SNW 4×05: Level-Five Transporter Accident

Um ótimo episódio de Muppet Show, nem tanto de Star Trek

Sinopse

Data estelar: 3019.4

A Enterprise está a caminho de Vulcano, em marcha lenta por conta de relatos de pirataria ao longo daquela rota. Scott quer aproveitar o momento para fazer experimentos com o transporte a fim de aumentar seu alcance, por conta de uma rivalidade com um colega engenheiro, ex-colega de Academia, que detém o atual recorde. O experimento será feito com o Little Ricky, um boneco de pano que Scotty tem desde a infância.

Pike está feliz com a nova cadeira da ponte da Enterprise, projetada por Pelia. Spock está frustrado que La’An, abalada pelos eventos na Griffin, o tem evitado e suspendeu as sessões de dança. Ela vê esse como o fim natural do relacionamento deles. Ele busca na meditação a paz que lhe falta e decide retomar seu contato com T’Pring. Ela decide vir a bordo, contanto que ele prometa que não haverá mais traquinagens.

Enquanto ela chega, Spock usa uma nave auxiliar para liberar três boias no espaço que ajudarão com o teste de Scott. O engenheiro ativa o transporte, após colocar o boneco de pano na plataforma, mas uma falha dos sistemas ocorre. Uma reação em cadeia faz com que toda a tripulação seja transportada, assim como a própria nave. Fora dela, ainda na nave auxiliar, Spock parece ser o único não afetado. A Enterprise então se rematerializa, mas ninguém responde aos chamados dele.

Ele retorna ao hangar de carga e não vê ninguém. Ao chegar à ponte, ele descobre que todos os tripulantes foram transformados em bonecos de pano. Não só eles, mas também T’Pring.

Em uma reunião da tripulação, Scott e Spock explicam que se trata de um acidente de transporte de nível cinco. Enquanto investigam como reverter a situação, eles descobrem que, como bonecos, têm enorme dificuldade em operar a nave. Spock, o único não afetado, é o único que pode pressionar os controles efetivamente.

Pike reporta o caso a April, que nunca havia ouvido falar de ocorrência semelhante. O almirante sugere que mantenham discrição e não deixem ninguém descobrir a fragilidade da situação até que uma nave chega para ajudar.

La’An se voluntaria para um experimento que tente reverter os efeitos, mas ela se rematerializa como boneco. Pior: ela perdeu um braço. Na enfermaria, recosturam o membro, e o impacto nela é zero. Como boneca, ela não sente dor e não perde sangue. O reimplante é um sucesso e ela recupera totalmente o controle do braço.

Spock reencontra T’Pring, que está furiosa por ser uma boneca. Para piorar, ele começa a receber chamados de toda nave – todos precisam da ajuda dele. Para trazê-lo de volta à razão, a vulcana dá um tapa no rosto dele. Na ponte, os tripulantes aguardam na fila para ter seu auxílio.

As coisas se tornam mais dramáticas quando La’An detecta a aproximação de uma nave – é um interceptador órion, provavelmente piratas. Spock abre comunicações por áudio. A capitão Ch’Rol responde e indica saber que só há um tripulante a bordo. Pike retruca e ordena que se afastem. Eles estão para partir quando, acidentalmente, abre-se a comunicação visual, e os órions descobrem que a Enterprise é tripulada por bonecos. Eles também percebem que Spock é o único capaz de operar os controles e disparam contra a nave. Um combate se segue, e o vulcano está em completa sobrecarga.

Depois de prestar assistência na engenharia, Spock encontra T’Pring no corredor, e ela carrega feisers. A nave é abordada pelos órions, e o vulcano usa um dos feisers para disparar contra os invasores, mas é logo desarmado e tonteado por eles.

