Trek Brasilis analisa a trilha sonora de Sem Fronteiras

stb-soundtrackMúsica é uma companheira constante das sagas de Star Trek. Às vezes com muito destaque, como na Série Clássica e nos filmes de cinema, às vezes meio apagada, como na maioria dos episódios das séries A Nova Geração até Enterprise. Porém, mesmo nestes, os temas de abertura se destacam e são facilmente identificáveis até por muitos que não são devotos das aventuras imaginadas originalmente por Gene Roddenberry.

Ao assumir a criação das trilhas sonoras para os filmes da atualmente chamada Kelvin Timeline, o compositor Michael Giacchino seguiu a linha que o diretor J.J. Abrams definiu para estes longas: uma homenagem prolongada, mas com identidade própria. Assim, fomos surpreendidos em 2009 com a música de Star Trek, de volta aos cinemas após 7 anos. Diferente da muitas vezes vazias trilhas de blockbusters, as composições de Giacchino traziam personalidade, força, e deixavam uma memória marcante. Seu novo tema para a franquia apresentou-se como uma música complexa, de muitas camadas, mas que várias vezes referenciava o passado de Star Trek com as inconfundíveis 4 notas de abertura, com o eventual encaixe da famosa fanfarra e uma releitura do clássico tema criado por Alexander Courage em 1964 para o episódio-piloto The Cage, e que a partir de 1966 perdurou por 79 episódios para a televisão e em um novo arranjo para a abertura dos 23 episódios de A Série Animada entre 1973 e 1974.

Quando assisti o novamente musicado por Giacchino Star Trek: Sem Fronteiras em sua pré-estreia, no último dia 30, eu já havia ouvido o CD várias vezes desde seu lançamento no iTunes, há uma semana da data, e pude compreender como se encaixava a música instrumental que havia ouvido “às escuras” anteriormente. Com o mesmo tema da Kelvin Timeline, desta vez o conjunto da obra se diferenciava do anterior, Star Trek: Além da Escuridão, criando identidade própria com novidades, mas não deixando de demonstrar em momento algum que ainda fazia parte da trilogia de trilhas sonoras de Giacchino para a franquia, criando um sentimento de continuidade e de unidade.

Atenção: o texto a partir daqui pode conter pequenos spoilers, mas nada que não tenha sido mostrado ou sugerido pelos trailers do filme!

giachino

Com 18 faixas em 61 minutos, o trabalho começa com a música Logo and Prosper, material quase igual ao das faixas de abertura dos outros dois filmes, mas desta vez com uma surpresa, a presença de duas das quatro conhecidíssimas notas musicais da abertura da Série Clássica. Esse quarteto de notas é uma das muitas assinaturas de Star Trek que estão tatuadas na memória coletiva da Humanidade, ao lado de Spock, da nave Enterprise, do teletransporte, entre outras referências. Não à toa, o primeiríssimo teaser da nova Star Trek Discovery conta com elas quando promete “novas tripulações, novos herois, novos vilões e novos mundos”. As duas primeiras notas surgem ao mesmo tempo em que a USS Enterprise NCC-1701 aparece inicialmente em tela, num ângulo audacioso que só o CGI é capaz de nos proporcionar.

Thank Your Lucky Stardate é uma faixa que conduz, com o uso de piano, o status atual da missão de cinco anos da tripulação de Kirk e Spock. Também serve para que a rotina da nave seja apresentada ao espectador. Night on the Yorktown talvez seja a grande surpresa e o maior presente que Giacchino fez para os trekkers. Uma música romântica e contemplativa, com o uso das vozes de um coral, para nos mostrar o nível tecnológico da Federação Unida de Planetas com a estação Yorktown, uma impressionante e gigantesca obra do século 23 nos rincões do Espaço explorado. É difícil não se emocionar apenas ouvindo a música, imaginem vendo em tela as belíssimas imagens que a acompanham em Sem Fronteiras.

Suspense é o que The Dance of the Nebula traz em sua composição. A saída da USS Enterprise em sua jornada até o misterioso planeta Altamid, com uma recepção inesperada em A Swarm Reception. Hitting the Saucer a Little Hard, de sua metade ao final, traz novamente um coral enquanto nos despedimos de uma antiga e querida amiga.

