ENT 2×07: The Seventh

Segmento ilumina segredo do passado de T’Pol e aprimora relação com Archer

Sinopse

Data estelar: Desconhecida

T’Pol recebe uma comunicação no meio da noite do Alto Comando Vulcano, informando-a de que Menos foi localizado a poucos dias da localização atual da Enterprise. A primeiro oficial diz a Archer pela manhã que ele receberá uma chamada do almirante Forrest, ordenando que a Enterprise siga para as referidas coordenadas. Lá, ele deve permitir que T’Pol saia com um piloto em cápsula auxiliar e conduza uma missão para o governo vulcano, enquanto espera pelo retorno dos dois. Uma nave vulcana também deve chegar em breve ao setor.

Archer pede a T’Pol mais informações, mas ela se recusa a dá-las. Mais tarde, o capitão recebe a prometida ligação de Forrest e designa Mayweather para acompanhar a vulcana na missão secreta. Pouco antes da partida, Archer é surpreendido por T’Pol, que pede que ele a acompanhe. Quando perguntada sobre o porquê da decisão, ela diz apenas que precisa ter alguém em quem possa confiar junto dela.

T'Pol em ligação com o Ministério da Segurança

O capitão deixa Trip no comando da Enterprise, mas se recusa a revelar ao engenheiro a natureza da missão que ele vai conduzir com T’Pol e Mayweather. Já na cápsula auxiliar, a vulcana revela aos dois humanos os detalhes da ação. Ela está lá para capturar Menos, um fugitivo vulcano. Há 30 anos, ele e outros 108 agentes vulcanos foram alterados cirurgicamente para ajudar o governo de um planeta alienígena a deter instituições criminosas. Menos foi um dos muitos que se infiltraram em gangues de traficantes, mas acabou se tornando um dos poucos a se recusar a retornar a Vulcano após o fim da operação.

Na época, T’Pol trabalhava com o departamento de segurança vulcano e foi uma das agentes designadas para capturar os fugitivos. A ela foram atribuídas seis capturas — Menos seria a sexta, mas tem conseguido fugir dela por anos. Ela quase o capturou certa vez em Risa, mas fracassou. Archer não entende por que o Alto Comando Vulcano não escolheu outro para a missão, mas T’Pol justifica dizendo que eles consideram ser uma questão de honra para ela.

Archer e T'Pol no Shuttlepod

Devidamente informados, Archer e Mayweather acompanham T’Pol até um planeta naquele sistema, onde se encaminham para um bar ocupado por diversas espécies alienígenas. Lá, eles detectam a presença de Menos e, após um tiroteio, conseguem apreendê-lo. O trio pretende partir o mais rápido possível, mas são informados de que não podem fazê-lo, pois a plataforma em que a cápsula auxiliar está estacionada está em manutenção, coberta por ácido. A partida só será possível em quatro horas.

Diante disso, o grupo mantém Menos preso a uma mesa, no bar. O prisioneiro começa a conversar com eles e diz ser inocente das acusações do governo vulcano: ele não é um traficante, diz, mas apenas alguém que não quis voltar para seu planeta natal após o término da missão. Ele tinha uma família e não queria abandoná-la. T’Pol insiste em dizer que ele está dizendo mentiras, mas Menos habilmente consegue provocá-la. Ela, intempestivamente, sai correndo e, correndo o risco de se ferir, atravessa a plataforma cheia de ácido para ir à nave de Menos. Lá, ela não encontra nenhuma das biotoxinas que Menos é acusado de traficar, apenas os invólucros de injetores de dobra usados que o “ex-vulcano” alega comercializar.

Menos sendo preso por T'Pol

Desconcertada, ela volta ao bar e pede a Archer para falar a sós com o prisioneiro. O capitão autoriza e Menos começa a falar com T’Pol, o que faz com que ela recuperasse uma memória perdida: em Risa, ela não estava perseguindo somente Menos, mas também um outro fugitivo, chamado Jossen. Ela não tinha seis para capturar, mas sete. Naquela ocasião, ela acabou matando Jossen, mas a culpa por ter matado o que talvez fosse um inocente acabou fazendo com que ela fosse até o santuário de P’Jem, onde teve a sua memória do evento apagada. Somente ao confrontar Menos ela recuperou a consciência do ocorrido.

Na Enterprise, Tucker precisa lidar com as responsabilidades de ser o capitão. O engenheiro até se vê obrigado a fingir ser Archer para o capitão da nave vulcana que acaba de chegar, a fim de não revelar que T’Pol o havia levado na missão secreta, mas tudo acaba transcorrendo bem.