Ele acorda no bar da nave, amarrado. A capitão órion quer os códigos de comando da nave. Spock se refusa a cooperar. Una e La’An tentam resistir à chegada dos órions à ponte, mas, como bonecos, eles nada podem fazer. Os demais resistem como podem, até que Pelia é cortada ao meio pela capitão. Pike não tem escolha, senão se render e ser tirado de forma humilhante de sua cadeira. A tripulação se reúne no gabinete do capitão, enquanto Chapel recostura Pelia.

A única saída é libertar Spock, para que ele possa tentar expulsar os órions. No bar, ele conversa com o primeiro oficial órion, e os dois falam sobre suas diferenças culturais. Ele é levado ao corredor, onde a líder órion pretende ejetar Pike para o espaço pela câmara de ar, caso ele não coopere. Ele resiste, e o capitão se perde no vácuo do espaço.

A tripulação vê tudo pela janela, mas Pelia se lembra de que eles são bonecos agora e não podem ser feridos. Pike então surge em uma das janelas. Ele está vivo.

De volta à nave, Pike decide que deve agir como um capitão boneco e explorar as vantagens de ser boneco. Ele lembra que todos não precisam respirar. T’Pring tem um chilique com todo o pandemônio. Pike quer repetir o plano: salvar Spock, para que ele controle a ponte. Mas, desta vez, pensando como boneco.

Scott desenvolve um meio de abrir a porta da sala, e eles saem empilhados numa túnica, como se fossem uma pessoa de verdade. Com o fator surpresa, eles atacam o guarda órion que os detinha e escapam. No bar, T’Pring é trazida como prisioneira, depois de tentar salvar Spock. O primeiro oficial órion coloca fogo na mão dela, como tortura, para o vulcano ceder. Ele resiste e ela revela que não sente dor, usando o próprio braço incendiado para atacar o órion. Ela então liberta Spock e faz um elo mental para colocá-lo rapidamente a par do plano.

A tripulação de bonecos chega à ponte para retomá-la, detendo os órions como podem. Spock chega, chocado com a loucura da situação toda. T’Pring o traz de volta à lógica. Ele sabe o que fazer: atira Pike na direção da capitão órion, enquanto ele corre para a cadeira central. Spock permanece impassivo, conservando oxigênio, enquanto a capitão órion não entende o silêncio. Cabe a Pike explicar: a ponte ficará sem oxigênio.

Spock desperta na enfermaria, e Pike, ainda boneco, revela que o plano deu certo, e os órions foram capturados. Melhor ainda: eles descobriram um modo de reverter o acidente do transporte. Mas antes, eles querem flutuar pelo espaço como bonecos. T’Pring opta por permanecer a bordo e tem um encontro romântico com o vulcano.

Quando ele acorda, T’Pring é vulcana novamente. Ela diz que Spock esteve inconsciente por muitas horas, após o acidente do transporte afetar a nave auxiliar dele. Tudo não passou de um sonho.

Comentários

“Level-Five Transporter Accident” é o episódio que mais perfeitamente captura a essência do que os showrunners de Strange New Worlds têm tentado implementar na série pelo menos desde a segunda metade da segunda temporada – e como o perfeito retrato desse conceito, traz à tona com clareza, sem disfarces, todas as qualidades e todos os defeitos dessa orientação.

Estamos diante de um excelente episódio de Vila Sésamo ou Os Muppets? Sim. E quem não gosta dos bonecos criados pelo genial Jim Henson e seu inconfundível estilo bom sujeito não é. Escorados pela filosofia dos big swings, em que cada episódio desta série tem suas próprias regras, focadas mais em realizar um determinado conceito ou gênero do que propriamente contar uma história específica ou harmonizar com o conjunto da obra de Star Trek, os produtores entregam aqui uns bons 45 minutos (o tempo aproximado em que os bonecos estão em ação) muito bem executados do que a premissa tem de melhor, que é o humor físico da interação entre fantoches e seres humanos. As recriações feitas pela companhia de Henson para representar os tripulantes da Enterprise são fantásticas, bem como seus movimentos são conduzidos com maestria. É possível ver lances de Fozzie em Scotty, ou de Miss Piggy em Una ou La’An, e até mesmo algo de Kermit em Pike. Pelia pode muito bem ser o equivalente do Animal na tripulação e é um destaque à parte.

