada, e a Federação está para perder a guerra.

Fica decidido que todas as informações do universo do Espelho serão marcadas como confidenciais e destruídas, para evitar a tentação de que federados tentem resgatar seus entes queridos perdidos na guerra nessa estranha realidade paralela.

A Discovery é ordenada a ir à Base Estelar 1, no Sistema Solar, um refúgio ainda considerado seguro pela Federação.

Nesse meio-tempo, Tyler recebe alta da enfermaria e é autorizado por Saru a circular pela nave livremente, com algumas restrições. No refeitório, ele acaba sendo bem recebido, após Tilly, Detmer e Bryce se aproximarem dele. No corredor, um encontro com Stamets não vai tão bem — o cientista está devastado pela morte de Culber e, embora se contenha, não parece disposto a perdoar o ex-quase-semi-klingon. Da mesma maneira, Michael também não quer revê-lo, a despeito de sugestões de Tilly nesse sentido. Mas acaba convencida e vai ao encontro de Tyler, sugerindo que ele agora precisará resgatar sua vida, do mesmo jeito que ela teve de fazer após o início da guerra. E, aparentemente, não será ao lado dela que ele vai fazer isso.

Quando a Discovery chega à Base Estelar 1, o choque — ela foi atacada. Seu casco exibe a marca da Casa de D’Ghor, e há apenas 274 sinais de vida klingons a bordo. Nem sinal dos 80 mil federados que ocupavam a instalação. Cornwell fica sem palavras, e Saru ordena a rápida partida em dobra.

Os klingons estão no quintal da Terra, e a Frota Estelar precisa de um plano desesperado para virar o jogo. Pelo menos agora as naves da Federação terão o algoritmo para neutralizar a camuflagem klingon. Mas isso ainda não é solução.

Em busca de pistas de como encerrar o conflito, Cornwell tenta conversar com L’Rell, detida a bordo da Discovery, mas ela diz que o único meio de encerrar esta guerra é derrotar os klingons ou morrer pelas mãos deles.

Burnham, por sua vez, decide recorrer à Imperatriz Georgiou, que, afinal de contas, no outro universo, era a Dominus de Qo’noS. Ela sugere um plano em que a Federação levará a guerra diretamente ao mundo-natal klingon, saltando com a Discovery diretamente para uma das cavernas desse planeta vulcânico a fim de rastrear todos os seus sistemas de defesa e permitir um ataque definitivo e mortal da Frota Estelar.

Para o salto, será preciso reativar o motor de esporos — um problema, uma vez que todo o estoque a bordo foi esgotado na destruição da nave capitânia do Império Terráqueo. Stamets apresenta uma solução: ir ao sistema Veda, onde há uma lua apropriada para terraformação com a última amostra remanescente de micélio Prototaxites stellaviatori.

O procedimento dá certo e a Discovery se prepara para uma viagem que não é feita por humanos desde que a Enterprise NX-01, comandada por Jonathan Archer, esteve em Qo’noS, há cerca de um século.

O plano, contudo, tomou um rumo mais sinistro. Antes de deixar a nave, Sarek teve uma conversa com a Imperatriz Georgiou, que deu a entender que há uma solução garantida para o fim da guerra — algo tão impensável que ela não poderia sugerir a Michael Burnham. Aparentemente, é com esse plano que o Conselho da Federação deseja partir, pois fica decidido que a missão será conduzida pela própria Imperatriz Georgiou, se fazendo passar pela capitão da Frota Estelar presumida morta na Batalha das Estrelas Binárias…

Comentários

“The War Without, the War Within” tem todas as qualidades e todos os vícios que marcaram a primeira temporada de Star Trek: Discovery. Ele é bom onde Discovery costuma ser boa — no tratamento dos personagens e nos valores de produção — e é mais fraca onde a série já mostrou certa dificuldade — na condução da complexa trama da Guerra Klingon.

De certa maneira, é mais um daqueles episódios que tem sabor de primeira parte em episódio múltiplo. Já tivemos um desses evidentemente no piloto “The Vulcan Hello”, em “Si Vis Pacem, Para Bellum”, e em “Despite Yourself”, a primeira parte da quadrilogia do Espelho. Dentre os quatro, ele não é o pior, mas também não é o melhor.

