Episódios de hoje…
“New Ground” (“Terreno Inexplorado”; TNG 5×10, 1992)
Onde assistir: PlutoTV*
“Hero Worship” (“Meu Herói”; TNG 5×11, 1992)
Onde assistir: PlutoTV*
“Imaginary Friend” (“Amigo Imaginário”; TNG 5×22, 1992)
Onde assistir: PlutoTV*
“Rascals” (“Segunda Infância”; TNG 6×7, 1992)
Onde assistir: PlutoTV*
“Collective” (“Coletividade”; VOY 6×16, 2000)
Onde assistir: PlutoTV*
“Yesteryear” (“Perdido no Esquecimento”; TAS 1×2, 1973)
Onde assistir: DVD/Blu-ray
*Somente dublado
É fácil achar fãs de Star Trek convertidos desde crianças, ainda que a maioria das séries tenha sido feita com o público adulto em mente. Mesmo além de A Série Animada dos anos 1970, e das recentes Prodigy e Scouts, produzidas para os pequenos, alguns episódios mostram histórias centradas na infância e podem ser uma boa introdução ao universo trekker.
Quem estava acostumado às aventuras do capitão Kirk nos anos 1960 não devia imaginar que, anos depois, estaria acompanhando o desenvolvimento de uma criança klingon a bordo da Enterprise. Em A Nova Geração, Worf é pai de Alexander. A mãe do menino havia sido assassinada em uma disputa política com a casa Duras, que buscava usurpar o poder no império klingon. Worf despacha o menino para viver com seus pais adotivos humanos na Terra, mas em “New Ground” (“Terreno Inexplorado”; TNG 5×10, 1992), tal qual uma bola de tênis, o menino é rebatido de volta para a Enterprise. Os pais de Worf se justificam dizendo que o temperamento de Alexander é difícil, e eles estão velhos demais para dar conta.
Worf parece crer que, simplesmente com disciplina, dará conta de amansar o menino. O primeiro passo é matriculá-lo na escolinha da nave. Na entrevista inicial, a professora Kyle já tem aquela expressão de quem sabe que chegou uma bombinha para sua sala de aula. “Qual é a data de nascimento dele?”, ela pergunta ao tenente. Ele não sabe. O próprio Alexander precisa responder por Worf, que àquela altura já devia estar polindo seu troféu de pior pai da Enterprise.
Logo, o menino se revela de difícil convivência, mente na escola e até comete um furto, percebido pela professora durante uma visita a um laboratório da nave, onde um casal de lagartos alienígenas ameaçados de extinção estava em exposição. A reação de Worf diante da acusação da sra. Kyle parece aquela dos pais das crianças mimadas: ele duvida da professora antes de desconfiar de Alexander. Ao constatar o furto, Worf tenta usar a mitologia klingon para ensinar ao menino que mentir é errado, e acha que resolveu o caso. Mas não, Alexander continua a desobedecer à professora e foge da aula para brincar de luta contra inimigos virtuais assustadores, usando o programa de treinamento do pai no holodeck.
A verdade é que Worf tenta soluções simplistas para um problema complexo: o menino perdeu a mãe aos três anos, viveu longe do pai e não vai ser uma conversinha sobre heróis klingons ou mesmo um internato que vão resolver essas questões magicamente. Os dois passam um susto horrível quando Alexander fica preso no laboratório onde estão os lagartos espaciais. O local pega fogo justamente enquanto a Enterprise está tentando interromper um teste de um novo tipo de propulsão que usa uma onda para colocar naves em dobra, mas essa onda está desgovernada e ameaça uma colônia. Worf e Riker salvam o menino (e os bichinhos) e o tenente desiste de enviar Alexander para o internato klingon, se comprometendo a trabalhar mais nos desafios que eles precisam enfrentar.
