Jesse Keitel fala sobre atuação em Star Trek

O episódio de Star Trek: Strange New Worlds, “The Serene Squall”, trouxe um personagem não-binário Doutore Aspen. Jesse James Keitel, na verdade, interpretou mais um personagem, capitão pirata Angel, operando nas margens do espaço da Federação.

Keitel causou boa impressão pelo trabalho, e que pode originar um vilão transgênero na série. O ComicBook.com conversou com Keitel, que falou sobre se juntar à família Star Trek, na representação LGBTQ+ e, disse se podemos esperar mais de Angel.

Keitel comenta sobre sua admiração pela franquia.

Eu sou grande Trekkie. Sinto que me tornei ainda mais fã desde que me juntei à família Star Trek. Eu não cresci com Star Trek, mas sempre fui fã de ficção científica. Sempre admirei. E então, uma vez que comecei a atuar, tudo o que eu queria era fazer um projeto icônico de ficção científica como Star Trek, e muito mais quando entrei na história real do programa. E não acreditei no que estava acontecendo. Quando eu realmente pisei na Enterprise, foi incompreensível. Ainda estou tonta com isso, enquanto estamos tendo essa conversa.

A revelação, no final, sobre quem seu personagem era de fato, trouxe a Jesse Keitel uma emoção especial.

Isso não passou despercebido por mim. Eu perdi o fôlego porque, realmente não recebi o roteiro completo até que eu já estava no Canadá fazendo minha quarentena de duas semanas, me preparando para filmar. Quando recebi o roteiro, houve muitos momentos em que eu fiquei tipo, “Ah, eu vou subir na Enterprise! Ah, eu farei isso!” Era irreal e me deixou abalada por fazer parte disso, continuamente.

Não me deram muita informação, na verdade. Foi como duas pequenas cenas realmente. Me disseram apenas que esse personagem teria uma conexão sincera e honesta com Spock, que também pode não ter as melhores intenções e isso foi praticamente o que fiquei sabendo. Mas o que me deixou mais empolgada foi ser uma mulher trans em Star Trek que podia ser má. Foi muito emocionante poder interpretar um personagem queer que recebeu permissão para ser um pouco malvado.

As séries atuais de Star Trek vem recebendo muita atenção pela representação LGBTQ, chegando ao reconhecimento do GLAAD Media Awards. Para Keitel, sua experiência interpretando personagens LGBTQ foi muito importante para a atuação em Strange New Worlds.

Eu diria que meu papel em Queer as Folk é muito esclarecido pelo lado transgênero do meu personagem, não definido. E eu diria que o mesmo vale para Angel. Eu tenho a liberdade de ser uma cadela bagunçada no Queer as Folk e, francamente, isso também acompanha aqui. Damos muita permissão para personagens heterossexuais e CIS em qualquer projeto. Nós lhes damos permissão para falhar, para serem maus, para serem bons, para serem heróis, para serem anti-heróis. Ainda não estamos no lugar da mídia para dar aos personagens queer a mesma liberdade. Então, meu papel em Queer as Folk, me deixou em êxtase por poder cometer erros e aprender com esses erros. E juntando isso com meu papel em Star Trek, acho que é hora de termos um supervilão trans foda. Eu não acho que elus estão em desacordo um com o outro. Acho que são mais do que complementares. Acho que são dois lados da mesma moeda.

Doutore Aspen e depois, Angel tiveram várias cenas com Spock de Ethan Peck. Keitel deu suas impressões de trabalhar com Peck e como foi construir essa relação entre esses dois personagens.

Ethan é um cara tão legal. Ele me recebeu com uma presença tão calorosa. Eu me senti tão bem cuidada como convidada na Enterprise como Jesse, mas também como Doutore Aspen. Foi muito fácil conversar com ele porque há algo sobre Spock que Aspen entendia. Aspen o viu realmente frustrado e o viu lutando com: “Eu ou não? Quem sou eu? Quem eu não sou?” E eu acho que o que é tão legal em usar a estranheza de Aspen/Angel como uma metáfora é que as oportunidades são ilimitadas. Acho que todo o meu entendimento de não-binário na minha vida, desempenhou um papel muito complicado na minha vida e nas minhas identidades anteriores e outros enfeites, e sempre voltava para mim: “nada disso é real, essas regras não importa”. Eu não tenho que atribuir a essas regras. Eu posso fazer o que eu quiser. Essas regras são limitantes, e eu não encontrei liberdade dentro dessas caixas. E algumas pessoas fazem. Algumas pessoas encontram liberdade na contenção. Isso não é Angel. E também não acho que seja Spock.

Para a atriz, grandes objetivos requer grandes desafios, e as suas expectativas eram altas, mas havia também a pressão de não dar certo. Por outro lado alguns momentos no set lhe deram uma verdadeira alegria.

Esse sentimento soprou nas minhas expectativas. Acho que especialmente com projetos de alto nível, há esse medo dessa pressão, mas essa pressão desapareceu quando cheguei lá e pude me divertir. Eu não podia acreditar o quanto eu me diverti fazendo isso. Foi de longe o episódio de TV mais divertido que eu já fiz, sem dúvida, mas também a qualidade do set e a qualidade dos adereços e a qualidade do figurino e do cabelo e maquiagem. Os phasers são pesados! Os phasers têm peso, eles parecem reais. Entrar na engenharia e trabalhar com aquela parede AR foi inesquecível, realmente foi uma experiência alucinante, muito disso, apenas a qualidade de tudo. Eu ficava pensado tipo, “Oh meu Deus, estamos realmente fazendo TV premium”.

Perguntada como reagiria se os fãs pedissem pelo retorno de Angel:

Eles sabem o que é bom para eles.

Você pode assistir os episódios de Star Trek: Strange New Worlds todas as sextas no Paramount+.

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