ENT 1×16: Fusion

T'Pol E Tolaris na Vaklis

Primos de Sybok vêm à Enterprise e chutam o balde da continuidade

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

Archer está com T’Pol em seu gabinete, segurando um livro infantil. A capa mostra a imagem de uma nebulosa azul –a mesma que aparece no monitor do capitão. T’Pol abre o livro onde vemos que o jovem Archer, de oito anos, escreveu seu nome: “Do almirante Jonny Archer”.

O painel de comunicação apita e ouvimos a voz de Reed informando ao capitão que há uma nave se aproximando e que eles estão chamando. Trata-se de uma nave de transporte vulcana, mas de uma classe que não é usada há muitos anos, segundo T’Pol. A Enterprise responde ao chamado, e um vulcano chamado Tavin aparece na tela. Ele é diferente dos outros vulcanos, seu cabelo é muito mais comprido, suas roupas são mais casuais e ele é incomumente amigável. Tavin exclama: “É muito bom ver vocês”.

T'Pol e Archer vendo um livro

A nave vulcana se revela civil, em uma missão de exploração. Tavin diz a Archer que eles não são vulcanos típicos. Ele pede assistência nos reparos de sua nave, e Archer concorda. T’Pol está intrigada pelo encontro, e desconfiada. Ela não gosta do que está acontecendo.

Os vulcanos são convidados a bordo da Enterprise, onde Archer e T’Pol compartilham uma refeição com Tavin e um de seus colegas de tripulação, Tolaris –um vulcano silencioso e sinistro. Naturalmente, uma refeição vegetariana é preparada para os vulcanos. Eles entretanto manifestam mais interesse no frango que o capitão Archer está comendo.

Vulcanos Tavin e Tolaris jantando com Archer e T'Pol

Tavin revela que eles não estão explorando o espaço, mas um novo modo de vida. T’Pol percebe subitamente, chamando-os de “V’tosh ka’tur”, que significa “vulcanos sem lógica”. Tavin diz que  não deixaram a lógica para trás, mas simplesmente encontraram um equilíbrio entre razão e emoção. Explica que uma das razões pelas quais deixaram seu povo é porque eles têm o hábito de ficar de olho em outras espécies ou em qualquer um que discorde deles. Estão há oito anos no espaço, mas seu experimento parece ter funcionado.

T’Pol está incomodada com a presença desses vulcanos, mas Archer a estimula a acompanhar mais de perto seus colegas –talvez alguns de seus ensinamentos sejam válidos, afinal. A primeiro oficial relutantemente concorda e encontra Tolaris no refeitório. Ele percebe que as emoções de T’Pol estão muito mais perto da superfície do que o vulcano médio. Segundo T’Pol, a história mostrou que os vulcanos que abraçam suas emoções costumam reverter à sua natureza primal, e alguns até se tornam mentalmente instáveis. Tolaris não concorda.

T'Pol e Tolaris no refeitório da Enterprise

Os reparos continuam na nave vulcana, e o engenheiro vulcano Kov acaba ficando amigo de Tucker. Os dois passam um bom tempo juntos, trocando informações sobre suas culturas. Trip revela que os humanos não são tão bárbaros, e que futebol americano é apenas um jogo, não um tipo de combate mortal. Kov, por sua vez, revela detalhes dos costumes reprodutivos vulcanos.

Enquanto isso, a Enterprise segue explorando a nebulosa. Na ponte, Reed informa Archer de que há bolsos de turbulência e variações gravimétricas à frente. A Enterprise entra na nebulosa com a nave vulcana atracada na sua lateral. Tavin explica a Archer que os sensores de navegação a bordo da nave vulcana são bem sofisticados, e então Archer manda T’Pol a bordo para reconfigurá-los, para tomar leituras da nebulosa, o que vai ajudar a Enterprise a completar a tarefa em muito menos tempo.

Tucker conversando com o Vulcano Kov

A bordo da nave vulcana, chamada Vaklis, T’Pol fica curiosa ao ver uma pequena estátua de Surak, depois de eles terem rejeitado seus ensinamentos. Tolaris diz a ela que eles não rejeitaram seus ensinamentos, mas discordam de como os antigos os interpretam. T’Pol admite que medita toda noite e Tolaris pede a ela que não medite desta vez para ver o que acontece. Ela decide seguir seu conselho.

