TNG 1×04: Code of Honor

Roteiro fraco e preconceituoso prejudica história direcionada para Tasha Yar. Leia agora a revisão do Trek Brasilis para “Code of Honor”, de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração.

Sinopse:

Data Estelar: 41235.25.

Quando a Enterprise chega a Ligon III para obter uma vacina necessária para conter uma praga em outro planeta, Tasha Yar é sequestrada pelo líder ligoniano, Lutan. Ele quer que ela se torne sua esposa, e para isso, precisa passar por um combate até a morte com Yareena, a atual esposa do chefe.

Precisando da vacina e incapaz de intervir usando de força em razão da Primeira Diretriz, Picard aceita que Yar participe do combate. Quando Yar vence, espetando Yareena com uma arma envenenada, as duas são levada à Enterprise, onde a doutora Crusher está pronta para ressuscitar a ligoniana derrotada.

Após ter sua morte registrada, Yareena volta à vida, tirando de Lutan todos os direitos às propriedades dela e transferindo-os a outro ligoniano, Hagon, que passa a ser seu novo marido. Lutan fica como o “número dois”.

Comentários:

“Code of Honor” segue a tradição da maioria dos episódios do primeiro ano de A Nova Geração: ele é todo escrito para demonstrar uma “moral ad história”. No caso, a mensagem é dada pelo total fracasso de Lutan ao fim do episódio. “Quem tudo quer, nada tem”, diz o episódio.

Uma mensagem adicional que pode ser extraída é “não jogue com os outros, pois eles podem fazer isso com você”. E foi exatamente isso que Picard e cia. fizeram com o espertalhão líder de Ligon III. Ressuscitando Yareena após seu combate com Tasha Yar, tiraram de Lutan todas as suas propriedades e garantiram que o então líder do planeta passasse a ser um réles subordinado.

Tirando essa filosofia de fundo de quintal, pouco resta da história que mereça ser valorizado. Preconceituoso, o episódio mostra uma civilização de costumes e condutas bárbara em que, curiosamente, todos os seus membros são negros. Um ponto lamentável na história de Jornada nas Estrelas.

De qualquer maneira, o episódio apresenta alguns marcos importantes. A relação entre Wesley e o capitão começa a se aprofundar, com uma mãozinha da doutora Crusher. Graças à intervenção dela, o menino ganha até a chance de sentar-se em uma das estações da ponte.

Tasha mostra mais uma vez sua fragilidade emocional, ao se reconhecer atraída tão facilmente pelos (tão poucos) encantos de Lutan. E dá até para entender que o ambicioso líder esteja querendo trocar de mulher. Com alguém como Yareena, uma das personagens mais chatas da história da televisão, qualquer um bolaria o mais sórdido dos planos, só para se ver livre dela.

A discussão da Primeira Diretriz entra em ação pela primeira vez em A Nova Geração, e descobrimos que Picard não é tão flexível quanto Kirk com relação a isso. Entretanto, ele já mostra sinais de que driblar a lei talvez seja uma solução satisfatória. Kirk era mais cara-de-pau, mas na prática o resultado é o mesmo.

Citações:

Picard – “Oh, yes… speaking as a mother…”
(Ah, sim… falando como mãe…)

Riker – “But I warn you. If you get hurt, I’ll put you on report, captain!”
(Mas estou avisando. Se você se ferir, vou colocá-lo em meu relatório, capitão!)

Lutan – “Then there will be no treaty, no vaccine and no lieutenant Yar!”
(Então não haverá tratado, nem vacina e nem tenente Yar!)

Trivia:

  • A escritora Katharyn Powers, uma fã da série clássica e escritora veterana de séries como “Kung Fu”, “Logan’s Run” e “Fantastic Journey” conhecia D.C. Fontana há um longo tempo quando recebeu uma proposta para ajudar nas idéias da recém-criada Nova Geração. Ela e seu colega Michael Baron inicialmente tentaram usar como base a cultura dos samurais japoneses para a raça réptil Tellsians. Porém nem todo mundo gostou dos resultados. Tracy Tormé, um escritor eventual da Nova Geração, depois disse que ficou até embaraçado com o visual “África tribal dos anos 40” do episódio, e que a luta entre Tasha Yar e Yareena lembrou muito a luta Kirk versus Spock no clássico episódio “Amok Time”, porém sem o mesmo charme.
  • Os quadrados amarelos e pretos do Holodeck fazem sua estréia neste episódio, porém o painel de comando vocal utilizado por Tasha nunca mais voltou a aparecer na série.
  • O compositor Fred Steiner fez a trilha sonora deste episódio, e nunca mais voltou a compor para a série. Ele foi o único compositor da Série Original a compor a trilha de um episódio da Nova Geração.

Ficha técnica:

Escrito por Katharyn Powers & Michael Baron
Direção de Russ Mayberry
Exibido em 12/10/1987
Produção: 004

Elenco:

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William Thomas Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher
Denise Crosby como Natasha “Tasha” Yar

Elenco convidado:

Karole Selmon como Yareena
Michael Rider como chefe do transporte
Jessie Lawrence Ferguson como Lutan
James Louis Watkins como Hagon

15 Comments on "TNG 1×04: Code of Honor"

  1. Um dos piores episódios. Sem comentários ….

  2. A melhor coisas dessas sinopses são as Trivias. Mto bom saber desses detalhes.

  3. Jorge Rodrigues | 17 de dezembro de 2008 at 9:08 pm |

    Faltou comentar a péssima direção, ao menos de ação. Explorar a comparação acima, entre o duelo Kirk/Spock e o deste, chega a ser cruel. Os movimentos das lutadoras são tão lentos que anulam qualquer realismo – já comprometido pelo cenário horroroso do combate (quem é pai viu seus filhos se movimentarem muito mais rapidamente pelos semelhantes brinquedos tipo “tarzan”, dos parquinhos infantis).

