TB analisa blu-ray de Star Trek: Sem Fronteiras

3dStar Trek Sem Fronteiras foi uma grata surpresa neste ano de 2016 em que se comemorou os 50 anos de Jornada nas Estrelas. Um excelente filme que superou as expectativas, mantendo-se fiel às raízes da franquia. Muito além do cinema pipoca habitual (para as resenhas detalhadas do filme, o Trek Brasilis tem publicações aqui e aqui, e fala sobre a trilha sonora aqui). Agora, neste final de ano, o filme foi lançado no Brasil em Blu-Ray 3D, Blu-Ray 2D, DVD e versão digital (nas mais variadas distribuidoras desse formato). Também foi uma grata surpresa o lançamento em alta definição em Blu-Ray. Para os colecionadores brasileiros, não é novidade que o formato está morrendo rapidamente por estas bandas.

O mercado de mídia física está em forte declínio no mundo tudo, especialmente no Brasil. O consumidor geral não migrou do DVD para o Blu-Ray, preferindo, sobretudo, as alternativas de streaming, como Net Now e Netflix. No entanto, o maior problema é sempre a pirataria, praticada em volumes estrondosos em nosso país, o que dificulta a competição no mercado pelos selos oficiais. O mercado de home theater brasileiro está em fase tão incerta que o próprio Blu-Ray poderá desaparecer em breve. Embora tenha sido lançado no Brasil quase que simultaneamente com o exterior em 2007, o formato foi vítima de uma política gananciosa por parte da maioria das distribuidoras que aqui operam, com lançamentos iniciais de discos custando, sem justificativas, quase o triplo do mesmo filme em DVD, o que afastou, rapidamente, eventuais entusiastas pela nova tecnologia.

Com o passar dos anos, os preços dos discos Blu-Ray foi reduzido, mas essa circunstância coincidiu com a chegada de serviços de vídeos online, como a Netflix, o que sepultou de vez qualquer chance de disseminação do Blu-Ray no mercado nacional. Hoje, os lançamentos em Blu-Ray estão restritos a novos filmes e séries de TV por meio de poucas distribuidoras, como Disney, Fox e Sony. Há um bom tempo não temos lançamentos de filmes de catálogo pelas maiores distribuidoras brasileiras, tanto que não há previsão da chegada aqui do novo Blu-Ray de “Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan – Edição do Diretor”, embora lançado nos EUA com opções de dublagem e legendas em português (já analisado pelo Trek Brasilis aqui).

Há um bom tempo que a Paramount não trazia seus lançamentos para o formato Blu-Ray no Brasil. Aliás, a própria Paramount abandonou a distribuição brasileira de discos Blu-Ray, delegando a tarefa à Sony, com poucos e esparsos lançamentos. Por tais motivos, a expectativa era que teríamos apenas o DVD de Star Trek Sem Fronteiras nas lojas, devendo recorrermos aos formatos digitais (distribuídos pela Apple iTunes Store, Google Play dentre outros) para assistir ao filme em alta definição (HD 1080p).

Contras as expectativas, a Paramount/Sony de fato lançou aqui as versões Blu-Ray, embora com preços exorbitantes, o que simplesmente não ajuda o nosso mercado de home vídeo nesse momento tão delicado. A edição Blu-Ray 2d, com um único disco contendo o filme e os extras, custa R$ 69,90. A edição Blu-Ray 3D, duplo, que acompanha o disco 2D, custa R$ 89,00. A edição simples em DVD custa R$ 39,90.

Imagem

O Blu-Ray de Star Trek Sem Fronteiras, em ambas as versões 3D e 2D, é apresentado na proporção original de cinema, 2.39:1. Star Trek Sem Fronteiras foi gravado digitalmente em 2D, com o uso de câmeras ARRI Alexa XT e Red Epic Dragon, com resolução 3.4K por padrão e de altíssima resolução 6K para cenas específicas. No entanto, os efeitos especiais em computação gráfica foram renderizados em 2K e o filme, na versão final pós-produção, finalizado também em 2K para exibição nos cinemas. Embora filmado em 2D, o filme foi convertido também na pós-produção para 3D. Para a produção do Blu-Ray, o filme teve sua resolução de imagem reduzida para 1080p, máxima permitida para esse formato.

Sobre a qualidade da imagem, é excelente na versão 2D, com extraordinária resolução, nitidez e cores. Os detalhes do cenário e dos uniformes se destacam, muito além das possibilidades que o DVD oferece. Embora seja um filme escuro, as cores são muito vibrantes, principalmente nos uniformes amarelo, azul e vermelho.

Contudo, a versão 3D perde um pouco na qualidade de imagem. Isso porque Sem Fronteiras é um filme escuro por padrão, mesmo nas cenas na superfície do planeta Altamid. Os óculos 3D também são escuros e bloqueiam bastante o brilho que emana da televisão. Logo, o filme que já é escuro fica mais escuro, prejudicando a qualidade da exibição. Para contornar esse problema, pode-se aumentar o brilho da TV, mas em contrapartida os níveis de preto em muitas cenas tornam-se cinzas, estragando a qualidade da imagem.

