D. C. Fontana e as lembranças de Jornada

dc-fontana.JPGA veterana escritora Dorothy Fontana (D. C. Fontana), que produziu episódios cultuados pelos fãs da Série Clássica, continua, até hoje, a escrever histórias para a franquia em seus livros. Em entrevista ao site IGN, ela falou a respeito do começo da série nas mãos de Gene Roddenberry e depois com Gene Coon, o personagem Spock e o fim da série original.

D. C. Fontana começou como assistente pessoal de Gene Roddenberry, quando então foi convidada a fazer parte da força criativa da série original escrevendo o seu primeiro episódio “Charlie X“. A partir daí ela produziu vários outras histórias, as quais se destacam “Tomorrow is Yesterday”, “Friday’s Child”, “Journey to Babel” e “The Enterprise Incident“. Já a Série Animada lhe valeu o prêmio Emmy Award como melhor roteiro pelo episódio “Yesterday“. Mais tarde, ela co-escreveu o episódio piloto de A Nova Geração, “Encounter at Farpoint” e também ajudou a desenvolver a personagem Jadzia Dax, no episódio “Dax” em Deep Space Nine.

Fontana lembra que após ser bem sucedida nos episódios que escreveu para a primeira temporada da Série Clássica, retornou para o segundo ano como editora de roteiro, o que resultou em alguns atritos com escritores freelancers que, segundo ela, não tinham a “voz de Jornada“. Ela lembra o episódio “Ultimate Computer“, onde teve de mudar a história toda, “Eu reescrevi esse episódio. Foi a maior modificação de episódio, feita do zero”, disse a escritora, “Daystrom existiu (no rascunho inicial) mas havia certas coisas que o roteirista não quis fazer, mesmo quando eu disse para modificar, para fazer a história mais com cara de Jornada. Quando ele não fez as mudanças pedidas o produtor John Meredyth Lucas me deu o script e disse para eu fazê-lo. Eu reescrevi e o Sindicato dos Roteiristas me deu crédito, mas eu creio que acabou ficando a história escrita por Laurence Wolfe”.

Uma vez que Jornada estava indo bem, Gene Roddenberry ficou mais como produtor executivo, saindo da área criativa e deixando o dia-a-dia das operações por conta dos produtores Gene Coon e John Meredyth Lucas, “Coon era, realmente, a produção da linha criativa. Ele estava lá todos os dias, envolvido em tudo. Gene (Roddenberry) estava envolvido em tudo também, mas ele ficava um pouco mais afastado. Não estava em todas as reuniões sobre roteiro, elenco e edição. Gene colocava seu tempo fazendo isso, mas Coon era muito mais o homem na linha de frente”, disse a escritora acrescentando, “Coon era muito bom nisso. Ele era um escritor rápido, a ponto de aprontar, em um dia e meio ou dois, toda uma história para filmagem. Graças a ele foi possível trazer outros escritores talentosos como David Gerrold”.

Dos personagens da série original, Spock é o seu favorito, por ser muito complexo. Fontana é a responsável pelo desenvolvimento de sua história e de seu conflito interno. Ela falou como procurou manter isso equilibrado, “Lembre-se que ele era meio humano e os vulcanos não são totalmente insensíveis a emoção. Eles são lógicos, e mantém suas emoções escondidas, mas isso não quer dizer que não tenham emoções. Então, você tem de contornar essa discussão cuidadosamente. E eu sempre gostei de Spock, porque ele era um alienígena de fora, observando nós humanos. Ele teve a capacidade de explicar nossos pontos fracos de um ponto de vista alienígena, o que foi sempre útil”.

Fontana deixou de ser editora no final do segundo ano, mas continuou escrevendo para a série, como freelancer, até o fim. Nesse período ela foi autora de “The Enterprise Incident”, “That Which Survives” e “The Way to Eden”.

A terceira e última temporada da Série Clássica foi muito conturbada. Gene Roddenberry havia abandonado o barco por se atritar com a emissora. Gene Coon também já havia saído. E Fontana teve sua criatividade não reconhecida. Ela disse que a estratégia de sempre haver uma criatura da semana, um monstro da semana, como eles vinham fazendo em “Viagem ao Fundo do Mar“, foi algo que ela nunca imaginava que seria bem sucedido em Jornada. No entanto, “Quando o editor, na terceira temporada, veio ao cenário da sala de transporte perguntar sobre o que “essa coisa” fazia e quando eu disse que McCoy não poderia ter uma filha de 22 anos por ser contemporâneo de Kirk, eu pensei comigo mesma: “Eles não querem entender a série”, lamentou a escritora.

D. C. Fontana também contribuiu com histórias para video games e para o fanfilm Star Trek: Phase II. Seu mais recente trabalho está em Star Trek: Year Four — The Enterprise Experiment um comic book da IDW.

É bom lembrar que em 2005 o nosso amigo Salvador Nogueira fez uma entrevista maravilhosa com a escritora. Quem quiser saber como foi confira aqui.

Fonte: TrekMovie e TrekWeb

4 Comments on "D. C. Fontana e as lembranças de Jornada"

  1. Essa tia eu respeito!!!
    Baita escritora. Com certeza uma das melhores escritoras de Jornada disparado!!

  2. Luís Henrique Campos Braune | 25 de junho de 2008 at 11:06 am |

    Bah thê! A DC Fontana merece é um prêmio! Respeitadíssima…

  3. D. C. é tudo de bom uai!

  4. Sandro Bazoni | 5 de julho de 2008 at 5:06 pm |

    Nossa D C Fontana sabia escrever um dos melhores seriados de tv que eu ja assisti, e tenho a serie classica completinha inclusive os longa metragens, assisto ate ela é D+

Leave a comment

Your email address will not be published.


*