Jaylah Damage apresenta a alienígena Jaylah, personagem de Sofia Boutella, que será bem importante na trama daqui para frente. Como se trata de uma mulher guerreira, a música traz elementos de tambores e muita empolgação. É seguida de In Artifacts as in Life; Franklin, My Dear; A Lesson in Vulcan Mineralogy; trechos que servem apenas como pano de fundo para o desenrolar da ação, sem grandes destaques. Porém, em MotorCycles of Relief, ouvimos uma trilha de ação e superação, invocando o tema principal, numa cena que culmina em um dos pontos altos que enchem os olhos em sua execução pelo diretor Justin Lin.

Krall-y Krall-y Oxen Free inicia o terceiro ato de Star Trek: Sem Fronteiras, e ao lado de Shutdown Happens, é apenas a musicalização incidental para o que vemos em tela. Porém, a próxima faixa, Cater-Krall in Zero G, dá o tom para a resolução da questão principal do filme, e a redenção de seu elenco principal, sendo seu final misterioso, como é o Espaço.

official-teaser-poster-brazilPar-tay for the Course fecha a trama de Sem Fronteiras com um tema emotivo de união, que lembra uma família que volta a estar próxima após um tempo difícil, e onde decisões que precisariam ser tomadas agora são repensadas em busca de um objetivo em comum. Ao seu final, com o tom elevado e magistral, o tema do Kelvin Timeline é reintroduzido para que, no filme, entrem as tradicionais quatro notas da Série Clássica seguidas da fanfarra tão querida por todos. No CD, esse trecho fica de fora.

Star Trek Main Theme fecha o disco, com o tema criado por Michael Giacchino para Star Trek, como claramente diz o nome da faixa. Deve ser notado que, desta vez, não ouvimos a parte com a releitura da abertura da Série Clássica, de Alexandre Courage. É uma pena que o CD de Sem Fronteiras não traga o material sonoro que é exibido na tela do cinema quando dos créditos finais. E outra ausência sentida é a propagandeada canção Sledgehammer, da cantora Rihanna, que é tocada durante os letreiros do fim de Sem Fronteiras (e cujo clipe, em IMAX, foi exibido antes da atração principal na sessão de pré-estreia no Brasil). E alguns ainda poderão reclamar que a ausência de um clássico dos Beastie Boys no CD possa ter sido… sabotagem!

A trilha sonora de Star Trek: Sem Fronteiras é encontrada no iTunes, Apple Music, Spotify e em demais lojas virtuais ou aplicativos e sites pagos de música streaming, além da Amazon.com e lojas estrangeiras que ainda vendem CDs.

9 Comments on "Trek Brasilis analisa a trilha sonora de Sem Fronteiras"

  1. Achei essa trilha sonora, embora menos temática, mais melódica e bela que as duas anteriores do Giacchino. Gostei!

    É mesmo estranho que a canção de Rihanna não esteja incluída, tal qual as músicas de Steppenwolf e Roy Orbison foram incluídas na trilha sonora de First Contact.

    Acho que a sequência completa do encerramento do filme, incluindo o tema de Courage, só será disponibilizada em uma edição especial da trilha sonora para colecionadores; ou seja, para quem tiver paciência para esperar e dinheiro extra para gastar.

  2. Excelente análise Fernando!

  3. Sempre fui um crítico do trabalho de Michael Giacchino nos filmes anteriores, porém este ele fez um excelente arranjo. A atracação da Enterprise em Yorktown (Night on the Yorktown), um casamento perfeito entre cena-música, lembrando os arranjos épicos de Jerry Goldschimit em Star Trek I. Se fosse para dar uma nota seria 9.

  4. Musica incidental é o que nos faz lembrar dos melhores momentos e dos melhores filmes. Giacchino está chegando nesse nível com a trilha de STB.

  5. The best of the best: John Willians. Porque? Além de fazer belas músicas, a maioria delas faz lembrar os filmes e vice-versa.

  6. Sim, John Williams é o melhor, assim como também o mais caro. Williams está rico, e só não se aposentou porque não quis. Sua principal parceria é com Steven Spielberg. É improvável que JJ o chame, dadas restrições de orçamento e sua já produtiva parceria com Giacchino. Dito isso, é claro que um tema de Williams para Star Trek seria algo maravilhoso. Um sonho que dificilmente se realizará.

  7. Infelizmente.

  8. A trilha sonora para Yorktown é inesquecivel.
    Bem como a própria Base!!

  9. Philipe Nunes Bindá | 3 de setembro de 2016 at 10:22 pm |

    Gostei do rock que usaram para desorientar e destruir as naves do Krall. Alguem sabe qual musica é?

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