Easter eggs e referências de “The Sanctuary”

ATENÇÃO: ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS!

O 8º episódio da 3ª temporada de Star Trek: Discovery, denominado “The Sanctuary”, contém muitos easter eggs e referências dos demais seriados e filmes de Star Trek. Estes são os que encontramos.

Este é o segundo episódio desta temporada a ser dirigido por Jonathan Frakes, sendo o anterior  “People of Earth”. São seis episódios de Discovery dirigidos por Frakes desde 2017. Esta semana marca a quinta vez de Jonathan Frakes na cadeira de diretor de Discovery, e sua 23ª no geral na franquia.

Os roteiristas deste episódio são Kenneth Lin e Brandon Schultz. Este parece ser o primeiro episódio de Kenneth Lin, mas Brandom Schulz, no ano passado, escreveu o episódio “The Girl Who Made The Stars” de Short Treks.

É novamente mencionado por Burnham que a nave de Book é capaz de usar transwarp, um termo associado a algumas tecnologias que permitiam a utilização de velocidades que excediam os limites tradicionais de acionamento de dobra, visto no episódio “Descent” de Star Trek: The Next Generation. No caso, a nave de Book tinha apenas 50% de chance de sobreviver à viagem a Kwejian.

O almirante Vance diz a Burnham e Saru que “A Corrente transformou as violações da primeira diretriz em uma forma de arte.” O que ele quer dizer é que, basicamente, a Corrente Esmeralda está contatando planetas pré-dobra, e explorando os habitantes destes planetas. Isso lembra a luta entre os kelpiens e os ba’ul no episódio “The Sound Of Thunder” da 2ª temporada de Discovery.

Um mapa no gabinete do almirante Vance mostra uma zona cardassiana e uma zona klingon.

Book cita a praga dos gafanhotos do mar, que destroem as plantações de Kwejian. Gafanhotos são a 8ª praga do Egito. Na tradição judaico-cristã, por vezes referidas como as dez pragas do Egito, foram dez calamidades que, de acordo com o livro bíblico do Êxodo, o Deus de Israel infligiu ao Egito para convencer o faraó a libertar os hebreus ou israelitas, maltratados pela escravidão. Este é o oitavo episódio da temporada de Discovery.

Osyraa é interpretada por Janet Kidder, sobrinha da atriz Margot Kidder, a Lois Lane do filme do Superhomem, e já apareceu em várias séries, como  por exemplo, em The Man in the High Castle, Continuum, Earth: Final Conflict, Supernatural, Fringe e Arrow.

Quando Oysraa (Janet Kidder), a líder da Corrente Esmeralda, é revelada no começo do episódio, no planeta Hunhau, ela segura uma antiga insígnia da Frota Estelar, como as vistas em Star Trek: Picard.

O logotipo no anel de Osyraa também é visto na interface holográfica de Tolor. O logotipo apareceu em interfaces semelhantes no início desta temporada em “That Hope Is You” em Hima. É provável que seja a insígnia da Corrente Esmeralda.

Foto de Jörg Hillebrand @gaghyogi49

Saru está trabalhando em seu bordão para dar ordens de uma maneira legal e está tendo dificuldades. O capitão Pike usa “Hit it”, introduzido pela primeira vez no episódio “Brother”, da 2ª temporada de Discovery. Mas no piloto “The Cage” da Série Clássica  deve-se notar que Pike disse “Engaje”. A capitão Freeman também tentou encontrar um bordão, no episódio “Envoys” de Star Trek: Lower Decks, usando “warp me”.

Os bordões testados por Saru foram:

  • Execute: Usado por Kurn,  irmão do Worf, no episódio “Sins of the Father” de Star Trek: The Next Generation.
  • Hit it: Usado pelo capitão Pike em Discovery
  • Manifest, mas ninguém gosta deste.
  • Carry on

Quando Saru pede a Adira para isolar aspectos da música na nebulosa, eles encontram um sinal de socorro da Federação. Este efeito sonoro soa um pouco como um alerta de computador da era de Star Trek: The Next Generation.  Você pode ouvir uma amostra aqui. Mas, a maneira como eles decifram a informação sonora é um pouco parecida com a maneira como Uhura e Spock decifram o sinal da sonda alienígena em Jornada nas Estrelas IV: A Volta para Casa.

