Guia de Episódios – TNG 001 x 009 – Justice (Justiça)

História esbanja temática filosófica,
mas não consegue desenvolver o tema

Sinopse:

Data Estelar: 41255.6.

A Enterprise ajuda a estabelecer uma colônia num planeta do sistema Strnad e depois ruma para Rubicam III para uma licença. O povo de lá, Edo, é extremamente carinhoso e sensual e dá as boas-vindas à tripulação.

O grupo avançado descobre que esse é um mundo idílico, onde todos parecem ter tudo o que desejam, e onde o crime não existe. Infelizmente, descobrem também a razão da ausência de crimes: todos os delitos, desde os menos graves até os mais sérios, são punidos de uma única forma –a pena de morte. Isso é descoberto quando Wesley Crusher acidentalmente quebra algumas plantas e é condenado à morte.

Picard deve decidir se irá permitir que se faça justiça segundo as leis do planeta, ou se ignorará a Primeira Diretriz e resgatará Wesley. Para complicar a situação, há uma nave em órbita do planeta que alega ser o deus dos Edos e exige que a Enterprise vá embora daquele setor do espaço, além de retirar a colônia que acabara de estabelecer no planeta próximo.

No fim, Picard decide pelo resgate do filho de Beverly, com base no princípio de que a lei, para ser justa, depende do bom senso na hora de estabelecer exceções, argumento que acaba recebendo a aprovação do deus dos Edos.

 

 

 

Comentários:

“Justice” se propõe a estabelecer uma discussão filosófica. No cerne dela, o conflito inevitável entre dois conceitos próximos, mas distintos: Lei e Justiça.

A verdadeira Justiça pode ser entendida com o que cabe a cada um dos membros de uma sociedade, entre direitos e deveres. O principal problema é que esse é um conceito totalmente abstrato, ou seja, só se forma na mente das pessoas. O que é justo para um é totalmente injusto para outro.

Para cobrir esse terreno entre a abstração da Justiça e a realidade da sociedade, existem as leis. Elas são uma aproximação, um “arredondamento”, do conceito de Justiça, partindo de um consenso. Trata-se de um conjunto de regras criado para permitir o convívio social.

A lei estabelece regras gerais de conduta. Mas, como toda regra geral, obrigatoriamente possui exceções. Se assim não o fosse, não teria como se aproximar do conceito de Justiça em casos especiais e não-previstos pelas regras pré-estabelecidas.

Esta justaposição delicada entre o justo e o legal é exatamente o dilema enfrentado por Picard durante o episódio: deve ele primar pela Justiça ou respeitar as leis dos Edos e a Primeira Diretriz?

Trata-se de um tema dos mais ricos e fascinantes. Infelizmente, foi extremamente mal desenvolvido no episódio. O motivo: a história não consegue falar por si mesma.

O episódio termina por mera decisão de Picard. Ele diz “vamos embora”, troca meia dúzia de palavras com o deus Edo e vai embora para a Enterprise com Wesley. Ponto final.

Isso mostra que os roteiristas entraram em uma questão tão complicada que a solução não se apresentou durante o episódio. Foi necessário incluir um fator arbitrário –a decisão de Picard– para que o enredo pudesse ser concluído.

Olhando estritamente para a história, poder-se-ia dizer que trata-se de um enredo em torno de uma tempestade em copo d’água –tudo acontece porque Wesley amassa umas plantinhas de um jardim dos Edos.

Mas vale lembrar que esse problema supostamente bobo é apenas uma metáfora, construída para ser propositalmente absurda com o único objetivo de mostrar a diferença –da forma mais contundente possível– entre lei e justiça. Ou seja, o episódio ganha enquanto filosfia, mas perde enquanto roteiro.

Em termos de produção, tirando alguns problemas com algumas perucas loiras –que ficaram obviamente falsas e mal-colocadas em certas cenas–, a escolha das locações e das vestimentas para os Edos ajudou a estabelecer o ambiente do planeta.

 

Citações:

LaForge – “They make love at the drop of a hat.”
(“Eles fazem amor ao menor cumprimento.”)*
Yar – “Any hat.”
(“De qualquer um.”)*
*
como a tradução literal era impossível, fez-se uma adaptação livre.

Data – “Would you choose one life over a thousand?”
(“Você escolheria uma vida em lugar de mil?”)
Picard – “I refuse to let arithmetic decide questions like that.”
(“Recuso-me a deixar a aritmética decidir questões como essa.”)

Picard – “There can be no justice as long as laws are absolute. Even life itself is an exercise in exceptions.”
(“Não pode haver justiça enquanto as leis forem absolutas. Até mesmo a vida é um exercício em exceções.”)
Riker – “When has justice been as simple as a rulebook?”
(“Desde de quando a justiça foi tão simples quanto um livro de regras?”)

Trivia:

 Esse foi o primeiro episódio desde o piloto a utilizar locações externas para as filmagens. As cenas exteriores do planeta dos Edos foram filmadas em Tilman Water Reclamation Plant, localizada ao norte de Los Angeles, e a cena da queda de Wesley foi filmada no terreno da Biblioteca Huntington, em Pasadena.

Ficha técnica:

História de Ralph Wills e Worley Thorne
Roteiro de Worley Thorne
Direção de James L. Conway
Exibido em 09/11/1987
Produção: 009

Elenco:

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William Thomas Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher
Denise Crosby como Natasha “Tasha” Yar

Elenco convidado:

Brenda Bakke como Rivan
Jay Louden como Liator
Josh Clark como Comando
David Q. Combs e Richard Lavin como Mediadores
Judith Jones como garota Edo
Brad Zerbst como enfermeiro
Eric Matthew e David Michael Graves como garotos Edos

3 Comments on "Guia de Episódios – TNG 001 x 009 – Justice (Justiça)"

  1. O piór do episódio é que no final das contas Wesley sobreviveu. Se arrependimento matasse!

  2. Antonio de Pádua | 26 de fevereiro de 2012 at 2:20 pm |

    Episódio boboca e chato. Na época que passou na TV parei de assistir TNG por causa dele, tamanha foi a decepção. Voltei só depois de um tempo quando a 3ª temporada começou a passar.

  3. Antonio de Pádua | 26 de fevereiro de 2012 at 5:48 pm |

    Para mim uma outra “pisada na bola” deste episódio é o fato de retratar a sociedade perfeita dos Edos: todos brancos, loiros e de olhos claros, enquanto num outro episódio da primeira temporada (Code of Honor) uma raça de bárbaros, desonestos e sem honra é retratada só com negros. Realmente por esta e por outras a 1ª temporada de TNG foi horrível.

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