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Já em “Hero Worship” (“Meu Herói”; TNG 5×11, 1992), episódio que sucede “New Ground”, uma criança é que tenta usar uma solução rápida para lidar com um problema bem difícil. O menino Timothy é salvo por Data de uma nave prestes a colapsar. O jovem é o único sobrevivente mas não fica claro o que aconteceu com a nave Vico. Timothy, ainda traumatizado, não parece ter condições de contar o que aconteceu para causar a morte dos tripulantes, incluindo seus próprios pais, e a consequente destruição do transporte.
O menino cria uma ligação forte com o androide, impressionado pela força usada por Data ao erguer destroços da nave e permitir que ele fosse salvo da destruição da Vico. Timothy começa a imitar Data: a forma de se expressar, as palavras que o androide costuma usar, como dizer que está “funcionando sob parâmetros normais” em vez de dizer que está bem, e até o cabelo penteado para trás e o uniforme.
É fácil entender por quê: fingindo ser um androide, Timothy teria uma justificativa para suprimir suas emoções, em especial o luto pela perda dos pais no acidente. Em vez de tentar dissuadi-lo desse comportamento, a conselheira Troi pede que Data permita que o menino o acompanhe, servindo de suporte emocional pelo tempo que ele precisasse até conseguir lidar com os próprios sentimentos. Data vai então ensinando Tim a ser um bom androide e, enquanto isso, tenta abrir brechas para obter mais informações do menino a respeito do que aconteceu na nave. Afinal, até ali, o que ele havia contado sobre os problemas da Vico não havia feito sentido.
Quando o capitão Picard tenta de novo interrogar Timothy sobre o ocorrido na nave, fica claro por que ele não havia dito a verdade até ali: ele estava achando que era o culpado pelo acidente, porque em um dos chacoalhões que a Vico tomou, o menino havia caído sobre um painel de controle do computador. Claro que não tinha sido essa a causa do problema, mas ele estava sufocado pela culpa, convicto de que teria acionado algum mecanismo sem querer. Quando a Enterprise encontra o mesmo fenômeno espacial que havia atingido a nave onde os pais do menino morreram, Timothy se lembra que eles tentaram aumentar a intensidade dos escudos de defesa cada vez mais, assim como o capitão Picard estava tentando fazer. Então Data percebe que a única forma de escapar das fortes ondas gravitacionais seria baixar os escudos, para evitar o efeito reflexo causado pela anomalia.
Da mesma forma, Timothy também baixa suas defesas e se despe da fantasia de androide, voltando a se permitir ser só um menino com saudades dos pais.
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O que parecia ser uma brincadeira infantil vira uma ameaça em “Imaginary Friend” (“Amigo Imaginário”; TNG 5×22, 1992). Neste episódio conhecemos a fofíssima menina Clara Sutter em sessão de terapia com a conselheira Troi. Clara conta sobre sua amiga imaginária, Isabella, e é fácil entender que ela usa esse apoio da fantasia para lidar com o fato de que está sempre se mudando por causa do trabalho de seu pai e tem dificuldade em criar laços com outras crianças.
Como estamos no espaço, infelizmente esse hábito inocente vai virar um problema. Ao passar por uma nebulosa, a Enterprise é invadida por uma forma de vida diferente, que parece ser uma partícula brilhante que passa entre pessoas e deques e entra na cabeça de Clara, onde possivelmente encontra, em seus pensamentos, informações sobre Isabella. A amiga imaginária então se materializa e conversa com Clara, que fica feliz ao finalmente vê-la diante de seus olhos.

Clara Sutter, de verde, e a amiga imaginária, Isabella, reinam pela Enterprise em “Imaginary Friend”.
A nova Isabella é muito curiosa e faz Clara levá-la para conhecer todas as partes da nave, incluindo seções nas quais crianças não podem ir, como a Engenharia. Ao ser flagrada, a justificativa de Clara é que Isabella a faz ir a esses lugares, mas os adultos veem isso como uma desculpa da menina para reinar sem encarar as consequências. Isabella só se deixa ver por Clara, então para os demais ela segue sendo só um personagem da imaginação da menina. A conselheira insiste para Clara fazer atividades junto com as outras crianças, o que desperta ciúmes na amiga imaginária, que passa a ameaçar deixar “os outros” a matarem quando chegarem à nave. Quem seriam esses outros?