Aqui, sua razão de ser é servir como “preparação” para o que está sendo gestado como o ponto culminante da primeira temporada, o potencial fim da guerra numa missão com toques suicidas a Qo’noS. Independentemente de qualquer coisa, será interessante como será o retrato pintado por Discovery do mundo-natal klingon, já visitado no século 22 em Enterprise e no século 24 em A Nova Geração e Deep Space Nine.

Fazem parte desse conjunto de ações a apresentação do retrato da guerra até aqui — feito de forma expositiva, por conta dos nove meses perdidos pela nossa tripulação –, e os pontos cruciais do ataque à Base Estelar 1 e a terraformação da lua do sistema Veda. Desses, o mais satisfatório é o terceiro, em que vemos realmente algo ser feito, com ecos do Projeto Gênesis, que estaria sendo desenvolvido pela Dra. Carol Marcus em menos de 30 anos. Os outros dois colocam a Discovery em posição reativa, e funcionam mais como uma progressão A, B, C para nos levar a Qo’noS no episódio final.

Esse é um problema que tem sido uma das marcas do tratamento da Guerra Klingon em Discovery — quando vemos eventos ligados a ela, normalmente estamos reagindo a alguma coisa. É Lorca sendo capturado pelos klingons, é a Discovery indo ao resgate de Corvan II e da USS Gagarin. Os únicos momentos em que tivemos ofensivas da Discovery se passaram fora da tela, como os mencionados por Lorca (mas não vistos) no começo de “Choose Your Pain”.

A única exceção é, claro, “Into the Forest I Go”, em que a nave parte numa missão não sancionada para salvar Pahvo, decifrar a camuflagem klingon e destruir a nave-sarcófago. Não por acaso, foi o melhor da temporada.

O último episódio, claro, também promete ser pro-ativo, em vez de reativo. Se será tão bom quanto, ainda não sabemos. Minha desconfiança é que não será fácil, como não é fácil qualquer guerra virar de ponta-cabeça em uma única e decisiva batalha.

Fora a trama mais geral, há bastante para os personagens em “The War Without, the War Within”, e esses momentos em geral não decepcionam. A introdução da Imperatriz Georgiou ao universo Prime adiciona um novo tempero à trama e fornece a ela elementos importantes, além de cenas épicas. Podemos discutir se faz algum sentido lógico termos Georgiou apresentada como a velha capitão ao final do episódio; ninguém pode questionar o valor dramático, contudo. A cena final é de arrepiar, e só a cara de total horror de Saru já vale o episódio. (Como Doug Jones consegue se expressar tão bem debaixo de toda aquela borracha é algo que devia ser investigado pela ciência.)

Sem falar que não existe algo como “excesso de Michelle Yeoh”. É uma grande coisa que a produção tenha conseguido mantê-la na série, depois da morte abrupta no segundo episódio.

Tyler recebe a devida atenção aqui, depois de ter sido “abandonado” em “What’s Past Is Prologue”, e o plano de Voq e L’Rell começa a soar um pouco menos absurdo (mas só um pouco menos). Shazad Latif continua seu impressionante trabalho vivendo o complexo personagem, mas nem todas as cenas o ajudam nisso.

O encontro entre Tyler e Stamets é um ótimo exemplo de algo que funcionou, graças a uma também excelente atuação de Anthony Rapp. Já a receptividade da tripulação no refeitório a um cara que, bem ou mal, matou um médico da nave a sangue frio e ninguém sabe exatamente quem é foi um pouco animada demais para o meu gosto. A reação de Tilly me pareceu natural, conhecendo a cadete. A dos demais, um pouco exagerada. Claro, do ponto de vista deles, esse foi um cara que travou muitas batalhas ao lado da Discovery e é mais uma vítima das barbaridades kligons. Ainda assim, deveria rolar uma ponta de dúvida.

E é um contraste enorme com o encontro entre Ash e Michael. Ele a acusa de não aceitá-lo mais por descobrir que ele é um klingon. Ele é? Ele foi? Essa me parece uma cena mal escrita de ponta a ponta, a despeito do trabalho decente de Sonequa Martin-Green e Shazad Latif. O problema, do ponto de vista da audiência, não é se Tyler é ou não klingon; o problema é (1) ele tentou matar Michael e (2) nem ele nem ninguém sabe ainda o que ele é, klingon ou não. Perdeu-se aqui uma chance de fazer algo mais legal e interessante com os personagens, em vez de partir para o melodrama “seus pais foram mortos por klingons/você se apaixonou por um klingon”. Não funcionou.

