Novo filme de Star Trek aposta numa história de corrupção na Frota

Entre as várias tentativas de emplacar um novo longa-metragem de Star Trek na última década, um projeto parece finalmente caminhar com passos mais firmes rumo às telonas. O projeto está nas mãos de John Francis Daley e Jonathan Goldstein, dupla de roteiristas e diretores conhecida por “Dungeons & Dragons: Honra Entre Ladrões“, e as primeiras pistas sobre o tom da história já começam a circular.

Em entrevistas recentes concedidas ao site Inverse, Daley e Goldstein revelaram que o filme se desenrola em um intervalo de tempo curto, quase em tempo real, e que o eixo dramático central é a fragilidade das instituições diante da corrupção interna.

A história se passa quase em tempo real e oferece uma perspectiva totalmente diferente do que um filme de Star Trek poderia ser sem trair os fundamentos do que ele deveria ser.

Segundo os cineastas, a trama se inspira livremente em dois clássicos do gênero policial e de ação: “Training Day” (Dia de Treinamento), que acompanha o primeiro dia de um policial novato sob a tutela de um detetive veterano e corrupto e “Crimson Tide” (Maré Vermelha), se passa dentro de um submarino nuclear em crise com a Rússia, onde o comandante da embarcação e seu novo imediato discordam sobre como interpretar uma ordem. Ambos filmes são construídos sobre o confronto entre um comandante experiente e um subordinado mais jovem e disciplinado, obrigados a trabalhar juntos sob pressão para neutralizar uma ameaça.

Curiosamente, os dois filmes citados têm Denzel Washington como protagonista. Vale lembrar ainda que “Maré Vermelha” guarda uma referência à série original de Star Trek, quando o Tenente Comandante Ron Hunter (Denzel Washington) diz que o técnico precisa ser o “Sr. Scott” (Scotty) e consertar o rádio, pois o Capitão Kirk está na ponte esperando por respostas.

Um ponto que os diretores fizeram questão de esclarecer nessa entrevista mais recente é que o filme não recorrerá a personagens já conhecidos da franquia. Serão figuras completamente inéditas, o que reforça a intenção de tratar a história como uma porta de entrada nova para o universo Star Trek, e não como uma continuação direta de tramas ou tripulações já estabelecidas.

Daley resumiu a proposta como uma espécie de radiografia da Frota Estelar e das instituições de longa duração em geral. A ideia não é adotar um tom cínico ou fatalista sobre o legado idealizado que a organização sempre representou na franquia, mas reconhecer que toda instituição duradoura carrega o risco de abrigar figuras capazes de corroer aquilo que ela representa.

Eu diria que é uma espécie de análise da instituição da Frota Estelar e de qualquer instituição como um todo que exista há muito tempo, e do que isso implica. Acho que a representação da Frota Estelar e das pessoas que trabalham nela sempre foi, em geral, uma versão idealizada do que o futuro poderia ser. E embora este roteiro não seja uma visão cínica ou niilista, acho que reconhece que existem algumas maçãs podres em todas as instituições que podem ter uma voz forte e realmente impactar essa instituição e tudo o que ela representa.

A escolha não é exatamente inédita dentro do universo Trek. A galeria de almirantes corruptos ou simplesmente equivocados já rendeu tramas marcantes ao longo de séries e filmes. A mais recente foi sobre o personagem almirante Alexander Marcus, em Star Trek Into Darkness, mas tivemos outros como o Almirante Dougherty, em Star Trek: Insurrection. O próprio Terry Matalas, showrunner da terceira temporada de Star Trek: Picard, já havia recorrido a “Maré Vermelha” como referência para o atrito entre Picard e Riker nos primeiros episódios daquela temporada. Seguem ainda: Almirante Cartwright (Star Trek VI: The Undiscovered Country), Almirante Leyton (Star Trek: Deep Space Nine, episódios “Homefront”  e “Paradise Lost“), entre outros.

Os cineastas também justificam a aposta em um filme de cinema, e não em mais uma série para streaming, pelo momento atual da televisão.

Com o advento da televisão verdadeiramente cinematográfica, acho que o desafio agora é justificar seu lugar como um longa-metragem, um filme para cinema que, em um mundo perfeito, seja exibido nas maiores telas possíveis. E isso exige uma visão mais ampla do que qualquer programa de televisão poderia alcançar. É algo que definitivamente temos muito em mente. Tem que haver um espetáculo.

Apesar de reconhecerem esse território já bastante explorado pela franquia, Goldstein fez questão de deixar claro que o filme não pretende depender do público cativo dos fãs de longa data. A aposta declarada da dupla é construir uma história que funcione por si só para quem nunca teve contato com Star Trek, ao mesmo tempo em que dialoga com quem já conhece o universo, na esperança, inclusive, de que o filme sirva de ponto de partida para uma nova franquia.

Goldstein: Veja bem, não queremos depender do fandom . Não queremos apenas torcer para que haja fãs suficientes da série original ou de A Nova Geração ou qualquer outra série que compareçam para assistir a este filme. Queremos apenas fazer um ótimo filme que se passe no universo com o qual as pessoas estão familiarizadas, algumas pessoas estão familiarizadas e que outras irão descobrir. E, então, com sorte, lançaremos uma nova franquia.

Vale ressaltar que o projeto ainda não recebeu luz verde oficial da Paramount, ainda que executivos do estúdio tenham mencionado sua existência durante a CinemaCon, em abril. A trajetória de tentativas fracassadas desde a estreia de Star Trek Beyond, em 2016 que também chegou a ter uma sequência anunciada e depois abandonada, é um lembrete de que, em Hollywood, nem todo projeto “em desenvolvimento” chega às telas.

Atualmente, os dois estão às voltas com o lançamento de “Mayday“, comédia de ação assinada por ambos como roteiristas e diretores.

Fonte: TrekMovie


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