DSC 1×12: Vaulting Ambition

Origem de Lorca é revelada em episódio frenético (e curto)

Sinopse

Michael Burnham, ainda se passando pela capitão da ISS Shenzhou, vai ao encontro da nave da Imperatriz Georgiou, para entregar o “renegado” Lorca, também se passando por sua contraparte do universo do Espelho. Burnham está apreensiva por reencontrar Georgiou, ainda que Lorca a recorde de que esta é outra pessoa, inteiramente diferente e extremamente perigosa.

A missão: recuperar os dados de como a Defiant saltou para o Universo do Espelho. Saru conseguiu decriptar o arquivo obtido na Shenzhou, mas ele está com vários trechos apagados — incluindo a informação de onde seria o espaço interfásico que permitiu à nave estelar do século 23 cruzar a barreira entre Universos.

Enquanto isso, na Discovery, Tyler está sendo mantido na enfermaria, enquanto Stamets continua sendo submetido ao tratamento com esporos desenvolvido pela cadete Tilly. A consciência do cientista está presa na rede micelial e lá ela encontra sua contraparte do Espelho, que também está presa. O Stamets-Espelho diz que seu outro eu precisa encontrar um caminho para fora.

Tyler por sua vez está totalmente fora de controle, preso entre duas identidades, a humana e a klingon. Saru, interinamente como capitão, pede ajuda a L’Rell para resolver, mas ela de início se recusa.

Na nave da Imperatriz, Georgiou celebra a volta de sua “filha” tida como morta e despacha de pronto Lorca para uma cabine da agonia. Michael é convidada para jantar por Georgiou e lá é obrigada a comer guisado de kelpiano, para manter o disfarce. Não foi lá muito útil, porque em seguida a Imperatriz revela que sabe que Burnham mente e na verdade a traiu para se aliar a Lorca. Sem demora, condena-a à morte.

No momento da execução, diante do Conselho, Michael diz que veio de outro universo e que pode provar — ela carrega a insíginia da capitão Georgiou, que contém a assinatura quântica de seu universo de origem. A Imperatriz então decide matar todos os seus conselheiros salvo um, para conter essa revelação. Ela quer de todos os modos eliminar qualquer referência à “subversiva” Federação Unida de Planetas.

Michael tenta persuadi-la a fornecer os dados da Defiant para que possam voltar para casa, mas Georgiou afirma que eles seriam inúteis — a transição entre universos deixou loucos todos os tripulantes da nave federada e envolve circunstâncias que não podem ser replicadas. Diante disso, ela oferece uma contra-proposta: informações sobre a tecnologia de esporos que permitiu à Discovery viajar com segurança entre universos pela liberdade de Michael. Ela concorda e pede que Saru traga a Discovery para perto da ISS Charon, a nave capitânia da Imperatriz.

Saru tem sua própria dose de problemas complexos. Sem solução para o caso de Tyler, que começou a se automutilar, ele o transporta para a cela de L’Rell. Com a situação literalmente em seus braços, ela finalmente concorda em realizar um procedimento, na enfermaria, e destrói da identidade de Voq. Em meio a um grito do ritual de morte klingon, Tyler, que antes era Voq, agora reencontra alguma medida de paz.

Enquanto isso, Stamets se surpreende ao encontrar Culber na rede micelial. Estaria ele vivo? Não. Culber mesmo é o primeiro a dizer que está morto, mas que Stamets precisa encontrar a saída dali. E assim o cientista consegue despertar na engenharia, enquanto sua contraparte do Espelho também desperta na nave da Imperatriz.

Lorca está sendo torturado quase até a morte na câmara da agonia, por um capitão imperial que acredita que o capitão da Discovery fez algum mal à irmã dele, julgando-o ser Lorca-Espelho. Depois de ver um de seus seguidores ser morto por um parasita de forma horrível, literalmente explodindo, Lorca parece estar no seu limite físico e mental. Preocupado em ter morto o prêmio da Imperatriz, o capitão imperial tira Lorca da cabine. Eis que era um truque. Lorca usa um desfibrilador para matar seu torturado e enfim revela que é, de fato, o Lorca do Espelho, líder que tentou dar um golpe de estado e derrubar a Imperatriz Georgiou.

Comentários

UAU. Então, Lorca é mesmo um terráqueo, vindo do universo do Espelho. Isso explica suas ações maquiavélicas desde o começo da série, embora ainda precisemos descobrir como ele foi parar lá afinal. Mas está claro a essa altura que Lorca só foi parar na Discovery para encontrar um caminho de volta a seu universo de origem — um universo em que os humanos são supremacistas e selvagens.

Vamos discutir isso tematicamente, no contexto da série, mais adiante. Mas primeiro quero gastar dois dedos de prosa para falar especificamente de “Vaulting Ambition”, e seus 37 extremamente densos minutos de duração.

