TOS 1×06: The Naked Time

Episódio provoca primeiro grande salto no desenvolvimento dos personagens. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “The Naked Time”, de Jornada nas Estrelas: A Série Original.

Sinopse:

Data Estelar: 1704.2.

Spock e Joe Tormolen se transportam para o planeta Psi 2000 para resgatar uma equipe de pesquisa antes que o planeta se desintegre. Eles descobrem que todos morreram congelados quando o sistema de suporte de vida foi desligado. Mais estranho ainda, as posições dos corpos dos pesquisadores mostram que eles estavam mentalmente afetados. Alguns até haviam cometido suicídio.

Sem ter conhecimento, Tormolen acabou levando o que mais tarde seria chamado de vírus “Psi 2000” para a Enterprise e contaminou a tripulação de forma assustadora, atingindo suas almas e trazendo à tona seus desejos mais profundos. O vírus é uma mutação derivada da água e é transmitido pelo suor. Ao tentarem impedir Tormolen de cometer suicídio, Sulu e Kevin Riley são infectados pelo vírus.

A tripulação começou a agir exageradamente, manifestando suas fantasias. Sulu ameaça o pessoal da ponte com um florete e Kirk declara seu amor pela Enterprise. Christine Chapel admite sua paixão por Spock e o vulcano lamenta sua repressão de emoções. O resultado mais fatal, no entanto, ocorre quando Riley declara-se capitão da Enterprise e tranca-se na engenharia. O tenente desliga os motores da nave e a órbita começa a decair por efeito da errática gravidade do planeta.

McCoy encontra um antídoto para o vírus mas para que não seja tarde demais, Spock e Scott precisam improvisar um meio de ligar os motores da nave sem antes aquecê-lo.

Comentários:

“The Naked Time” é sempre lembrado como o primeiro grande salto do desenvolvimento dos personagens principais de Jornada nas Estrelas. No entanto, pouco se menciona a não tão sutil mensagem embebida neste episódio.

Toda a história é uma parábola que demonstra os malefícios do álcool. McCoy refere-se ao sintoma da doença como similar a embriaguez. A grande dificuldade enfrentada pelo pessoal da Enterprise é a de “dirigir” a nave que está prestes a cair em Psi 2000. Em certo momento, a câmera mostra claramente uma pichação a bordo da nave com os dizeres “Sinner repent” (Pecadores, arrependei-vos).

É claro que além de fazer uma “pregação” contra o álcool, o episódio se aproveita da eliminação do senso de autro-crítica dos personagens para desenvolvê-los e permitir ao telespectador olhá-los “de dentro”.

Assim, Kirk mostra sua relação de amor e ódio com a Enterprise, que toma-lhe todo o tempo e o impede de ter uma vida pessoal.

Spock expõe seu “complexo de híbrido”, o fato de ter reprimido todo e qualquer traço humano de sua personalidade, apesar de tê-los todos dentro de si.

Sulu demonstra sua paixão pela esgrima, interpretando uma espécie de D´Artagnan a bordo da Enterprise.

A enfermeira Chapel mostra seu amor por Spock.

O curioso é que além de desenvolver os personagens principais, “The Naked Time” também imprimiu grande carisma nos personagens secundários. O maior exemplo disso é o tenente Riley, que mostra um grande potencial como personagem, graças à excelente atuação de Bruce Hyde. O personagem ainda voltaria em Jornada no episódio “The Conscience of the King”, mas não com a mesma vitalidade.

Uma possível falha no roteiro é o fato de McCoy estar o tempo todo em contato com os doentes, mas mesmo assim não ser contaminado.

Citações:

Riley – “I will take you home, Kathleen…”
(“Vou levá-la para casa, Kathleen…”)

Riley – “Do you know at Joe´s mistake was? He wasn´t born an Irishman.”
(“Sabe qual foi o erro do Joe? Ele não nasceu irlandês.”)

Spock – “When I feel friendship for you, I feel shame.”
(“Quando sinto amizade por você, eu sinto vergonha.”)

Trivia:

  • Originalmente, este seria um episódio duplo e a continuação seria “Tomorrow Is Yesterday”. No final, a produção acabou optando por dois episódios independentes.
  • Este episódio marcou a primeira aparição da enfermeira Christine Chapel.

Ficha técnica:

Escrito por John D. F. Black
Direção de Marc Daniels
Exibido em 29/09/1966
Produção: 07

Elenco:

William Shatner como James Tiberius Kirk
Leonard Nimoy como Spock
DeForest Kelley como Leonard H. McCoy
James Doohan como Montgomery Scott
Nichelle Nichols como Uhura
George Takei como Hikaru Sulu

Elenco convidado:

Bruce Hyde como tenente Kevin Riley
Stewart Moss como Joe Tormolen
John Bellah como Dr. Harrison
Majel Barrett como Christine Chapel

10 Comments on "TOS 1×06: The Naked Time"

  1. Concordo que este foi o primeiro grande episodio de TOS, as atuações foram memoraveis. A história mesmo era muito bem escrita, mostrando que quando se sabe fazer as coisas com dedicação os erros ficam longe. Foi tão bom que ganhou um “re-make” em TNG.
    A despeito de McCoy não se contaminar é possivelmente o mesmo pelo qual os médicos de hoje em dia também não se contaminarem, Higiêne. Ele provavelmente usaria luvas, mascaras, lavaria as mãos constantemente entre outros habitos comuns a um médico. Só que como não haveria nenhum assessor nessa area nas gravações estes habtos não foram mostrados.

