Jornalista do SporTV mostra seu lado trekker

Como um verdadeiro fã de Star Trek, nas horas vagas e para tirar o stress, o jornalista esportivo Bob Faria se diverte construindo itens de série, como naves, quadros, interruptores da casa e até quadros, tudo usando uma impressora 3D que comprou especialmente para isso. Apaixonado por ficção científica e, claro, pela Série Clássica em primeiro lugar, Bob falou da infância quando descobriu o universo que passou a amar e colecionar, colocando Star Trek literalmente dentro da sua vida.

Confiram a entrevista completa:

Trek Brasilis – Desde quando você é trekker?

Bob Faria – Desde pequeno. Eu comecei a assistir quando passava de tarde na TV Bandeirantes, em 1983, 84. Eu chegava correndo da escola dentro de casa para assistir. Eu sempre fui muito fascinado por ficção científica desde pequeno. Li Julio Verne e grandes escritores de ficção científica desde pequeno, com 5, 6 anos. Tinha uma sequência (de programas na TV) que passava Star Trek, Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, Thunderbirds. Mas o que eu sempre gostava era Star Trek. Era meu programa favorito.

TB – Você é o tipo de trekker que gosta de ter coisas do universo, tem até um quarto temático de Star Trek.

Bob – Já fui oficial de ciências (mostra camisa azul de TOS) e fui promovido (mostra camisa amarela de TOS) para capitão. Isso aqui é uma caverninha, um laboratório, pois eu faço muitas coisas ao mesmo tempo. Isso para mim é para desestressar da pressão do trabalho. Eu gosto de brincar com eletrônica, outras coisas e música. Aqui eu faço umas coisas, uso minha impressora 3D. Estou no meio de uma reforma e personalizando, turbinando com tema Star Trek. Quando eu era pequeno, tinha muita vontade de ter uma Enterprise de brinquedo e na época, basicamente não existia, apenas importado, não tinha no Brasil. Quando eu consegui comprar um modelo da Enterprise e montei, fiquei com aquilo na cabeça… (e decidi que) preciso ter todas. Então, comecei a colecionar Enterprises. Eu tenho um monte de modelos. Tem modelos de metal, umas que eu mesmo fiz e tem as que comprei prontas. Eu fiz algumas coisas imprimindo, como um motor de dobra que é um abajur, quadro em 3D com modelo da Enterprise-A, a Reliant e a nave do Cochrane, Discovery, Enterprise-E e uma Voyager.

TB – Até um comunicador da Série Clássica você colocou nesse quarto.

Bob – Eu tenho um comunicador que instalei aqui no barracão para falar com alguém lá de casa. Quando preciso falar com alguém, uso ele. Tem um painel com luzes, tomada, ventilador. Os interruptores daqui também são personalizados. Faço na impressora 3D. Fiz réplica do faser, placa comemorativa da Enterprise. Estou tematizando tudo. Agora estou fazendo outro feiser de plástico na impressora 3D.

TB – Fazendo tudo isso, falta ter apenas a camisa vermelha da engenharia.

Bob – É verdade, falta a camisa vermelha, mas essa camisa dá azar (risos).

TB – A Série Clássica é a que mais gosta?

Bob – Talvez por ter sido a primeira, mas gosto muito de A Nova Geração e Voyager, mas a Clássica tem os personagens, que apesar do estereótipo, têm uma química que é difícil de reproduzir como personagens de ficção. Eles têm uma química, principalmente o trio principal. Eu me identifico e cada um se identifica. A Série Clássica é muito legal. Eu gosto inclusive das novas versões feitas pelo JJ Abrams, que me emocionaram de ver no cinema. É engraçado que a gente foi envelhecendo com Kirk, Spock, Mcoy. De certa forma, tem um cânone que é muito mágico, divertido.

TB – Alguma série você não gostou ou gosta de tudo de Star Trek?

Bob – Eu não gosto muito de Deep Space Nine. Eu acho os personagens fracos, apesar de alguns clássicos como Worf. Acho as histórias meio chatas, entediantes. Foi a série que eu menos vi. Enterprise, da NX-01, gostei até metade pois depois ficou meio repetitiva, mas assisti inteira. Dos filmes no cinema, Star Trek: The Motion Picture quando vi no cinema achava sensacional e hoje vejo acho chatíssimo. Já o segundo, Star Trek II: The Wrath of Khan, acho fantástico. Sempre que está passando paro para ver e vejo até o fim, porque adoro. Gosto de Star Trek a criatividade, inventividade. A minha tese na faculdade foi “o impacto da ficção científica no desenvolvimento tecnológico da humanidade”. Star Trek tem muito a ver com isso. Muita gente inteligente e importante foi influenciada pela série. Muitas vezes para resolver um problema de orçamento na série, viraram inspiração para criações tecnológicas maravilhosas, como o replicador de alimentos, para ter o que comer numa missão de cinco anos. Depois, começaram a inventar comida desidratada, de microondas, empacotada para astronauta. Acho muito curioso essa relação da realidade inspirada na ficção.

TB – E Star Trek: A Nova Geração?