São 37 minutos extremamente bem executados e com um nível de serialização de um naipe até então ausente na série, mas posso dizer que não gosto, por definição, de episódios com apenas 37 minutos? Discovery prima por um ritmo frenético que às vezes cai bem, e às vezes parece apenas uma estratégia para evitar que pensemos na história em andamento. Nisso, estão levando oportunidades de desenvolver os personagens ao altar do sacrifício.

No episódio em questão, aponto sobretudo a questão Tyler-Voq, aludida também desde o começo da série, e revelada no episódio anterior, “The Wolf Inside”. Aqui parece que esse lado da trama meio que “bateu o ponto”; “temos de resolver a trama desse espião duplo malfadado rapidamente”, e usaram uma solução “mambo-jambo” em que L’Rell realiza algum tipo de procedimento que envolve manipular o cérebro do pobre coitado a fim de eliminar sua personalidade klingon. E assim acaba a crise de Voq.

Como assim?! É isso então?! Parece um elemento completamente gratuito na trama, que deixou dois cadáveres (Culber e Voq) sem realmente trazer algum tipo de desenvolvimento dramático que não fosse tão somente produzir a “surpresa” (que acabou não sendo tão surpreendente para os trekkers mais dedicados) de que Tyler era um espião dormente. E aí, cumprida essa tarefa, essa parte da história pode ser descartada. Se parece meio sem sentido é porque é mesmo. Por que diabos L’Rell precisaria infiltrar Voq, o líder e sucessor de T’Kuvma, em vez de um espião “klingon da semana” qualquer?

Esse é o ponto mais complicado do arco de Discovery nesta primeira temporada até agora. OK que o plano de L’Rell jamais chegou a dar certo em algum momento. Mas pelo menos algum sentido ele deveria ter feito. Até agora, ao menos para mim, não fez.

Fica como ponto positivo a ação de Saru para resolver o impasse, deixando L’Rell conviver com o problema que ela se recusava a resolver. Nosso kelpiano favorito teve uma temporada discreta até agora, mas, sempre que ele é chamado ao comando, não tem decepcionado. Aconteceu em “Choose Your Pain” e se repetiu agora.

Na nave da Imperatriz, as coisas andam com mais fluidez. O encontro entre Burnham e Georgiou-Espelho é tenso como deveria ser, e a cena do guisado de kelpiano é forte, mas muito bem atuada. Se Sonequa Martin-Green não vendesse a repulsa lá, poderia passar como uma piada sem-graça de humor negro. Mas funciona lindamente e serve como amostra de que estamos numa versão do universo do Espelho que realmente não está para brincadeiras. O perigo espreita à cada esquina, como o seguidor de Lorca executado a sangue-frio também descobriu.

Em compensação, em alguns momentos o drama de fato caminha para o humor involuntário (ou, se não for humor involuntário, no mínimo exagero). Georgiou ouve uma informação secreta de Michael e, sem dó nem piedade, mata todo o seu conselho, salvo um, para não deixar que vazasse. Com uma arma que mais parece um daqueles spinners idiotas que viraram moda em tempos recentes. É exagerado mesmo para o exagerado universo do Espelho. O conselho dela era composto só por idiotas inúteis, dispensáveis dessa maneira?

A mesma crítica vale para o ponto final na conclusão de Michael de que convivera com Lorca-Espelho desde que chegara à bordo da Discovery. A montagem das frases de duplo sentido dele é bem boa, mas quando chegamos à Imperatriz dizendo que a sensibilidade à luz é a única característica fisiológica que distingue humanos nos dois universos, poxa, podíamos ter ficado sem essa, né? Mesmo tirando o fato de que jamais vimos qualquer evidência disso em todos os outros episódios do universo do Espelho na franquia, ainda assim é óbvio demais. O roteirista Jordon Nardino podia ter evitado passar o recibo nesta.

E chegamos, por fim, à revelação final: Lorca é do Espelho. Posso repetir? UAU.

Confesso que minha primeira reação a isso foi de profunda irritação. A série faz a gente gostar do personagem, aceitar suas ações questionáveis como se os fins justificassem os meios no contexto da Guerra Klingon, e aí esfregam na nossa cara: “vejam só quem vocês aceitaram como seu líder”. Minha primeira reação é: como eu pude ter flexibilizado meus valores para aceitar este capitão? E, naturalmente, fiquei irritado com os roteiristas por esfregarem esta falha na minha cara.

Num segundo momento, já recuperado do baque, cheguei à conclusão de que foi genial. Diante do mundo em que vivemos, em que as pessoas já começam a se esquecer dos traumas vividos por seus antepassados durante a Segunda Guerra Mundial — e esquecê-los é o primeiro passo para repeti-los –, Discovery assume sua vocação como uma peça de Star Trek para promover importante crítica social.

