ENT 2×16: Future Tense

Archer e T'Pol procurando informações sobre cápsula do futuro em dispositivo deixado por Daniels

Tholianos trazem novas surpresas à já famosa Guerra Fria Temporal

Sinopse

Data: Desconhecida

A Enterprise encontra uma pequena nave à deriva no espaço. Archer ordena que ela seja trazida ao hangar das cápsulas auxiliares, onde a escotilha é aberta e uma descoberta surpreendente é realizada: o piloto da nave é humano.

Enquanto o cadáver é levado à enfermaria para investigação e potencial identificação, com base em análise genética, Archer se pergunta se este não seria o corpo de Zefram Cochrane, que partiu em 2120 numa nave para um tripulante em uma rota desconhecida. O capitão partilha o pensamento com o almirante Forrest, que aponta que, caso a identificação se confirme, pode ser a resolução do mais misterioso caso de pessoa desaparecida daquele século.

Corpo encontrado em cápsula do futuro

Phlox conclui sua análise e refuta a hipótese. Em vez disso, ele descobre que o cadáver possui em seu genoma diversos trechos de DNA não-humano, incluindo genes vulcanos e rigelianos. O código genético do indivíduo parece indicar que ele é resultado de vários séculos de mistura entre as várias raças alienígenas — algo que seria impossível, exceto se aquele humano tivesse vindo do futuro.

Essa nova teoria parece ganhar mais força quando Trip e Reed investigam a nave no hangar das cápsulas auxiliares. Eles descobrem que o casco, quando não avariado, é capaz de absorver totalmente radiação eletromagnética, tornando-se invisível. Além disso, eles verificam que a nave é muito maior do lado de dentro do que do lado de fora, numa aberrante manipulação da geometria do espaço-tempo. A dupla, finalmente, encontra um pequeno dispositivo que parece ser a “caixa-preta” da nave e decide levá-lo à engenharia para mais estudos.

Mayweather, Tucker e Reed analisando cápsula do futuro

Para confirmar a suspeita, Archer decide ir aos aposentos de Daniels e usar o pequeno dispositivo-biblioteca supostamente vindo do futuro. Analisando seu conteúdo, eles confirmam a nave como um veículo construído no século 31.

O sossego da Enterprise não dura muito, entretanto. Logo, Archer é contatado por uma nave de carga suliban. O capitão do cargueiro ordena que os humanos entreguem a nave capturada — uma propriedade deles, segundo o suliban. Archer, obviamente, se recusa, o que leva a um pequeno conflito armado. O cargueiro acaba batendo em retirada.

Archer volta a contatar o Comando da Frota Estelar e arranja para que a Enterprise encontre uma nave vulcana, que deverá levar a nave do futuro à Terra para mais investigações. Sem mais delongas, a nave parte para o ponto de encontro. Mas, novamente, a paz é interrompida quando os tholianos se aproximam e também clamam posse do veículo.

Sulibans querem cápsula do futuro em posse da Enterprise

Num tom aparentemente mais amistoso, os tholianos alertam a Enterprise para o perigo da nave, que está emitindo radiação temporal nas suas redondezas. Archer diz que é capaz de se virar, mas os tholianos insistem pela rendição do pequeno veículo. O capitão da Enterprise ameaça, então, destruir a nave do futuro, o que faz com que os alienígenas recuem.

T’Pol considera altamente arriscado o procedimento do capitão e sugere que, talvez, a melhor opção seja mesmo destruir a nave do futuro. Archer, entretanto, está convencido de que precisa proteger o século 22 da Guerra Fria Temporal e descobrir o que está havendo, daí a razão para preservar o veículo e estudá-lo.

Na engenharia, Trip continua investigando o dispositivo e chega à conclusão de que não se trata de uma caixa-preta, mas, possivelmente, de um sistema sinalizador. Ele e Reed voltam ao hangar das cápsulas auxiliares e sofrem diversas repetições de um mesmo instante — provavelmente efeito da radiação temporal mencionada pelos tholianos.

Tucker e Reed dentro de cápsula do futuro

Enquanto isso, a Enterprise volta a estar sob ataque. Os sulibans retornaram com mais naves e estão determinados a capturar a nave do futuro. A agressão inclui uma invasão à nave, repelida por Reed e Trip na área de carga.

Archer tem a esperança de chegar ao ponto de encontro a tempo de obter ajuda da nave vulcana, mas eles descobrem que os vulcanos já foram atacados e desabilitados — pelos tholianos. Enquanto a Enterprise está indefesa no espaço, sem motores e armas, tholianos e sulibans travam uma batalha para ver quem vai levar a nave do futuro.

Em vez de priorizar os reparos da Enterprise, Archer ordena que Trip faça de tudo para ligar o sinalizador da nave do futuro. Enquanto isso, ele e Reed vão instalar manualmente uma ogiva de um torpedo na nave para providenciar sua destruição. Os dois sofrem diversas vezes o efeito de déja vù antes experimentado por Trip e Reed, o que dificulta a execução do plano.