A direção de Jordan Canning, já acostumada às maluquices da Enterprise depois de outras três comédias, faz a transposição perfeita do live-action puro para o trabalho com os bonecos, e os atores, fora de cena exceto pelas vozes, entregam boas interpretações de suas versões marionetes, com o tom mais cômico e jocoso que a situação exige. Ethan Peck mantém seu trabalho impecável. É impossível passar os 50 minutos sem abrir um sorriso ao menos uma vez. Por esse aspecto, a missão está cumprida.

Agora que estabelecemos que, parabéns, os produtores sabem fazer Muppets, temos de nos perguntar: eles sabem fazer um episódio de Star Trek que traga lances e referências de sua inspiração, sem violar a natureza do que se espera de um segmento da franquia? Nesse caso, a resposta precisa ser “não”.

Uma das curiosidades imediatas que o episódio traz diz respeito à sua concepção: teria sido ele originalmente concebido para ser uma história real na cronologia da saga ou sempre foi pensado como um sonho maluco de Spock? Repare que, com pouquíssimo trabalho de edição (essencialmente, cortando os três minutos finais, em que o vulcano desperta), poderíamos converter esse segmento em realidade. Há muitas cenas, inclusive, que são difíceis de explicar no contexto de um sonho, como as que envolvem os bonecos, mas não Spock. Não seria uma surpresa descobrir que, de início, era para ter sido tudo real, e somente ao final, por ordem ou decisão de alguém, incluíram o epílogo que “salva” a realidade ficcional de Star Trek.

Seja como for, não funciona. Na primeira hipótese, de que o episódio ambicionava ser real, ele viola de tal maneira a suspensão da descrença (ao fazer dos personagens não apenas criaturas assemelhadas a bonecos, mas realmente bonecos, com enchimento de fibra e tudo, capazes de ser picotados e recosturados sem maiores consequências) que vai frustrando a audiência que esperava encontrar uma história de Jornada nas Estrelas e não uma paródia com fantoches.

Na segunda hipótese, em que tudo foi um sonho, esse não é um problema por si só. Episódios de realidade percebida, versus factual, já foram executados com maestria na franquia antes, como no excelente “Hard Time”, de Deep Space Nine, em que O’Brien é obrigado a viver mentalmente uma longa e traumática pena de prisão por meio de memórias artificiais implantadas, em questão de minutos, como forma de punição por uma sociedade alienígena. Lá, a realidade percebida dialogava com a factual, num drama em que o personagem tinha de conviver com um trauma de difícil compreensão por quem não tinha as mesmas referências. É um suspense amargurante de primeira qualidade.

Aqui, claro, o recurso está a serviço da comédia. Ainda assim, ele precisava ser sobre alguma coisa. Ele precisava ter uma justificativa para existir, algo que nos oferecesse uma janela de observação para a vida interna de Spock. O que temos é ralo demais. Forçando a amizade, podemos pensar que foi uma forma de apresentar como o vulcano sente a pressão de ser excessivamente demandado a bordo da Enterprise – algo que nem é realidade no contexto de Strange New Worlds, a não ser que a demanda seja para aulas de dança ou coisa que o valha. Mas o que é martelado no roteiro é que o episódio é mais um capítulo a empurrar Spock de volta para a lógica, depois de suas experimentações humanas a bordo.

Infelizmente, não convence, sem falar que é o samba de uma nota só até agora da temporada. Em cinco episódios até aqui, Spock alucinou em três, e em pelo menos dois com esse efeito de empurrá-lo de volta para a lógica – e para T’Pring, algo que a Série Clássica demanda que aconteça. De concreto, temos que a brincadeirinha entre Spock e La’An acabou.

