TNG 1×23: We’ll Always Have Paris

Episódio traz à tona memórias de Picard em conceito confuso de ficção científica

Sinopse

Data estelar: 41697.9

Em viagem a Sarona VIII para uma licença, a tripulação da Enterprise experimenta um estranho fenômeno de engasgo no tempo. Logo depois, a nave recebe um sinal de socorro de Vandor IV, onde um cientista chamado Paul Manheim estava conduzindo experimentos sobre tempo não linear.

Após resgatar Manheim e sua esposa, Jenice (que por acaso é um antigo amor de Picard), a tripulação descobre que o experimento do cientista não só foi responsável pela distorção que eles sentiram, mas também abriu uma janela para uma nova dimensão. Como resultado, todos os colegas dele morreram. Além disso, Manheim também está morrendo.

Para salvar a vida do cientista e evitar que o experimento interrompido arrebente o tecido do espaço-tempo e confunda a percepção de todos acerca da realidade, Picard precisa criar um plano para vedar o buraco para a outra dimensão. Ele ordena que Data vá a Vandor IV para tanto.

Usando o laboratório do cientista e sua capacidade de não sentir desorientação pelas distorções temporais, o androide consegue depositar exatamente a quantidade de antimatéria necessária para selar o buraco e encerrar o experimento malfadado.

Comentários

“We’ll Always Have Paris” é uma tentativa de fazer algo diferente com viagens no tempo. Mas falta coerência, consistência e, francamente, enredo.

Se você parar para pensar sobre os efeitos do experimento de Manheim, verá que o primeiro “soluço”, com Picard treinando esgrima com um tripulante, tem um efeito diferente do segundo “soluço”, em que Picard, Riker e Data se encontram com sósias de outra linha temporal no turboelevador.

Enquanto na primeira situação o tempo é simplesmente rebobinado, na segunda ele é duplicado. A diferença é sutil, mas os resultados são diferentes. Se o segundo efeito fosse igual ao primeiro, não teríamos um encontro de sósias, mas sim Riker, Picard e Data simplesmente andando para trás e saindo de costas do elevador para novamente voltarem a entrar.

Podemos até dar um desconto, pela intenção dos roteiristas de tentar criar a sensação de desorientação mencionada no episódio, mas o fato é que há um conflito inerente.

Isso sem falar na premissa como um todo, muito pouco clara para que possamos acreditar nela. Ao contrário de outras tramas do primeiro ano, “We’ll Always Have Paris” não teve o suporte pseudocientífico suficiente para esclarecer o que está acontecendo afinal.

A despeito disso, o episódio apresenta um estudo interessante (e pouco comum na primeira temporada) da interação entre os personagens – principalmente para a dupla Jean-Luc Picard e Beverly Crusher.

É enriquecedor conhecer esse lance amoroso pregresso da vida do capitão, vivido com Jenice. Pena que Michelle Phillips, como atriz, seja uma ótima cantora. Pelo menos sua presença serve muito bem para expor o desconforto de Beverly Crusher em sua tensão amorosa com o capitão Picard. E a conselheira Deanna Troi, fazendo o meio-campo entre os dois, nem parece ter a empatia de uma betazoide e a moderação de uma psicóloga –  coloca o dedão na ferida dos outros sem a menor cerimônia.

Os efeitos visuais são um destaque do episódio, principalmente na cena final com os três Datas, na em que há dois Picards, Datas e Rikers na entrada do turboelevador e nas tomadas espaciais da estrela binária, do planetoide em órbita e, claro, da Enterprise.

Avaliação

Citações

“This is where we started, if we are us.”
“Oh, we are us, sir, but they are also us. So indeed, we are both us.”
(Isso foi onde começamos, se nós somos nós.)
(Oh, nós somos nós, senhor, mas eles também são nós. De fato, ambos somos nós.)
Riker e Data

Trivia

  • O cenário de Paris no século 24 visto no holodeck era uma pintura, que foi reutilizada no filme Jornada nas Estrelas VI: A Terra Desconhecida.
  • O menu que aparece com o personagem Edouard contém os seguintes pratos: Croissants D’ilithium, Targ Klingon à la Mode e Tribbles dans les Blankettes.
  • Michelle Phillips (Jenice Manheim) é fã da Série Clássica e foi integrante da banda The Mamas and the Papas, conjunto musical da década de 1960.
  • Lance Spellerberg (alferes Herbert) voltaria no episódio do segundo ano “The Icarus Factor”, fazendo o mesmo personagem.

Ficha Técnica

Escrito por Deborah Dean Davis e Hannah Louise Shearer
Dirigido por Robert Becker

Exibido em 2 de maio de 1988

Título em português: “Lembranças de Paris”

Elenco

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William T. Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Gates McFadden como Beverly Crusher
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher

Elenco convidado

Michelle Phillips como Jenice Manheim
Rod Loomis como dr. Paul Manheim
Lance Spellerberg como chefe de transporte Herbert
Isabel Lorca como Gabrielle
Dan Kern como tenente Dean
Jean-Paul Vignon como Edouard
Kelly Ashmore como Francine

Enquete

Edição de Maria-Lucia Rácz
Revisão de Susana Alexandria

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