  4. Até o pior ep. de VOYAGER ganha desse.

  5. Não concordo que foi preconceituoso!
    Lembro deste ep, acho visualmente feio.

  6. Na minha opinião, muitas das estórias “horríveis” poderiam ser desenvolvidas e amadurecidas para se tornarem um clássico.

    Esse episódio parece que foi feito correndo, às pressas.

    Há um sabor de “cru” em toda essa produção, desde o modo como a câmera se comporta, passando pelos figurinos, cenários, até nas atuações dos personagens.

    Tais erros “educaram” a série ao longo do tempo.

    **********************

    Sou forçado a concordar com a matéria onde é citado o tom preconceituoso desse episódio.
    Se quisessem dar uns cutucões culturais indiretos para “esta” ou “aquela” raça ou etnia da realidade terrestre, poderiam usar o lado nobre dessa cultura social para vexar a faceta discriminatória que toda cultura tem.

    Picard poderia ter evitado aquela luta desnecessária da Tasha Yar.
    Acredito que nenhum oficial da Federação está subordinado a imposições culturais que os coloquem em risco.

    Vacilaram.

  7. Ruim, como a maioria dos episodios da primeira temporada de TNG. Ela levou um tempo pra se acertar, tempo este que hoje s executivos não dão a nenhuma série, errou: não deu audiência, cancelou.Mas não vejo como preconceituoso o fato da raça ser negra, vejo como ERRO mesmo de concepção e tentativa de fazer algo diferente. Quanto ao figurino outro ERRO, datado demais com a década de 1980, so faltaram as ombreiras. Coisas de figurinista que se baseia no que na moda da época para criar o ‘futuro’. TOS tmbem teve isto, claça boca de sino para os KELVANS de ‘By another name’.

  8. Ruim, como a maioria dos episodios da primeira temporada de TNG. Ela levou um tempo pra se acertar, tempo este que hoje s executivos não dão a nenhuma série, errou: não deu audiência, cancelou.Mas não vejo como preconceituoso o fato da raça ser negra, vejo como ERRO mesmo de concepção e tentativa de fazer algo diferente. Quanto ao figurino outro ERRO, datado demais com a década de 1980, so faltaram as ombreiras. Coisas de figurinista que se baseia no que vê na moda da época para criar o ‘futuro’. TOS tmbem teve isto, calça boca de sino para os KELVANS de ‘By another name’.

  9. Eduardo Cordeiro | 18 de dezembro de 2008 at 1:16 pm |

    Episódio insatisfatório com certeza. Agora, preconceituoso? Só porque a raça mostrada no episódio é negra? Faria alguma diferença se tivessem traços orientais ou caucasianos? Acho que Jornada está muito acima destes esteriótipos.

  10. Cara esse episódio é tosco, e deve ser encarado assim, a garota que luta com a Tasha naquela gaiola ridicula parece figurante de clipe do MC HAMMER, U can’t touch this…..

  11. Antonio de Pádua | 18 de dezembro de 2008 at 5:55 pm |

    Ainda bem que TNG se corrigiu a tempo e as outras temporadas foram melhores. Considero este e o episódio “Justice” como os piores da série.

  12. Não sei pq preconceituoso…

    Não poderá existir um planeta povoado por uma raça humanoide negra ou branca ou verde?

  13. Um episódio muito ruim, diga-se de passagem. Como bem lembrado, o episódio todo parece um clipe do “MC Hammer”… Mais anos 80 impossível!

  14. Também não achei preconceituoso o episódio. Eles apenas se inspiraram em tribos africanas que ainda existem até hoje e que são formadas apenas por negros. E isso não quer dizer que essas tribos sejam racistas ou preconceituosas.

  15. Sinceramente Salvador, nos poupe…
    Parece nazista procurando enumerar as possíveis justificativas para seu preconceito contra os judeus…
    Qual é o problema?
    E se fosse silvícolas brasileiros?
    Aí tudo bem né!!!!
    Ridículo!
    Quanto aos movimentos serem lentos, nós estamos falando de um oficial da frota que está em um combate tentando se defender e ao mesmo atacar o oponente sem ferí-lo, ao mesmo tempo que o oponente tem ukma arma fatal e só tem a preocupação de vencer, mas ao mesmo tempo sem confiança e sem fôlego prá tal….
    Aí vira uma luta de boxe de 2 pesos pesados…
    Quanto a se inspirar aqui ou acolá, que diferença faz?
    Eu sou realista e acho que a hmanidade só terá contato com outras no espaço quando tiver evoluído ao ponto de serem exatamentes como os et’s que alguns afirmam terem visto, ou seja, quase nada que lembre um ser humano de hoje, sem individualismos aparentes…
    Então, deixem o pessoal sonhar à vontade…

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