Em compensação, Burnham e Tilly têm uma ótima cena na engenharia, em que discutem os perigos da próxima missão e um pouco de tudo que foi destilado nesta temporada de Discovery em termos de reflexão e crítica social.

Tilly diz: “Quando estávamos no universo terráqueo, eu fui lembrada de quanto uma pessoa é moldada por seu ambiente. E acho que o único modo pelo qual podemos impedir que nos tornemos eles é entender a escuridão que há dentro de nós, e lutar contra ela.”

Nessa mesma conversa, Tilly coloca a questão Voq/Tyler no caminho correto, apontando que o novo Tyler não é o velho Tyler ou o velho Voq. “Ele é algo… outro. Algo novo. E o que fizermos agora — a forma que o trataremos, é isso que ele vai se tornar.”

Interessante.

Por fim, há de se admirar o grande trabalho de James Frain como Sarek e de Jayne Brook como Katrina Cornwell. No caso do primeiro, até já seria esperado. Mas para Brook, almirantes em geral são personagens vilanizados em Star Trek, e ela conseguiu se mostrar uma personagem forte e ao mesmo tempo admirável desde o primeiro momento. Espero que continuemos a ver Cornwell em Discovery no segundo ano e além.

No frigir dos ovos, “The War Without, the War Within” acompanha o padrão da temporada. Se você está curtindo Discovery, deve gostar dele também. Se não está, talvez ele seja apenas mais um motivo para se aborrecer.

Avaliação

Citações

Sarek – We are at war. Logic dictates that each farewell may be our last. Do not regret loving someone, Michael.
(“Estamos em guerra. A lógica dita que cada despedida possa ser a última. Não se arrepende de ter amado alguém, Michael.”)

Trivia

  • Este episódio marca a primeira aparição de andorianos e telaritas no universo Prime em Discovery. Convenientemente, eles são a cara dos vistos no universo do Espelho em “The Wolf Inside”.
  • O mapa holográfico de Qo’noS visto aqui indica diversos locais citados antes na fraquia: a Primeira Cidade (A Nova Geração, “Sins of the Father”), as Planícies Centrais (A Nova Geração, “Hollow Pursuits”), Lago de Lusor (A Nova Geração, “Rightful Heir”), Monte Kang (Deep Space Nine, “In Purgatory’s Shadow”), Província Ketha (Deep Space Nine, “Once More Unto the Breach”, Além da Escuridão: Star Trek), Cavernas de No’Mat (A Nova Geração, “Rightful Heir”), Cavernas de Kahless (Voyager, “Day of Honor”), rio Skral (Deep Space Nine, “The Way of the Warrior”), região Mekro’vak (Deep Space Nine, “Looking for par’Mach In All the Wrong Places”).

Ficha técnica

Escrito por Lisa Randolph
Dirigido por David Solomon
Exibido em 04/02/2018
Produção: 114

Elenco:

Sonequa Martin-Green como Michael Burnham
Doug Jones como Saru
Anthony Rapp como Paul Stamets
Mary Wiseman como Sylvia Tilly

Elenco convidado:

Michelle Yeoh como Philippa Georgiou
Jayne Brook como Katrina Cornwell
Mary Chieffo como L’Rell
James Frain como Sarek
Michael Ayres como oficial do transporte
Emily Coutts como Keyla Detmer
Raven Dauda como Dra. Pollard
Riley Gilchrist como almirante Shukar
Julianne Grossman como computador da Discovery
Harry Judge como almirante Gorch
Patrick Kwok-Choon como Rhys
Sara Mitich como Airiam
Melanie Nicholls-King como almirante Drake
Oyin Oladejo como Joann Owosekun
Ronnie Rowe Jr. como Bryce

TB ao VIVO:

17 Comments on "DSC 1×14: The War Without, The War Within"

  1. Leandro Henrique Pereira Neto | 6 de fevereiro de 2018 at 9:07 pm |

    Só uma coisa a Almirante não sabia que o Lorca era do espelho. Ela invadiu a nave daquele jeito porque a Discovery do espelho chegou no PU e foi destruída pelos Klingons, ela fala eu mesmo vi os destroços da Discovery.