A vulcana tem um sonho estranho, em que revive algo que havia feito anos atrás em São Francisco. Ela secretamente havia deixado o complexo vulcano e ido até um bar, atraída pelo jazz que tocavam lá. Sua sequência de sonhos se mistura a cenas em que ela aparece tendo uma relação sexual com Tolaris. Ela acorda perturbada e vai à enfermaria. Phlox dá a ela um medicamento que ajuda a combater os sintomas de perturbação que ela está sentindo após a experiência.

Sonho de T'Pol na Terra

Na Enterprise, Archer é contatado pelo almirante Forrest, que passa adiante um pedido do Alto Comando Vulcano. Eles querem que o capitão peça ao vulcano Kov que contate seu pai, que está à beira da morte. Archer tenta convencer Kov a contatar Vulcano, mas o engenheiro se recusa, dizendo que já disse adeus a seu pai, que o teria rejeitado anos atrás, há muito tempo. Archer pede então a Trip, que se tornou amigo de Kov, que tente convencê-lo. Os dois também conversam sobre a amizade de T’Pol com Tolaris. O capitão mesmo havia incentivado sua primeiro oficial a conhecer os visitantes, mas agora está incomodado com a proximidade dos dois. Tucker chega até a dizer que, se não o conhecesse, diria que ele está com ciúmes.

No refeitório, vemos T’Pol contando a Tolaris sobre sua experiência após não ter meditado na noite anterior. O vulcano acredita que pode mostrar a T’Pol como canalizar seu sentimentos quando eles chegam. De volta a seus aposentos, Tolaris mostra a T’Pol como experimentar ansiedade, entre outras coisas. Ele diz a ela que o elo mental vulcano, que ele descreve como uma antiga técnica mental abandonada há séculos, não é tão perigoso quanto lhes é ensinado, e que é uma experiência bem libertadora. T’Pol acaba concordando em realizar um teste.

T'Pol e Tolaris

Tolaris então se une a T’Pol. Aos poucos, a vulcana começa a se sentir violentada pela agressividade do contato mental de Tolaris e pede para parar. Ele fica impassível. T’Pol pede que ele saia, mas ele agarra seu braço, trazendo-a para perto. T’Pol se liberta e o atira para o outro lado da sala. Tolaris dá a T’Pol um frio olhar e sai da sala. T’Pol está abaladíssima e se arrasta até a mesa para contatar a enfermaria.

Enquanto isso, Trip está tentando convencer Kov a ligar para seu pai. A princípio, o vulcano declina novamente, mas acaba concordando que é o melhor a fazer. No gabinete de Archer, o capitão convoca Tolaris. A princípio ele se apresenta amistoso, mas depois parte para cima do vulcano, questionando sobre o que ele fez a T’Pol, que está na enfermaria com possível dano neurológico. Tolaris se torna agressivo e atira o capitão, que rapidamente saca uma pistola de fase e coloca o vulcano para fora.

Archer e Tolaris brigando

Enquanto os vulcanos partem, T’Pol está se recuperando em seus aposentos. Archer vai visitá-la e diz que agora entende o porquê de os vulcanos terem suprimido suas emoções. Em contrapartida, T’Pol admite sentir inveja do capitão por ter sonhos agradáveis a maior parte do tempo, sem precisar de meditação antes de dormir.

Comentários

Eu não costumo ter estômago sensível a falhas de continuidade, mas “Fusion” apresenta problemas. Não pela série em si, e sim pelo que precisamos desconsiderar em termos de história pregressa de Jornada nas Estrelas para engolir o conteúdo que nos é apresentado.

Que há vulcanos rebeldes, que não aceitam a tradição da supressão das emoções, nós já sabemos –e o episódio respeita isso. Que esses vulcanos não costumam ficar muito tempo em seu mundo natal e não são aceitos por seus pares, também já sabemos. As duas informações vêm da pior fonte possível, “Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira”, mas são canônicas, temos de aceitar.