Falando de áudio, quando Saru entra na ponte, o início do episódio, ouvimos o apito de três notas de contramestre. Isso tem origens na história naval real, mas para os fãs de Star Trek, este efeito sonoro é mais famoso porque está associado à Série Original.

Quando a música é tocada, Tilly a reconhece como a canção cantarolada pela família Barzan a bordo do USS Tikhov, no episódio “Die Trying”. É também a música que Adira toca no violoncelo, no episódio “Forget Me Not”.

Finalmente temos uma vista completa do osnullus vermelho que trabalha na ponte, representado pela atriz Avaaz Blackwell.

Adira diz a Stamets que eles estão tendo dificuldade em descobrir qual personalidade do hospedeiro é a mais dominante. Isso lembra o que Ezri Dax passou em Deep Space Nine, quando, como Adira, ela recebeu um simbionte trill de repente.

Assim como vimos em “Scavengers”, Georgiou experimenta um flashback do Universo Espelho novamente. Ela diz novamente San. Isso faz referência a um personagem mencionado em um romance chamado Die Standing,  escrito por John Jackson Miller, publicado pela Gallery Books. Este livro também tem Georgiou cruzando caminhos com Emony Dax, um dos prévios hospedeiros de Dax, o simbionte de Jadzia e Ezri Dax.

Os sensores neurais  progrediram bastante, veja na figura: acima, como visto no episódio “The Battle” de Star Trek: The Next Generation e abaixo, os deste episódio.

Foto de Jörg Hillebrand @gaghyogi49

A tecnologia médica também avançou no século 32. A mesma ferramenta médica é usada para escanear, injetar medicamentos e como interface de controle de outros dispositivos, combinando tricorders médicos e hiposprays em uma só ferramenta.

Foto de Jörg Hillebrand @gaghyogi49

A nave de Osyraa se chama Viridian, que é um pigmento azul-esverdeado, , um óxido de cromo hidratado, e é um composto mais verde do que azul. É um nome apropriado para a nave principal da Corrente Esmeralda que é a aliança Orion/Andoriana (verde/azul).

A USS Discovery tem uma sala de música com um piano, que Stamets toca acompanhando Adira no violoncelo. Pode também ser um dos novos holodecks instalados com a atualização da Discovery.

Sobre o piano, vemos um metrônomo futurista. Um metrônomo clássico é visto no episódio “Human error” de Voyager, assim como uma versão tipo borg. Um metrônomo hiveriano foi visto no episódio “Moist Vessel” de StarTrek: LowerDecks.

Enquanto Osyraa zomba de Saru e da história da escravidão kelpien, ele contradiz dizendo: “Se a memória serve, os orions já foram escravizados.” Usar a frase “Se a memória serve”, é uma referência ao episódio “If Memory Serves” da 2ª temporada de Discovery. Na era da Série Clássica, era geralmente assumido que os orions lidavam com mulheres escravas, como a famosa dançarina orion verde, em “The Cage”. No entanto, o episódio “Bound” de Star Trek: Enterprise, inverteu essa suposição, e revelou que as mulheres de Orion estavam usando uma ilusão de escravidão para realmente controlar o Sindicato do Crime de Orion. Quando Oysraa diz: “Meus ancestrais sabiam que o poder é virtude e que não há nobreza no sofrimento”, ela provavelmente está se referindo à aparência falsa de que as mulheres foram escravizadas, quando na verdade, eram elas que comandavam todo o governo de Orion.

A pintura na casa de Kyheem em Kwejian é chamada de “Abstract 35714” , pintada por @kimkeever. Kim Keever cria sua arte subaquática abstrata com tinta, usando um enorme aquário. O ex-engenheiro da NASA, que virou artista,  joga várias cores de tinta na água, criando lindas paisagens abstratas. Veja mais obras dele aqui.

