Barney Burman fala dos prostéticos em Jornada

barney-burmanO site TrekMovie publicou entrevista com um dos profissionais no ramo de máscaras e protéticos prostéticos para filmes e séries de TV, Barney Burman. Ele fez trabalhos de maquiagem em dois filmes de Jornada. Atualmente é proprietário da Proteus Make-up FX Team, especializada em criar efeitos especiais com maquiagens. Burman falou sobre o trabalho na franquia e no filme de J. J. Abrams.

Burman trabalhou em mais de 80 diferentes projetos para o cinema e televisão. Mas seu primeiro trabalho foi efetivamente em Jornada. Ele colaborou como técnico de laboratório para a maquiagem no filme Jornada nas Estrelas III: A Procura de Spock. Em 1984, ele voltou a trabalhar com maquiagem em Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida. Seus créditos estão incluídos em filmes como Galaxy Quest, Grinch Roubou o Natal, Planeta dos Macacos, Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, Missão: Impossível III e nas séries Buffy, Angel, Arquivo-X e outros.

Jornada nas Estrelas mostrará, sem dúvida muitos aliens novos. J.J. Abrams sempre quis que o filme parecesse tão “real” quanto possível e tentou manter o mínimo de utilização de imagens em CGI para mostrar criaturas alienígenas, preferindo a antiga escola de maquiagem e máscaras. Como diretor artístico, Barney Burman encabeçou a criação de protéticos de maquiagem utilizados no novo filme.

Como você descreveria o trabalho cosmético para o novo filme?

Burman: “Maravilhoso. Eu, o meu supervisor de protéticos prostéticos, Joel Harlow, o chefe do Departamento de maquiagem Mindy Hall, assim como Terry Baliel, do Departamento de cabelo e toda a equipe, creio que demos todos em torno de 150%. Eu nunca tinha visto tantas pessoas talentosas trabalhando tão árduo e produzindo esse tipo de trabalho incrível. Especialmente sob o tempo e as condições orçamentárias que tínhamos de trabalhar”.

O que você fez para se preparar para o seu trabalho no filme?

Burman: “Desenhos anteriores foram revisados. No primeiro encontro nada foi definido e cada opção foi colocada a mesa. Quanto ao que fizemos … você vai ter que esperar para ver o filme”.

Quanto tempo você trabalhou no novo filme?

Burman: “Foi um calendário muito apertado. Acho que tinha algo como 12 ou 15 semanas de preparação antes das filmagens começarem. Olhando para trás, mal posso acreditar que conseguimos fazer isso e nunca perdi um prazo”.

Pode nos dizer se você baseou ou não o agente de segurança da Kelvin em Arex, personagem do desenho animado? O que mais você pode nos dizer sobre Alnschloss K’Bentayr?

Burman: “O personagem Alnschloss não foi inspirado, nem baseado em Arex. Espero que ninguém fique muito decepcionado. Ele foi baseado em um design original pelo incrível e brilhante designer de criaturas, Neville Page. J. J. gostou do desenho de Neville e perguntou se eu poderia realizá-lo como um personagem. Foi o primeiro alien a trabalhar no primeiro dia de filmagem e que fascinou todos nós. Além disso, ele foi trazido à vida por Kasia Kowalczyk, uma fantástica atriz e diretora de Nova York”.

Este não é o seu primeiro projeto com J.J. Abrams, como é trabalhar com ele?

Burman: “J.J. tem um olho para grandiosidade. Não há nada que ele deixe passar. Ele pode detectar um problema ou uma dificuldade ou qualquer coisa que não funcione a quilômetros de distância. E ele adora efeitos especiais com maquiagem. Na última semana de filmagens ele me chamou para o set apenas para partilhar alguma coisa comigo. Foi uma carta que ele recebeu em resposta a uma carta de fã escrita por ele ao meu pai em 1981 (Tom Burman foi um famoso maquiador e ganhador do Emmy Award em seis oportunidades).  Eu fiquei tão comovido por ele que tive de sair as pressas para que não começasse a chorar em frente a toda a equipe. O menor sinal de aprovação ou elogio dele pode tornar o seu dia melhor. Estou emocionado? Provavelmente, mas essa é a forma como me sinto. A maquiadora Michele Burke é inteiramente responsável pela nossa colaboração. E eu uso essa palavra porque J.J. realmente faz você se sentir como é exatamente, uma colaboração. Ele quer que você traga o que tem a mesa e eu adoro isso”.

Como foi trabalhar em Jornada III e VI?

