TNG 1×09: Hide and Q

História para trazer Q de volta à Enterprise promove “a última tentação de Riker”

Sinopse

Data estelar: 41590.5

Intrigados com a tripulação da Enterprise após o incidente da Estação Longínqua, Q e as outras entidades do Continuum Q desejam estudar a espécie humana mais de perto.

Para esse fim, Q decide conceder um presente e escolhe Riker como o contemplado. Como resultado, o comandante passa a ter os mesmos poderes de Q e deve aprender a lidar com eles.

Tudo não passa de um jogo de sedução para convencer Riker a se tornar um membro do Q e ensinar sobre a extraordinária vontade de aprender e explorar, peculiar aos humanos.

O primeiro oficial promete a Picard não usar seus novos poderes, mas isso se torna difícil quando a Enterprise promove uma missão de resgate a uma colônia, num incidente com vários mortos, inclusive uma criança.

Arrependido, Riker muda de ideia e cede a Q, fazendo “milagres” para seus amigos da Enterprise. Após ter suas dádivas recusadas por cada um dos tripulantes, o comandante percebe o tamanho de sua tolice: o poder é inútil, talvez até perigoso, sem a sabedoria para controlá-lo.

Q mais uma vez fracassa e é levado à força pelo Continuum para ser julgado por seus atos.

Comentários

“Hide and Q” é mais um episódio que mostra a mão pesada de Gene Roddenberry nesta primeira temporada em concentrar a trama na “moral da história”. Dentre as lições estão ideias tipicamente roddenberrianas, como o caráter essencialmente bom do homem, sua vontade de aprender e sua inesgotável sede de conhecimento.

Além disso, ressalta-se o axioma “poder absoluto corrompe absolutamente”, tantas vezes já trabalhado em Star Trek, a começar pelo segundo piloto da Série Clássica, “Where No Man Has Gone Before”.

O moralismo é bem intencionado, mas exagerado, e acaba atropelando a verossimilhança. Acaba tornando os personagens pouco consistentes, dobrando-se às necessidades do roteiro.

O guerreiro Worf renega seu lado klingon, Geordi opta por permanecer cego, Wesley prefere continuar sendo criança etc. Tudo para mostrar a Q e à audiência quão nobres e incorruptíveis são aqueles personagens. O problema é que essa demonstração cobra como preço esquecermos a base do que já havíamos aprendido sobre eles!

E, claro, acaba gerando um contraste mais forte com Riker, que se mostrou suscetível à conversa fiada de Q. Depois de um início promissor em “Encounter at Farpoint”, o primeiro oficial mostrou que ainda tem muito a aprender com seu capitão.

No fim das contas, “Hide and Q” é um episódio que não se justifica: trata-se de apenas uma desculpa para trazer Q de volta à série, juntamente com o pacote de velhas questões que ele já havia suscitado no piloto.

Em termos de produção, não há destaques positivos. O cenário do planeta de Q é ruim, assim como seus alienígenas imaginários. Até o efeito da barreira da entidade apelou para a reprise, sendo idêntico ao já visto em “Encounter at Farpoint”!

Em compensação, algumas citações de Shakespeare, recheadas nos diálogos entre Q e Picard, dão pano para a manga. Entre Hamlet e Macbeth, A Nova Geração já mostra aqui que será tão bem servida por referências literárias quanto a Série Clássica.

Avaliação

 

Citações

“Oh, your species is always suffering and dying.”
(Oh, sua espécie está sempre sofrendo e morrendo.)
Q

“Pity, you might have learned an interesting lesson, Macrohead… with a microbrain.”
(Uma pena, você teria aprendido uma lição interessante, Macrocabeça… com microcérebro.)
Q

“Let us pray for understanding and for compassion.”
“Let us do no such damn thing!”
(Vamos orar por entendimento e por compaixão.)
(
Vamos fazer isso porcaria nenhuma!)
Q e Picard

Trivia

  • Este episódio foi escrito por Maurice Hurley. Mas ele ficou incomodado com as reescritas de Gene Roddenberry e preferiu usar o pseudônimo de C. J. Holland.
  • Na cena em que Q e Picard estão no gabinete do capitão, pode-se ver o título do livro que Picard tanto aprecia, e que está exposto em seu gabinete: The Globe Illustrated Shakespeare. Como de costume, o livro está aberto no Ato III, Cena 2 de Sonhos de uma Noite de Verão.
  •  Aqui um uniforme de gala de almirante aparece pela primeira vez, antes de fazer sua estreia oficial em alguém com esta patente, em “Too Short a Season”.
  • Esta foi a segunda e última aparição de John de Lancie como Q nesta temporada. Ele voltaria apenas no episódio “Q Who”, do segundo ano, onde apresenta os borgs à tripulação da Enterprise. Q participou de pelo menos um episódio por temporada, com exceção da quinta onde ele não apareceu em nenhum, o que foi compensado na sexta temporada, em que ele apareceu em dois episódios, “Tapestry” e “True Q”.

Ficha Técnica

História de C. J. Holland
Roteiro de C. J. Holland e Gene Roddenberry
Dirigido por Cliff Bole

Exibido em 23 de novembro de 1987

Título em português: “Esconde-Esconde”

Elenco

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William T. Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher
Denise Crosby como Natasha “Tasha” Yar

Elenco convidado

John de Lancie como Q
Elaine Nalee como sobrevivente
William A. Wallace como Wesley com 25 anos

Enquete

Edição de Maria-Lucia Rácz
Revisão de Salvador Nogueira

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