Jossen sendo perseguido por T'Pol

Enquanto isso, no planeta, T’Pol está profundamente abalada e não sabe mais se está correta em prender Menos. Ela deixa o fugitivo a sós e Archer manda que Mayweather fique com ele, enquanto o capitão conversa com a primeiro oficial para saber o que está havendo. O fugitivo aproveita a distração e provoca um incêndio no bar, causando a debandada de todos os alienígenas. T’Pol tenta resgatar Menos do fogo, mas ele acaba fugindo.

Ela guia Archer e Mayweather até a nave de Menos, mas ele não está lá. Aparentemente, ele pode ter fugido na nave de qualquer um dos alienígenas que acabam de partir. T’Pol está disposta a abandonar a busca, mas Archer não está tão convencido. O capitão se junta a Mayweather no cockpit da nave e descobrem um estranho dispositivo. Ao mexer nele, acabam sem querer desativando um sistema interno de camuflagem, revelando que Menos ainda estava a bordo.

T'Pol na nave de Menos

O fugitivo está armado e ameaça ferir T’Pol, caso os dois humanos não entrem em um compartimento lacrado da nave. Os dois largam as pistolas e colaboram. Menos, então, ordena que T’Pol vá até a tranca e trave a porta do compartimento. Mas todos são surpreendidos quando Archer e Mayweather dão um tranco na porta e voltam à área de carga, rapidamente recuperando suas pistolas de fase e voltando a disparar contra Menos. O fugitivo acaba se rendendo, por razões que logo ficam claras: atrás dele há um compartimento que guarda biotoxinas — se um tiro os tivesse atingido, poderia ter matado a todos.

Mesmo rendido, Menos é rápido o suficiente para abrir uma escotilha e fugir. T’Pol vai logo atrás dele e, apesar de confusa, é convencida a disparar e imobilizar o fugitivo, pondo fim à caçada de anos.

Comentários

“The Seventh” consegue quebrar a monotonia usual com uma história interessante e imprevisível, boas atuações e revelações surpreendentes a respeito do passado de T’Pol, uma personagem que certamente merece a atenção dos produtores.

Além disso, o episódio captura como nunca a dinâmica ideal que deveria existir entre a vulcana e o capitão Archer. E o mais impressionante é que o segmento foi escrito pelos mesmos autores de “A Night in Sickbay”, o episódio que até agora mais fez para destruir a relação de amizade e confiança que estava se formando em torno dos dois.

Title Card ENT 2x07 The Seventh

Aparentemente, a dupla Rick Berman e Brannon Braga sofre de algum distúrbio de dupla personalidade enquanto escreve para a série, conseguindo ir dos melhores episódios aos mais catastróficos conceitos. Uma pena que não só a qualidade geral dos segmentos, mas a própria integridade dos personagens seja colocada nessa montanha-russa criativa dos dois.

A boa notícia é que em “The Seventh” eles captaram exatamente o espírito da coisa. A palavra-chave da dupla Archer e T’Pol não é “tensão sexual”, como queria sugerir “A Night in Sickbay”, mas sim “confiança”, como o presente episódio faz questão de enfatizar, de forma textual, em várias partes do roteiro, incluindo a solução para o dilema de T’Pol.

Archer e T'Pol em The Seventh

Aliás, a vulcana é a grande beneficiada do segmento. Embora ela cada vez mais se mostre como um exemplar atípico de sua espécie (e mais surpresas para a personagem ainda virão nesta temporada), é inegável o fato de que seu crescimento e sua evolução ao longo da série começam a mostrar consistência, tornando T’Pol, embora menos vulcana, mais real.

O passado dela é aqui reconstruído em vários detalhes, explicando seu envolvimento anterior com o departamento de segurança vulcano e suas atividades prévias como agente secreta (que ajudam a esclarecer, por exemplo, como a oficial sabia tanto sobre autodefesa, como demonstrado em “Marauders”, e também explica por que ela seria uma boa escolha para se tornar a representante vulcana a bordo da Enterprise).

Mayweather, Archer, Menos e T'Pol

Mais da “diplomacia” vulcana do século 22 é também exposta, mostrando como esses alienígenas não hesitavam muito em interferir em outros mundos, contanto que eles já tivessem tecnologia de dobra (já havíamos visto sugestões disso em “Shadows of P’Jem”, o que mostra também certa consistência política desses vulcanos pré-Federação).