Title Card - Enterprise Fusion

Agora, é um absurdo retratar o elo mental –já praticado em tela várias vezes até por vulcanos inquestionavelmente conservadores, como o embaixador Sarek– como uma técnica antiga abandonada há séculos. Se o elo mental fosse um tabu tão grande em Vulcano, seria difícil de imaginar que em apenas um século ele subiria as escadas do hit parade para se tornar uma marca registrada da espécie.

Ademais, muitas outras tradições da cultura vulcana estão ligadas a contatos telepáticos, como o próprio casamento arranjado, de que T’Pol revelou (em “Breaking the Ice”) ter participado. E quanto à técnica que a vulcana aplica em Hoshi para acalmá-la em “Sleeping Dogs”? Se aquilo não foi um parente do elo mental, não sei dizer o que foi…

Tolaris e T'Pol fazendo um elo mental

Como se não fosse suficiente essa bagunça com o elo mental vulcano, esses rebeldes falam abertamente de seu ciclo sexual de sete anos. Não que eles devessem estar presos pelas mesmas amarras de seus amigos não-emotivos, que jamais falariam disso, mas é difícil explicar que um conhecimento adquirido há cem anos por humanos sobre os costumes de seu principal aliado na Federação seja totalmente desconhecido por Kirk, quando seu amigo Spock entra no pon farr. Mais que isso, McCoy, na condição de médico, certamente deveria saber algo a respeito. Entretanto, em “Amok Time”, nenhum dos dois sabia de nada disso.

Não adianta nada ficar colocando citações engraçadinhas de nomes que apareceram nas outras séries de Jornada, se as histórias em si não obedecem a uma lógica cronológica. Entre forma e conteúdo, fico com o último todas as vezes. E o que é apresentado em “Fusion” a respeito dos vulcanos não faz o menor sentido, na maior parte do tempo.

Vulcano Tavin

Há entretanto alguns detalhes interessantes. É curioso, por exemplo, que haja múltiplas interpretações para os ensinamentos de Surak. Isso mostra que o pensador e pai do modo de vida vulcano não é tão maniqueísta quanto parecia ser. Dá certos tons de cinza à cultura e aos costumes vulcanos após a “Iluminação” que certamente caem bem.

Tudo isso acima mostra os problemas e acertos que o episódio tem com relação ao conjunto da obra de Jornada –fator que se torna preponderante em episódios como este, que pretendem versar sobre uma das espécies mais conhecidas da franquia. Olhando de outro ponto de vista, considerando apenas o histórico de Enterprise, “Fusion” cai até bem.

Estátua de Surak

Operando em seus próprios termos, o episódio consegue apresentar um enredo de forte potencial para o desenvolvimento de T’Pol. Jolene Blalock não desaponta e traz possivelmente sua melhor atuação em toda a temporada. Suas cenas com Enrique Murciano (Tolaris) são especialmente poderosas e conseguem deixar o telespectador interessado, apesar dos clichês e do óbvio desenrolar da história.

A relação de Trip com Kov é igualmente cativante, e igualmente previsível. Na verdade, só há uma coisa que surpreende: Archer finalmente mostra com propriedade por que é o capitão da Enterprise. Sua confrontação com Tolaris é sensacional, e Bakula consegue recuperar aqui o tom ácido e dinâmico que só deu o ar da graça antes em “Broken Bow” –onde o capitão também confrontava vulcanos pouco amistosos.

Tucker e Kov

Em termos de contexto da série, o episódio claramente tem duas funções. Mostrar aos humanos que há um boa razão para os vulcanos serem o que são, lógicos e disciplinados, e mostrar a T’Pol que ter emoções, contanto que elas estejam sob controle, pode ser algo extremamente positivo. As duas conclusões são exatamente o que levará humanos e vulcanos a um entendimento para a fundação da Federação e são, portanto, temas centrais da série. Pena que eles sejam atirados aqui de forma tão óbvia. Sutileza às vezes cairia bem.

Do ponto de vista técnico, “Fusion” apresenta algumas inovações interessantes, mais na parte sonora do que visual, proporcionadas pelo sonho de T’Pol e pelo elo mental com Tolaris. Também contradiz o tom da série em termos de ritmo, mostrando-se um episódio muito mais lento do que a média de Enterprise. Por fim, o tom mais sexual dá outro diferencial, mas não chega nem perto de ser ofensivo ou agressivo demais para a audiência da série. Não é realmente inovador para quem já viu “The Price” ou “Sub Rosa” (ambos da Nova Geração).

