Cinema-catástrofe toma a Enterprise em jornada dramática para a tripulação
Sinopse
Data estelar: 1213.72
A menos de uma hora do início oficial do fim de semana para o turno alfa da Enterprise, a nave está a caminho da Base Estelar 7 para atualizações dos coletores Bussard. Na enfermaria, M’Benga e Chapel se preparam para a chegada do doutor Philip Boyce. A enfermeira estranha que ele esteja vindo a bordo para trabalhar sob M’Benga, uma vez que já foi ele mesmo médico-chefe a bordo. Mas Joseph revela que ele mesmo quem pediu, para a eventualidade de ele decidir deixar a nave. Chapel mostra desconforto, mas é confrontada por ele de que ela também jamais buscou mudar sua designação de temporária para permanente. Os dois discutem, acusando um ao outro de estarem sempre prestes a virar as costas.
Scotty supervisiona a preparação para as atualizações e deixa a engenharia após detectar uma aparente falha do computador de navegação. A tripulação da ponte também nota uma variação de alguns graus no curso. Enquanto alguns já se reúnem no bar de bombordo para um happy hour, Scotty é chamado no turboelevador – a emergência parece ser real e a Enterprise está para entrar em um buraco de minhoca de deslizamento. Ele ordena o desligamento dos motores de dobra e tenta voltar à engenharia. Pike soa alerta vermelho e recomenda a todos que se preparem para o impacto. A Enterprise é capturada fora de controle, com falha dos sistemas, pelo buraco de minhoca.
Na ponte, Pike se joga sobre um painel eletrificado para erguer os escudos, o que o derruba. Ortegas fica no comando. Scotty está preso no turboelevador. Na engenharia, há muitos feridos e é preciso fechar as comportas por conta da radiação. Na enfermaria, M’Benga é atingido por uma mesa magnética que praticamente o parte ao meio. A morte só não é imediata porque a posição da mesa mantém seus órgãos internos no lugar e a hemorragia sob controle.
Ortegas consegue recalibrar os amortecedores de inércia para funcionamento normal, e aos poucos a tripulação vai recuperando controle. Comunicações estão parcialmente pifadas. Uhura consegue falar com Una no bar de bombordo e reporta vários feridos, dentre eles o capitão. Spock acessa os sensores a partir de um PADD no bar e identifica que a nave foi capturada por um buraco de minhoca de deslizamento. Há indicações de correntes de neutrinos viajando em velocidade de dobra no fenômeno. Ortegas sinaliza a Una que os amortecedores de inércia estão em condição precária e recomenda que ninguém saia de lugar. Os reparos podem ser feitos na engenharia. Uhura diz que Scotty está a caminho. Preso no turboelevador, ele é libertado pela cade A’Sha, que sugere o uso do teletransporte para chegar à engenharia.
Na enfermaria, Chapel analisa um exame da condição de M’Benga, ainda preso à mesa. O estado é gravíssimo. O médico ainda está consciente, mas Christine não quer revelar a ele sua condição. A mesa deve ficar onde está.
No bar, o sistema de gravidade artificial está descompensado e começa a gerar supergravidade no ambiente. Boyce ajuda na evacuação do local, mas as portas não se abrem. A ponte não consegue desativar a gravidade artificial. Relatos similares se espalham pela nave. Spock sugere uma tentativa de ajuste pelos controles manuais na sala. Una enfrenta a supergravidade para chegar a eles. Quebra a perna, com fratura exposta, mas consegue restabelecer gravidade normal.
Na sala de transporte, Scotty tenta restituir o funcionamento dos amortecedores de inércia e demais sistemas. A’Sha sugere o desvio da energia do suporte de vida em áreas não essenciais, como corredores. Scotty ordena a evacuação desses ambientes. Chapel se fecha na enfermaria. As comunicações entre o bar e a enfermaria se restabelece, e Boyce convoca Chapel a vir auxiliá-lo, antes que seja impossível transitar pela nave. Ela diz que não pode sair. Boyce pede o resultado do exame de M’Benga e diz que ela não pode fazer nada por ele, ordenando-a a deixar a enfermaria imediatamente. Ela simula perda de comunicação e decide não obedecer.
