Revisão Literária: To Reign in Hell, Parte 3

reighinhell.jpgNesta terceira parte da revisão literária de Star Trek: To Reign in Hell — The Exile of Khan Noonien Singh, iremos acompanhar como Khan e seus augments terão um meio de ano de grandes mudanças, e como é que James T. Kirk vai começar a ficar de orelha quente.

Resumo, Terceira Parte

Seis meses depois da chegada dos transgênicos em Ceti Alpha V, em um festivo dia, Khan promove um casamento em massa de seus seguidores, celebrando 32 uniões de casais. Contudo, a música desta dança de cadeiras deixou cinco dos homens solteiros, pois não havia ali um número semelhante de homens e mulheres, e Khan faz uma nota mental de como prover compensações para este grupo em particular de modo a não fomentar descontentamento, ainda que eventuais futuras viúvas podem acabar fazendo bom uso dos solteiros ainda disponíveis.

Após o casamento em massa, Khan clama para seus seguidores proliferarem a vontade para criarem as novas gerações de augments de seus domínios. E agora é a vez dele realizar sua própria união com Marla. A situação dela melhorou no todo da colônia. Após os apuros de meses antes, Zuleika se tornou grande amiga dela da mesma maneira que Parvati Rao, e ambas bancam as madrinhas de casamento no momento. Além disto, o seu valor foi mais reconhecido, pois os conhecimentos futuristas de Marla se mostram de extrema utilidade para eles.

Apesar de se considerarem os Reis da Cocada Preta por suas superioridades genéticas, poucos dos augments ali tem alguma experiência em agricultura primitiva ou gerenciamento de colônia. Já a federada sabe, ainda que por cima, como uma colônia planetária como aquela deve ser mantida, dado o seu aprendizado na Academia da Frota e toda experiência de exploração espacial. E os resultados tem sido notáveis, com as plantações prosperando a olhos vistos.

Logo depois da cerimônia final, no que vai começar a festa, um pequeno tumulto chama a atenção de Khan. Um dos búfalos locais de Ceti Alfa V, que eles estão iniciando um processo de domesticação, invade a área da festa de maneira descontrolada. No que Khan puxa seu feiser para o transformar no churrasco mais rápido do momento, Marla sugere ele apenas matar sem vaporização, pois este comportamento noinha demonstra haver algo de particularmente errado com o animal. Ele assim o faz, e tão logo o búfalo cai morto, o grupo que se forma em torno do animal percebe uma estranha miniatura das enguias cetianas saindo do ouvido. Khan e o marido de Zuleika, Keith Talbot, providenciam para que a enguia seja acondicionada com cuidado em um recipiente, pois Khan quer uma posterior análise da enguia e uma autópsia do animal.

Khan lamenta por Hawkins, o médico (e agora veterinário) local, ter que fazer tal tarefa bem na sua noite de núpcias, e também lamenta por Marla, já que ele próprio quer acompanhar Hawkins nos procedimentos. Algumas horas depois, enquanto Marla termina mais alguns registros no tricorder sobre os eventos recentes, Khan encontra a federada com o tricorder sob a luz das românticas velas que haviam preparado para a noite. Mas ela percebe que ele não chegou tranqüilo. Khan comenta os resultados da análise, de como Hawkins descobre que as enguias afetam o sistema nervoso do hospedeiro de tal forma a o levar a loucura — são criaturas para se ter muito cuidado. Mas o líder deles ali não quer falar muito mais a respeito do tema com sua amada naquele momento, e ambos logo deixam de lado os eventos do dia para iniciarem os eventos da sua noite.

Alguns dias depois, Khan e Marla se encontram no teto da cabana do casal, conversando e admirando o céu noturno. Khan gosta de ouvir Marla contar sobre a história humana e federada que ocorreu desde que deixaram a Terra, e naquela noite Marla comenta alguns aspectos sobre a sociedade Klingon. Ambos estão ali conversando e curtindo a noite estrelada, com o planeta seguinte daquele sistema, Ceti Alfa VI, bem destacado na noite, sua imagem sendo menor do que a da Lua no céu terráqueo mas maior do que as demais estrelas. E então…

Bum. O pequeno planeta repentinamente se torna tão brilhante que deixa a noite como dia durante vários segundos, e logo ambos conseguem perceber a crosta do planeta se romper e o campo de fragmentos expandir. Marla instintivamente saca o tricorder para avaliar a situação, enquanto Khan pondera se haverá conseqüências, mas que não demoram para aparecer. Animais pela floresta ficam inquietos, augments são acordados e saem para fora ver o que ocorreu, e nisto os primeiros terremotos atingem Nova Chandigarh.

Imagine o tumulto em Kripton após Jol-El lançar a nave de seu filho, e agora imagine a mesma cena só que com selva no lugar da cristalina arquitetura kriptoniana — aí temos o cenário. Khan e Marla evacuam o teto de sua cabana rapidamente, e toda aquela confusão e tumulto começa a fazer vítimas. Várias das construções entram em colapso, como as torres de vigia e fortificações da colônia. Joaquin e Suzette o encontram, ambos apenas em roupas de dormir mas já portando equipamentos e armas para qualquer eventualidade.

Khan tem que se concentrar para conseguir bolar um plano em segundos mesmo durante o ainda incessante tremor, e a primeira idéia deles de tentar se reagrupar nos depósitos rapidamente se mostra inviável, com mais fissuras no solo se juntando pequenos vulcões entrando em erupção e adicionando lava e rocha quente na catástrofe, continuando a destruição da cidadela e dos campos agrários cultivados a tanto custo, pensa Khan. Seja lá o que for que tenha destruído o VI, também atingiu o V e pelo jeito até a própria órbita do planeta já estava mudando.