Curiosamente, a parte “muppet” do episódio tem alguns lances charmosos, como toda a coisa com os órions e a diversão da tripulação em poder flutuar livremente no espaço, mas que somos obrigados a ignorar por força da história – nada disso de fato aconteceu. O mesmo se aplica à insensata ideia de parodiar a morte de Spock em Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (ou a cópia malfeita, com a morte de Kirk, em Além da Escuridão) no momento da ejeção do Pike boneco. Nada disso realmente aconteceu. E, se quer saber, foi para melhor que o episódio resolveu assim, num passe de mágica, todas as suas maluquices. É mais fácil lidar com “Level-Five Transporter Accident” como um delírio de Spock (e dos produtores) do que como algo que mereça registro no cânone de Star Trek.

Avaliação

Citações

“This is Captain Ch’Rol, of the Orion ship Vo’Nee. We were on an ordinary and completely unthreatening pass through this territory when we came across your ship. Scans revealed only one crew member aboard. We were obviously just concerned.”
(Esta é a capitão Ch’Rol, da nave órion Vo’Nee. Estávamos em uma passagem comum e completamente não ameaçadora por esse território quando encontramos sua nave. Sondagens revelaram apenas um tripulante a bordo. Estávamos obviamente apenas preocupados.)
Ch’Rol, no sonho de Spock

“Do not mistake my temporary physical form for weakness. We will retaliate against any attack with the full force of the starship Enterprise.”
(Não confunda minha forma física temporária com fraqueza. Retaliaremos contra qualquer ataque com a força total da nave estelar Enterprise.)
Christopher Pike, no sonho de Spock