Nave Vulcana desabilitada por Tholianos

Com muito custo, eles conseguem preparar a ogiva e liberam a nave do futuro no espaço. Os tholianos capturam o veículo com um raio trator e Archer ordena que Reed detone a ogiva. O armeiro informa, entretanto, que os tholianos foram capazes de desativar o explosivo. A nave parece perdida quando Trip consegue finalmente ativar o dispositivo sinalizador e, no momento seguinte, todos os traços da nave do futuro — inclusive o cadáver do piloto e o próprio sinalizador — desaparecem sem deixar vestígios. Frustrados, os tholianos partem sem dizer uma palavra.

Comentários

Se o anterior “Cease Fire” acertou em cheio ao tratar do tema da fundação da Federação, “Future Tense” consegue fazer a mesma coisa pelo outro grande arco da série, a Guerra Fria Temporal. Combinando de forma espetacular elementos atraentes aos fãs antigos e novidades no universo da série, a dupla de escritores Mike Sussman e Phyllis Strong, mais uma vez, nos oferece uma sólida hora de entretenimento.

O único defeito deste episódio é o mesmo de todos os outros envolvendo a Guerra Fria Temporal — só há elementos adicionando ao mistério e praticamente nada aludindo a quaisquer respostas sobre esse grande e enigmático conflito. Pode parecer um comentário pouco significativo, mas ele ganha mais relevância se levarmos em conta a impressão que os produtores dão de que realmente não têm a menor ideia de para onde pretendem conduzir essa história.

Title Card Enterprise Future Tense

Não voltamos a ver os “vilões originais” da série, o “Cara do Futuro” e Silik (este último provavelmente pela indisponibilidade do ator John Fleck, que havia conquistado à época um papel como personagem regular em outra série de TV), embora, em espírito, eles ainda estejam por aqui com os sulibans e temos agora uma nova facção introduzida — os tholianos.

Esse talvez seja o melhor movimento realizado pelo episódio — o uso dos tholianos é, ao mesmo tempo, um saudável afago aos fãs da Série Clássica (esses alienígenas só foram vistos uma vez em Jornada, em “The Tholian Web”, embora tenham sido citados diversas outras vezes nas séries contemporâneas a esta) e uma tremenda renovada na visão que tínhamos desses alienígenas e de sua importância.

O mais saboroso de sua aparição é a sua postura ambígua com relação à Enterprise — é impossível dizer, com base no que é visto aqui, se eles são bem-intencionados ou mal-intencionados na Guerra Fria Temporal. Se esse elemento for mais explorado e aprofundado em episódios futuros, pode trazer um frescor bem-vindo à até agora óbvia divisão entre mocinhos e bandidos neste arco de Enterprise.

Naves Tholianas

Outra referência interessante da dupla Sussman & Strong à Série Clássica vem na forma da hipótese de Archer para explicar a nave abandonada — poderia ser Zefram Cochrane? Os fãs de longa data sabem que obviamente não: o grande inventor, de fato, partiu para uma região desconhecida e nunca foi localizado, até a USS Enterprise, sob o comando de James T. Kirk, descobrir seu paradeiro, no episódio “Metamorphosis”.

Embora, em geral, seja algo ruim a audiência estar uma curva à frente dos personagens, o efeito, aqui, da “hipótese furada” de Archer serve apenas para realçar os aspectos charmosos de se fazer uma série anterior às aventuras de Kirk, sem perder tempo demais com a pequena referência para torná-la enfadonha ou mera encheção de linguiça.

Phlox mostrando a Archer que corpo achado não é de Zefram Cochrane

E, por falar em defesa da premissa da série, este episódio também derruba de forma bastante contundente o argumento de que Enterprise não oferece “tecnologia” ou “narrativa” suficiente para criar agitados e emocionantes episódios de ação e aventura. A sequência de batalhas entre a Enterprise, os sulibans e os tholianos, com uma nave vulcana à deriva, é provavelmente a mais espetacular utilização de efeitos especiais nesta segunda temporada da série — mais pelo ritmo bem dosado das cenas do que por sua profunda inovação.

Toda a sequência final parece manter o telespectador na ponta da cadeira, realmente preocupado com a situação da Enterprise. A visão da nave saindo de dobra e descobrindo os vulcanos desabilitados é desoladora não só para Archer e cia., mas para a audiência, que estava acostumada a ver os antipáticos orelhudos salvando o dia sempre que necessário (um exemplo clássico é “Breaking the Ice”).

Como se tudo isso ainda não fosse suficiente, há um elemento valoroso, ainda que sutil, presente aqui: o universo fictício de Enterprise parece iniciar um processo de consolidação. A cooperação fácil e bem-vinda entre humanos e vulcanos parece uma bela forma de fazer uma referência (ainda que indireta) aos recentes eventos de “Cease Fire”. Naturalmente, a relação Terra-Vulcano está deixando de ser uma de subordinação para uma de fraternidade e colaboração mútua.