Burman: “Em Jornada III, eu estava na empresa do meu pai. Também trabalhei nesse filme um dia inteiro, numa cena do bar, que foi completamente cortada. Fiquei arrasado. Em Jornada VI, eu estava trabalhando com o maquiador Ed French e nunca fui ao set”.

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Cena deletada em Jornada III: A Procura de Spock

Como foi trabalhar no novo filme e comparar com as suas experiências nos filmes anteriores?

Burman: “Não são sequer comparáveis. Eu tinha pouco a fazer, e nenhuma grande responsabilidade sobre os filmes anteriores. Já com este, tudo estava em minhas mãos e eu não queria fracassar. Esperemos que não tenha ocorrido. Mas, está acabado agora, assim acho que vou deixar os fãs decidirem”.

Tenho de perguntar, você é um fã de Jornada?

Burman: “Eu era um fã da antiga série. Não era de vestir e ir para a convenção tipo fã, mas eu assisti um monte de episódios. E eu gostei de alguns filmes. Mas nunca assisti a nenhuma das novas séries. Eu era um pouco fã de William Shatner, mas parte disso veio do meu pai ter sido o seu maquiador pessoal por vários anos. Então, eu estava trabalhando com o Ed French em Jornada VI, Shatner entrou e reconheceu meu irmão e eu apenas pelos sons de nossas vozes provenientes do quarto ao lado. Ele sempre me surpreendeu como alguém extraordinário”.

Então o que você acha do novo filme?

Burman: “Na minha opinião, ele vai sacudir. Estou muito animado por ser uma parte dele”.

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Fonte: TrekMovie

6 Comments on "Barney Burman fala dos prostéticos em Jornada"

  1. Desde quando são apenas BÍPEDES com CINCO dedos nas MÃOS e apenas DOIS OLHOS na cabeça OVALADA, pra mim não muda quase nada do que sempre foi…

  2. Nelson Pieka Rivaldo | 11 de janeiro de 2009 at 2:06 pm |

    Concordo com você, Rodrigo. Pra mim o maior problema de filmes e séries de ficção é que a base para criar alienigenas é o ator e o orçamento, deixando todos os aliens muito parecidos.

    Ainda acho que a melhor descrição de um ser extraterrestre está no livro O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams: “o Huluvu é uma tonalidade de azul superinteligente”. Quando você conseguir imaginar como é um Huluvu terá uma idéia das espécies que poderemos encontrar.

    O velho “vida longa e próspera” para vocês.

  3. Por isso os vampiros que a Buffy matava pareciam Klingons, era a maquiagem do mesmo cara.
    Mas, tirando um ou outro alien somente um pouco mais trabalhado que os das antigas produções, não teremos nada de mais surpreendente.

  4. Em casa de ferreiro o espeto é de pau, ele não teve tempo em fazer uma peruca pra ele.
    Talvez o termo mais correto seja prosteses, pq não substitui algo que já havia e sim coloca por cima, acrescenta, mas também não corrige.

    PRÓTESE, PRÓSTESE, ÓRTESE

    Prótese e próstese são duas palavras de origem grega, formadas com o mesmo tema, thésis, do verbo títhemi, colocar, acrescentar. Diferem entre si quanto ao prefixo pró- ou prós-. Ambos os prefixos preexistiam na língua grega com as funções de advérbio e de preposição. Pró- tem o sentido de “na frente”, “diante de”, e prós- “junto a”, “sobre”, “próximo”. Em grego clássico também já havia, pré-formados, os termos próthesis e prósthesis, o primeiro na acepção de “colocação à frente”, “diante de” e o segundo no sentido de acréscimo, adição.[1][2]

    Prósthesis foi empregado por Hipócrates, referindo-se a colocação de talas de madeira na imobilização de fraturas do antebraço. [3]

    A tênue diferença semântica dos prefixos pró- e prós- não se manteve nas traduções para as línguas modernas e os dois termos tornaram-se formas paralelas variantes de uma mesma palavra, o que ocorreu já na sua passagem pelo latim. Na língua inglesa usa-se somente a forma prosthesis, enquanto nas línguas neolatinas a forma preferida é prótese. [4][5].