Neste momento, apenas as cavernas que encontraram meses antes parece ser de alguma viabilidade para sobreviverem. Khan e Joaquin organizam alguns de seus outros comandados e uma evacuação total da cidadela é providenciada, com todos levando o máximo de víveres, equipamento e itens que podem providenciar no meio da confusão. Rapidamente as ordens são passadas, mas mesmo que não tivessem sido, se você ver o Khan correr, bem, trate de correr também pois a coisa deve estar feia.

O grupo atravessa a selva revolta em torno deles, enfrentando os perigos adicionais de um planeta se contorcendo, animais em pânico, árvores caindo e incêndios por toda parte. Ao chegar nas cavernas, estas se mostram relativamente seguras e aparentemente estáveis, e os grupos de sobreviventes são liderados por Khan e Joaquin para dentro das cavernas, e com os primeiros sobreviventes que conseguiram escapar já abrigados, e grupos adicionais chegando, Khan se organiza para lamber as feridas e tentar acalmar a situação.

Além do choque da emergência e da luta pela sobrevivência, Khan como líder lamenta toda a destruição de tudo o que construíram até ali, mas ele sabe que não pode ceder ao desespero — muitos dependem de seu pulso e liderança para as dificuldades à frente. Marla procura o tranqüilizar o mais que pode, mas por alguns momentos Khan prefere ficar sozinho, à beira dos penhascos próximos a caverna, observando os demais chegarem até ali enquanto a região se incendeia, sua superfície rachando e lava e detritos voando por toda a parte.

Comentários Gerais

Em um primeiro momento, a narrativa do cataclisma por parte do Greg Cox parece atingir um nível implausível, mas este meu julgamento se baseia em uma tentativa de comparar esta catástrofe natural com qualquer coisa que tenha acontecido aqui na Terra, como o recente ciclone em Mianmar ou terremotos diversos. Contudo, foi uma calamidade planetária, e a única coisa que pode talvez se comparar deve ter sido a explosão do vulcão de Krakatoa, no século 19. Desta forma, a narrativa do evento se mostra adequada se consideramos o todo daquilo que é possível no universo de Jornada, claro.

Não demorou nem alguns parágrafos e Khan já lembrou de xingar Kirk por ele aparentemente não ter considerado se os planetas daquele sistemas eram supostamente estáveis. Neste ponto da narrativa, Khan está reagindo no calor do momento, então não é muito estranho uma reação imediata como esta, mas as considerações dele sobre Kirk ainda vão dar muito pano para manga na trama.

E um detalhe adicional sobre o trecho do casamento foi que Khan não demonstrou problema algum que entre os 32 casais que haviam juntado os trapos, haviam dois casais de gays, o que demonstra que para um soberano totalitário geneticamente modificado do século 20, Khan é admiravelmente tolerante. Em um primeiro momento, alguém tão preocupado com eugenia e perfeição genética talvez pudesse considerar homossexualismo como um problema, mas não foi o caso.

Na realidade, abordar esta questão podia ocorrer de forma bem confortável para Cox, pois qualquer que fosse sua escolha, ela iria encaixar bem dentro do conjunto de valores de Jornada nas Estrelas. Se ele optasse por Khan ser homofóbico, isto poderia ilustrar que só mesmo um eugênico resultante de experimento genético para ter uma visão discriminatória deste tipo, ao passo que os federados do século 23 já seriam bem mais tolerantes.

Enquanto que ao fazer Khan ser tolerante com esta característica humana, mostra que mesmo alguém como Khan pode aceitar isto sem problema algum. Aliás, é até mesmo uma decisão estratégica bem pensada da parte de Khan: ao aceitar dois casais gays, o número de homens sem pares ficou em cinco ao invés de nove, o que ajudaria a minimizar os problemas do grupo de eventuais insatisfeitos com a falta de mulheres.

E detalhe de continuísmo da ocasião: já sabemos de onde vem o conhecimento de Khan sobre o “ditado Klingon” que ele cita para Kirk durante Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan.

Na próxima parte, não apenas Khan está com um problema sério nas mãos, mas também o nosso triunvirato de Kirk, Spock e McCoy visitando aquelas caverna quinze anos adiante também irão encontrar contratempos com os quais não estavam contando.

8 Comments on "Revisão Literária: To Reign in Hell, Parte 3"

  1. Ohhh pessoal do TB? Pq nossos post não entram mais na hora no site?
    Demora 1 dia pra entrarem e isso é mto ruim, pois perdemos a “conversa”e o debate.

    Dessa forma cada um só dá a sua opiiào e nào troca informaçòes e não interage!!!

  2. Maravilhoso o trabalho de análise do livro.
    Existe uma edição em português para comprar?

  3. Leandro Martins | 9 de Maio de 2008 at 10:46 pm |

    Christian, por algum motivo o sistema antispam utilzado pelo WordPress, o Akismet, insiste em prender seus comentários no filtro pendendo aprovação, daí a demora de algumas horas. Eu preciso checar por que razão isto está acontecendo.

  4. Leandro Martins | 9 de Maio de 2008 at 10:49 pm |

    > Maravilhoso o trabalho de análise do livro.

    Agradecemos os comentários de todos. E apenas seguindo a velha filosofia da padaria brasileira, servimos bem para servirmos sempre.

    > Existe uma edição em português para comprar?

    Infelizmente não, e se eu não me engano, faz anos que qualquer ficção de Jornada não é publicada no Brasil, ainda por cima.

  5. Luís Henrique Campos Braune | 10 de Maio de 2008 at 10:55 am |

    Continua matando a pau!

  6. Alvaro Monteiro | 13 de Maio de 2008 at 11:31 pm |

    Muito bom acompanhar esses “episódios” paralelos..

  7. Por favor coloque o resto do review. Obrigado.

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