Batalha entre Enterprise, Tholianos e Sulibans

O segmento, aqui, é claramente orientado à ação, em detrimento dos personagens. Apesar disso, a natureza do episódio (filmado totalmente dentro dos cenários da Enterprise e com praticamente nenhum personagem convidado) faz com que os tripulantes da nave tenham seus bons momentos.

A relação amistosa e agradável entre Trip e Reed segue sendo reforçada e aprofundada, como vimos nos saborosos diálogos entre os dois enquanto trabalhavam na nave do futuro. Reed tem, também, a chance de reprisar uma cena que lembra bastante, ao menos em ação e elementos, a que ele fez com Archer para desarmar a mina romulana em “Minefield”. Desta vez, entretanto, eles precisam desmontar um torpedo.

Reed e Archer com torpedo

Phlox ganha um providencial diálogo com T’Pol que ajuda a estabelecer um pouco mais da “filosofia otimista e abraçadora” do denobulano, além de mostrar a decrescente resistência da vulcana à hipótese de viagens no tempo. E, mais esquecidos do que nunca, Mayweather e Hoshi Sato fazem apenas cenas residuais. O segmento traz à tona uma preocupação crescente: estaria Hoshi se tornando uma segunda Mayweather? Esperemos que não.

Archer e T’Pol participam de algumas piadinhas engraçadas a respeito da futura relação de cunho sexual entre humanos e vulcanos no futuro e o capitão da Enterprise, mais uma vez, reafirma a noção de que cresceu, amadureceu e está mais do que nunca dominando as situações que ele enfrenta. Isso é especialmente notável quando T’Pol se opõe às suas decisões, mas mostra profundo respeito por elas e segue-as sem pestanejar.

T'Pol, Tucker e Archer jantando ao final de Future Tense

Além disso, o capitão mostra que a Enterprise vai mergulhar de cabeça na confusão da Guerra Fria Temporal, dando a entender que a audiência finalmente pode ter a esperança de obter algumas respostas — assim que os produtores da série as inventarem, sem dúvida alguma.

Enfim, depois de sermos brindados por interessantes momentos de personagens, imersos numa história eletrizante de ação e aventura dirigida com competência por James Whitmore Jr., recebemos um belo de um reset button, com a nave do futuro voltando ao futuro, os sulibans massacrados e os tholianos de volta a seu mundo. Tudo termina como começou — e isso pode ser decepcionante a longo prazo, caso os produtores não decidam retomar o tema em breve, mostrando desdobramentos deste episódio.

De toda maneira, olhando para o segmento individualmente, temos uma sólida hora de diversão e um roteiro agradável e, por vezes, brilhante, trazendo à tona várias das melhores qualidades da série.

Avaliação

Citações

“If a human and a Vulcan did have a child… I wonder if he’d have pointed ears?”
(Se um humano e um vulcano tiverem uma criança… pergunto-me se ela terá orelhas pontudas?)
Archer

“I believe in embracing surprises.”
(Eu acredito em abraçar surpresas.)
Phlox

“And you call yourself an explorer?”
“What’s the fun in exploring if you know how it all turns out?”
(E você chama a si mesmo de explorador?)
(Qual é a graça de explorar se você sabe como tudo termina?)
Reed e Tucker

“I wonder if they [Vulcan High Command] will believe that humans and Vulcans will be swapping chromosomes one day?”
“They’re more likely to believe in time travel.”
(Eu imagino se eles [o Alto Comando Vulcano] vão acreditar que humanos e vulcanos estarão trocando cromossomos algum dia?)
(É mais provável que eles acreditem em viagem no tempo.)
Archer e T’Pol

Trivia

  • O episódio mostra a primeira aparição dos tholianos em Enterprise, e a segunda em Jornada nas Estrelas. Sua estreia foi no episódio “The Tholian Web”, da Série Clássica.
  • Até pouco tempo antes da exibição, o nome do episódio era listado como “Crash Landing”.
  • Brannon Braga comentou o episódio. “Temos outro segmento da Guerra Fria Temporal vindo aí e os tholianos vão fazer uma espécie de aparição-surpresa no episódio. Sugerimos que eles podem estar envolvidos, de algum modo, como outra facção na Guerra Fria Temporal. Então, eles não são apenas uma espécie que encontramos. Eles podem ter um papel maior.”

Ficha Técnica

Escrito por Mike Sussman & Phyllis Strong
Dirigido por James Whitmore Jr.

Exibido em 19 de fevereiro de 2003

Títulos em português: “Futuro do Presente”

Elenco

Scott Bakula como Jonathan Archer
Jolene Blalock como T’Pol
John Billingsley como Phlox
Anthony Montgomery como Travis Mayweather
Connor Trinneer como Charlie ‘Trip’ Tucker III
Dominic Keating como Malcolm Reed
Linda Park como Hoshi Sato

Elenco convidado

Vaughn Armstrong como almirante Forrest
Cullen Douglas como soldado suliban

Enquete

Edição de Mariana Gamberger
Revisão de Nívea Doria

Episódio anterior | Próximo episódio