Em conversa no podcast Dropping Names with Brent and Jonny, ao lado de Brent Spiner (Data) e Jonathan Frakes (Riker), o responsável pela temporada final de Star Trek: Picard, Terry Matalas, falou sobre o spin-off Legacy, que nunca chegou a ser aprovado, e soltou histórias de bastidores.
Legacy ainda não morreu (para ele)
A série nunca esteve oficialmente em desenvolvimento, e parte do elenco já saiu de cena. Marina Sirtis, por exemplo, chegou a dizer que não voltaria. Matalas rebateu com um “nunca diga nunca” e explicou que a ideia nunca foi fazer apenas mais uma sequência de A Nova Geração:
Legacy não era para ser só mais uma continuação de A Nova Geração. Era para trazer gente nova, jovem, para dar um gás. Tínhamos uma ótima ideia para o Worf, o Alexander e os Klingons, mas ia voltar a ter a cara de A Nova Geração
Patrick Stewart também estava animado. Segundo Matalas, o ator disse: “Eu quero ser o cara que aparece na tela e dá as missões para ele”. E o showrunner completa: “Eu pensei: ‘Não sei por que não estamos fazendo isso’.”
A premissa conhecida segue Sete de Nove, Raffi, Jack Crusher e a recém-batizada Enterprise-G em sua exploração no século 25. Parte dessa ideia vem sendo explorada nos quadrinhos.

Em entrevista recente ao TrekMovie, Matalas disse acreditar ainda na proposta, mas que um novo projeto sob os novos chefes da Paramount “não seria exatamente igual”, já que Star Trek, para ele, “precisa atrair novos espectadores, além de honrar os antigos“.
O “pior momento” da 2ª temporada
Matalas também reabriu uma crítica dos fãs em Picard: a cena de “Two of One”, em que o Dr. Soong, personagem de Brent Spiner, atropela Picard com um carro. Para o showrunner, o momento foi um erro, já que a cena não faz sentido dentro da história nem dentro dos personagens:
Violou meu senso de narrativa e desenvolvimento de personagens decentes. Pense bem: quais são os grandes momentos de Star Trek? Tem o Kirk e o ‘Khaaaaan!’. Tem os Borg. E tem quando o Brent Spiner atropelou o Patrick Stewart com um carro.”

Em “Two of One”, Picard e a tripulação vão a uma festa em 2024 para proteger Renée, sua ancestral. Na saída, o Dr. Soong (Brent Spiner) avança de carro sobre ela, e Picard se joga na frente e é atropelado, o que o leva ao coma.
Uma temporada feita às pressas
A 3ª temporada foi filmada em paralelo à segunda, com os estúdios retomando a produção após o lockdown da pandemia. Segundo Matalas, ela precisava ser finalizada em cerca de oito semanas. Ele conta que, quando as filmagens da 2ª temporada já estavam adiantadas, não havia nada pronto para a seguinte:
Nós tivemos oito semanas para juntar tudo, porque estávamos muito atrasados na temporada 2 de Picard. Não havia nada na mesa para a temporada 3. Mas Akiva Goldsman, ocupado com a segunda, me incentivou a seguir com a minha própria visão.
A ideia central era um “Butch Cassidy e Sundance Kid” com Picard e Riker, como ponto de partida para trazer todo mundo de volta. Matalas disse a Frakes que o objetivo era reunir o elenco, e o ator brinca que topou, mas ficou preocupado com a forma física. Havia ainda a questão do orçamento, sem dinheiro nem espaço para todos, ele precisou definir quem entrava na história. Michelle Hurd, a única regular a sobreviver às duas primeiras temporadas, ficou com a “culpa de sobrevivente” de ver o resto sair. Era preciso também um filho para Picard, papel que foi para Ed Speleers, com quem Matalas voltou a trabalhar depois.
A temporada ainda teve uma cena de pôquer, no encerramento, que Matalas decidiu filmar de forma diferente: ele colocou várias câmeras e deixou o elenco jogar e conversar como uma família, e boa parte desse material foi parar na cena final. Spiner disse que é a última lembrança que gostaria de ter desses personagens:
Eu estou feliz de ter essa cena de pôquer no final. É a última lembrança que eu quero ter desses personagens. Eles estão juntos como família.