Muita gente tem criticado a série por, entre outras coisas, ter perdido esse elemento crucial para as Jornadas anteriores. Isso sem levar em conta a importância de entender que Discovery vive mais em função de seu arco do que de episódios individuais. Ou seja, se você quer encontrar uma crítica social pertinente, é o caso de avaliar o arco, e não este ou aquele episódio.

E eis que, nesse contexto, Discovery é bastante sofisticada. Começamos com a Frota Estelar 100% como a conhecemos, paradigma da virtude, comandada pela capitão Georgiou. Uma merda acontece, a diplomacia falha, e terminamos com uma guerra com os klingons. Eles são violentos, totalitaristas, supremacistas… são uma cultura completamente diferente da nossa. Em nosso mundo atual, lembram mais a atitude fundamentalista de grupos radicais islâmicos do que de qualquer coisa similar aos valores ocidentais. Certo?

Saltamos para o universo do Espelho. Aqui, os klingons são líderes de uma vasta aliança, e os humanos são os assassinos, imperialistas, fascistas, segregadores. Ou seja, aqui o “outro” somos nós. A mensagem geral: uma cultura não nasce boa ou ruim; são as circunstâncias que a fazem pender para um lado ou para o outro. E, talvez, as lideranças.

Eis que vem o golpe final: Lorca, o nosso capitão desde “Context Is for Kings”, é um desses líderes questionáveis, moldado por seu universo. E, embora pontuássemos aqui ou ali decisões anti-éticas que ele possa ter tomado, estávamos convencidos de sua capacidade de liderança e de que seus métodos podiam ser os mais adequados para um conflito mortal com os klingons.

Ou seja: acabamos com um Trump no comando da Discovery — e embarcamos junto com ele na viagem.

Agora fazem sentido algumas afirmações de Sonequa Martin-Green lá atrás, na estreia da série, falando da “história incrivelmente corajosa de Discovery“. Ela é mesmo corajosa. Não é fácil envolver os telespectadores na história ao se fazer crítica social. Não é seguro, do ponto de vista mercadológico, colocar a audiência no papel de criticada.

Star Trek sempre caminhou com cuidado nessa fronteira delicada entre expor uma falha da sociedade e ofender a sensibilidade de sua audiência. Normalmente, a crítica social era lançada sobre uma sociedade alienígena, enquanto podíamos nos refestelar no confortável ambiente de “sensibilidade evoluída” dos humanos do futuro de Jornada nas Estrelas.

Discovery traz uma mensagem importante: se as circunstâncias forem corretas, mesmo pessoas supostamente “evoluídas” (como nós, a audiência) podem se ver seguindo líderes que pregam valores inaceitáveis. Ninguém pode achar que uma insanidade coletiva tomou conta de milhões de alemães quando eles decidiram seguir Hitler em 1933, elegendo-o chanceler. Ninguém pode achar que todos os eleitores de Trump são supremacistas brancos. Mas precisamos, sim, estar sempre vigilantes, sempre atentos, nos questionando a todo momento quem estamos seguindo, por quê e a que custo.

Ao propor essa reflexão, Discovery se revela uma série com um olhar no futuro, mas focada acima de tudo nas questões de seu próprio tempo — algo que todas as séries de Jornada sempre se preocuparam em ser.

E, para não dizer que não falei de flores, gostei muito da forma como lidaram com a recuperação de Stamets, guiado mais por sua própria consciência — representada figurativamente por Culber, como se ele fosse “a melhor parte dele” — do que por qualquer abracadabra que Tilly estivesse fazendo para trazê-lo de volta. Eis aí uma solução para um ponto da trama bastante satisfatória. Não fosse aquela trupicada na “morte e ressurreição” gratuitas, no episódio passado, teria sido perfeito. E as cenas entre Anthony Rapp e Wilson Cruz são apropriadas e tocantes, como deveriam ser. Excelente trabalho nessa frente.

No fim das contas, “Vaulting Ambition” foi o episódio que mais enfatizou o caráter serializado de Discovery. Ele será lembrado como “aquele em que o Lorca revelou sua natureza”, algo que acontece literalmente no último minuto, mas sua importância não pode ser totalmente compreendida se não damos um passo atrás e enxergamos o quadro completo. E esse quadro mais amplo, a despeito de suas falhas e fios soltos, parece totalmente afinado com o que Jornada nas Estrelas sempre se propôs a fazer, com uma ousadia que a franquia raras vezes empregou.

Avaliação

Citações

Mirror Stamets – You’ve been wrong about everything. There is a god, and she’s very very mad at you right now… I totally had you for a second. You can’t deny it. You should have seen your face. I mean, our face.
(“Você estava errado sobre tudo. Há um deus, e ela está furiosa com você… Eu te enganei por um segundo. Você não pode negar. Você devia ter visto sua cara. Quer dizer, nossa cara.”)

