TNG 2×22: Shades of Gray

Segmento grotescamente econômico fecha a segunda temporada

Sinopse

Data estelar: 42976.1

Riker e Geordi estão numa missão avançada no planeta inexplorado Surata IV, e o primeiro oficial é picado por alguma coisa na perna. Por conta do ferimento, La Forge recomenda que ele volte à nave, mas o teletransporte detecta uma infecção que os biofiltros não conseguem excluir.

Pulaski desce ao planeta para examinar Will e então autoriza o transporte dele para a nave. Riker é levado à enfermaria, enquanto Geordi volta ao planeta com Data para tentar identificar o que o feriu: uma planta em simbiose com um micróbio mortal. A dupla traz uma amostra para análise, e o microrganismo se mostra fatal.

Riker tenta encarar a situação com altivez, mas logo cai inconsciente. A infecção começa a se espalhar, e Pulaski se vê obrigada a estimular seu sistema nervoso para mantê-lo vivo. Durante o processo, descobre que disparar artificialmente o acesso de Riker a lembranças, em forma de sonho, parece conter a infecção. Mas há distinções: memórias agradáveis facilitam a ação do patógeno, e memórias tensas ajudam a contê-lo.

Regulando cuidadosamente o estímulo, e com a ajuda de Troi para monitorar o estado mental de Riker, a médica é capaz de eliminar a infecção e salvar a vida do comandante.

Comentários

“Shades of Gray” é o pior episódio de toda a série, fácil. Seria ótimo poder dizer como a trama dele é terrível, muito mal estruturada e executada, se ao menos ele tivesse uma. A história se resume a: Riker sofre uma infecção, Pulaski trata e, enfim, cura o primeiro oficial.

Reviravoltas? Agora está melhorando. Agora está piorando. Agora melhorando de novo. Agora ficou bom. É um horror.

Entende-se que o segmento, um clássico clip show (episódio que busca reciclar cenas de jornadas anteriores para complementar sua execução), tinha por objetivo ajustar os custos da série após estouros de orçamento com alguns dos momentos mais caros da temporada.

Isso explica parte da ruindade. Note-se que todas as cenas inéditas do episódio foram filmadas em apenas três cenários: o ambiente selvagem do planeta, a sala de transporte e a enfermaria (quatro se você contar o escritório da Pulaski, adjacente). Isso não ajuda, mas não seria um impeditivo absoluto para um segmento ao menos razoável.

O que torna “Shades of Gray” tão ruim é a preguiça mortal que acometeu os roteiristas, capitaneados pelo showrunner Maurice Hurley, em formular ao menos uma história intelectualmente provocante. Duas pessoas numa sala conversando podem ser mais interessantes que uma trama de ação amalucada. Mas aqui sequer há a preocupação de tornar a história atraente ou mesmo lógica. O roteiro é recheado de subterfúgios para gastar o tempo, como a enrolação suprema para levar Riker à nave após o ferimento.

O mergulho no inconsciente do personagem, que é usado para viabilizar a reciclagem de cenas das duas primeiras temporadas, poderia até mesmo levar a algum tipo de sondagem da mente ou da personalidade de Riker. Mas não. E a solução é igualmente sem sentido.

As atuações não ajudam. Poderíamos ter mais de Will contemplando a morte, mas a coisa é tratada de forma pedestre (talvez para obedecer à diretriz de Roddenberry sobre a sensibilidade superior dos humanos no século 24, que nos impediria de ver Riker revoltado por sua situação), e em alguns momentos é impossível não rir com o humor involuntário de cenas que se arrastam com Pulaski olhando por uma espécie de microscópio enquanto Deanna Troi faz caras e bocas. É constrangedor.

Enfim: foi pensado para ser ruim e barato, e foi exatamente isso que tivemos. Se pensar por esse prisma, missão cumprida. Mas uma experiência que não merece ser repetida.

Avaliação

Citações

“Deanna, facing death is the ultimate test of character. I don’t want to die, but if I have to do, I’d like to do it with a little pride.”
(Deanna, enfrentar a morte é o teste de caráter definitivo. Não quero morrer, mas se eu tiver que morrer, quero fazê-lo com um pouco de orgulho.)
Riker

Trivia

  • O diretor Rob Bowman admitiu abertamente que o episódio, filmado em apenas três dias, foi uma estratégia para economizar. “Foi a Paramount dizendo: ‘Demos a vocês mais dinheiro para ‘Elementary Dear Data’ e o episódio com os borgs. Agora nos façam um favor e nos deem um episódio de três dias.’ E foi isso que eu fiz. Faz parte do trabalho nesse meio.”
  • A compilação de cenas ficou sob a responsabilidade do assistente de produção Eric A. Stillwell. E ele quase convenceu os produtores a chamarem este episódio de “Riker’s Brain”, o que seria extremamente apropriado, considerando o desapreço que muitos têm pela qualidade do episódio “Spock’s Brain”, da Série Clássica. Mas acabou sendo “Shades of Gray”, também sugestão dele, que foi creditado como “Pesquisador” no episódio.
  • O episódio marca a última aparição de Diana Muldaur como Pulaski, e não conta com Michael Dorn e Wil Wheaton para cenas inéditas (embora eles apareçam nos clipes de episódios anteriores reaproveitados aqui).
  • Maurice Hurley sabe bem qual foi o resultado final. “Uma merda. Era para ser um bottle show. Terrível, simplesmente terrível, e um modo de salvar algum dinheiro. Eu já estava de saída.” De fato, Hurley não voltaria para a terceira temporada e queria entregar a casa em ordem, em termos orçamentários.

Ficha Técnica

História de Maurice Hurley
Roteiro de Maurice Hurley e Richard Manning & Hans Beimler
Dirigido por Rob Bowman

Exibido em 17 de julho de 1989

Título em português: “Nuances do Passado”

Elenco

Patrick Stewart como Jean-Luc Picard
Jonathan Frakes como William Thomas Riker
Brent Spiner como Data
LeVar Burton como Geordi La Forge
Marina Sirtis como Deanna Troi

Elenco convidado

Diana Muldaur como Katherine Pulaski
Colm Meaney como Miles O’Brien

Enquete

Edição de Maria Lucia Rácz
Revisão de Susana Alexandria

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