Quando Clara finalmente pede ajuda e relata a Troi o que aconteceu, a conselheira não acredita nela e faz aquele teatrinho que os pais sempre encenam ao “procurar” o bicho-papão embaixo da cama e no armário. Mas esse monstrinho era real e ataca Troi.
Finalmente chega o momento em que Picard encara Isabella frente a frente. Clara chama e Isabella se torna visível pela primeira vez aos adultos da nave. A Enterprise está sofrendo um dreno de energia por seres da nebulosa e a amiga imaginária afirma que eles foram atraídos pelos geradores da nave. O capitão tenta barganhar, dizendo que pode prover energia para os seres sem que eles destruam a nave. Mas para Isabella, a Enterprise merece ser destruída, em especial pela forma como eles tratam as crianças: nunca as deixam fazer nada, é só bronca o tempo todo! Só então cai a ficha para Picard que a menina alien estava os conhecendo pelo ponto de vista de uma criança arteira que só ouve “não” a toda hora. Ele é obrigado a explicar brevemente como funciona a relação entre pais e filhos para a criatura, que se convence a deixar Enterprise seguir viagem.
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Picard e outros membros da tripulação também terão sua oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de uma criança em “Rascals” (“Segunda Infância”; TNG 6×7, 1992). Um acidente com o teletransporte transforma o capitão, a alferes Ro Laren, a bartender Guinan e Keiko, especialista em botânica e mulher do chefe O’Brien, em crianças em torno dos 12 anos. Mas só seus corpos são alterados. As memórias e o conhecimento seguem intactos.
A primeira reação de Picard é tentar seguir a vida como se nada tivesse acontecido, mas claro que isso não é possível. A expressão no rosto da tripulação na ponte de comando enquanto o menino segue dando suas ordens é impagável, com o evidente desconforto causado pela situação. A dra. Crusher convence Picard a deixar Riker no comando enquanto eles tentam resolver o caso, e o capitão pensa em alternativas, como voltar a estudar na academia da Frota Estelar ou dedicar-se à pesquisa arqueológica até voltar a aparentar idade suficiente para estar à frente de uma tripulação. Ao menos o cabelo dele está todo de volta!

As versões mirins de Picard, Keiko, Guinan e Ro Laren chegam à nave após um acidente com o teletransporte em “Rascals”.
Keiko e O’Brien também sentem a dificuldade: como seguir com a vida de casados quando a mulher agora é uma pré-adolescente? O chefe de transporte não consegue agir normalmente perto da versão criança de sua esposa. A filha deles, Molly, nem reconhece a mãe.
Ro não sabe como agir e não parece estar gostando de ser criança. As memórias de infância dela se confundem com a violenta ocupação dos cardassianos em Bajor, seu planeta-natal. Guinan, que é el-auriana, espécie que vive por séculos, é a única que parece ter gostado da transformação: fazia centenas de anos que ela não era mais uma criança. A missão de Guinan se torna convencer Ro a esquecer um pouco os problemas e simplesmente brincar.
Enquanto a equipe da nave tenta achar uma solução para restabelecer os corpos das novas crianças, um grupo de ferengis mercenários a bordo de naves klingons invadem a Enterprise e começam a transportar a tripulação para um planeta próximo, para serem escravos numa mina. O plano deles seria vender a nave para os romulanos e explorar os oficiais. Sem saber do que havia acontecido com aquelas quatro crianças, os ferengis as deixam numa sala de aula junto de Alexander, filho de Worf, e outros alunos. Eles tentam pensar em alguma forma de ajudar Riker a recuperar a nave e Guinan avisa: talvez seja necessário pensar como crianças em vez de se apegar a estratégias que fariam sentido para adultos.