Georgiou – Lord Eling, can you keep a secret?
(“Lorde Eling, pode guardar um segredo?”)
Eling – Yes, Emperor.
(“Sim, Imperatriz.”)
Georgiou – Good. Clean this up. Never speak a word of it to anyone, and I’ll make you governor of Andor.
(“Ótimo. Limpe isso. Nunca diga uma palavra sobre isso a qualquer um, e eu o farei governador de Andor.”)
Eling – Yes, Emperor.
(“Sim, Imperatriz.”)

Lorca – Your sister’s name was Ava… And I liked her, but you know, somebody better came along.
(“O nome da sua irmã era Ava… Eu gostava dela, mas sabe, alguém melhor apareceu.”)

Trivia

  • Este é o episódio em live action mais curto da história de Jornada nas Estrelas, com 37 minutos.
  • Alguns fãs dizem que há precedentes para o fato de os terráqueos serem mais sensíveis à luz do que os humanos do nosso universo. Eles mencionam que os ambientes nos episódios do Espelho (salvo o inicial “Mirror, Mirror”) são bem mais escuros que a bordo de naves da Federação e que Jonathan Archer parece estar incomodado com a luminosidade na ponte da USS Defiant.
  • O episódio dá alguns detalhes sobre o verdadeiro Ash Tyler, capturado na Batalha das Estrelas Binárias. O corpo atual é Voq transformado para se parecer com Tyler.
  • O fato de a rede micelial (e a consciência de Stamets) se manifestar como a Discovery, além de econômico, também tem precedentes em episódios anteriores de Star Trek. O recurso foi usado em “Remember Me” e “Birthright, Part I”, de A Nova Geração, “Distant Voices” e “Extreme Measures”, de Deep Space Nine, e “Barge of the Dead”, de Voyager.
  • O arquivo do caso da USS Defiant marca que ela chegou ao universo do Espelho na data estelar 0141.7. É o menor número de data estelar já visto na franquia.
  • Este é o primeiro episódio da série em que Keyla Detmer ou sua contraparte do Espelho não aparecem.
  • O roteirista Jordon Nardino diz que sua inspiração para os terráqueos do universo do Espelho foi o Império Romano. Nardino se divertiu particularmente ao criar os títulos e o nome inteiro da Imperatriz. Ela é apresentada como “Her Most Imperial Majesty, Mother of the Fatherland, Overlord of Vulcan, Dominus of Kronos, Regina Andor — Phillipa Georgiou Augustus Iaponius Centarius”. Em tuitadas, o roteirista explicou cada um dos títulos de Vossa Majestade Imperial. Mãe da Pátria é o mais óbvio. Soberana de Vulcano se ampara na lógica de que Vulcano seria uma das primeiras conquistas do Império Terráqueo, que se vê como “protetor” do planeta. “É paternalista/delirante”, diz Nardino. Dominus de Kronos é justificado pelo orgulho dos humanos de terem conquistado Qo’noS, o mundo natal klingon. Dominus se refere a dominação. E Qo’noS é pronunciado como “Kronos” por chauvinismo cultural. Regina Andor se refere à conquista de Andória, que nas palavras de Nardino, é “a joia da coroa terráquea”. Trata-se de uma conquista do Império feita antes de Hoshi Sato tomar o poder. Finalmente, para os nomes de Georgiou, Augustus se refere a Augusto, nome do primeiro imperador romano. Iaponius é latim para “japonês”. “Isso (em meu sonho febril) é um título que Hoshi Sato adotou quando se proclamou Imperatriz, para honrar sua terra natal”, explica Nardino. E Centarius se refere ao sistema mais próximo do Sol, Alfa Centauri — primeira colônia humana. Nardino ainda completa que, na cabeça dele, Georgiou provavelmente não é descendente direta de Sato, pois Philippa é malásia/chinesa, e Sato é japonesa. Mas destaca que nada disso é canônico até que apareça em tela. Por ora, é só opinião dele.

Ficha técnica

Escrito por Jordon Nardino
Dirigido por Hanelle M. Culpepper
Exibido em 21/01/2018
Produção: 112

Elenco:

Sonequa Martin-Green como Michael Burnham
Jason Isaacs como Gabriel Lorca
Doug Jones como Saru
Anthony Rapp como Paul Stamets
Mary Wiseman como Sylvia Tilly
Shazad Latif como Ash Tyler

Elenco convidado:

Michelle Yeoh como Philippa Georgiou
Mary Chieffo como L’Rell
Wilson Cruz como Hugh Culber
Sam Asante como guarda sênior
Jeremy Crittenden como lorde Eling
Raven Dauda como Dra. Pollard
Billy MacLellan como Barlow
Dwain Murphy como capitão Maddox
Tasia Valenza como computador da Shenzhou
Marie Ward como guarda júnior

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