O retorno de Data
Trazer Spiner de volta foi decisivo, e o retorno de Data envelhecido não foi imediato. O ator temia que o androide precisasse parecer jovem para manter sua inocência.
Eu até que gosto da ideia de ser velho porque tive uma cena incrível no final da primeira temporada de Picard, escrita por Michael Chabon , uma cena belíssima que foi realmente excelente . Mas quando me convidaram para fazer Picard , eu disse : ‘Mas eu sou velho , como posso ser o Data?’ E aí , lembrem-se, eles me convenceram : ‘ Temos computação gráfica , você vai ficar exatamente como era antes . ‘ E acabei parecendo alguém do Planeta dos Macacos ; não parecia nada com o Data.
Chegou-se a cogitar uma versão mais velha com outro nome, “Datum”, mas o nome não fazia sentido, já que “Datum” significa dado que é o singular de Data (em inglês Dados). Spiner ligou para Matalas numa tarde de domingo, de dentro do carro, e disse que tinha que ser Data. Matalas brinca que o truque com ator é fazê-lo acreditar que a ideia foi dele.
Spiner contou ainda que só entrou de fato na 3ª temporada a partir do episódio 6 (The Bounty), e que acompanhou os elogios do público aos colegas, com medo de não agradar, o que, segundo ele, não aconteceu. Ele também lembrou uma conversa com Gene Roddenberry sobre o arco de Data, que terminaria o mais próximo possível do humano sem nunca chegar lá. Segundo Spiner, Roddenberry chegou a compará-lo a Cristo, “que morreu e voltou”.
Jean-Luc ou Picard
Durante o podcast, Frakes contou que Patrick Stewart chegou a perguntar, por telefone, se o título da série deveria ser Jean-Luc ou Picard.
Bem, [Stewart] me disse ao telefone: ‘Você prefere Jean-Luc ou Picard ?’ [para o título]. Eu disse: ‘Tem que ser Picard .’ Primeiro, já existem muitos Jean-Lucs, e [Picard] tem um K forte. É ótimo, e é uma palavra só. Você acha, Johnny?’ [disse Patrick] Eu disse: ‘Sim, eu acho que sim! Picard !’
De assistente de produção a showrunner
O bate papo foi também um passeio pela carreira de Matalas. Ele começou nos anos 1990 como assistente de produção em Voyager, contratado por Merri Howard, a quem atribui sua ida a Los Angeles.
Matalas contou que passou de assistente de produção a assistente de roteiristas de Bryan Fuller, e que um almoço com Ron Moore o deixou perto do momento em que Moore pensava em refazer Battlestar Galactica. Ele lembra ainda que Enterprise começou logo após o 11 de Setembro, e que ele estava lá como assistente no início. Nos anos seguintes, ele passou por MacGyver, ao lado de Henry Winkler, John Rogers e Cindy Appel, que Spiner descreve como a única pessoa de quem ele realmente gostou.
Antes de assumir o comando da terceira temporada de Star Trek: Picard, Terry Matalas chegou a conversar sobre a possibilidade de comandar uma série sobre Khan, desenvolvida pela equipe de Alex Kurtzman e Akiva Goldsman. O projeto, que não chegou a se concretizar como série de televisão, acabou dando lugar a outras oportunidades dentro da franquia. Quando Matalas perguntou o que mais estava em desenvolvimento na Secret Hideout, ouviu falar de uma produção centrada no retorno de Jean-Luc Picard. Embora inicialmente lhe dissessem que o projeto já estava destinado a outra equipe, ele deixou claro que era justamente aquela que queria fazer. Mais tarde, Matalas trabalharia na segunda temporada de Picard e assumiria o comando da terceira, reunindo o elenco de A Nova Geração.
Matalas é hoje o showrunner de VisionQuest, série limitada em oito episódios da Marvel, com Paul Bettany e James Spader. Ele disse ter dirigido dois deles. Os dois amigos ainda o parabenizaram pelo Saturn Award de melhor série dramática pela 3ª temporada de Picard.
Fonte: TrekMovie
Descubra mais sobre Trek Brasilis
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