Mas nada aqui é mostrado de forma mais intrigante que a crise emocional da até então estoica T’Pol. Não tanto porque faça um grande sentido (mesmo que a vulcana não seja o estereótipo de sua espécie, não se esperaria que a morte de um suspeito em legítima defesa, durante uma fuga, fosse abalar profundamente uma agente secreta do departamento de segurança), mas, principalmente, por dar a chance de Jolene Blalock provar seu valor como atriz.

T'Pol em The Seventh

Depois de “The Seventh”, poucos continuarão pensando que a única utilidade de Blalock na série é servir de fonte de sex appeal para garantir o interesse da audiência masculina. Sua interpretação aqui é bastante sólida e vende muito bem a ideia de que T’Pol, de fato, está passando por uma série crise emocional e, por consequência, de valores.

Após ter matado Jossen, que poderia ser inocente, T’Pol vê tudo acontecer de novo diante dos seus olhos. Ela não quer condenar mais um potencial inocente, Menos, da mesma forma que fez com seu ex-colega. E suas experiências anteriores a bordo da Enterprise (especialmente a descoberta de que os vulcanos podem, sim, mentir e agir sem ética, instalando postos avançados camuflados por santuários religiosos para vigiar seus inimigos) podem ter reforçado a ideia de que tudo não passasse de mais um embuste do Alto Comando para recuperar seus ex-agentes.

Lembrança de T'Pol em P'Jem

Mostrando rapidez de raciocínio para atacar os pontos fracos da vulcana, Menos (interpretado com brilhantismo pelo grande Bruce Davison) logo descobre que pode manipulá-la com o impacto emocional do assassinato de Jossen. Depois de tentar brevemente convencer Archer e Mayweather de que está sendo injustamente perseguido, ele logo percebe que T’Pol, na verdade, é o alvo mais sensível a sua manipulação intelectual.

Davison transmite muito bem o caráter dúbio de Menos (por um momento, até a audiência chega a se questionar se o personagem é culpado ou inocente), mas talvez falte um pouco de resquício vulcano em sua interpretação. É difícil acreditar que Menos algum dia tenha tido orelhas pontudas e trabalhado para o governo vulcano. Apesar disso, trata-se de outra atuação sólida, consistente e, acima de tudo, convincente.

Menos ameaçando T'Pol

Cabe a Archer mostrar a T’Pol que ela está sendo manipulada pelo fugitivo. O capitão, de fato, não consegue convencê-la completamente, o que torna a conclusão ainda mais dramática. A vulcana segue em dúvida até o fim e sua resolução definitiva, de atirar e capturar Menos, parte do capitão, depois que T’Pol confirma que ele estava lá porque ela precisa de alguém em quem pudesse confiar. “Então, confie em mim. Você está aqui para apreender, não para julgar.” E T’Pol atira. Claramente, ela não sabia que decisão tomar. Ela simplesmente confiou no julgamento de Archer. Uau. Isso é o que esperamos de um relacionamento bem escrito entre os dois.

Apesar de ser um episódio sobre T’Pol e seu passado sombrio (que incluiu até uma interessante e atraente referência ao santuário de P’Jem), não falta espaço para ação e aventura. A sequência da captura de Menos não é exatamente primorosa, do ponto de vista da direção, mas permanece atraente pelo cenário extremamente interessante e diferenciado do bar repleto de alienígenas.

T'Pol atirando em Menos

O que mais chama atenção, entretanto, do ponto de vista da ação, é a conclusão, com o tiroteio na nave de Menos e a rendição do criminoso. A sequência em que Archer e Mayweather são colocados no compartimento fechado e saem subitamente dando um tranco na porta, recuperando suas armas e iniciando o combate é bastante reminiscente dos bons e velhos tempos da Série Clássica. Não é 100% convincente (como as brigas de punho da série original também nunca foram), mas é o tipo de suspensão da descrença que dá gosto de nutrir. O fator empolgação fala mais alto.

O único problema da sequência é a segunda fuga de Menos, após a suposta rendição em sua nave. Bastaria um tiro em tonteio para pôr o prisioneiro a nocaute, mas o trio da Enterprise acaba deixando ele escapar, de forma não muito convincente. Entretanto, depois que se vê o payoff da situação no diálogo entre Archer e T’Pol, entende-se que valeu a pena o vacilo do capitão e seus comandados — pelo menos do ponto de vista dramático.

Mayweather e Archer na nave de Menos

Se, por um lado, o episódio é um prato cheio para T’Pol e Archer, por outro, os demais personagens passam quase que esquecidos. Mayweather faz parte do grupo de descida, mas sua participação é a de um figurante de luxo. E o enredo secundário do episódio, com Trip no comando da Enterprise, só serve a algumas piadas de gosto duvidoso (embora a cena em que o engenheiro se passa pelo capitão Archer para falar com o capitão vulcano tenha lá o seu charme).