Na sala de transporte, A’Sha inspira Scotty a sugerir o lançamento de uma sonda para amplificar o alcance dos sensores de modo a poderem bolar um plano para escapar do buraco de minhoca. Da ponte, Ortegas procede com o lançamento. A sonda explode rapidamente, e os sensores da nave são afetados. Mas os dados são suficientes para Scotty calcular que a nave segue acelerando e tem apenas 24 minutos antes que ultrapasse o limite de dobra e se desintegre.
Na enfermaria, M’Benga ouviu a conversa de Chapel com Boyce e sabe que está além de qualquer esperança. Ele tenta se libertar da mesa, mas não consegue. Chapel está determinada a salvá-lo — ela não vai a lugar algum. Para complicar tudo, a porta da enfermaria perde vedação, e o calor da enfermaria será perdido em minutos. Chapel decide usar cobertores de mylar para protegê-los.
Finalmente Scotty consegue restabelecer contato com Pelia e pede aconselhamento. Na falha da sonda, ela sugere que alguém vá à cápsula iônica colher informações sobre o fenômeno. Pike, de volta ao comando, decide que Spock, no bar, é o mais qualificado para enfrentar a radiação decorrente da exposição. Scotty usa o teletransporte para ir até um tubo Jefferies para reconfigurar a cápsula a exposição a neutrinos de alta energia, enquanto Spock fará uma caminhada espacial até ela.
Chapel tem uma ideia para salvar M’Benga, baseada em pesquisas do próprio médico ligada a neutrinos de força forte. Há uma possibilidade de usar essa radiação, que se comporta de forma diferente dos neutrinos usuais, para promover a regeneração de tecidos orgânicos. Scotty acredita que os mesmos neutrinos poderiam ajudar a Enterprise a escapar do buraco de minhoca, combinados ao deutério usado nos motores da nave.
Spock realiza a caminhada espacial para ir até a cápsula iônica e ativa os sensores. O contato com ele é perdido, e a cápsula começa a absorver energia demais. Se ele não for ejetado, por causar uma explosão e detonar a nave. Pike precisa ejetar, sem saber se Spock ainda está nele, e o faz.
La’An quer fazer uma caminhada espacial para recuperar os dados e tentar salvar Spock, se ele ainda estiver lá fora. Scotty está no tubo Jefferies temendo ficar sem ar, mas Pelia garante que há atmosfera suficiente para ele. Ao tentar tranquilizá-lo, ela conta histórias. Scotty está frustrado com o desempenho da Enterprise, depois do que aconteceu com a Stardiver. Mas Pelia diz que naves estelares são capazes de milagres e ele precisa acreditar nisso. Ele precisa ser um fazedor de milagres.
Na enfermaria, o plano é o seguinte: Chapel abrirá a porta da enfermaria, M’Benga rapidamente congelará, ela iniciará a cirurgia dele, trazendo neutrinos de força forte por meio de um dos conduítes da nave. Só que, antes que se pudesse começar, a energia da enfermaria cai. Ela improvisa um conduíte para trazer os neutrinos até M’Benga. Ela combina com ele que ele contará uma piada, e então a porta se abrirá, e ele ficará inconsciente pelo congelamento. Dali em diante, o que for acontecer, acontecerá.
Do lado de fora da nave, La’An procura por Spock no casco externo e o encontra, mortalmente ferido e desacordado, no casulo vazio da cápsula. Ela volta com Spock até o bar, onde Boyce pode prestar atendimento. Os dados em si parecem inutilizáveis, num cartucho danificado, mas o vulcano faz um elo mental com La’An e transmite o que ela precisa saber.