Trivia

  • Dana Horgan está em seu sétimo episódio na série e segundo nesta temporada, depois de “A Case of Chiaroscuro”. Seu parceiro de escrita é o co-showrunner Henry Alonso Myers, que está em seu décimo episódio na série, segundo nesta temporada, depois de “Valles Marineris”.
  • A diretora Jordan Canning volta mais uma vez à série, desta vez para seu quarto episódio. Ela antes assinou três comédias: “Charades”, na segunda temporada, e “Wedding Bell Blues” e “Four-and-a-Half Vulcans”, na terceira. A escolha dela foi natural, ainda mais pela experiência que tinha com bonecos, depois de ter dirigido oito episódios da série infantil de bonecos Fraggle Rock: Back to the Rock.
  • Os bonecos do episódio foram desenvolvidos pela Jim Henson Company Creature Shop, empresa do lendário criador de Vila Sésamo e Muppet Show.
  • A ideia de um episódio com bonecos já circulava na sala de roteiristas desde o terceiro ano. “Sentimos que, como fizemos com o musical, para fazê-lo, não daria para fazer pela metade. Não dava para fazer a versão suave. Precisávamos ir com tudo e fazer a melhor versão possível dele”, disse o showrunner Henry Alonso Myers. “O acidente do transporte meio que foi a coisa que juntou tudo. Não tínhamos feito um episódio de acidente de transporte ainda. Achamos que seria uma grande oportunidade para tentar isso.”
  • O planejamento do episódio começou ainda durante a terceira temporada, e antes de terem a luz verde para a quinta, o que os fez mergulhar de cabeça na ideia para o quarto ano. A Jim Henson Company foi trazida bem cedo ao projeto para fornecer os bonecos.
  • O episódio foi um dos últimos a ser filmado na temporada, possivelmente o nono, entre junho e julho de 2025, embora tivesse a numeração de produção 405 e sempre tenha sido planejado como o quinto episódio a ser exibido na temporada.
  • Quatorze marionetistas trabalharam na produção, todos não creditados e veteranos da série Fraggle Rock: Back to the Rock.
  • A cadeira do capitão foi modificada especialmente para esse episódio por uma razão especial: dar mais espaço para o marionetista trabalhar atrás dela sem ser visto. Essa foi a mais notável das mudanças exigidas nos sets para lidar com as marionetes.
  • O elenco principal não interagiu muito com suas versões em bonecos, o que Anson Mount considerou um pouco frustrante. Os atores gravaram suas falas separadamente, após as filmagens, e não tinham uma boa noção de quanta emoção seria necessário imprimir nas performances. “Tivemos de fazer duas vezes porquê da primeira vez ficou completamente errado”, contou Mount à revista SFX. “Quando os produtores receberam o corte, eles estavam me dizendo, ‘apenas faça mais, sinta mais’. E eu, ‘do que vocês estão falando?’. Mas quando eles exibiram as cenas, eu meio que, ‘ah, eu preciso fazer o que eles estão fazendo’. Tive de colocar de lado meu ego um pouquinho e seguir mais as dicas do marionetista.”
  • Este episódio representou o primeiro vislumbre dado ao público da quarta temporada da série, quando um teaser que mostrava Pike como boneco foi exibido na San Diego Comic-Con, em julho de 2025.
  • A nave órion Vo’Nee é um interceptador; versões parecidas já haviam sido vistas em Enterprise e Lower Decks.
  • Essa é a segunda aparição de Rachael Harris em Star Trek; ela havia interpretado a mãe de Kes no episódio “Before and After”, da terceira temporada de Voyager.
  • Pela segunda vez nesta temporada, Scotty faz uma brincadeira que alude ao fato de que, no futuro, ele ficará preso em um armazenador do transporte.
  • O nome do boneco de Scotty pode ser uma homenagem à Desilu, primeira produtora de Star Trek. Em I Love Lucy, principal série da companhia, estrelada pela dona do estúdio, Lucille Ball, o filho de Lucy e Ricky era chamado de Little Ricky.
  • Kayshon foi transformado temporariamente em um boneco em “Kayshon, His Eyes Open”, da segunda temporada de Lower Decks. Como aqui tudo não passou de um sonho de Spock, aquela segue sendo a única instância de um humanoide se transformando em boneco e voltando a sua forma original em Star Trek.
  • A relação de Scotty com o teletransporte é conhecida. Não só ele operava com frequência o equipamento na Série Clássica, sobretudo em situações delicadas, como ele se tornaria, mais de um século mais tarde, o responsável pela invenção da técnica de transporte transdobra, conforme estabelecido em Star Trek (2009). Sabemos também por esse filme que seus experimentos com o equipamento remontam à juventude, quando ele acabou fazendo desaparecer o beagle do almirante Archer.
  • O episódio traz também um tradicional “camisa vermelha” de Star Trek – aquele personagem que está lá, só para morrer. Ele toma um tiro que abre um buraco imenso no seu peito. Mas, como é um boneco, desta vez ele sobrevive. Tudo sempre acaba bem num episódio de Os Muppets.

Ficha Técnica

Escrito por Henry Alonso Myers & Dana Horgan
Dirigido por Jordan Canning

Exibido em 20 de agosto de 2026

Título em português: “Acidente de Transporte Nível Cinco”

Elenco

Anson Mount como Christopher Pike
Ethan Peck como Spock
Jess Bush como Christine Chapel
Christina Chong como La’An Noonien-Singh
Celia Rose Gooding como Nyota Uhura
Melissa Navia como Erica Ortegas
Babs Olusanmokun como Joseph M’Benga
Martin Quinn como Montgomery Scott
Rebecca Romijn como Una Chin-Riley

Elenco convidado

Rachael Harris como Ch’Rol
Joe Lo Truglio como Ejachi
Adrian Holmes como Robert April
Gia Sandhu como T’Pring
Carol Kane como Pelia
Alex Kapp como computador da Enterprise
Landon Nesbitt como camisa vermelha
Darryl Scheelar como pirata órion

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Edição de Maria Lucia Rácz

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