Foto de Jörg Hillebrand @gaghyogi49

Osyraa menciona a Kyheem que vai queimar 10 hecapates de florestas a cada minuto de atraso na entrega de Burnham e Book. Hecapate é uma unidade bajoriana de área terrestre. No episódio “Penumbra” de Deep Space Nine, Benjamin Sisko comprou doze hecapatos de terra ao sul do rio Yolja na província de Kendra, em Bajor.

Book menciona que Oysraa está usando torpedos fotônicos para bombardear a superfície de Kwejian. Isso parece implicar que a Corrente Esmeralda tem tecnologia à moda antiga. Torpedos fotônicos deveriam estar desatualizados.

Quando Detmer decide usar o controle manual completo da nave de Book, ela de repente tem um par de joysticks nas mãos. Esta parece ser uma referência à direção manual da Enterprise em Star Trek: Insurreição. Nesse filme, Riker (Jonathan Frakes) pilotou a Enterprise da mesma forma que Detmer pilota a nave de Book aqui. Tanto esse filme quanto esse episódio foram dirigidos por Jonathan Frakes!

A batalha entre a nave do Book, pilotada por Detmer, e a Viridian da Osyraa, lembra o estilo dos confrontos dogfight, com uma estética muito similar às da cinessérie Star Wars. As dogfights são, na origem, batalhas aéreas entre aviões de combate realizadas em proximidade, um componente em todas as grandes guerras, desde a Primeira Guerra Mundial. Em Star Wars, quando chegou a hora de transmitir sua visão para batalhas espaciais, George Lucas buscou inspiração em cenas dessas batalhas aéreas. Filmes de guerra e filmagens de caças da Segunda Guerra Mundial serviram como base para suas batalhas espaciais emocionantes, diferentes de tudo o que o público já tinha visto antes. Veja mais detalhes aqui.

Book e seu irmão são empáticos. Esta é uma referência ao episódio “The Empath” da Série Clássica, mas também, à empata mais famosa da história de Star Trek, a betazóide Deanna Troi.

Burnham também menciona que a Discovery vai amplificar os sinais empáticos de Book e Kyheem, assim como fizeram em Kaminar. Isso faz referência ao episódio “The Sound of Thunder”, da 2ª temporada de Discovery, onde o sinal usado para evoluir todos os kelpiens através do vahar’ai foi amplificado pela Discovery.

Adira Tal (Blu del Barrio) está tentando descobrir coisas, tanto pessoais quanto referentes ao segredo sobre a Queima. Ele revelou a Paul Stamets (Anthony Rapp) que prefere ser identificados como “elu” (they/them em inglês – a dublagem e legendas traduziram de forma literal e equivocada they/them como eles/deles) pois nunca se sentiu como ela ou dela. Elu é o tratamento preferencial para os não-binários no Brasil, e é como Blu del Barrio se identifica.

Culber fala para Stamets na Engenharia se ele está queimando o óleo da meia-noite (burning the midnight oil), que significa ficar acordado até tarde da noite para trabalhar ou estudar. Esse expressão foi usada algumas vezes em Star Trek. No episódio “Fair Haven” de Voyager, a capitão Kathryn Janeway, que estava trabalhando muito tarde uma noite no refeitório, disse a Neelix que ela estava “apenas queimando o óleo da meia-noite”, ao que Neelix respondeu que já era muito depois da meia-noite. No episódio “All Good Things …” de Star Trek: The Next Generation, o capitão Jean-Luc Picard ordenou a Miles O’Brien que contornasse o indutor secundário de plasma, o que exigiu que O’Brien realinhasse toda a rede elétrica, afirmando que “todos nós vamos queimar o óleo da meia-noite neste aqui”. Data, que ouviu O’Brien, disse que isso seria desaconselhável, porque qualquer “tentativa de incendiar um produto petrolífero nesta nave às 0:00 horas ativaria o sistema de supressão de fogo”.

Estes são os easter eggs e as referências que encontramos. Se você encontrar mais alguma, coloque nos comentários.

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