A Paramount poderia ter masterizado o Blu-Ray 3D com aumento de claridade nas cenas escuras, adaptando-as melhor para a exibição em 3D. Essa prática é muito comum nos filmes em 3D, mas não foi o caso aqui. Por outro lado, os efeitos em 3D são muito bons e compensam a experiência, com senso de profundidade impressionante, em destaque os corredores no interior da USS Enterprise e da cena da própria nave entrando na estação Yorktown.
Para os que possuem TV e Blu-Ray com função 3D, essa a versão que deve ser comprada, para uma experiência mais próxima a do cinema.

Som

O áudio em inglês é apresentado no novo padrão Dolby Atmos, que exige um home theater compatível com oito canais de áudio, para uma verdadeira imersão sonora em 360 graus. Para quem não tem um home theater compatível com esse formato, há opção para Dolby TrueHD 7.1 (48kHz, 24-bit). A opção de dublagem em português está apenas em Dolby Digital 5.1. Legendas disponíveis em português, inglês, francês e espanhol.

Extras
No quesito extras, a Paramount novamente incorreu no mesmo erro cometido no Blu-Ray do filme anterior, “Além da Escuridão”. Por conter apenas um disco na embalagem, os poucos extras estão juntos com o filme em si. O ideal seriam os extras em disco próprio, para que se evitassem economia de dados no disco principal do filme. Como resultado, por questão de espaço, temos apenas duas curtíssimas cenas deletadas; nove documentários de curta duração, sem maior abrangência da produção; e uma compilação divertida de 5 minutos dos erros de gravação.
As duas cenas deletadas não trazem nada de especial. Na primeira, intitulada Kirk e Scotty no terminal, com 45 segundos, Scotty menciona que vai encontrar-se com a Tenente Romaine, personagem que era seu interesse romântico no episódio da Série ClássicaLights of Zetar”. A segunda cena, com apenas 19 segundos, tem uma breve conversa entre Scotty e Jaylah.

Já os curtos documentários são os seguintes:

• Além da Escuridão (10:08): como o terceiro filme foi concebido após o segundo.
• A Queda da Enterprise (4:31): motivação do roteiro para a destruição da Enterprise.
• Dividido e Conquistado (8:17): o desenvolvimento do roteiro com a tripulação separada em grupos.
• Um Senso de Vingança Distorcido (5:15): análise do vilão, Krall.
• Jornada pelo Deserto (3:06): gravação em Dubai.
• Explorando Novos Mundos (6:02): a concepção do Planeta Altamid.
• Nova Vida, Novas Civilizações (8:04): criação das máscaras e próteses alienígenas.
• Uma Vida Longa e Próspera (7:51): o futuro da granquia.
• Para Leonard e Anton (5:04): homenagem à Leonard Nimoy e Anton Yelchin, recentemente falecidos.

Se o fã brasileiro quiser também a trilha de comentários em áudio do diretor Justin Lin, acompanhando o filme com PIP (tela menor dentro da maior – com as diferenças antes e depois dos efeitos especiais), terá que comprar também a versão digital exclusiva da iTunes Store da Apple, pelo custo de 15 dólares. Contudo, o Trek Brasilis já conferiu esse material e não o considerou fator justificante para a compra da versão digital da Apple. Justin Lin não parece muito empolgado na gravação da trilha e os seus comentários são um tanto óbvios, basicamente descrevendo a concepção de algumas cenas. Ou seja, é material que o só o trekker fervoroso fará questão de ouvir, embora nada acrescente de relevante sobre os bastidores da produção.

Há outros extras produzidos, mas por enquanto são exclusivos de uma edição em Blu-Ray que só está à venda nas lojas da Target nos EUA, contendo um disco adicional com esse material. Lamentável, assim, essa decisão da Paramout de desmembrar os extras entre várias edições, fazendo com os que os fãs desembolsem uma verdadeira fortuna para completar todo o material dos bastidores.

Conclusão

Dado o gradativo desaparecimento do formato Blu-Ray das prateleiras, permanecendo o DVD reinando absoluto entre as mídias físicas, não era nem esperado que Star Trek Sem Fronteiras fosse lançado em alta definição no Brasil. Logo, é motivo para festejar, não fosse o alto custo desses discospor aqui. Trata-se de uma edição competente, mas não extraordinária ou essencial, dada a baixa qualidade do material suplementar que acompanha ao filme. Contudo, se você é trekker, dispõe de recursos e está com pressa para completar a coleção, é uma ótima aquisição. Se não houver pressa, recomenda-se aguardar alguns meses para comprar o filme em promoções nas lojas físicas ou virtuais.

13 Comments on "TB analisa blu-ray de Star Trek: Sem Fronteiras"

  1. Maurício Oliveira | 20 de dezembro de 2016 at 6:20 pm |

    Queerroooo!!!!

  2. Depois vou arrumar um desse aí!

  3. Para completar a coleção de Blu-Rays comprarei!
    Ah, e só um pequeno detalhe: é Justin Lin!

  4. Blu não. DVD 2D mesmo. Vou caçar por aí.Afinal, não é pra menos ser homenageado em STB e ainda por cima completando ST50.