Na enfermaria, Chapel lida com o frio extremo para mover a mesa. Perde um dedo por congelamento no processo. No tubo Jefferies, Pike transmite os dados de Spock a Scotty, para que ele possa fazer os ajustes. Ele confirma que os neutrinos de força forte existem e podem ser capturados, enviando coordenadas de ajuste de curso para Ortegas. A nave parece que vai se despedaçar, mas Scotty garante que ela vai aguentar. Os coletores Bussard são usados para capturar as partículas, que fluem para os motores e para a enfermaria, reativando a nave e ajudando Chapel a tratar M’Benga. Com isso, Ortegas consegue manobrar a Enterprise para fora.
Horas depois, Chapel e M’Benga estão em recuperação na enfermaria. Pike passa para agradecê-la, e ela pede para receber uma designação definitiva para a Enterprise, a despeito de M’Benga estar cogitando sair. Os dois colegas então compartilham aquela piada interrompida, confiantes de que tudo vai ficar bem.
Comentários
“Off-Hour” nos leva de volta à velha boa forma (e fórmula), trazendo um ótimo episódio de Strange New Worlds. A exemplo dos anteriores, esse também está enamorado por um conceito único típico de outras produções – a noção de história em tempo real, eternizado pela série 24 Horas. A diferença fundamental entre esse segmento e seus predecessores imediatos é que o formato não se sobrepõe ao conteúdo, e ainda temos uma história que é totalmente típica de Star Trek, respeitando acima de tudo suas regras internas e sua sensibilidade.
Há até que se dizer que ela explora um dos clichês mais tradicionais da franquia – o famoso “nave viajando rápido demais, descontrolada, correndo o risco de se despedaçar” –, que já serviu diversas vezes como “contagem regressiva” para colocar urgência em episódios. Aqui isso se torna literal, com o cronômetro em tela, e a dramaticidade é realizada à perfeição, trabalhando muito bem não só todos os aspectos de “cinema catástrofe” da história como também os personagens envolvidos.
O segmento se centra em Chapel e M’Benga, cuja amizade e relação de longa data já havia sido estabelecida em episódios anteriores e aqui ganha desenvolvimentos e contornos ainda mais definidos, em que ambos se permitem criticar um ao outro pela característica que, cada um a seu modo, define os dois: a dificuldade em se assentar, se comprometer com escolhas definitivas. É nesse contexto que ele está pensando em sair da nave enquanto a encoraja a ficar. E ela cobra dele uma predisposição a ficar, enquanto se deixava numa posição eternamente precária, em designação temporária na Enterprise. E, no entanto, quando os dois se veem em uma situação extraordinariamente difícil, vemos o quanto estão dispostos a se doar um pelo outro.
A discussão faz boa análise dos comportamentos e das dissonâncias dos dois ao mesmo tempo que trabalha também elementos interessantes do cânone que uma prequela como Strange New Worlds deveria mesmo abordar. Nesse contexto, é muito bem-vinda a introdução de Philip Boyce à série, interpretado aqui por Brian Markinson.
O trabalho mais importante aqui, na verdade, é preparar terreno para explicar, ou ao menos naturalizar, o fato de que na Série Clássica Joseph M’Benga serviria como subordinado do doutor Leonard McCoy, embora aqui, nos anos que precedem o programa original, ele fosse o oficial médico-chefe. Ao vermos Boyce, que também foi médico-chefe da Enterprise (em “The Cage”, primeiro piloto do seriado original, que se passa antes de Strange New Worlds), voltar a bordo para ser subordinado de M’Benga, dá-se a impressão de que não há nada de tão estranho assim nessa inversão ocasional de subordinação entre os médicos.
