TNG 2×05: Loud as a Whisper

Episódio de surdo-mudo bem que tenta, mas não consegue falar nada que preste

Sinopse

Data estelar: 42477.2

A Enterprise é desviada inesperadamente para o sistema estelar Ramatis, para transportar um famoso mediador, chamado Riva, para o local de um intenso conflito planetário, em Solais V. Para a surpresa do grupo avançado, liderado pelo capitão Picard, fica logo claro que Riva é surdo-mudo. Embora ele possa entender o que a tripulação está dizendo ao ler seus lábios, seu único modo de se comunicar é por meio do Coro, um grupo de três pessoas que não só possuem aspectos distintos da personalidade de Riva, como também podem ler os pensamentos do mediador telepaticamente e convertê-los em palavras.

Em rota para Solais V, Troi e Riva desenvolvem uma forte afeição mútua. Deixados sozinhos juntos, Riva comunica seus sentimentos de amor por Troi usando pensamentos e uma primitiva linguagem de sinais.

Chegando ao planeta devastado pela guerra, Riva, seu Coro e o grupo avançado se preparam para encontrar os líderes da disputa secular. Mas quando os combatentes se encontram para começar as conversações de paz, um soldado dissidente abre fogo, matando o Coro de Riva. O grupo avançado e o mediador são rapidamente teleportados de volta à Enterprise, antes que mais danos fossem feitos.

Surpreendido pela perda de seu Coro, Riva se torna pouco comunicativo e perde toda a confiança em si mesmo. Embora Data aprenda várias formas de linguagens de sinal e seja capaz de comunicar os pensamentos do mediador, Riva se recusa a voltar ao planeta, onde seus amigos foram mortos de forma tão sem sentido. Por sorte, Troi é capaz de persuadir o mediador, para que ele transforme vantagem em desvantagem.

De volta a Solais V, Riva dispensa Data como seu tradutor, anunciando que ele planeja ensinar aos líderes em guerra a linguagem de sinais, para que eles possam se comunicar com ele e, por consequência, um com o outro.

Comentários

“Loud as a Whisper” fala sobre como transformar desvantagens em vantagens. Mal e porcamente. O episódio apresenta uma aventura até certo ponto curiosa e envolvente, mas a verdade é que ele não leva a lugar nenhum. Há várias “minimensagens” espalhadas ao longo do roteiro, algumas subliminares e óbvias (como “surdos-mudos podem superar suas dificuldades e tornarem-se produtivos”), outras menos claras e aplicáveis apenas em casos específicos (“surdos-mudos são bons árbitros porque, de certo modo, aprenderam a “ouvir” e a “falar” de forma mais hábil e cuidadosa que os impulsivos seres falantes e ouvintes).

Todas essas minimensagens, que giram justamente em torno da ideia de transformar uma óbvia desvantagem (a deficiência física) em uma clara vantagem (a capacidade de apaziguar povos em guerra), estão apenas lá, atiradas no texto. Todas elas teriam o potencial para converter-se em um bom roteiro, fossem trabalhadas com maior dramaticidade. Mas, do jeito que foi escrito, parece apenas um amontoado de “morais da história” sem muita justificativa.

A ideia final, de que o fato de os inimigos precisarem aprender a linguagem de sinais de Riva poderia uni-los, obrigando-os a trabalhar juntos e a superar suas diferenças, renderia um episódio por si só. Mas a polpa (essa ideia) está envolvida por um extrato de coisas inúteis.

Só mesmo com um roteiro na mão alguém poderia achar extremamente gracioso, prático ou sofisticado o método de comunicação de Riva, por meio de seu Coro. Para qualquer telespectador razoável, aqui pareceria apenas algo pouco prático, ineficiente e incômodo. Não consigo ver como olhar para uma pessoa e ouvir outra falando possa ajudar em qualquer tipo de mediação.

Parece que o Coro de Riva, no formato que foi concebido, só existe para ser morto e deixar o pobre mediador incomunicável, obrigando-o a testar suas próprias concepções (de que o segredo das arbitragens é transformar desvantagens em vantagens).

Desde o começo, Riva é arrogante, pomposo e presunçoso, o que faz da parte mais divertida do episódio o momento de desespero em que o mediador se encontrou, assim que seu Coro foi morto. É de dar risada a boa atuação de Howie Seago, gesticulando freneticamente (se é que ele estava atuando).

E, se em um roteiro dramático, o melhor momento foi aquele que o fez rir, é sinal de que o roteirista não foi bem-sucedido em sua tarefa. “Loud as a Whisper” podia ter sido um bom episódio, fosse ele rescrito de forma mais cuidadosa, mais dramática e menos previsível.

Troi ganha tempo de tela aqui, mas não tempo “útil” de tela. Seu relacionamento com Riva é risível. Data e Picard foram um pouco melhor utilizados, mas nada que fosse digno de nota. Tecnicamente, o episódio apresenta a costumeira eficiência, especialmente no efeito especial em que o Coro de Riva é desintegrado.

Avaliação

Citações

“The real secret is turning disadvantage into advantage.”
(O verdadeiro segredo é transformar desvantagem em vantagem.)
Riva

Trivia

  • Howie Seago, que interpreta Riva, é realmente surdo. Foi ele que propôs aos produtores um episódio da Nova Geração baseado em um ator convidado surdo. E acabou pegando o papel.

Ficha Técnica

Escrito por Jacqueline Zambrano
Dirigido por Larry Shaw

Exibido em 9 de janeiro de 1989

Título em português: “O Som do Silêncio”

Elenco

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William Thomas Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Michael Dorn como Worf
Marina Sirtis como Deanna Troi
Wil Wheaton como Wesley Crusher

Elenco convidado

Diana Muldaur como Katherine “Kate” Pulaski
Howie Seago como Riva
Leo Damian como guerreiro/Adonis
Mamie Mosiman como mulher
Thomas Oglesby como Scholar
Colm Meaney como O’Brien
Richard Lavin como o líder Solari loiro
Chip Heller como o líder Solari moreno
John Garrett como tenente

Enquete

Edição de Maria Lucia Rácz
Revisão de Susana Alexandria

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