  5. Ricardo Pinheiro | 22 de dezembro de 2016 at 3:49 pm |

    Meu problema c/ BD é simples: Eu n tenho um player, n sinto necessidade de ter um, n ligo meu DVD player tem 1 ano, e o Netflix supre minhas necessidades. O q n tem por lá, está nos 3 Tb de vídeos do meu servidor, na minha “Netflix pessoal”. E tem tudo q consegui achar de ST, preferencialmente em full HD.

    Logo, comprar o BD seria pra por na prateleira, ao lado dos DVDs dos filmes, dos boxes da TOS e do box da TNG q ganhei certa vez. N sei qdo iria assistir.

  6. Ricardo Pinheiro | 22 de dezembro de 2016 at 4:00 pm |

    Ah, qto á pirataria, eu acho q é uma desculpa esfarrapada das produtoras. Sempre jogam a culpa em quem compartilha conteúdo, mas eu já copiava fitas VHA com episódios de Arquivo-X nos anos 1990 e mandei pelo Correio pra muita gente. Arquivo-X n deixou de ser o sucesso q teve por conta da “pirataria”.

    O fato é q o Blu-Ray n tem o impacto desejado, por causa de alguns fatores: a popularização da Internet; a avalanche dos serviços de streaming; a ganância das produtoras, cobrando + do q deveria nas mídias; a demora na popularização das TVs LCD, entre outros – como a cópia.

    Por + q eu seja colecionador de ST, ainda n comprei o Into Darkness, muito menos o STB. Mas ainda n sei em q formato comprarei. Mas na minha “Netflix pessoal” já está lá, em full HD. 😉

  7. Eu comprei o blu-ray na semana de lançamento e não me arrependi eu acho que vale a pena prá se dar de presente de natal.

    Os extras não foram surpresa para mim porque eu já tinha visto antes pois estavam na internet, então a culpa é minha. De qualquer forma assistir o filme várias vezes quando quiser é ótimo sem contar que apesar da tela da tv ser bem menor que a do cinema, o filme no blu-ray está bem mais claro do que o 3D que vi no cinema.

    Prá quem gosta de assistir filmes pelo google o filme já estava disponível para comprar lá desde a semana de lançamento.

    FELIZ NATAL PRA TODOS!!!🎄

  8. No meu dia a dia, as pessoas que conheço nem compram mais DVD, quanto mais BD, todo mundo usa a internet e no meu caso comprei a Ira de Khan em BD mesmo sem dublagem só de teimoso, pois quando quero rever o filme dublado tenho que usar o DVD… BD sem dublagem é um absurdo… Goonies não tem dublagem em BD, como que o mercado vai pra frente? mas na Netflix tem Goonies dublado.

    Sem Fronteiras tenho no meu PS3, quer dizer, vou esperar baixar o preço pra comprar o BD.

    Fui colecionador de DVD de 2002 a 2012 e hoje em dia compro uns 4 BDs por ano… o futuro é o streaming, vai ter tudo direto na tv.

  9. A diferença é que a mídia física a gente só compra uma vez, o streaming tem que ser assinante a vida toda, às vezes, de mais de uma plataforma.

    Também acho que o streaming é o caminho, a facilidade é desproporcional, mas aqueles que tenho preferência tento guardar no armário ainda.

  10. É um erro deles, penso. Depois que disponibilizam na Netflix (que quase todo mundo tem), não é inteligente vender um blu-ray por R$ 69. Eu mesmo, por mais que goste, não pago não. Se fosse R$ 29 eu pagaria até sorrindo. Na Saraiva do shopping aqui encontrei diversas e consagradas séries completas (O Senhor dos Anéis 3 filmes, Alien 4 filmes) pelo mesmo preço do ST Beyond.

  11. Ricardo Pinheiro | 26 de dezembro de 2016 at 5:28 pm |

    Vendo e presente de Natal o BD do Into Darkness, a 24,90. Ficou tão em conta q a madame (trekkie) me deu também um livro. De ST, claro. Teve também mais um livro, mas aí n é coisa de trekker.

  12. Comprei meu BD 3D de STB, maravilhoso. Como colecionador ST não poderia deixar de tê-lo. Minha única ressalva é a capa traseira…Que bosta foi aquilo, letras azuis para as três versões, não dá para ler absolutamente nada. Será que para os yanquees também é assim?

  13. A sim, custei a degludir, nessa idéia de universo alternativo, a substituição da NCC 1717 por uma estação espacial para só assim dar origem a 1701 Alfa (foi o que li em outras fontes ST antigas). Na minha opinião, a idéia original de Refit da yorktown para a Alfa dava melhor sentido em reaproveitamento de outra nave com mesmas características. Uma nave mais moderna, como sita STB, me soava como a nova classe excelsior e assim quem sabe, reboot previsto para TNG em próximas produções.
    As imagens da 1701 entrando na deep space yorktown são belíssimas, em BD são muito boas, não seria saudosismo nenhum ela ter se chamado DS K7. Por que não?

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