    No sentido de acréscimo, adição, o termo é usado em Gramática para designar a modalidade de metaplasmo em que se acrescenta uma letra ou sílaba no início de uma palavra, sem alteração de significado. Ramiz Galvão, em seu dicionário etimológico das palavras derivadas do grego, recomenda usar próstese somente como termo gramatical e prótese como termo médico. Esta distinção, no entanto, não prevaleceu entre os gramáticos.[6]

    Nas línguas modernas, a forma prothèse foi primeiramente empregada em francês, em 1695. [5] Do francês prothèse passou para as demais línguas neolatinas com as adaptações próprias a cada idioma: espanhol, protesis; italiano, pròtesi; português, prótese.

    Órtese, apesar da semelhança com prótese, tem etimologia muito diversa. Órtese é oriundo da palavra grega orthósis, formada, por sua vez, de orthós, reto, direito, e o sufixo –sis. [5] Este sufixo grego expressa ação, estado ou qualidade. [7] Orthósis, no caso, é a ação de endireitar, de tornar reto, retificar.

    Segundo Marcovecchio, a alteração gráfica de orthose para orthèse ocorreu em francês arbitrariamente, a partir de 1975, sem nenhuma razão que a justificasse. Do francês estendeu-se a outros idiomas.[5] Em português o acento tônico deslocou-se para a primeira sílaba, de que resultou órtese. É provável que a substituição de orthose por orthèse, em francês, tenha se operado por analogia com prothèse.

    Após este preâmbulo, podemos estabelecer a diferença entre prótese e órtese.

    Na terminologia médica atual considera-se prótese a peça ou dispositivo artificial utilizado para substituir um membro, um órgão, ou parte dele, como, por exemplo, prótese dentária, ocular, articular, cardíaca, vascular etc. Mais recentemente, além do conceito anatômico, nota-se a tendência de considerar como prótese também os aparelhos ou dispositivos destinados a corrigir a função deficiente de um órgão, como no caso da audição.[8][9].

    Órtese tem um significado mais restrito e refere-se unicamente aos aparelhos ou dispositivos ortopédicos de uso externo, destinados a alinhar, prevenir ou corrigir deformidades ou melhorar a função das partes móveis do corpo.[9]

    Referências bibliográficas

    1. PEREIRA, Isidro – Dicionário grego-português e português-grego, 7.ed. Braga, Liv. Apostolado da Imprensa, 1990.
    2. BAILLY, A. – Dictionnaire grec-français, 16. ed. Paris, Lib. Hachette, 1950.
    3. HIPPOCRATES – Peri agmon 6. The Loeb Classical Library, vol.1, W. Heinemann Ltd., 1972, p. 111.
    4. DORLAND’S ILLUSTRATED MEDICAL DICTIONARY, 28. ed. Philadelphia, W.B. Saunders Co., 1994.
    5. MARCOVECCHIO, Enrico – Dizionario etimologico storico dei termini medici. Firenze, Ed. Festina Lente, 1993.
    6. GALVÃO, B.F. Ramiz – Vocabulário etymologico, ortographico e prosodico das palavras portuguesas derivadas da língua grega. Rio de Janeiro, Liv. Francisco Alves, 1909.
    7. LOURO, José Inez – O grego aplicado à linguagem científica. Porto, Ed. Educação Nacional, 1940.
    8.HOUAISS, Antônio, VILLAR, Mauro de Salles –Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro, Objetiva, 2001.
    9. REY, Luís. Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan S.A., 1999.

  5. Criar alienígenas é algo complicado.

    Alguém já viu um?

    Não temos referência de como seja um.
    Acho que “pernas” serão iguais em qualquer planeta ou raça.

    Fazer alienígenas humanóides encontra um fundamento plausível a partir do momento em que assumimos que a forma humana não é privilégio de seres “humanos”.

    Cerio que a forma humanóide seja uma peculiaridade dos habitantes da galáxia “Via Láctea”.

    Alienígenas humanóides são ‘parentes’ planetários em um raio determinado de anos-luz.

    Depois desse raio, começamos a encontrar seres fisicamente menos assemelhados a nós.
    É lógico que se começamos a falar nesse nível, é porque já estamos a ultrapassar o limite de via leitosa.

    De qualquer modo, em cenas onde o alienígena aparece de corpo inteiro, aparecem complicações operacionais se o design for muito extrapolado.

    Isso sai caro, financeiramente.

  6. Uma dessas variações alienígenas que mais achei legal foi na série “Enterprise”, da maneira como eles produziram os xindis aquáticos. As naves deles tinham uma arquitetura bem interessante, repleta de água, com alguns poucos compartimentos preparados para convidados respiradores de ar.
    Outros bem interessantes mostrados na série foram os xindi insectóides e os tholianos (originalmente mostrados de maneira tímida na série clássica).

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