Picard entende o recado e dá uma birra pedindo para ver seu “pai”, fingindo ser filho do comandante Riker, e consegue combinar com ele um esquema para ativar os terminais de computador que ficam na sala de aula onde ele e os demais pequenos estão presos. O próprio Riker parece inspirado pelas crianças e fala um monte de tecnobaboseiras falsas para um dos oficiais ferengis para enrolá-lo enquanto ajuda Picard.
Brincando, os adultos infantilizados e Alexander dão um jeito de transportar e prender os guardas ferengis e retomar a Enterprise. Claro que um passe de mágica do transporte – com uma criativa explicação genética da dra. Crusher – consegue devolver os corpos adultos dos tripulantes. Ao sair da base do teletransporte de novo na meia-idade, Picard dá uma discreta alisada na careca para conferir se deu mesmo tudo certo. Ro fica por último na fila da transformação e aproveita para desenhar um retrato de sua mãe, finalmente se sentindo à vontade para revisitar a infância.
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As crianças encontradas pela equipe da Voyager em “Collective” (“Coletividade”; VOY 6×16, 2000) são talvez mais traumatizadas do que a alferes Ro. Nesse episódio, Chakotay, Kim, Tom Paris e Neelix estão na nave Delta Flyer quando são capturados por um cubo borg. Mas essa nave dos maiores inimigos da Federação no século 24 está bem enfraquecida. Quando a Voyager os encontra e escuta o costumeiro aviso de que “resistir é fútil”, facilmente consegue evitar as armas do cubo. Sete de Nove vai até a nave borg e descobre que ali só existem jovens e crianças abandonados, ainda não completamente amadurecidos como soldados cibernéticos.
Até pode parecer fácil negociar com crianças pela soltura dos reféns, mas o líder do grupinho é um verdadeiro bully. Ele conta que foi responsável por trazer estabilidade aos jovens quando o cubo onde eles estão começou a ficar defeituoso. Não se sabe por quê ainda, mas todos os adultos ali haviam morrido e a nave tinha diversos sistemas com problemas. Sete oferece ajuda, mas o adolescente encarregado das crianças não gosta de diálogo. É teimoso como qualquer jovem dessa idade. Os demais o obedecem, intimidados.
O Doutor da Voyager consegue examinar um deles e descobre que o cubo havia sido infectado por um microrganismo, que havia dizimado os adultos. Como aquelas crianças ainda estavam nas câmaras de maturação quando a nave foi infectada, acabaram poupadas da doença. Sete de Nove, tendo sido assimilada pelos borgs ainda na infância e depois retornada à condição de ser humano pela equipe da Voyager, tenta apelar para as identidades originais dos jovens aos poucos. Eles já estão condicionados a pensar de forma coletiva, então não vai ser tão fácil, mas ela os encoraja a tomar decisões como indivíduos em vez de seguir o líder cegamente.
A teimosia dele em tentar obter uma peça importante da Voyager, o defletor, quase destroi as duas naves. Janeway está prestes a usar o patógeno para infectar as crianças e libertar os reféns, mas consegue evitar o uso da arma biológica forçando os borgs mirins a baixar os escudos. O líder daquela pequena coletividade termina morrendo ao tentar futilmente resistir ao ataque da Voyager. Livres do bully, as demais crianças ficam livres para se mudarem para a nave de Janeway e iniciarem a retomada de suas identidades pré-assimilação: aprendem de novo seus nomes, sua origem e, ainda que durmam em pé em suas câmaras de regeneração, ganham Sete como uma figura materna para ajudá-los a amadurecer.
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Mais uma importante lição sobre a infância e as dores do crescimento é contada logo no início da Série Animada, em “Yesteryear” (“Perdido no Esquecimento”; TAS 1×2, 1973). Kirk e Spock estão numa missão de estudos do passado de Órion, tendo voltado no tempo com a ajuda do Guardião, um portal que já havia aparecido em “The City on The Edge of Forever” (“A Cidade à Beira da Eternidade”; TOS 1×28, 1967). Essa estrutura ficava em um planeta para onde convergiam as linhas do tempo da galáxia, permitindo visitas a outros períodos para estudos historiográficos.