Tivemos muito pouco do ator original, John Hoyt, o que deixa Markinson bem à vontade para fazer sua interpretação do personagem, aqui em circunstâncias ainda mais dramáticas que em “The Cage”. O pragmatismo do médico está presente nas duas versões, e há algumas referências muito inspiradas. Hoyt, em 1964, era daqueles atores que emprestavam fios de cabelo laterais para disfarçar a calvície. Markinson, representando o personagem anos depois, abraçou a careca de vez. E o departamento de arte teve o cuidado de incluir uma insígnia extra no uniforme de Boyce representando o globo terrestre – um retcon inteligente do que vimos em “The Cage”, quando a relação entre a Enterprise e a Terra ainda não estava bem estabelecida na produção.
Por tudo isso, a aparição do personagem, em contraste com o irreconhecível Kor de “A Case of Chiaroscuro”, merece elogios. Exemplo de prequela feita direito.
O episódio tem outras marcas desse uso apropriado do cânone, como a inclusão da cápsula iônica na história, bem como o risco de morte que um oficial corre ao operá-la (Ben Finney que o diga, em “Court Martial”, da Série Clássica). Menos calibrada é a situação forçada de mentoria entre Pelia e Scotty. Os roteiristas se sentem na obrigação de levar o engenheiro do jovem que introduziram na série ao “milagreiro” da Série Clássica, e aqui o fazem a golpes de marreta. Muitas vezes menos é mais, e poderia ter sido menos exagerado. Ainda assim, não chega a registrar como ponto negativo. Martin Quinn segue entregando um ótimo Scotty.
E o brilho, claro, está nas sequências de luta pela sobrevivência diante de circunstâncias cada vez mais adversas. Chapel e M’Benga formam uma dupla brilhante, com a determinação dela em salvá-lo, não importa como e a que custo. Também funciona com potência a cena dos painéis eletrificados explodindo na ponte (o conceito é padrão Série Clássica, a realização é padrão Strange New Worlds), que arremessa Pike para longe e deixa o capitão fora de combate, oportunizando a Ortegas uma chance de comandar a nave. E é forte a cena em que Una luta contra a supergravidade, com uma fratura exposta, para restaurar as condições na galeria de bombordo ao normal. Meio estranho ela só ter de apertar um botão para isso, mas vá lá.
Spock e La’An em suas caminhadas espaciais entregam boas doses de efeitos visuais e emoção – no fim das contas, o episódio é sobre isso, o esforço de sobrevivência diante da morte iminente, e a direção de Dan Liu garante que a audiência fique o tempo todo na beirada do sofá, angustiada com o desenrolar dos eventos. Em termos de condução, beira a perfeição.
As tecnobaboseiras estão ali para criar a falsa encrenca necessária e ninguém deve suar muito seu significado ou grau de correção científica. Elas fazem o papel necessário, mantendo o verniz que faz Jornada ser o que é, e, se não agregam, também não prejudicam. Um pouco conveniente que a mesma coisa que reenergize a nave possa curar miraculosamente o condenado M’Benga, mas o que conta é o drama, e esse é muito bem realizado – inclusive nas cenas mais fortes, com Chapel perdendo um dedo por congelamento e M’Benga desesperado tentando se libertar da mesa e, enfim, morrer. Temos atuações excelentes de Babs Olunsanmokun e Jess Bush. Os dois sempre funcionam muito bem juntos e aqui levam sua relação ao limite extremo da amizade e da cumplicidade. Não fosse por mais nada, apenas por eles esse episódio já teria valido a pena.
Avaliação




Citações
“Life never gave us lemons, we demanded them.”
(A vida nunca nos deu limões, nós os exigimos.)
Pelia, a Montgomery Scott
Trivia
- O roteirista Bill Wolkoff está com a série desde o começo e este é seu sétimo episódio, depois de ter contribuído com dois em cada temporada (“Ghosts of Illyria”, “Lift Us Where Suffering Cannot Reach”, “Those Old Scientists”, “Subspace Rhapsody”, “Shuttle to Kenfori” e “The Sehlat Who Ate Its Tail”). Ele ainda tem mais um episódio neste quarto ano e outros dois na quinta e última temporada.