  2. Jorge Rodrigues | 23 de dezembro de 2008 at 8:56 pm |

    Excelente episódio. Já mencionei apenas um furo, quando o efeito de gravidade invertida, no prólogo, dá a impressão de que o líquido que contamina a primeira vítima, na estação, é de alguma forma senciente.

    Dois registros ainda valem a pena: Nimoy salvou o episódio, ao vetar a cena em que um tripulante desenharia um bigode ridículo em seu rosto, e Takei também, ao sugerir um D´Artagnan romântico em lugar de um óbvio samurai cisudo, como originalmente escrito.

    Aliás, Shatner também ajudou muito. Segundo uma de suas memórias, já aporrinhado de tanto levar cutucadas da espada de Takei, foi dele a idéia de desarmar na mão o espadachim. A proposta foi aprovada pelo diretor e gravada sem que Takei dela soubesse, o que ajudou a dar o ar de surpresa.

    O tripulante Riley deveria ter sobrtevivido. Pena.

  3. Uma das imagens mais antiga que me lembro de ST, (não entendia muito o que acontecia), foi o Sulu correndo pelos corredores, sem camisa e com uma espada tentando agarrar a Uhura…memorável!

  4. “já aporrinhado de tanto levar cutucadas da espada de Takei”

    hum… será que foi aí que começou a briga?

  5. Uma das coisas que me agonizava ao ver era aquela impressão de algo estar grudando na mão.

    E o líquido que se aproximava sorrateiramente nas pessoas e contaminava através de contato físico? Argh!!

    Esse episódio e a matéria são/estão nota dez.

  6. Episódio, de construção simples, bem escrito, bem dirigido. O que prova que idéais simples, são as melhores. Nada melhor que mandar uma mensagem contra o alcool que mostra seus efeitos, nada melhor que mostra como alguem realmente é que’desnuda-lo’ com o efeito do alcool. Episódio vencedor.
    PS. Remasterizado Psi 2000, ficoi melhor ainda.

  7. Tirando o piloto, foi o primeiro grande episódio e, além do que foi citado acima, ainda introduziu a base da teoria científica das viagens no tempo, que chegou até ao cinema com ST IV.
    Roteiro e direção nota 10.

  8. cesar antonio r martins | 25 de dezembro de 2008 at 12:16 pm |

    Post 1^, do PADO:

    ” … A despeito de McCoy não se contaminar é possivelmente o mesmo pelo qual os médicos de hoje em dia também não se contaminarem, Higiêne. Ele provavelmente usaria luvas, mascaras, lavaria as mãos constantemente entre outros habitos comuns a um médico. Só que como não haveria nenhum assessor nessa area nas gravações estes habtos não foram mostrados.”.

    É exatamente isto, PADO.

    Em controle de infecções, existem 02 grandes tipos de isolamento: (1) o Isolamento com Precauções de Contato, para doenças infecciosas transmitidas por secreções e (2) o Isolamento Aéreo, para patologias transmissíveis por partículas aéreas. Em ambas as modalidades de isolamento, as pessoas circunjacentes/circulantes utilizam EPI’s (os Equipamentos de Proteção Individual: máscara, capa, luvas, touca etc.).
    E, indubitavelmente, a maior medida protetiva hospitalar para o controle de infecções: A LAVAGEM DE MÃOS.

    Um abraço.

    A-koo-che-moya, Gene …

  9. Mauricio José Marzano do Nascimento | 25 de dezembro de 2008 at 3:09 pm |

    Prezados:
    Sou novo no grupo mas velho fã da série. Comprei agora o pacote com as três temporados. As críticas que tenho lido são, na minha opinião, um pouco falhas e metafóricas. Não pensei em uma campanha contra o alcoolismo. Pensei muito mais em desnudar a psiquê dos tripulantes para que nós soubéssemos com quem estávamos tratando. E aí reside um dos grandes méritos da série: a abordagem psicológica e a falha dos mecanismos sociais de controle (auto-censura e auto-crítica) como condutoras do caos. Pode ser grave: o primeiro cara tentou suicídio e morreu por vontade própria para perplexidade do McCoy. Os outros foram mais benignos e puseram a nave à deriva. O senso de humor sempre presente foi fantástico comm o irlandes cantando – e muito mal – na sala de máquinas. Kirk desesperado: calem este homem. Episódio sensacional

  10. cesar antonio r martins | 26 de dezembro de 2008 at 10:34 am |

    Post 9^:

    “Sou novo no grupo … . Comprei agora o pacote com as três temporados. As críticas que tenho lido são, na minha opinião, um pouco falhas e metafóricas … .”

    ??????????????????????????????????????????

    “As”, como artigo definido singular, é um determinante muito amplo, significando na frase, sem metáforas ou conotações, a totalidade. Na frase, “As” significa TODAS as críticas.

    Erootôoi se?
    Tís eî?

    Ao gênio psicologista novato do Post 9:
    A pergunta está devidamente transliterada do GREGO ÁTICO, mais conhecido como GREGO CLÁSSICO. Traduz(e) e responde.

    A-koo-che-moya, Gene …

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