Mas, ao retornarem pelo portal, Kirk percebe que os demais oficiais da Enterprise não reconhecem Spock: é como se ele nunca tivesse tido contato com nenhum deles antes. Após as investigações, eles descobrem que, na linha do tempo atual, Spock havia morrido com apenas sete anos. O comandante se recorda que nessa época de sua infância ele se preparava para o ritual de resistência vulcano, pelo qual todos os meninos passam, e que um primo distante, Selek, o havia salvado de um ataque de um animal selvagem. Eles concluem que o tal primo devia ser o próprio Spock, que desta vez não havia voltado no tempo para se salvar por conta da missão com Kirk ao passado de Órion.
Eles conversam com o Guardião do Tempo, que concorda em permitir que Spock retornasse para evitar a morte precoce, com a condição de não mudar mais nada no passado. O vulcano, agora como o primo Selek, encontra sua versão criança sofrendo com as provocações de outros meninos vulcanos, que o xingavam de terráqueo e diziam que seu pai, Sarek, havia trazido vergonha ao planeta ao se casar com uma humana. O menino Spock se descontrola, exibindo um comportamento muito mais característico de um ser humano.
O adulto Spock, ou Selek, vê aquilo e tem a oportunidade de ajudar a si mesmo a lidar melhor com o conflito interno entre seus lados humano e vulcano, entre sua mãe e seu pai. Sarek pressiona o menino a escolher entre as duas filosofias de vida e o desafia a enfrentar a travessia de dez dias pelo deserto, sem água nem comida, para provar sua aptidão pelo modo de vida local.
O menino tenta parecer firme diante do pai, mas confessa ao seu “sehlat” de estimação (algo como um híbrido de cachorro e urso) sua insegurança: será que ele realmente consegue ser um vulcano como esperam dele? Spock decide fugir para atravessar o deserto antes do início do desafio, para testar se seria mesmo capaz de vencer a prova. I-Chaya, seu “sehlat”, o segue pelo deserto, mesmo que o menino peça para ele voltar para casa.
Selek segue os dois pelo deserto e vê quando um animal feroz (que lembra um pouco o Gato Guerreiro do He-Man) ataca o menino, e I-Chaya pula na frente para defendê-lo. Selek aplica a pinça vulcana na fera, que desmaia, mas o ferimento no “cachorrão”, feito com uma garra venenosa, acaba deixando-o em estado crítico. O pequeno Spock atravessa o deserto para chamar um curandeiro, que constata que não há salvação e pede que o menino escolha: ele pode prolongar a vida de I-Chaya, em sofrimento, ou eutanasiar o bicho. A morte de um animal de estimação muitas vezes é o primeiro contato de uma criança com uma perda importante. Tanto Spock adulto quanto o menino ficam abalados com a notícia, mas a criança se conforma e permite que o curandeiro faça a eutanásia.
Com tudo resolvido, resta a Selek se despedir do menino e de seu pai, Sarek. Em troca por ter salvado a vida de seu filho, ele só pede que Sarek tente entender a criança. Talvez a maior fonte de conflito na vida do vulcano da Enterprise seja sua convivência com o pai, tentando lidar com suas expectativas e aparentemente estando sempre em falta com elas. A relação entre eles acaba sendo um espelho de sua dualidade interna. O pedido ao pai parece uma tentativa de evitar as futuras turbulências que estariam presentes entre eles, como sabemos, até o fim da vida de Sarek.
E você, se pudesse voltar no tempo para ajudar a si próprio a atravessar alguma dificuldade na infância, qual seria o seu pedido?
Escrita pela jornalista Débora Mismetti, Grandes Jornadas é uma coluna semanal publicada às sextas-feiras no Trek Brasilis, destacando tematicamente segmentos de Star Trek e convidando a uma revisita desses episódios por um ponto de vista diferente.
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