- Dan Liu já se identifica a essa altura com o diretor de “cinema catástrofe” de Strange New Worlds. Ele assumiu o comando das filmagens em “Memento Mori”, “Lost in Translation”, “Shuttle to Kenfori” e “Off-Hour”. Sua derradeira contribuição à série é o episódio de abertura do quinto ano.
- O doutor Philip Boyce, interpretado aqui pelo ator americano Brian Markinson, que chegou a fazer audição para os papéis do Doutor e de Neelix, em Voyager, e fez aparições como astro convidado em A Nova Geração, Deep Space Nine e Voyager, em vários papéis.
- O personagem de Boyce foi originado em “The Cage”, o primeiro piloto de Star Trek, onde foi vivido por John Hoyt e aparecia servindo sob o comando do capitão Pike.
- Em diálogo, Chapel e M’Benga detalham as circunstâncias em que Boyce se tornou médico-chefe da Enterprise na época de “The Cage”, que precede Strange New Worlds. Segundo eles, Boyce foi interinamente alçado ao posto enquanto M’Benga esteve indisponível. E agora, a pedido de M’Benga, ele concorda em servir como subalterno. A situação projeta o que acontecerá mais tarde com o próprio M’Benga, que, tendo sido anteriormente médico-chefe, aceitará ser subordinado a Leonard McCoy a bordo da Enterprise durante a Série Clássica.
- Boyce usa aqui uma insígnia adicional ao delta da Frota Estelar, com o que parece ser uma representação da Terra. É uma referência visual ao logo que aparece no traje dele em “The Cage”.
- A tripulante Rahda, aqui vivida por Abinaya Sivakumaran, também apareceu na Série Clássica em “That Which Survives”, interpretada por Naomi Pollack.
- Este episódio também mostra a cápsula iônica da Enterprise e um drama envolvendo sua ejeção com um oficial embarcado – algo que voltaria a acontecer (sem o benefício de grandes efeitos visuais) em “Court Martial”, da primeira temporada da Série Clássica.
- Exceder os limites de velocidade da Enterprise a ponto de ameaçar a segurança da nave também é algo visto muitas vezes na Série Clássica, em episódios como “Tomorrow Is Yesterday”, “The Changeling” e “That Which Survives”
- Pelia aqui convence Scotty a ser um “fazedor de milagres”, fama que já estaria completamente consolidada no personagem na Série Clássica.
- Buracos de minhoca são um conceito teórico real derivado da teoria da relatividade geral, mas a noção de buracos de minhoca de deslizamento (slipstream wormholes) são uma invenção dos roteiristas.
- O mesmo se aplica aos neutrinos, que de fato existem, mas, como léptons, não interagem de forma alguma com a força nuclear forte. Os supostos neutrinos de força forte sugeridos aqui são incompatíveis com o modelo padrão da física de partículas – a teoria mais bem-sucedida até hoje na história da ciência.
Ficha Técnica
Escrito por Bill Wolkoff
Dirigido por Dan Liu
Exibido em 27 de agosto de 2026
Título em português: “Hora Crítica”
Elenco
Anson Mount como Christopher Pike
Ethan Peck como Spock
Jess Bush como Christine Chapel
Christina Chong como La’An Noonien-Singh
Celia Rose Gooding como Nyota Uhura
Melissa Navia como Erica Ortegas
Babs Olusanmokun como Joseph M’Benga
Martin Quinn como Montgomery Scott
Rebecca Romijn como Una Chin-Riley
Elenco convidado
Brian Markinson com Philip Boyce
Carol Kane como Pelia
Ziye Hu como Early
Alex Kapp como computador da Enterprise
Stella Lee como Rankin
Bianca Nugara como A’Sha
Abinaya Sivakumaran como Rahda
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Em breve
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Edição de Maria Lucia Rácz
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