Do ponto de vista técnico, marca o belo trabalho de maquiagem feito para os alienígenas do bar, assim como as tomadas em CGI, especialmente das imediações da locação alienígena. A direção é bastante eficiente, especialmente em retratar o drama de T’Pol e no tiroteio final, mas fracassa em transmitir ação suficiente na primeira captura de Menos.

Tucker no comando da Enterprise fingindo ser o capitão

Um destaque final vai também para as cenas de flashback da caçada de T’Pol aos agentes fugitivos na selva de Risa e no santuário de P’Jem — o tom amarelado da sequência e a lente que permite visualizar com clareza apenas a parte central da tela ajudam a reforçar a ideia de que se trata de memórias dolorosas e, acima de tudo, vitimadas por grave manipulação. Um toque de mestre.

Há muito pouco aqui que possa ser comparado a segmentos anteriores de Jornada. E é sempre bom ver uma história realmente original. E, se é uma boa história, então, melhor ainda. Por isso, “The Seventh” acaba marcando sua posição como um dos episódios fortes desta segunda temporada.

Avaliação

Citações

“Move over, Porthos, let the lady sit down. Sounds like this is gonna be good.”
(Sai daí, Porthos, deixe a moça sentar. Parece que isso vai ser bom.)
Archer

“I need to be with someone I can trust.”
(Preciso estar com alguém em quem confie.)
T’Pol

“We don’t do quickly and quietly well but we are good at arithmetic.”
(Nós não fazemos bem em silêncio e rapidamente, mas somos bons de aritmética.)
Archer

“When you don’t have the ability to repress emotions, you learn to deal with them and move on.”
(Quando você não tem a habilidade de reprimir emoções, você aprende a lidar com elas e seguir em frente.)
Archer

“If you ever need someone you can trust…”
(Se um dia precisar de alguém em quem possa confiar…)
T’Pol

Trivia

  • As filmagens começaram no dia 3 de setembro e terminaram no dia 11. Na ocasião, Scott Bakula conduziu a equipe e o elenco em um minuto de silêncio para lembrar os que morreram nos ataques terroristas no ano anterior.
  • Bakula comentou sobre o episódio durante as filmagens: “Estamos filmando um episódio hoje que acabamos de começar, Bruce Davison vai ser a estrela convidada e descobrimos que T’Pol teve uma carreira prévia antes do diretório de ciência.”
  • Bruce Davison é um ator bastante prestigiado no cinema e na televisão. Seu papel mais conhecido dos fãs de ficção provavelmente é o senador Kelly, do filme X-Men. Davison já havia interpretado Jareth, em “Remember”, de Voyager.
  • Em uma entrevista, Davison revelou como se envolveu com Jornada nas Estrelas. “Eu topei com Rick Berman em uma loja de eletrônicos. Eu acho que disse a ele que adoraria fazer uns, e isso faz um tempão. Fiz um para Voyager, trabalhei com Patrick [Stewart] e tenho sido amigo de várias pessoas que estiveram na série, LeVar [Burton], por exemplo.”
  • Davison elogiou muito o trabalho de Jolene Blalock neste segmento. “Esse é um dos melhores trabalhos de Jolene, eu acho. Ela tinha um papel duro para colocar naquele personagem e ela faz muito bem, no iambo pentâmetro de seu personagem que pode revelar tão pouca emoção. É um trabalho duro.”
  • O ator comentou como foi trabalhar com o trio fixo de Enterprise. “[Trabalhei com] Jolene e Scott principalmente, e Anthony [Montgomery] — não o chame de Tony! Eles foram maravilhosos. Eu fiz todo tipo de atuação e essa é uma das mais difíceis. Realmente é, fazer esse material crível, semana sim, semana não. Especialmente quando você tem roteiros onde eles escrevem ‘[tech]’ e então dizem, ‘O dicoblobliador antediluviano de metano está derretido!’ E você precisa fazer com que soe convincente, bem rápido.”

Ficha Técnica

Escrito por Rick Berman & Brannon Braga
Dirigido por David Livingston

Exibido em 6 de novembro de 2002

Títulos em português: “O Sétimo”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

Bruce Davison como Menos
Richard Wharton como Jossen
David Richards como mestre da doca
Vincent Hammond como alienígena grande
Coleen Maloney como oficial vulcano
Stephen Mendillo como capitão vulcano

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

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