Bob – Eu gosto muito, tenho até uma Enterprise-D. Acho Picard um personagem fantástico. Tive para ver uma peça com ele (Patrick Stewart) em Nova York, mas acabou que tive que viajar antes, mas queria muito ter visto. Patrick é um ator clássico. Mas claro, A Nova Geração tem uns episódios mais fracos, mas a premissa da série é muito legal. Assisti toda, do início ao fim. É muito divertida.

TB – Falando de Picard, Star Trek entrou num novo momento. Do que pensa dessa nova fase?

Bob – Discovery gostei muito. Tem umas coisas emocionantes, como na hora que a USS Discovery encontra a Enterprise no final da temporada. Maravilhoso. Mas achei a história confusa, a solução final é meio confusa. Tem um negócio em cada lugar no tempo. Achei a solução de roteiro meio confusa. Mas assisti, adorei e estou esperando a nova temporada em outubro. Picard também gostei, mas a série para mim foi uma memória afetiva do personagem. A história é meio padrão e no final sabia que ele não iria morrer. Aquela cena dramática não era como a do Kirk, que morreu de verdade. Mas assisti também e achei bem bacana. A cena do Data no final foi emocionante para quem é fã.

TB – Star Trek está tentando pegar um público mais jovem com Lower Decks e mais a frente com Prodigy pela Nickelodeon. Na sua visão, a franquia tem esse gás para isso tudo?

Bob – Eu só não gostaria que acontecesse com Star Trek o que aconteceu com Star Wars, que virou muito produto de feira. Tampa de vaso com a cara do Darth Vader é ruim. O personagem é muito denso para ter esse tipo de merchandising. [Essa nova fase de Star Trek] é interessante. Lower Decks vai ser uma comédia e Star Trek sempre teve um humor muito aguçado. Não sei se será um humor mais pastelão, mas deve ser divertido [Nota da redação: a entrevista foi realizada antes do lançamento da série]. Mas o universo de Star Trek tem fôlego. Vou te dar um exemplo. A Série Animada clássica é muito ruim, embora tivesse as vozes dos atores principais. Mas era um desenho dos anos 1960, chato de ver. Talvez essa nova série animada seja mais legal.

TB – O que Star Trek plantou no seu coração, na sua vida?

Bob – Eu teria que refletir um pouco mais, mas tem dois valores que são muito caros, queridos, que são uma linha constante. A ética acima de tudo, mesmo que isso te custe muito caro, inclusive a vida. Outra é a amizade, o sacrifício pela amizade. São duas coisas muito importantes para mim. Se você tem uma relação de amizade, cumplicidade, irmandade com qualquer um, seja esposa, filhos, amigos, tem um bônus muito grande. A série fala muito disso, principalmente a Série Clássica. Aquele núcleo especial, o trio. Eu diria que isso moldou o meu caráter. Se você tiver que se sacrificar pela ética, por suas amizades, faça isso.

TB – O futuro otimista de Star Trek é muito utópico para você?

Bob – Acho que um futuro de contatos imediatos tão desenvolvido, com alguém morando em Vulcano, outro morando noutro planeta, acho difícil disso acontecer dentro do ciclo de existência da raça humana, pois as distâncias são absurdamente gigantescas. Mas olhe por um lado interessante. Reduza essa convivência intergaláctica para uma planetária e a gente se relacionar como um mundo só sem fronteiras, como na ponte da Enterprise com um cara da Rússia, outro da África, Vulcano, Iowa, acho que é possível chegar num estágio de estabilidade de convivência. Certamente nós, nessa encarnação, não veremos isso e nem nossos descendentes próximos.

TB – Você tem filhos? Quem mais compartilha Star Trek com você em casa?

Bob – Tenho um filho adolescente que adora ficção científica e Star Trek. A série preferida dele é Enterprise e acho que é porque ele estava crescendo e a série estava no ar. Enterprise foi para ele como a Clássica foi para mim. A caçula tem seis anos e ainda não entende.

TB – Star Trek com décadas de existência está viva como nunca.

Bob – Tem gente que se perde no meio desse caminho e dá uma enlouquecida. A pessoa fica obcecada e permeia a vida em torno da série, principalmente nos EUA. O cara sai para rua com uniforme da série e veste a família inteira assim, tira fotos. Eu acho isso uma distorção da percepção. Tem gente que coleciona camisas de futebol. Eu gosto dos utensílios de ficção científica, decoro a mobília, mas isso não permeia a minha vida. Isso não faz a minha vida cotidiana embotada. Temos que ter cuidado com isso. É arte, consuma a arte como arte e não como um norte da vida, senão enlouquece e fica igual aquele nerd do porão sem uma vida de verdade.

TB – Obrigado pela entrevista e deixa uma mensagem para a galera do Trek Brasilis, principalmente aqueles que já te conhecem das transmissões de esportes e agora conhecem seu lado trekker.

Bob – Divirtam-se. Consuma Star Trek como uma forma de arte. De fato é uma, várias formas de arte, na música, cinema, televisão, quadrinhos. Mas como toda forma de arte, você filtra aquilo que te faz bem e o que serve para atravancar sua vida, deixa um Vida Longa e Próspera (termina com o gesto do sinal Vulcano).

Confira alguns vídeos enviados por Bob de sua coleção:

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