Enterprise e a nave Vulcana Vaklis

No fim, entretanto, tudo se resume a mais um episódio que é filmado quase 100% dentro da Enterprise, o que certamente garantiu mais economia aos produtores. As tomadas externas da Enterprise e da nave vulcana são espetaculares, mas não servem a nenhum propósito exceto o de fazer transições entre cenas. De resto, um episódio dramaticamente desafiador para os atores convidados e Blalock, mas pouco enriquecedor no contexto do background sobre os vulcanos. Mais complica que explica.

T’Pol saiu ganhando, mas não havia um meio menos bagunçado de produzir essa história, sem chutar o balde da continuidade? Sybok explica…

Avaliação

Citações

“Just because they smile and eat chicken, it doesn’t mean they’ve learned to master their emotions.”
(Só porque eles riem e comem frango, não quer dizer que aprenderam a dominar suas emoções.)
T’Pol

“They’re not trying to kill the quarterback!”
(Eles não estão tentando matar o quarterback!)
Tucker

“If I didn’t know better, I’d say you were a little jealous.”
(Se eu não te conhecesse melhor, diria que está com ciúmes.)
Tucker

“Regret is one of the strongest emotions –and one of the saddest.”
(Arrependimento é uma das emoções mais fortes –e uma das mais tristes.)
Tucker

“I think I finally understand why.”
(Eu acho que finalmente entendo por quê.)
Archer

Trivia

  • Este episódio tinha como nome original “Equilibrium”. O nome foi trocado porque era o mesmo de um episódio do terceiro ano de Deep Space Nine. Antes de “Equilibrium”, a história era chamada pelos produtores de “Untitled T’Pol Seduction” (Sedução de T’Pol Sem Título).
  • As primeiras versões do roteiro eram muito mais sexuais do que o que foi filmado. T’Pol apareceria tomando um banho de cachoeira e Tolaris forçaria a vulcana a participar do elo mental.
  • Phyllis Strong e Mike Sussman são grandes fãs de Jornada, pelo que se vê de seus roteiros. Aqui eles inserem uma referência à Academia de ShiKahr, cidade mencionada em “Yesteryear”, da Série Animada, como sendo a capital vulcana. Além disso, as primeiras versões do roteiro continham também uma menção do Monte Seleya, visto em “Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock”.
  • John Billingsley chegou a comentar o episódio em uma entrevista. “Temos um episódio vindo aí em que… eu não diria um bando de vulcanos renegados, mas um grupo separatista que acredita que é possível ser mais disponível às emoções do que a maioria dos vulcanos e chega a bordo e então tenta convencer T’Pol de seu modo de pensar, com resultados calamitosos.”
  • “Temos um episódio vindo aí em que T’Pol fica indecente com um vulcano. E é um show realmente sexy”, disse Brannon Braga sobre este episódio. “Vamos encontrar alguns vulcanos que estão tentando colocar emoções em suas vidas. E T’Pol vai se emaranhar em uma história de sedução, como um ‘Nove Semanas e Meia de Amor’ vulcano.”
  • Dos três personagens vulcanos criados para este episódio, apenas Kov permaneceu com o mesmo nome do início ao fim. Tolaris, nos primeiros roteiros, se chamava Szon, e Tavin se chamava Tyrus.
  • Robert Pine já fez uma aparição anterior em Jornada, como o embaixador Liria em “The Chute”, de Voyager.
  • Vaughn Armstrong, com sua coleção de papéis alienígenas em Jornada nas Estrelas, faz sua quarta aparição como almirante Forrest, e a quinta na série (contando sua ponta como o capitão Klingon de “Sleeping Dogs”).

Ficha Técnica

História de Rick Berman & Brannon Braga
Roteiro de Phyllis Strong & Mike Sussman
Dirigido por Rob Hedden

Exibido em 27 de fevereiro de 2002

Títulos em português: “Fusão”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

Enrique Murciano como Tolaris
Robert Pine como Tavin
Vaughn Armstrong como almirante Forrest
John Harrington Bland como Kov

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Susana Alexandria

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