  2. Leandro Henrique Pereira Neto | 6 de fevereiro de 2018 at 9:12 pm |

    Não sei ainda não diria isto, primeiro temos que analisar novamente toda a temporada com calma, sem a adrenalina da primeira vez.
    A primeira temporada de TOS teve muitos episódios bons. DS9 também. VOY , ENT, TNG estão com certeza fora da disputa.

  3. Liberdade da Imperatriz ou liberdade da Michael, já que deverá cumprir pena perpétua após a Guerra. A Imperatriz, embora confinada, não está presa. Talvez a barganha da Imperatriz seja o perdão da pena de Michael com a derrota do Império Klingon.

  4. Acho que nem seria necessário uma barganha neste sentido, diante dos valorosos serviços prestados à Federação, salvando inclusive a Terra, a Michael poderia receber um perdão pelos seus crimes.

  5. Com o sucesso inabalável de Star Trek Discovery, é só questão de tempo para termos a produção de uma segunda série derivada do universo de Star Trek. Será como nos anos 90 quando Star Trek DS9 debutou ao lado de TNG!!!

  6. João Luiz Silva Cruz | 7 de fevereiro de 2018 at 5:11 pm |

    No início estava receoso quanto a isso, mas agora não tenho mais dúvidas que Star Trek voltou com força no mundo (Algo que na minha opinião nem os filmes do JJ conseguiram fazer), graças a Discovery e a estratégia de transmissão por streaming.

  7. A almirante não sabia que Lorca era do espelho. Tyler foi aceito, porque é a Frota Estelar, nesse período, as pessoas são menos preconceituosas e principalmente confiam em seus colegas, visto que a médica no início do episódio faz referência ao fato de Voq não se manifestar. Tyler e Voq estão na Discovery porque ao tentar levar os dois mais a Imperatriz para a Estação Espacial 1, está já estava sob o domínio Klingon. A imperatriz está na ponte, porque tem a solução para a guerra, sabe como dominar Qon’nos, e tem na Almirante quem possa tirá-la do comando assim q

  8. Victor, eu também gostaria de ver pelo menos essa guerra com os Klingons acabar. Se no final aparecer algo para amarar a próxima temporada, tudo bem, mas que seja novo.

  9. Sisko prime vai ao Universo espelho para assumir o lugar do Sisko mirror, porque este havia sido morto. Não houve troca neste caso.

  10. Victor, estou assistindo novamente a série,via Netflix agora e sabe que só reforçou meu apreço pela série? As histórias ainda são bem atuais. Estou assistido sem dublagem e as vozes originais são mais agradáveis, principalmente a do Sisko. Vai lá e assiste de novo!

  11. João Luiz Silva Cruz | 8 de fevereiro de 2018 at 9:09 am |

    DS9 talvez seja a única que continua atual, desde a 1ª temporada até a última. Eu revi ano passado e está igual a vinho.

  12. Seria o mínimo!

  13. Personagens principais são mulheres! Irrelevante!

  14. A série é americana, produzida antes da eleição para presidente. Ninguém nesse meio artístico à época achava que Clinton perderia para o Pato Donald Trump.

  15. A volta do Lorca é bem vinda, muito mais pelo talento do Isaac, do que por ser homem.

  16. Bem! Eu prefiro bem mais ver as mulheres que os homens! E a Sonequa pra mim é uma gata! Mas gosto é gosto!

  17. Acredito que em termos visuais DS9 esteja um pouco datado, mas nada que me incomode muito.

    Mesmo assim, o forte da série sempre foram os seus personagens e interação entre eles.

    Aliás, a tensão sempre constante e cada vez maior com relação ao Dominium, a relação de desconfiança contante entre a federação e cardassianos, com o povo bajoriano no meio do fogo cruzado, foi algo sensacional e me manteve colado na frente da televisão.

    Aliás, os cardassianos para mim foram vilões formidáveis. São os maiores vilões de DS9 e um dos melhores de toda jornada. Aliás, adoro o arco final da guerra contra o Dominium.

    E porque não lembrar do Quark e do Odo… amo esse caras!!! Em DS9 os humanos eram os personagens mais sem gracinha…

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